“Aguardemos para ver”, dizem os outros

Sabemos que há rivalidades entre jornais. Eventualmente, justificam certas reações. Mas, todos os jornalistas de outros jornais que não o Público (ouvi ou li vários do DN ou do Expresso) que andam por aí a pronunciar-se sobre o caso das ameaças de Miguel Relvas a uma sua colega de profissão e que concluem invariavelmente com a frase “Esperemos pelo apuramento da verdade” ainda não se deram conta de que estão a duvidar da dita jornalista e dos que, dentro do Público, estão a par do que se passou e já o vieram dizer no próprio jornal e na televisão, indiretamente chamando-lhes mentirosos ou fantasistas? Ainda há pouco ouvi um jornalista do Público a confirmar, na RTP Informação, o que Miguel Relvas disse à colega, a saber “Se insiste nas suas perguntas pidescas, os ministros farão um blackout informativo ao seu jornal e…” (por aí fora, a já referida ameaça de divulgação na Net de dados da vida privada da senhora).
Colocando-me na posição de Maria José Oliveira, não me parece que estas reações de colegas de profissão sejam tragáveis. Que os amigos, os menos íntimos, de Relvas se expressem assim, é compreensível, enquanto os mais íntimos estudam a estratégia para o safar da alhada em que se meteu. A frase dita por comentadores e politólogos vários já é um pouco menos compreensível, dado o desprezo que revela pela palavra de uma jornalista séria. Mas muitos jornalistas estão simplesmente a fazer o papel de amigos de Relvas, o que não é mesmo nada compreensível. Não havendo notícia da loucura da jornalista, o que poderia levá-la a inventar uma história destas e, já agora, o que poderia levar os outros jornais a conter-se na sua defesa? Terão medo de Relvas? Hello! O homem está a ser eficaz, parece-me.

Dizem, então, que esperam a verdade. Qual verdade? Que Relvas diga que não disse nada daquilo e que isso baste para descredibilizar a jornalista e, com isso, o jornal onde trabalha? Que a jornalista apresente a gravação da conversa? Aparentemente só esta hipótese os levará a dar crédito à colega. O que me parece muito estranho. Também noto com algum desconforto o quanto fazem questão de frisar alguns DNs a eventual dessintonia entre a redação e a direção do Público. Apesar de ter deixado de existir.

10 thoughts on ““Aguardemos para ver”, dizem os outros”

  1. haverá sempre hipótese da maria josé não confirmar a ameaça do relvas para que não sejam reveladas informações que prejudiquem a sua imagem, mas isso nunca saberemos. até agora ainda não vi a moça fazer grande fogo sobre o assunto e acredito que tudo se resolverá favoravelmente para o relvas se a coisa for bem negociada com o patrão da sonae. o cavaco tamém se safou e a tramóia era mais complicada e o descontrolo foi total. entretanto ressuscistam o freeporcas e mais 1/2 dúzia de merdas para distracção do pagode e promoção do carlos alexandre & rosário teixeira.

  2. Desconheço a jornalista em causa porque deixei de comprar e de ler o Público na altura das campanhas de assassínio de carácter e político movidas contra o então primeiro-ministro J.Sócrates,o que terá sido a maior degradação moral e deontológica a que um jornal desceu.Os nomes do Fernandes,um sabujo e do Cerejo,a ignomínia travestida de escrutinador de verdades,não são para esquecer.Mas tendo lido o que tem vindo ao conhecimento público e sabendo o traste que é o tal da propaganda do láparo,já com antecedentes,creio plenamente na versão da jornalista, desta ou de qualquer outra, pela razão simples que só tem a perder quando se intromete com gente que mais que provou que não olha a meios para defender o pote mesmo em prejuízo do país.E aí estão o milhão e muitos de desempregados para aumentar.os esbulhos e a fraude eleitoral,se dúvidas houvessem.
    Muito desejava saber onde para um mini coiso que num 25 de Abril balia que nem uma cria desmamada contra uma tal de “claustrofobia democrática”, numa altura em jornais,rádios e telavisões salvo raríssimas excepções já estavam a jogar nas cavalgaduras certas e alinhavam uns mais que outros com os Fernandes e comanditas.

  3. ignatz: Se a Maria José não confirmar a ameaça estará a autoliquidar-se. Bem negociado, como dizes, pode acabar por aceitar as desculpas, assim se provando como a CS está, de facto, toalmente controlada.

  4. a liquidação da jornalista já está garantida, agora depende de quanto renderá a autoliquidação amigável e o que custará a liquidação litigiosa. apesar de estarmos de tanga, o governo do relvas ainda pode dar umas contrapartidas ao belmiro para este convencer a empregada com uns trocados. a atitude do público, até agora, é de fazer render o peixe e forçar o negócio.

  5. A VERDADE é aquilo que diz o senhor primeiro-menistro, que nunca mente: este “governo” não faz chantagem nem age do modo como os jornalistas querem fazer crer ao Povo.

    E para o Povo que temos, esta “verdade” é bacalhau: basta.

    Para os sacanas cobardes da direita, é sempre uma barrigada de riso ver o povaréu a ser enrabado com uma cabeça de bacalhau…

    Para os paranóicos da “esquerda”, sempre que se fala de bacalhau seco, saca-se de uma naifa, em forma de nariz de pinóquio, e dorme-se descansado!

    Um País de MERDA, é verdadeiramente o que isto é. E a verdade é que há gostos para tudo.

  6. O Público nunca disse que Relvas ameaçou directamente Maria José Oliveira. O que disse foi que Relvas teria transmitido a Leonete Botelho uma ameaça a Maria José Oliveira. Esta última, portanto, não terá ouvido nada directamente de Relvas. Quem está em causa é portanto Leonete Botelho, e não MJO.

  7. Nada disso, sô Tiago. O que está em causa é o “menistro” que tutela a Comunicação Social pública, de todos nós, ter tido a suprema lata e a indescritível COBARDIA de ameaçar uma Mulher, jornalista e mãe, com algo relacionado com a sua vida pessoal! Seja lá por que meios ou interpostas pessoas tenha isso sido!!

    As moscas nunca vêm à conversa, quando se está a discutir a própria MERDA.

  8. obviamente que o elo mais fraco aqui é a jornalista que já está queimadinha até á medula, mesmo sem as revelações escandalosas que o relvas possui sobre ela via serviços secretos que investigam os cidadãos…provavelmente o Valupi ou algum de nós, quem sabe. Serve de aviso e exemplo para futuros atrevidos.
    Val, hoje, mais do que nunca, continua a defender o “anonimato” público de quem aqui escreve,ninguém está a salvo. O Relvas é um pidesco e está legitimado pela maioria dos eleitores. Contra isso, cautela. Cuidado com este povo.
    http://www.youtube.com/watch?v=h0AyDsTdVC0

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