How low can you go?

“É uma matéria que neste momento é objecto de polémica político-partidária e quando as coisas chegam a esse ponto o Presidente da República não deve fazer comentários públicos”, respondeu Cavaco Silva, quando questionado pelos jornalistas em Jacarta (à margem de uma visita de Estado que realiza à Indonésia) sobre a polémica que envolve o ministro dos Assuntos Parlamentares.

Fonte

Dois textos lúcidos sobre a Europa que emparelham bem

Um em português, do qual destaco uma passagem:

Quanto mais dúvidas surgem sobre a permanência da Grécia na Zona Euro, menos o Estado alemão gasta pela dívida que emite. Quanto maior o receio de que Espanha venha a precisar de assistência financeira para capitalizar os bancos, mais barato se financiam as grandes empresas alemãs.”

Outro em inglês, do qual destaco também uma passagem (o bold é meu):

There is, in fact, plenty of historical evidence that the most effective way to cut deficits is to combine deficit reduction with rapid economic growth, which generates more revenue. The huge deficits after World War II largely disappeared with fast economic growth, and something similar happened during Bill Clinton’s presidency. The much praised reduction of the Swedish budget deficit from 1994 to 1998 occurred alongside fairly rapid growth. In contrast, European countries today are being asked to cut their deficits while remaining trapped in zero or negative economic growth.

There are surely lessons here from John Maynard Keynes, who understood that the state and the market are interdependent. But Keynes had little to say about social justice, including the political commitments with which Europe emerged after World War II. These led to the birth of the modern welfare state and national health services — not to support a market economy but to protect human well-being.”

Assim prega frei Rangel, não ligues ao que diz mas ao seu papel

Nada de julgamentos sumários, que não são próprios das democracias.

Paulo Rangel, servindo-se do caso Relvas para educar o povo

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“Eu queria denunciar aqui aquilo que se está a passar em Portugal neste momento, onde é claro que a comunicação social trouxe à luz um plano do Governo para controlar os jornais, para controlar estações de televisão, para controlar estações de rádio”, disse Rangel no início da sessão plenária do Parlamento Europeu que se prolonga até quinta-feira.

Para o eurodeputado do PSD, que pediu a palavra no período de declarações de um minuto, a situação em Portugal “põe em causa a liberdade de expressão”.

Rangel deu o exemplo do “jornalista muito conhecido, Mário Crespo” que “viu censurada uma crónica sua, também por sugestão, ou aparente sugestão, do primeiro-ministro”.

O deputado europeu afirmou que o primeiro-ministro, José Sócrates, “tem de dar explicações substanciais ao país”, nomeadamente “explicar que não está a dominar, a censurar a liberdade de expressão em Portugal”.

“Pela forma que estamos a andar, Portugal já não é um Estado de direito. É um Estado de direito formal, onde o primeiro-ministro se limita a formalidades, a procedimentos, a formalismos e não quer dar explicações substanciais”, disse, acrescentando que, para Portugal quer “um estado de direito material”.

Paulo Rangel, de pé e aos berros em Estrasburgo, a defender a pátria e a civilização contra os inimigos das crónicas do Crespo

Marcelino pan y vino

O DN quer que Sócrates seja interrogado a respeito das declarações de Alan Perkins, o qual disse ter ouvido a Charles Smith isto e aquilo. Charles Smith, por sua vez, é quem está a ser julgado por acusação de tentativa de extorsão dos promotores do outlet de Alcochete. Assim, o DN atribui mais credibilidade a um relato em segunda mão de um suspeito de mentir para roubar do que aos milhões de euros que já foram gastos em Portugal e Inglaterra a investigar Sócrates e família ao longo de 7 anos. Ou talvez o DN esteja a sugerir aos seus leitores que estamos perante novas informações, e que até os cartazes lançados em 2009 pela JSD com o Pinóquio a toda a extensão dos 8×3 se referiam a um outro Pinóquio que não este, a uma outra calúnia que não esta.

Não, não há nem pode haver coincidências: um jornal que actua como braço armado de Passos&Relvas será um exacto reflexo de Relvas&Passos.

“Aguardemos para ver”, dizem os outros

Sabemos que há rivalidades entre jornais. Eventualmente, justificam certas reações. Mas, todos os jornalistas de outros jornais que não o Público (ouvi ou li vários do DN ou do Expresso) que andam por aí a pronunciar-se sobre o caso das ameaças de Miguel Relvas a uma sua colega de profissão e que concluem invariavelmente com a frase “Esperemos pelo apuramento da verdade” ainda não se deram conta de que estão a duvidar da dita jornalista e dos que, dentro do Público, estão a par do que se passou e já o vieram dizer no próprio jornal e na televisão, indiretamente chamando-lhes mentirosos ou fantasistas? Ainda há pouco ouvi um jornalista do Público a confirmar, na RTP Informação, o que Miguel Relvas disse à colega, a saber “Se insiste nas suas perguntas pidescas, os ministros farão um blackout informativo ao seu jornal e…” (por aí fora, a já referida ameaça de divulgação na Net de dados da vida privada da senhora).
Colocando-me na posição de Maria José Oliveira, não me parece que estas reações de colegas de profissão sejam tragáveis. Que os amigos, os menos íntimos, de Relvas se expressem assim, é compreensível, enquanto os mais íntimos estudam a estratégia para o safar da alhada em que se meteu. A frase dita por comentadores e politólogos vários já é um pouco menos compreensível, dado o desprezo que revela pela palavra de uma jornalista séria. Mas muitos jornalistas estão simplesmente a fazer o papel de amigos de Relvas, o que não é mesmo nada compreensível. Não havendo notícia da loucura da jornalista, o que poderia levá-la a inventar uma história destas e, já agora, o que poderia levar os outros jornais a conter-se na sua defesa? Terão medo de Relvas? Hello! O homem está a ser eficaz, parece-me.

Dizem, então, que esperam a verdade. Qual verdade? Que Relvas diga que não disse nada daquilo e que isso baste para descredibilizar a jornalista e, com isso, o jornal onde trabalha? Que a jornalista apresente a gravação da conversa? Aparentemente só esta hipótese os levará a dar crédito à colega. O que me parece muito estranho. Também noto com algum desconforto o quanto fazem questão de frisar alguns DNs a eventual dessintonia entre a redação e a direção do Público. Apesar de ter deixado de existir.

Euro “à la carte”

Esta sugestão do Deutsche Bank de se criar uma nova moeda para a Grécia, o Geuro, além de engraçada (ou gira), original e altamente exequível como tantas outras ultimamente, tem alguns inconvenientes tendo em conta o futuro: implica, por exemplo, que, se um país como Portugal se vir em situação semelhante à da Grécia, dificilmente aceitará partilhar aquela moeda, cuja letra G apenas se aplica à Grécia. Além disso, cria-se confusão a nível internacional. Teria, pois, de se inventar tantas moedas novas como países em falência, o que daria para Portugal o Peuro, para a Espanha o Espeuro, para a Itália o Iteuro, para a Irlanda o Irleuro e para a França o … difícil a designação. Sugiro o Frère, preferível a Freuro, com a vantagem de realçar bem o espírito solidário que anima a Europa.
Geuro tem também o inconveniente de a letra G não constar da palavra grega Ellada (designação dada pelos gregos ao seu país), o que configura desde já uma inaceitável ingerência linguística, para já não falar de todas as outras, de uma potência estrangeira.

Ó Miguel Noronha, arrebita

Ah, o que seria da blogosfera sem esta cultura de intervalo escolar e suas frenéticas actividades infantis? Não aguentaríamos andar por cá e muitos até começariam a ler livros e tudo para fugir ao desespero. Ora, o Miguel Noronha de há muito que me tem brindado com a sua preclara atenção de conservador da velhinha guarda. Sempre cuidadoso, volta agora a enviar-me nova avaliação inserindo-me num grupo de ilustres escribas que leio com pleno proveito e prazer: Foi preciso mudar o governo mas (finalmente) chegaram lá

Vou aproveitar o ensejo para recomendar um texto de um seu colega de blogue, o qual comprova que ainda há esperança para a direita nacional caso deixem estas vozes ganhar share à legião de decadentes: A Crónica Hipocrisia da Direita Instalada

Quanto a ti, Miguel, chega cá. Estive a pensar um bocadinho nas tuas generosas palavras e, afinal, constato que tens razão. Realmente, nunca até Maio de 2012 eu tinha soltado um único murmúrio que fosse a respeito da problemática das interferências governamentais na comunicação social quando feitas com ameaças de boicote de ministros e devassa da privacidade de jornalistas. A razão para nunca o ter feito antes, sabes bem, resulta dos cheques vindos do Rato, dos tachos em jornais e televisões durante 6 anos e das ofertas de trabalho em tudo o que foi ministério e organismo público. Tu sabes disso, eu sei disso, Sócrates sabe disso, e tu sabes que Sócrates sabe que tu sabes. Mas, e apelo para a tua incomparável honestidade intelectual, é provável que o povoléu que nos lê com devoção não entenda essas ponderosas casualidades. Pelo que te pedia o grande favor de combinarmos a seguinte versão: eu passo a dizer que acordei agora para tal problemática porque é a primeira vez que o País se confronta com problemática tal e tu farás uma exposição dos crimes cometidos pelo engº Pinto de Sousa contra a liberdade de imprensa.

No final, porque já sabemos que vais arrasar dada a colossal informação disponível mais aquela que vais descobrir entretanto, prometo que me irei penitenciar para as cercanias da Assembleia da República. Aí por volta das 13h30. Vestido imaculadamente de branco, claro, o que implica cueca e meia branca. E segurando um cartaz onde se poderá ler: “Graças ao Miguel Noronha, acordei p’rá vida e p´ró amor”.

Olhar o monte

(sobre Fotografia de Álvaro Carvalheiro)

Vejo o monte quando olho para ti.
Tu não sabes mas o teu olhar é uma porta aberta, um convite, uma sugestão de caminho. Olho-te na cidade e penso logo no campo, penso logo na brancura das casas, no azul das barras, no castanho das telhas.
Cheguei aqui cansado, vinha a transpirar, os pés pesavam toneladas e, morto de sede, só descansei quando me deste um copo de água tirada de uma bilha no louceiro. A única música que aqui chega é a do vento, capaz de secar a roupa estendida e as tuas lágrimas.

Vejo o monte quando olho para ti.
Vejo nos teus passos o prenúncio do movimento. És tu que seguras o alguidar da roupa que vais estender entre a última casa e a primeira árvore. Tal como foste tu a sacudir o sono e a trazer à vida do monte a sua velocidade.

Há uma ordem, uma perfeita sintonia de aromas que mistura de modo sábio o odor das flores silvestres aqui à volta e o lento cozinhado por ti decidido no espaço da cozinha onde muitas vezes preparar a refeição é mais do que arte; é uma ciência.

Vejo o monte quando olho para ti.
Habito o espaço sentimental desta imagem por ti povoada. É um dia luminoso, o monte repousa e apenas o esvoaçar da roupa que tu estendeste lembra que vive aqui alguém. As tarefas quotidianas ocupam os seus locatários. Uma humidade difícil de medir percorre e liga a ternura dos teus olhos à respiração da terra.

Vejo o monte quando olho para ti.

A pátria que o Euro construiu

We all know what to do, but we don’t know how to get reelected once we have done it.

Jean-Claude Junker

 

Uma teoria muito em voga sobre o resgate grego andava à volta do ganho de tempo para que os bancos alemães e franceses, e as respectivas economias, se pudessem proteger devidamente contra o inevitável default da Grécia. Face à irracionalidade do que foi imposto a esse país, era uma teoria válida, uma explicação possível. Dois anos depois, com esse tempo decorrido e a Grécia a uma eleição desse mesmo default, o pânico e o desespero parecem instalado por todo o lado, desde Berlim aos mercados. Temos a chanceler alemã a tentar influenciar directamente resultados propondo um referendo que tinha rejeitado ainda há poucos meses, ameaças várias de quase todos os responsáveis europeus, juras de que vão agora tratar, finalmente, de um plano de crescimento para a desgraçada economia grega, e um muito irritado Jean-Claude Trichet a sugerir, quase directamente, a invasão do país. O desespero é palpável. E não devia ser, porque os principais prejudicados com o default seriam os próprios cidadãos gregos. Se acham que a austeridade é má agora, esperem até terem que decidir entre importar gasolina ou medicamentos. Portanto, porquê este pânico à escala europeia, e estas reacções que, à primeira vista, parecem perfeitamente disparatadas? Em dois anos, não tiveram tempo para se proteger?

Agora , graças à crise, já sei bastante mais de economia do que gostaria, obrigado, mas não sou economista e não vou oferecer explicações detalhadas sobre a arquitectura do Euro ou o papel do BCE. E não vou andar aqui a defender os gregos. Vamos ser claros: os gregos têm muitas, muitas culpas pela situação em que se meteram. Não vamos tratá-los como crianças que não sabem o que fazem, não vamos culpar “os políticos gregos”, ou a corrupção generalizada, ou quem recebeu, durante anos, milhares de milhões em fundos estruturais dos parceiros e desperdiçou grande parte em esquemas. Em democracia, o povo é o ultimo responsável pelo comportamento dos políticos, pela sociedade que se constrói e pelos caminhos que se percorrem. Se os gregos estão nesta situação, a eles se deve. Tal como se estamos nós nesta situação, só nos podemos culpar a nós próprios. Mal ou bem informados, escolhemos o nosso caminho, tal como os gregos.

Dito isto, está a tornar-se cristalino que se as escolhas são da responsabilidade dos cidadãos dos vários países, as consequências afectam todos na união monetária onde estamos, e mais além. Lembram-se de assinarem alguma coisa que vos co-responsabilizasse pelo comportamento dos gregos, espanhóis ou franceses? Eu também não. E no entanto, torna-se claro que é exactamente o ponto onde estamos. Um cai, e caem todos como dominós. Estamos juntos neste lindo sarilho, e sem grande escapatória senão ajudar a limpar a merda que os outros fazem e ver se evitamos que façam outra vez. Isso foi o que não disseram a ninguém quando foi introduzida a moeda única, sobretudo aos eleitores alemães. E é compreensível, de um ponto de vista político, que não o queiram dizer na Alemanha antes das eleições de 2013. Deixam cair a Grécia depois de esta mandar a troika às malvas, abrem um precedente e libertam um vendaval que acaba com o Euro em alguns meses e lança o mundo para outra depressão. Salvam a Grécia depois de estes decidirem mandar a troika às malvas, e toda a gente percebe que os gregos são tão donos da economia alemã como os próprios alemães. O dinheiro, afinal, construiu uma pátria.

Bem-vindos por isso, cidadãos, aos Estados Unidos da Europa, construída laboriosamente tratado a tratado sem dizer nada a ninguém. O Alex Tsipras está ansioso por ser o vosso anfitrião.

Volta Santana: estás perdoado, recuperado e desejado

A informação publicada a respeito do que se passou entre Relvas e o Público não deixa uma única dúvida: o Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares do XIX Governo Constitucional de Portugal ameaçou boicotar um órgão de comunicação social e devassar a privacidade de uma jornalista. É isto que tem sido repetido pelo Conselho de Redacção e pela Direcção do jornal, tendo até um parecer jurídico interno, pelo que já não há recuo para nenhuma das partes. Do lado de Relvas, houve assunção de responsabilidade na forma de um pedido de desculpas de que se desconhece o teor, culpa reforçada por até agora não se ter oposto judicialmente contra a versão do Público sobre o acontecido.

A tomada de posição do Primeiro-Ministro, negando com a leveza dos celerados as evidências, dá bem conta do que está aqui em jogo: o futuro político de ambos, porque Relvas não vai cair sozinho. Alguém que se permite ter feito aquilo de que é acusado não tem mais lugar no mundo partidário, muito menos no governativo, e todos os que com ele fizeram caminho, juntamente com esse caminho, passam a ficar contaminados. Mas o episódio reabre o caso imediatamente anterior, porque se Relvas, por frieza ou desvario, se permitiu expor-se a esta reacção do jornal, então a única razão para tamanho risco tem de estar enterrada na sua relação com Silva Carvalho e a investigação respectiva que pretendeu evitar.

Estamos face a algo completamente novo na história das relações entre o poder político e a imprensa em democracia – seja lá qual for o ponto de vista e o desfecho da situação. Perante a gravidade, e o fedor moralmente putrefacto, do episódio, as tropelias do menino guerreiro passam automaticamente a ser recordadas com nostalgia. A recordação de um tempo feliz em que os governantes social-democratas, mesmo se dados a lendárias peripécias pícaras, ainda mantinham módica sanidade mental.

Revolution through evolution

Why Women Chose Bad Boys: Ovulating Women Perceive Sexy Cads as Good Dads
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Parents Are Happier People
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Older Adults Prize Accuracy More Than Speed
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Clayton Christensen On How To Find Work That You Love
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Too Much or Too Little Noise Turns Off Consumers, Creativity
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A Walk in the Park Gives Mental Boost to People With Depression
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You Are What You Eat: Why Do Male Consumers Avoid Vegetarian Options?
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Looks Matter More Than Reputation When It Comes to Trusting People With Our Money
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People See Sexy Pictures of Women as Objects, Not People; Sexy-Looking Men as People
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Mixed Bacterial Communities Evolve to Share Resources, Not Compete
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When You Eat Matters, Not Just What You Eat
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Religion Is a Potent Force for Cooperation and Conflict, Research Shows
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Female Terrorists’ Bios Belie Stereotypes
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Listening to Chickens Could Improve Poultry Production

Vinte Linhas 787

Saudação a Marta em 19 de Maio nas montanhas azuis

Há no teu olhar a memória viva da luz do dia em que nasceste. Tal como acontece numa ilha pequena, nesse dia em 1985 choveu e fez sol com um breve intervalo. Havia no ar o prenúncio de trovoadas, as trovoadas de Maio que fazem rasgar o nosso firmamento.

Em 1992 os corredores do Hospital de Santa Maria pareciam não ter fim. A tua voz perdeu-se esmagada pelo silêncio da infecção, pela confusão dos médicos, pela balbúrdia do bloco operatório. Eu acariciava os teus dedos com a minha mão direita e com a esquerda segurava a mão dum menino, o Daniel, operado como tu de urgência mas a mãe dele precisava de trabalhar e ia-se embora cedo com as lágrimas nos olhos.

Continuar a lerVinte Linhas 787

Queres ver que a direita advoga a irrelevância total da imprensa?

Esta frase é de gritos: o deputado do PSD Matos Correia diz que “os media não se deveriam colocar no papel da oposição ao Governo”
Não há dúvidas que a Direita tem muito de que se queixar. Anos de perseguição. Anos de notícias a darem gente por culpada sem provas ou mesmo contrariando as provas da sua inocência. Anos de todo um telejornal ao final da semana dedicado a destruir com métodos jamais vistos um PM. Anos de acompanhamento de casos judiciais citando insistentemente quem não está, comprovadamente, implicado no mesmo. Comissões na AR com jornalistas a perguntarem aos Deputados se eles não seriam racistas. Ou uma vestimenta exibida por um locutor, com a qual, dizia, dormia, contendo uma acusação a um PM.
De fato, anos, anos de horror para esta Direita, anos dando seriedade a todos os títulos do Correio da Manhã, esse panfleto que viola alarvemente a lei.
De fato, que drama, uma queixa-crime “anónima” combinada com jornalistas, as escutas de Belém, tem sido um inferno este raio de imprensa sempre com a esquerda ao colo.
Se Relvas é uma das cartas do caso das “Secretas” ou se Relvas pressionou uma jornalista do “Público” ameaçando-a com a divulgação de dados pessoais sobre a mesma (voltamos às Secretas), isso deve ser averiguado. Deve haver contraditório e, por exemplo, no que toca à 1ª Comissão da AR, nada mais se passa do que o normal esclarecimento (possível) dos fatos.
Ninguém aponta uma arma de “culpado”, simplesmente são feitas as perguntas pelo órgão que segundo a Constituição deve fiscalizar o Governo.
Quando há dias Relvas esteve na 1ª Comissão, dei-me ao direito de ter por estranho que o Ministro não ter tido por estranho que Silva Carvalho lhe enviasse mensagens com listas de nomes para os serviços (implicando demissões) e clippings de notícias.
Disse Relvas que recebe “muitos” (é tudo igual?) clipings e que apagou tudo, logo nada houve de inapropriado.
Se eu fosse SG do PSD e começasse a receber “instruções” de Silva Carvalho penso que reportaria o fato. Mas enfim, é melhor apagar do que seguir instruções do homem, isso é verdade, e apagar da mente qualquer influência que tenha ficado da leitura de tanta sugestão.
Relvas negou, ao contrário do que diz a imprensa, mails ou mensagens com propostas de alteração do quadro legislativo dos serviços (todos sabemos que o homem quer um só serviço, mais concentração).
Há no entanto um mistério maior: o Deputado Matos Correia. Pertence à Comisão de Defesa e naquele dia em que Relvas foi ouvido na 1ª (assuntos constitucionais e DLG’s) apareceu de repente, pedindo a palavra. De repente, um advogado.
Fez um discurso em tom digno, explicando que já pertencera àquela comissão, que é um homem de rigor e não de baixa política. Mais acrescentou, do alto de uma assombrosa superioridade moral, que é seu timbre abrir a boca apenas quando há fatos e é sobre esses – “senhoras e senhores” – que nos devemos ocupar. Sempre controlando na sua indignação, explicou o que Relvas explicara mas num discurso mais articulado, estupidificando quem se atrevera a insistir em perguntas a um homem (superior?) que nada fizera, e estupidificando Relvas, já que reproduzia as suas respostas em português mais convincente. Que fizera Relvas? Apenas o ato digno de apagar mensagens impróprias. O cavalheiro foi embora e à noite tinha um elogio rasgado no facebook de Silva Carvalho.
Hoje, o Deputado Matos Correia volta a acorrer ao Ministro. Imparável, tem esta teoria: o comunicado do “Público” que surgiu acusando Relvas é culpa da oposição, que tem estado a dormir, donde a “imprensa” ter decidido substitui-se ao PS, ao PCP, aos Verdes e ao BE.
Há tanto por expicar…