Perguntem ao Cavaco, ele sabe como se faz

Apareceram algumas figuras a dizer que Relvas não poderia ter feito aquilo de que está duplamente acusado – primeiro pelo Conselho de Redacção, depois pela Direcção Editorial do Público – porque essas personalidades eram amigas do homem e afiançavam que ele era um gajo impecável, sério, talvez um bocadinho desbocado, mas um porreiraço, e seriamente sério à séria. Há tanto para dizer sobre esta linha inane de argumentação que o melhor é nem dizer nada. Eu só gostaria que esses que tais dessem a sua opinião a respeito destas palavrinhas do seu grande amigo:

“Eu quero chegar a casa, depois de ganhar as eleições, todos os dias e quero que a minha filha tenha orgulho daquilo que está a ser feito”, disse o porta-voz do PSD, acrescentando: “Eu no lugar do engenheiro Sócrates tinha vergonha, eu se fosse parente do engenheiro Sócrates escondia que era parente dele”.

Que tipo de perfil psicológico podemos desenhar de quem faz estas declarações em público – nunca tendo pedido desculpa a ninguém dos vários ofendidos e dos muitos insultados – para mais sendo-se secretário-geral e porta-voz do PSD e estando a discursar para estudantes? Que indícios, que traços, que pistas esta incursão na vida familiar de um adversário político, e apontando directamente aos seus filhos menores, podemos recolher para atestar das pulsões e compulsões do indivíduo? Enfim, como avaliar a violência destas declarações?

Relvas já devia ter sido demitido pelo modo leviano e enganador como tratou os deputados da comissão parlamentar na audição a respeito da sua relação com Jorge Silva Carvalho. Acontece que para tal ser possível era necessário que o Primeiro-Ministro tivesse existência própria, e não a tem. Passos e Relvas são exacta e literalmente as duas faces da mesma péssima moeda. Se Relvas cair, Passos não se aguenta. Assim, Relvas não pode cair. Isso levanta uma questão fascinante: sendo impossível não atribuir credibilidade à posição do Público, o modo como se vai manter Relvas no Governo será um capítulo historicamente novo na política nacional. E o que Seguro então fizer, ou não fizer, será igualmente definidor do seu destino no PS.

8 thoughts on “Perguntem ao Cavaco, ele sabe como se faz”

  1. Os deputados já só não querem perder o tacho bem remunerado em reformas fáceis. Importam-se lá com aquilo que o Relvas faz ou deixa de fazer. Vão mandar umas bocas para consumo dos “fiéis” que os elegeram e deixam o Relvinhas em paz…que até nem é socrático.

  2. O que acho mais incrivel nisto tudo e o pouco destaque que se deu a noticia. Grave, todos temos a certeza que e, entao porque os jornais dedicam 2 linhas ao tema e o sonso do seguro nem se pronuncia?

    Parece que o relvas tem muitos segredos para revelar…

  3. Não é um, nem um colectivo de três, como na maioria dos casos. São todos os nove juízes da secção de auditoria a denunciar por unanimidade que o Tribunal de Contas foi enganado e só por isso autorizou a construção de seis parcerias público-privadas, lançadas pelo anterior Governo.

    O relatório, aprovado no passado dia 10, põe em causa a legalidade da Autoestrada Transmontana, da Soares da Costa e da FCC, bem como das concessões Douro Interior, do consórcio Aenor/Mota-Engil, do Baixo Alentejo e Algarve Litoral, da Edifer/Dragados, Litoral Oeste, do consórcio MSF/Brisa/Somague, e Baixo Tejo, da Brisa, no valor global de 10 mil milhões de euros.

    Nenhuma destas obras podia ter arrancado sem visto do Tribunal de Contas, que foi recusado à primeira tentativa em cinco concessões, com um argumento simples. Entre o concurso e os contratos finais o Estado assumia um prejuízo ilegal de 705 milhões de euros.

    A Estradas de Portugal, contudo, endereçou um segundo pedido de visto. Mas, garantem os nove juízes, só teve sucesso porque escondeu ao Tribunal de Contas informação financeira essencial, relativa a contratos paralelos celebrados entre os bancos financiadores, as construtoras privadas e a própria empresa pública, denominados acordos contingentes, que não foram submetidos a visto do Tribunal de Contas.

    O relatório de auditoria, a que a TVI teve acesso, é demolidor: «Nesta auditoria, foi detectada a existência de acordos consagrando um conjunto de compensações financeiras devidas às concessionárias sem reservas ou condições».

    Os juízes denunciam que o Estado assumiu obrigações financeiras sem as deixar explícitas nos contratos. «Estes acordos não foram referenciados nesses contratos nem sequer indicados como seus anexos». E sem as comunicar ao tribunal nos pedidos de visto. «Também não foram juntos aos processos do segundo pedido de fiscalização prévia do Tribunal de Contas»

    Ora, essas compensações são ilegais e, caso tivessem sido conhecidas pelos juízes, teriam conduzido ao chumbo dos projectos, como recentemente aconteceu com o TGV.

    «Este tribunal alerta para a falta de fundamentação legal destas compensações contingentes. Caso os respectivos pagamentos venham a ocorrer, podem constituir infracções financeiras puníveis». Esta grave denúncia do Tribunal de Contas estava pronta num relatório que esteve para ser aprovado ainda antes das eleições legislativas, como a TVI noticiou há um ano.

    O novo documento, que agora revelamos, é ainda mais demolidor para o anterior Governo e para a então administração da Estradas de Portugal. «Assinala-se a significativa falta de transparência do processo».

  4. Duarte Lima: – JÁ estou cá fora!

    Isaltino Morais: – EU nem entrei …

    Sócrates: – Vocês não passam de Amadores. Eu ainda estou de férias em França :-))))

  5. Então nem um postezinho, nem um comentáriozinho sobre este cambalacho e falcatrua monumental do governo PS.

    10 mil milhões davam para quantos subsídios e apoios sociais?

    Isabelinha não te acanhes com a tua prosápia imberbe.

    Valpateta não te inibas com o uso da pesporrência intelectualóide … és mestre na arte. Isto são factos muito sólidos que podes comentar a torto e a direito, em vez das punhetas a seco que bates por aí quando te humidificas em lembranças oníricas do vosso ex-patrão.

  6. Estradas, Caminhos, Vielas e blábláblá socrates é isto e aquilo blablabla : vão-se queixar aos apaches, aos cachimbos e por ai fora, penso que lá lhe darão as respostas que gostam de ouvir.
    Só lhes deixo com a seguinte food for thought : a culpa é do policia (tribunal de contas ) que não fiscalizou o que tinha a fiscalizar, que não percebeu a marosca, enfim que olhou para o lado de forma incompetente e responsável. Não ? Como não? É o que a vossa direita diz em relação á fiscalização do BPN…
    Penso que a resposta lógica é pôr os 9 juizes a andar porque claramente não fizeram o que lhes competia e não é a desculparem-se depois da merda feita que se safam.O policia é sempre o culpado !

    Já em relação ao Relvas, espero que lhe cortem a relvinha do buço muito em breve.

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