Queres ver que a direita advoga a irrelevância total da imprensa?

Esta frase é de gritos: o deputado do PSD Matos Correia diz que “os media não se deveriam colocar no papel da oposição ao Governo”
Não há dúvidas que a Direita tem muito de que se queixar. Anos de perseguição. Anos de notícias a darem gente por culpada sem provas ou mesmo contrariando as provas da sua inocência. Anos de todo um telejornal ao final da semana dedicado a destruir com métodos jamais vistos um PM. Anos de acompanhamento de casos judiciais citando insistentemente quem não está, comprovadamente, implicado no mesmo. Comissões na AR com jornalistas a perguntarem aos Deputados se eles não seriam racistas. Ou uma vestimenta exibida por um locutor, com a qual, dizia, dormia, contendo uma acusação a um PM.
De fato, anos, anos de horror para esta Direita, anos dando seriedade a todos os títulos do Correio da Manhã, esse panfleto que viola alarvemente a lei.
De fato, que drama, uma queixa-crime “anónima” combinada com jornalistas, as escutas de Belém, tem sido um inferno este raio de imprensa sempre com a esquerda ao colo.
Se Relvas é uma das cartas do caso das “Secretas” ou se Relvas pressionou uma jornalista do “Público” ameaçando-a com a divulgação de dados pessoais sobre a mesma (voltamos às Secretas), isso deve ser averiguado. Deve haver contraditório e, por exemplo, no que toca à 1ª Comissão da AR, nada mais se passa do que o normal esclarecimento (possível) dos fatos.
Ninguém aponta uma arma de “culpado”, simplesmente são feitas as perguntas pelo órgão que segundo a Constituição deve fiscalizar o Governo.
Quando há dias Relvas esteve na 1ª Comissão, dei-me ao direito de ter por estranho que o Ministro não ter tido por estranho que Silva Carvalho lhe enviasse mensagens com listas de nomes para os serviços (implicando demissões) e clippings de notícias.
Disse Relvas que recebe “muitos” (é tudo igual?) clipings e que apagou tudo, logo nada houve de inapropriado.
Se eu fosse SG do PSD e começasse a receber “instruções” de Silva Carvalho penso que reportaria o fato. Mas enfim, é melhor apagar do que seguir instruções do homem, isso é verdade, e apagar da mente qualquer influência que tenha ficado da leitura de tanta sugestão.
Relvas negou, ao contrário do que diz a imprensa, mails ou mensagens com propostas de alteração do quadro legislativo dos serviços (todos sabemos que o homem quer um só serviço, mais concentração).
Há no entanto um mistério maior: o Deputado Matos Correia. Pertence à Comisão de Defesa e naquele dia em que Relvas foi ouvido na 1ª (assuntos constitucionais e DLG’s) apareceu de repente, pedindo a palavra. De repente, um advogado.
Fez um discurso em tom digno, explicando que já pertencera àquela comissão, que é um homem de rigor e não de baixa política. Mais acrescentou, do alto de uma assombrosa superioridade moral, que é seu timbre abrir a boca apenas quando há fatos e é sobre esses – “senhoras e senhores” – que nos devemos ocupar. Sempre controlando na sua indignação, explicou o que Relvas explicara mas num discurso mais articulado, estupidificando quem se atrevera a insistir em perguntas a um homem (superior?) que nada fizera, e estupidificando Relvas, já que reproduzia as suas respostas em português mais convincente. Que fizera Relvas? Apenas o ato digno de apagar mensagens impróprias. O cavalheiro foi embora e à noite tinha um elogio rasgado no facebook de Silva Carvalho.
Hoje, o Deputado Matos Correia volta a acorrer ao Ministro. Imparável, tem esta teoria: o comunicado do “Público” que surgiu acusando Relvas é culpa da oposição, que tem estado a dormir, donde a “imprensa” ter decidido substitui-se ao PS, ao PCP, aos Verdes e ao BE.
Há tanto por expicar…

9 thoughts on “Queres ver que a direita advoga a irrelevância total da imprensa?”

  1. Eu sei que o Relvas é um “gajo” importante, mas não será que se está a dar muita importância ao caso?
    É que o Duarte Lima foi para casa com a pulseira, porque denunciou alguns cabecilhas da lavagem do dinheiro, entre os revelados estavam o Oliveira e Costa e o Dias Loureiro. E isto não estará a ficar abafado? É que parece que há qualquer coisa relacionado com a quinta da Coelha.

  2. Este PSD é um alfobre de onde só saem repolhos como os relvas, os cavacos das ações do bpn (por menos que isso demitiu-se o congénere alemão que não nasceu duas vezes), os oliveiras e costas, os dias loureiros, os isaltinos e nem continuo porque tenho mais que fazer, que a minha académica se está a portar bem. Em suma, parece a catequese para melhor…

  3. concordo com o que escreve, concordo quase sempre, mas por favor, caríssima doutora deputada, em portugal factos são factos e fatos são fatiotas, antes e depois do a.o.1990. é simples: as consoantes mudas escrevem-se quando se pronunciam(facto, adepto) e não se escrevem se não se pronunciam (direto, adoto). desculpe.

  4. Um esclarecimento, se faz favor:

    a autora deste texto é portuguesa, ou brasileira?

    por duas vezes, ela referiu no texto “fato”, quando deveria ter escrito faCto”. A critica só faz sentido se de facto ela for portuguesa… e estará desculpada se tiver alguma “negociata” com alguma editora, a quem o Acordo Ortográfico interessa sobretudo…

    Tem piada acusarem o PPC de ir para “além da Troika” e agora faz o mesmo – é lamentável o que estão a fazer à Língua portuguesa….

    Quando à essência do texto concordo e prevejo que o Miguel Relvas dentro de dias esteja “no Coiso”. Só pode…

  5. Cara Isabel
    Para casos tipo “Relvas & afins”, existe realmente a “https://aspirinab.com”, que não “cura” mas moi… Já neste caso (do fato) há esta “vitamina” que é um remédio e que pode curar: http://ilcao.cedilha.net/. Tome-a, pois não tem contra-indicações…

  6. “De fato”?
    Sinceramente Dra. Isabel Moreira. Eu compreendo que convenha agradar a alguns sectores do partido, adoptando o Aborto Ortográfico (mesmo que isso implique colocar a consciência critica de lado). Agora, pelo menos convém saber aplicar-se a besta. É certo que o facto/fato é uma das (muitas) facultatividades do AO, mas em Portugal ninguém diz “de fato”. E como eu sei que, apesar da sua ligação pessoal a Terras de Vera Cruz, a Dra. Isabel não é mulher que sequer se exprima mal em Português (e entenda-se aqui “Português Europeu”). Ficava-lhe bem corrigir esse erro.

    Já agora…não lhe faz impressão que se imponha de forma perfeitamente ditatorial um AO feito à mais de 20 anos, chumbado por todos os pareceres técnicos, rejeitado pelo povo, com base numa Resolução do Conselho de Ministros, Resolução essa que claramente não tem força legal para revogar o Decreto 350228 de 8 de Dezembro de 1945 e o Decreto-Lei 32/73 de 6 de Fevereiro, que estipulam a norma ortográfica em Portugal?
    E, tendo também sido professora de Direito Internacional Público, não lhe faz impressão que se dê como válido um Protocolo Modificativo (neste caso o segundo) cujo conteúdo viola descaradamente a Convenção de Viena ao alterar os termos e a data da entrada em vigor do tratado (art. 4º n. 4), algo que é considerado estanque a partir do momento em que o Tratado é assinado?
    (E limito-me aqui às questões jurídicas, para não se entrar sequer na trapalhada política que envolve este AO, com não-ratificações de uns países por um lado, Senados e Parlamentos desconfiados da utilidade do mesmo de outro etc etc etc)

    Gostava de a ouvir (neste caso ler) sobre isto (se é que já se debruçou sequer sobre o tema do Acordo que só gera desacordo, até dentro do próprio PS).

  7. Pois é, o importante neste momento não é a bandalheira que nos governa, são os fatos.

    Estes tótós devem estar convencidos que o importante são os fatos do relvas e agarram-se à falta do “C” dos factos para ver se pega…

    E ainda falam mal nas Novas Oportunidades…

  8. Na palavra Facto,o C pronuncia-se portanto, temos que o lá por.Isto é o que tenho visto na RTP ,na rubrica “falar bom portugues.Mas o importante é o conteudo do texto,que o Senhor prof. de portugues ignorou ao criticar Isabel Moreira.E na matéria tratada,não há “professor” que a consiga justificar.Até Marcelo,vejam lá…que costuma arranjar desculpa para tudo que venha dos direitolas,não teve outra forma de fugir sem dizer cito: se for verdade a ameaça à jornalista (ainda duvida um bocadinho…) o Elvas tem que se demitir. Desculpem em disse Elvas,mas o ex ministro chamava-se Relvas….

  9. O facto indesmentível é que no PSD, já há muito tempo, é tudo gente da mesma laia: têm a moral de uma alforreca.

    E claro que, na Piolheira, “gente séria” continua a ser outra coisa!

    Em nome dos paizinhos, dos filhos (e sobrinhos) e dos Espírito Santo…

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