Ó Miguel Noronha, arrebita

Ah, o que seria da blogosfera sem esta cultura de intervalo escolar e suas frenéticas actividades infantis? Não aguentaríamos andar por cá e muitos até começariam a ler livros e tudo para fugir ao desespero. Ora, o Miguel Noronha de há muito que me tem brindado com a sua preclara atenção de conservador da velhinha guarda. Sempre cuidadoso, volta agora a enviar-me nova avaliação inserindo-me num grupo de ilustres escribas que leio com pleno proveito e prazer: Foi preciso mudar o governo mas (finalmente) chegaram lá

Vou aproveitar o ensejo para recomendar um texto de um seu colega de blogue, o qual comprova que ainda há esperança para a direita nacional caso deixem estas vozes ganhar share à legião de decadentes: A Crónica Hipocrisia da Direita Instalada

Quanto a ti, Miguel, chega cá. Estive a pensar um bocadinho nas tuas generosas palavras e, afinal, constato que tens razão. Realmente, nunca até Maio de 2012 eu tinha soltado um único murmúrio que fosse a respeito da problemática das interferências governamentais na comunicação social quando feitas com ameaças de boicote de ministros e devassa da privacidade de jornalistas. A razão para nunca o ter feito antes, sabes bem, resulta dos cheques vindos do Rato, dos tachos em jornais e televisões durante 6 anos e das ofertas de trabalho em tudo o que foi ministério e organismo público. Tu sabes disso, eu sei disso, Sócrates sabe disso, e tu sabes que Sócrates sabe que tu sabes. Mas, e apelo para a tua incomparável honestidade intelectual, é provável que o povoléu que nos lê com devoção não entenda essas ponderosas casualidades. Pelo que te pedia o grande favor de combinarmos a seguinte versão: eu passo a dizer que acordei agora para tal problemática porque é a primeira vez que o País se confronta com problemática tal e tu farás uma exposição dos crimes cometidos pelo engº Pinto de Sousa contra a liberdade de imprensa.

No final, porque já sabemos que vais arrasar dada a colossal informação disponível mais aquela que vais descobrir entretanto, prometo que me irei penitenciar para as cercanias da Assembleia da República. Aí por volta das 13h30. Vestido imaculadamente de branco, claro, o que implica cueca e meia branca. E segurando um cartaz onde se poderá ler: “Graças ao Miguel Noronha, acordei p’rá vida e p´ró amor”.

2 thoughts on “Ó Miguel Noronha, arrebita”

  1. É isso mesmo, Valupi.
    E, para o caso de o Miguel Noronha não ter dado conta: 1) O Lopes da Mota estava cheio de razão, como se viu pelos desenvolvimentos subsequentes. 2) O Sócrates estava cheio de razão, como também se viu, dado todas as campanhas contra ele terem sido construídas e forçadas com um único objetivo – o de o tirar do poder. Como também se viu, nelas estiveram implicados desde Cavaco Silva ao sindicato dos juizes, passando por jornalistas, membros de partidos da oposição, empresários e alguns magistrados. Guerra movida, desgaste e queda consumados, nada tinha a mínima consistência. 3) No campo da direita, pelo contrário, tudo parece ter muita, muitíssima substância – desde o BPN, ao Alberto João Jardim, passando pelo Cavaco, pelo Dias Loureiro, pelo Duarte Lima & companhia, pelas secretas, a Loja Mozart, as ameaças a jornalistas, as interferências na CS e sei lá que mais, já lhes perdi a conta.

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