Ridículos e rocambolescos

Talvez a manifestação mais ridícula que aconteceu em Portugal nos últimos 30 anos tenha sido a dos 40 foliões que se juntaram durante a hora de almoço do dia 11 de Fevereiro de 2010 em frente à Assembleia da República, como lembra abaixo o Vega9000. O encontro de reaças e comunas, para além da diversão folclórica, celebrava a calúnia como unificador político. Demonstrava-se que um monárquico católico, por exemplo, podia tranquilamente abraçar-se a um estalinista ateu, outro exemplo, se daí viesse prejuízo para um inimigo comum. Velhos hábitos, sempre renováveis pela força dos circunstantes.

O texto que aquele grupo de guerreiros pela liberdade assinou sem vergonha não apresenta um só facto que suporte as acusações desfraldadas e ainda faz gala em usar escutas como matéria política. Que os comunas e os reaças se babem por escutas é algo que a História confirma invariavelmente em diversos países, que o tenham feito em Portugal com o século XX já enterrado fica como esplendoroso retrato sociológico e moral de uma parte significativa da comunidade.

Acaso alguma daquelas inteligências acha que com a comunicação social ao tempo nas mãos de Balsemão, Belmiro, Controlinveste, Cofina, capitais angolanos esdrúxulos para o arquitecto brilhar, casal Moniz e Renascença, a que se juntam os quadros da RTP e RDP de cores políticas plurais, e tendo Sócrates angariado tantos e tão desvairados inimigos, tendo esses inimigos lançado as mais venenosas campanhas de assassinato de carácter alguma vez vistas em Portugal, seria possível ter existido um único caso de ilegalidade ou imoralidade de governantes ou dirigentes socialistas que pudesse escapar à denúncia pública? A hipocrisia destes bravos é tamanha que se negam a reconhecer as evidências e mamam sôfregos os números de Moura Guedes a delirar-se a ocupar a agenda secreta do Rei de Espanha ou do Crespo a debochar em grande com a oportunidade de achincalhar deputados no Parlamento e de usar um primeiro-ministro para fazer uma peixeirada ao serviço do lançamento de um livro.

Os ridículos encontram finalmente a paz nas alarvidades dos rocambolescos. É uma lei da sua natureza.

One thought on “Ridículos e rocambolescos”

  1. bom , que alguém ache que há alguma diferença substancial entre o cro magnon e o homem do secúlo xxi é que é esquisito. a tecnologia ainda não fo capaz de intervir na moral e tal , sabes isso , né ? nesse aspecto ainda é menos efectiva que a come cocos religião. pode ser que com a genética possam anular o gene codrelhice e mais uns tantos diabólicos , mas não é seguro :)))
    tadinho , tu esforçaste , mas isto já passou a fase do esforço. morreu por septicémia corrupta generalizada. um fedor a cadáver .. a maior parte de nós já o sente , o fedor.
    larga o velório , pá. ressuscitação é mito..vais ficar mumificado esperando.

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