No reino da estupidez

Paulo Bento descarta operar uma revolução no onze da Seleção Nacional para o jogo com os EUA, embora reconheça estar obrigado a introduzir alterações por força das lesões de Fábio Coentrão e Hugo Almeida e da expulsão de Pepe.

«Vamos ter que fazer alterações, e são várias. Estamos a falar de duas lesões e de uma expulsão. Reformular tudo o que diz respeito aos nossos processos seria, na minha opinião, o maior erro que poderíamos cometer.»

«Normalmente, é na adversidade que vemos quem somos. Teremos de ter a capacidade de lutar por esse objetivo e estou perfeitamente convicto que o faremos».


«Reformular tudo seria um erro» – Paulo Bento

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"O meu sentimento, hoje, é o mesmo do jogo na Suécia, quando vos transmiti [aos jornalistas] o orgulho e satisfação em estar na seleção nacional e a gratidão aos jogadores pelo que têm feito. Sei da minha responsabilidade e sei que em abril cheguei a um acordo com a FPF, que não tinha só a ver com os resultados no Mundial, mas também com os objetivos para o Euro 2016. Perante este facto, aconteça o que acontecer amanhã [contra o Gana], não me demito do cargo", vincou.


Paulo Bento recusa demitir-se e fica até ao Euro 2016

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Para o jogo com os EUA, Bento admitiu fazer alterações por razões de força maior, vá lá. Limitou-se a fazer aquelas a que estava obrigado, tentando mudar o mínimo possível o padrão de jogo da equipa. Depois, veio o jogo. Num golpe de sorte, há uma bola que é desviada por um americano directamente para os pés de Nani que estava em frente da baliza. Achando que ainda não era suficiente, o destino obrigou o guarda-redes dos EUA a mandar-se para o chão antes do remate, assim deixando a baliza toda aberta. Bento continuou igual a si próprio a ver a banda passar. E a banda passou. Só por lesão aceitou pôr em jogo o William Carvalho, que veio finalmente dar um meio-campo à equipa e que apenas falhou um passe, e só por desespero aceitou pôr em jogo o Varela, que marcou um golo com pés e cabeça. Portugal merecia ter perdido por tantos golos quantas as ocasiões flagrantes dos EUA.

Este Mundial é um desastre desportivo e profissional que se prepara, pelos vistos, para ficar sem responsáveis. Se assim acontecer, e pese a irrelevância da questão quando comparada com os problemas económicos e sociais que atingem a população, será mais uma machadada na dignidade deste país. Claro, tratando-se do mesmo país que aceita ter como Presidente da República um fulano que diz ao seu homólogo alemão que aprendemos “a lição dos últimos anos”, e também do mesmo país que aceita ter como primeiro-ministro quem enganou todo o eleitorado para assim poder empobrecer quase todos os portugueses, é caso para perguntar se este não será, afinal, o país onde Paulo Bento deve ser declarado seleccionador vitalício e mandar logo a seguir ao jogo com o Gana os jogadores que estão no Brasil para um estágio de preparação do Mundial de 2018.

3 thoughts on “No reino da estupidez”

  1. Também ouvi a referida declaração de Cavaco. Senti vergonha. Não sei a que derrota se referia o indescritível presidente, se aquela frente à Alemanha ou se esta outra, simbólica, em frente dela. Paulo Bento deve rever-se num pacóvio assim, que enxovalha o seu país e a nossa História.
    E nem sequer faltou a empregada de limpeza a varrer o lixo aos pés de suas excelências. A propósito, alguém sabe pormenores sobre esta tão oportuna “performance”?

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