Arquivo da Categoria: Valupi
Sim, claro, menos a parte do “highly intelligent”
“José Manuel Barroso was here a couple of times. I had the impression of a highly intelligent man who was only concerned about the future of Mr. Barroso. And that was certainly not the case with someone like Jacques Delors.“
Europe for the Right Reasons: A Conversation with Stanley Hoffmann by Michal Matlak
Isto é muito bom
"António Costa é agora o mais fiel aliado de Passos Coelho... Aliás, como José Sócrates e os seus henchmen, interessados em negociar apoio parlamentar em troca de aggiustamento do processo. Se houver novas eleições próximas, por instabilidade política, Costa e o socratismo-ferrismo serão defenestrado no PS pela erosão provocada pelo Bloco de Esquerda e as novidades do processo Sócrates. Daí as imediatas sugestões de negociação com PSD-CDS feitas por Vieira da Silva, por Ferro Rodrigues e por Santos Silva. o PS quer manter os lugares de controlo no Estado (nos serviços de informação, nos serviços tributários, na segurança social, no ministério da economia e nas finanças) e defender os editores de confiança nas TVs, rádios e jornais: o socratino Sérgio Figueiredo, Judite de Sousa, mano Costa (António José Teixeira já caíu...), Paulo Baldaia, João Marcelino, etc., etc.. Porém, o domínio socialista do Estado e dos média existia na expetativa de que o PS negro voltaria ao poder após o interregno de Passos Coelho. Ora, Balsemão, os donos da TVI e os angolanos da Controlinveste, sabem que se finou essa esperança e que é altura de se virarem rapidamente para Passos."
Generosamente exposto para gozo público por um doente da corneta
TINA, a assassina que o povo reelegeu
Male suicide on rise as result of austerity, report suggests
According to the research, every one per cent fall in growth rate of GDP in the Eurozone's periphery countries has seen a 0.9 per cent increase in suicide rates across all ages, which equates to over 6000 suicides in total over the period 2011-12.
Between 2011 and 12 there have been:
· 580 male suicides between the ages 10-24, a 1.6 per cent increase
· 2995 male suicides between the ages 25-44, a 1.4 per cent increase
· 765 male suicides between the ages 45-64, a 0.4 per cent increase
· 1725 male suicides between the ages 65-89, a 1.3 per cent increase
The above figures relate to falls in the growth rate of GDP but when looking at spending cuts alone, the male population most heavily affected is aged between 65 and 89. This translates to 2325 males in this age bracket having committed suicide between the years 2011 and 2012 due to fiscal austerity.
E as mulheres, senhor Costa?
A espectacular vitória do BE, numa liderança exuberantemente feminina, realça um dos primeiros e mais alarmantes erros de Costa ao tempo: ter metido à frente da bancada um Ferro Rodrigues institucionalmente correcto mas politicamente murcho, preterindo uma Ana Catarina Mendes promissora e combativa.
Nesta senda, ter deixado na sombra uma das estrelas socialistas da legislatura, a Isabel Moreira, foi outro erro que confirma o conservadorismo medroso com que o PS partiu para esta campanha.
Primeiro milho
Obrigado, Observador
Observador, um pasquim onde só escrevem direitolas talibãs e que serve para republicar os conteúdos caluniosos do esgoto a céu aberto e congéneres, bolçou uma reportagem sobre a ida de Sócrates à sua assembleia de voto. O título, e o texto respectivo, é um mimo de patifaria – “Enorme” como Deus, Sócrates foi votar pela primeira vez depois da prisão – mas é na seguinte passagem que damos por bem empregue o tempo perdido a ler a bosta:
Ali depois dos sapatos engraxados (incrível o que estes bandidos são capazes de fazer quando resolvem sair à rua), e antes da informação acerca das opções de vestuário da “maioria das figuras nacionais” (o que revela a qualidade deste jornal, e deste jornalista, dando uma novidade da maior importância que fica como dado inquestionável a marcar estas eleições), temos a verdadeira cacha: Sócrates foi apanhado pelo João de Almeida Dias numa “posse de Estado“.
Sendo assim, e não temos qualquer razão para duvidar desta gente séria que tecla no Observador, é bom que este cabrão não volte a poder sair de casa tão cedo. Se o monstro, só por tocar com as manápulas num boletim de voto, consegue tomar posse do Estado, o que não conseguirá ele fazer aos bens e familiares das pessoas, incluindo menores, calhando poder ir ao café quando lhe dá na gana ou andar de autocarro sem pedir autorização ao Carlos? Medo. É caso para termos muito medo.
Cavalgaduras
Antecipando o que poderá ser um dos mais absurdos resultados eleitorais da democracia portuguesa, deixo aquele que poderá um dos mais absurdos diálogos na história do cinema Hollywoodesco. Passa-se no filme Crimson Tide, sendo Gene Hackman e Denzel Washington os protagonistas da fita e desta cena. Cá vai:
Capt. Ramsey: Speaking of horses, did you ever see those Lipizzaner stallions?
Hunter: What?
Capt. Ramsey: From Portugal. The Lipizzaner stallions. The most highly trained horses in the world. They're all white?
Hunter: Yes, sir.
Capt. Ramsey: "Yes, sir", you're aware they're all white or "Yes, sir", you've seen them?
Hunter: Yes, sir, I've seen them. Yes, sir, I was aware that they're are all white. They are not from Portugal; they're from Spain and, at birth, they're not white; they're black. Sir.
Capt. Ramsey: I didn't know that. But they are from Portugal.
[riso sarcástico]
Capt. Ramsey: Some of the things they do, uh, defy belief. Their training program is simplicity itself. You just stick a cattle prod up their ass and you can get a horse to deal cards.
[risada sarcástica]
Capt. Ramsey: Simple matter of voltage.
A raça de cavalos Lipizzan é de origem eslovena, resultado do cruzamento de várias raças e do adestramento austríaco começado pelos Habsburgos.
Revolution through evolution
Is beauty really in the ‘eye of the beholder’? Yes, and here’s why
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Does knowing high-status people help or hurt?
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Study Reveals Why Men Receive Much More Media Coverage Than Women
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Early maturing girls at great risk of alcohol abuse without close parental supervision
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Cellphones can damage romantic relationships, lead to depression, say researchers
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Tweets from mobile devices are more likely to be egocentric
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Investors are indifferent to the technology needs of healthcare systems, study suggests
Continuar a lerRevolution through evolution
Só falta o crucifixo
Um país de pafiosos?
Se os pafiosos ganharem, ou mesmo que fiquem com menos votos mas mais deputados do que o PS, isso será uma enorme surpresa para todos quantos, ao longo de 4 anos, pensaram ser impossível tal resultado. Como é que aqueles que traíram como nunca se tinha visto os compromissos eleitorais, e depois partiram para um castigo fanático e desastroso da comunidade, poderiam voltar a ganhar as eleições? Para o choque ser ainda mais vexante, esse cenário teria sido concretizado num curtíssimo espaço de tempo, o último mês de campanha. Manuais de ciência política terão de ser reescritos à pala desta eventualidade.
Todavia, o possível triunfo pafioso em nada desmerece a democracia. A acontecer, será tão legítimo como outro resultado qualquer. E tanto a vida como a luta continuam. Para os que não se identificarem com esses vencedores, fica a tarefa de compreenderem o país onde se realizam como cidadãos. Que país será esse que prefere Passos e Portas a qualquer outra solução de Governo?
A primeira constatação é a de que estamos perante eleitores que se motivam pelo medo. Os pafiosos apostaram tudo no discurso do medo, na retórica do apocalipse e na difamação moral. Estes argumentos são tão mais poderosos quão mais frágil, e menos politizado, for o intelecto do receptor. Assim, uma população idosa e analfabruta não dispõe de instrumentos cognitivos para criticar os apelos ao ódio a partir de deturpações e mentiras. Noutros segmentos sociais, esta pressão caluniosa também leva a que muitos eleitores optem pela abstenção, dado deixarem-se influenciar pela imagem negativa lançada para cima do PS e não podendo voltar a votar em quem tanto os enganou e tanto mal lhes fez sem com isso perderem o respeito próprio.
O combustível para o medo veio de várias fontes. Uma delas é o desfecho do confronto entre a Grécia e a Europa, culminando nas cenas das filas nas caixas automáticas para levantar o máximo diário, juntamente com as cenas da falta de produtos nas lojas e todo esse aparato resultante do castigo imposto aos gregos. Uma outra fonte, imprevista e em cima do auge da campanha eleitoral, é a das imagens dos refugiados a entrarem na Europa e a notícia de que algum contingente viria para Portugal. Isto gerou uma reacção surda, e por isso profunda, de um medo irracionalizante e racista. Um racismo construído a partir do pavor provocado pelo terror de bandeira islâmica. Logo, este estado emocional favorece a adesão à autoridade do momento, leva para atitudes defensivas e conservadoras. A terceira fonte do medo é a estupenda campanha que explora a figura e a pessoa de Sócrates, constantemente usado como papão, chefe de bandidos e potencial déspota que tem de ser mantido no calabouço, ou ser abatido, sob pena de voltar à política e desatar a comprar jornais, a despedir a Moura Guedes, a falar num tom mais entusiasmado com a Judite de Sousa e a fazer auto-estradas onde ninguém decente quer pôr os pneus, entre outras malfeitorias horripilantes. Conseguir ao longo de anos e anos manter esta chama acesa, onde a direita se pode servir à-vontade da pulsão populista e canalizá-la toda para este bode expiatório que até na Justiça é tratado como algo inferior a um ser de direitos e garantias, é já do domínio do psiquiátrico. E exibe a miséria cívica transversal ao regime, onde as honrosas excepções não chegaram até hoje para nos darem um general.
Ver os pafiosos ganharem, ou a perderem por pouco, será também reconhecer o papel da comunicação social na criação de uma opinião pública letárgica, depressiva e derrotista. O País é pequeno e a nossa imprensa é minúscula. Não existe nenhum órgão que possamos associar a uma simpatia pelo PS, ou pela social-democracia. Nem um. Mas existem vários que são ostensivamente simpatizantes do PSD, esteja lá quem estiver na liderança, como o grupo Impresa. Existem aqueles que não são claros, que simulam uma independência deontologicamente exemplar, mas que na prática pendem para as agendas da direita, como o grupo Controlinveste. E depois temos órgãos especializados na luta política a favor da direita e contra o PS, como o grupo Cofina e o grupo Newshold. Esta realidade faz do PS um partido isolado e cercado no sistema, neste momento a sofrer a maior pressão a que alguma vez esteve sujeito. Até a extrema-esquerda desfruta de muito melhor imprensa, seja porque não assusta a oligarquia, seja porque assim se aumenta o desgaste do PS.
Será este o país onde somos cidadãos? Amanhã, logo pelas 8 da noite, ou um pouco mais tarde, ficaremos a saber.
Excelente pergunta
João Ramos de Almeida faz uma excelente pergunta – Por que deixaram Passos e Portas sozinhos a explicar a frágil retoma económica? – cuja resposta, dado estar com pressa, vou resumir em duas orações: (i) porque a esquerda portuguesa é imbecil e (ii) porque quem levou esta direita decadente para o poder não se importa que ela por lá fique desde que com isso se consiga manter a esperança de ir anulando, e até mesmo destruindo, o PS.
O que o João escreveu, que só por si justifica a leitura e até a releitura, teve ainda um bónus, este na sua caixa de comentários. Junto-me à perplexidade de quem escreveu o seguinte:
Lamentavelmente o PS não conseguiu desmontar a estratégia fundamental da coligação PaF que consistiu em fazer recair sobre o anterior governo todas as culpas da situação de crise que o país vive e viveu. Uma vez mais Coelho/Portas não tem pejo algum em mentir e faltar à verdade histórica.
Ora não é verdade atribuir culpas ao governo de Sócrates pela chamada crise das dívidas públicas que a Europa viveu. Sócrates não foi o responsável pela falência do Lehman Brothers ou pelo ida da Troika para a Irlanda ou para a Grécia ou pela bancarrota da Islândia ou ainda pelo quase resgate da Espanha e a subida dos juros da dívida pública a valores quase insuportáveis na Itália e na Bélgica e de uma maneira geral pelos países do euro.
Não se pode honestamente responsabilizar a governação de Sócrates pela subida vertiginosa dos juros da dívida pública no auge da crise do euro e que tornou impossível o financiamento do país através dos mercados financeiros e a consequente vinda da Troika.
Ao não saber desmontar esta estratégia tornou-se muito difícil ao PS contradizer a PaF quando ela se apresenta como responsável por “corrigir” o rumo e “entrar no caminho certo” como se lê na “mensagem aos portugueses” distribuída pela coligação.
Daí a impensável eventual vitória eleitoral da coligação Coelho/Portas.
Depois de:
O PIB com a coligação PaF regrediu para os níveis de 2003.
O rendimento disponível dos portugueses é inferior ao do ano 2000.
Entre 2010 e 2013, o PIB “per capita” português caiu 7%.
O nível de vida dos portugueses recuou, em 2013, para valores de 1990.
O número de pessoas com emprego não era tão baixo desde 1995.
O investimento caiu para níveis que não se registavam desde finais dos anos oitenta.
O número de pessoas que emigram todos os anos é maior do que na década de 1960
Existem mais de um milhão e duzentas mil pessoas continuam sem encontrar um emprego em condições.
A pobreza e a desigualdade aumentaram, num dos países que era já dos mais desiguais de toda a Europa.
A dívida pública aumentou de 94,0% do PIB em 2010 para 130,2% em 2014.
Em 2010 tínhamos uma divida externa líquida de 82,7% do PIB que aumentou para 104,5% em 2014.
O IRS aumentou mais de um terço entre 2010 e 2013.
É deveras espantoso!!!
O perigo de fuga deste arguido é extremo, não se pode convocar as forças armadas para cercarem Lisboa, à cautela?
O juiz Carlos Alexandre e o procurador Rosário Teixeira concordaram: José Sócrates pode ir votar no domingo à hora que quiser. Mas tem de ir com escolta policial. Falta saber se o ex-primeiro-ministro aceita as condições.
Óbvio ululante
Caso António Costa, até à meia-noite de hoje, mostre publicamente tudo o que lhe vai na alma de secretário-geral do Partido Socialista a respeito da anunciada ausência de Cavaco nas comemorações da República, não só não perderá nenhum dos votos que já tem como se arrisca a ganhar mais um deputado ou dois. Ou mais.
Em quem irá votar a Laura, a doente oncológica sem cabelo?
A mulher de Pedro Passos Coelho já apresenta melhorias após a luta contra um cancro. Com o final dos tratamentos de quimioterapia, Laura Ferreira regressa aos poucos à vida normal e o cabelo começa a crescer, como mostra a revista FLASH! através de fotos exclusivas publicadas na edição de 2 de outubro.
O primeiro-ministro está agora concentrado na época de eleições, e a esposa prepara-se para ir votar este domingo, dia 4 de outubro."
O ideal comunista reduzido ao paroquialismo populista
O lugar de Cavaco na História
Cavaco, entre outras misérias, também fica na História de Portugal como o primeiro e único Presidente da República que assistiu calado e cúmplice à desonra da abolição dos feriados do 5 de Outubro e do 1 de Dezembro. Abolição meramente castigadora, símbolo e instrumento da violência que se abateu sobre nós como punição, e que encontrou em Passos e Portas os seus implacáveis capatazes. Nada mais coerente com a sua prática presidencial e com a prática de um Governo de traidores, os quais espezinharam nestes 4 anos de mentiras o espírito cívico e patriótico que se celebra nas comemorações da República e da Independência.
Antecipando uma vitória da sua família política e moral, não quer aparecer na rua no dia a seguir às eleições. O seu ar de alegria esfuziante seria impossível de esconder, podendo causar reacções imprevistas nalgum combatente da 1ª Guerra que ainda se passeie por aí. Contudo, caso estivesse em causa uma vitória do PS, não deixaria de discursar solenemente para deixar os seus avisos à navegação e cascar na classe política, outra vez a merecer desprezo deste ser impoluto e ascético. Voltariam os riscos de fome e tragédias várias com que nos brindou de 2008 a meados de 2011. Voltaria a lembrar que o tempo dos sacrifícios tinha acabado, pedindo aos jovens um sobressalto cívico de forma a garantir consensos alargados dessa malandragem que se preparava outra vez para destruir a Nação. Por consensos alargados, leia-se “baixar as calcinhas e assumir a posição”.
Em suma, eis a figura mais emblemática e poderosa da direita portuguesa, o político há mais tempo no activo, a exibir-se em todo o seu esplendor para a História dos Sonsos – onde permanecerá fulgurante pelos séculos afora.
Foi a austeridade que nos levou à bancarrota
A luta política, mesmo em democracias estabilizadas e robustas, é sempre uma réplica da luta selvagem pela sobrevivência – pois se trata do acesso aos recursos e ao estatuto. Consoante a cultura cívica de cada um dos contendores, essa dimensão selvagem poderá estar mais sublimada ou ser mais visceral. No caso da direita portuguesa actual, por estar numa fase decadente onde não tem líderes carismáticos nem projecto agregador desde a traição de Barroso, reina a selvajaria visceral, do topo às bases.
Assim, será estulto esperar que campanhas e debates sirvam para esclarecer questões materiais, concretas, tangíveis, relativas à governação. Se nem em contextos académicos e científicos os especialistas, peritos e eruditos garantem pela sua autoridade a chegada a consensos que correspondam a “esclarecimentos”, por que raio se alega que é esse o dever dos políticos, ainda por cima quando estão a tentar serem os favoritos dos eleitores? Essa não é só uma expectativa moralista, é também uma parvoíce.
A temática da “bancarrota” ficará como um exemplo paradigmático do que se entende por “fazer política” de forma eficaz quando é apenas o poder pelo poder que motiva a participação em actos eleitorais. Como quase todos sabem, à excepção do PS, o discurso da direita resume-se a repetir obsessivamente o juízo de culpa pelo pedido de resgate de 2011. Não têm mais nada para atirar contra os socialistas. E há muitas e boas razões para estarem agarrados à Troika, é que não conseguiriam demonstrar a factualidade de qualquer acto governativo, ou soma deles, entre 2005 e 2011 como origem da situação que provocou a assistência financeira internacional – exclusão para este raciocínio da verdadeira causa do resgate, o chumbo do PEC. Mas não são só os políticos da direita que não conseguem estabelecer essas conexões, os jornalistas que fazem a opinião em Portugal, e que na sua enorme maioria repetem a cassete da culpa socialista pela “bancarrota”, também nunca explicam quais foram os factores estritamente governativos que causaram a emergência financeira em Março e Abril de 2011. O que todos fazem é marcar a ferro e fogo o PS com essa culpa que, logo de seguida, é explorada de forma a assustar a audiência através da alegada falta de dinheiro para pagar salários, pensões e, na última versão, alimentar o Multibanco. Nada disso aconteceu mas é como se tivesse acontecido – o que é uma forma de levar a que se inscreva como falsa memória.
O gráfico que Pedro Magalhães usou no seu artigo mostra como em Portugal as medidas de austeridade já vinham de 2009. Se perguntarmos à esquerda aliada da direita, essa austeridade começou em 2005. E, de facto, logo que Sócrates tomou posse começou a fazer uma governação que levou à descida do défice através de uma gestão disciplinada das contas públicas, juntamente com diferentes estímulos ao investimento, desenvolvimento e exportações. A situação antes da crise de 2008, e ao longo da resposta europeia a essa crise, era tão consensual no centro-esquerda e centro-direita que Marcelo Rebelo de Sousa dizia à boca cheia ser Sócrates a maior ameaça que alguma vez tinha aparecido para os interesses da direita, sendo capaz de tornar o PSD num partido irrelevante no sistema. Veio a crise e o pânico de que se estivesse à beira de uma depressão mundial. As contas públicas, de inúmeros países, entraram em convulsão. Veio a crise grega que inaugura a crise das dívidas soberanas, e na Europa a austeridade tornou-se opressiva e totalitária. É olhar para o gráfico.
Daí a interrogação. Exactamente como e quando é que o PS nos levou à bancarrota? Terá sido quando Sócrates se reuniu secretamente com Passos Coelho e lhe ofereceu o que ele pedisse desde que aceitasse não afundar o País na pressa e cobiça de ir ao pote?
Perguntas simples
Paulorangelismos
Alguém acredita que sem os pafiosos no poder fosse possível a Rosário Teixeira e Carlos Alexandre cometerem tantas ilegalidades e pulhices contra um arguido chamado Sócrates?
Alguém acredita que sem os pafiosos a dominar a comunicação social fosse possível abafar um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa que denuncia várias violações do Estado de direito cometidas por um magistrado do Ministério Público e por um magistrado judicial a agirem em conluio contra um alvo político da maior importância nas presentes legislativas?
Alguém acredita que sem o apoio do Presidente da República e da Procuradora-Geral da República fosse possível aos pafiosos explorarem criminosa e impunemente, através da imprensa patifiosa, a prisão de um ex-primeiro-ministro e ex-secretário-geral do PS que permanece sem acusação ao longo de todo um ano eleitoral?
Alguém acredita que as manobras dilatórias de Rosário Teixeira em ordem a impedir o acesso da defesa ao processo não pretendem desesperadamente evitar que se saiba antes da votação de 4 de Outubro que a acusação apenas conseguiu reunir até agora um saco cheio de gambozinos?




