A pista da ilha Caravela

Aqui há trinta anos, no dia em que os ecos da mudança começaram a alastrar pela Guiné adentro, numa espécie de maré enchente que as notícias da BBC traziam lá de longe, logo um vento de esperança agitou os corações cansados daquela gente toda. Pois se é da liberdade que estamos a falar, quem é que vai agora chegar fogo às peças e aos canhões? Parecia pertinente a questão.
Já há muito tempo que nada se mexia no teatro, a não ser os aviões e os caranguejos cegos, que trotavam nas bolanhas durante a maré vaza. Mesmo assim, eram sempre com pezinhos de lã que o faziam, não fosse algum diabo tecê-las. E demónios tecedores era o que não faltava, a animar aquela paisagem. Que o diga o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, que tinha na secretária da Avenida da Liberdade nove requerimentos de pilotos aviadores, a pedirem dispensa de o ser. Aguardavam punição exemplar.
E foi assim, lembro-me como se fosse ontem, que o último bombardeamento aéreo aconteceu ao final da manhã do dia 9 de Maio. Lá fomos em voo rasante até ao objectivo, a encaixar na coluna a pancadaria inclemente da turbulência, seguia eu a asa do coronel comandante, um velho homem excelente, com o rabo mais calejado que um chimpanzé do mato. Do objectivo ergueram-se três cogumelos de fumarada negra. E depois disso não se voltou a ouvir por ali o estrondear dos canhões do império, suponho que se calaram de cansaço. Ou de velhice.
O tempo trouxe, aos poucos, a confirmação do que se vinha cogitando. Pois se é da liberdade que estamos a falar, quem vai agora chegar fogo às peças e aos canhões? E viu-se claramente que a guerra era acabada, quando começaram a passar ao largo, de gurupés apontado a casa, rebanhos de caravelas roídas pelos búzios, a adornar de fantasmas de almirantes de barbas e conquistadores zarolhos, de destroços de piratas e negreiros, de missionários comidos pelos cafres, de donatários cúpidos, de exploradores de sertões, e dos vagamundos de que falavam os livros antigos. Perante tais evidências não havia que duvidar, a guerra era passado.
De forma que alguém começou a pensar no melhor modo de trazer para casa os aviões, nem todos eram sucata centenária. Maneira expedita era fazê-lo saltitando, África acima, com a primeira escala na ilha do Sal. Quem dobrara, descendo, tantos bojadores, melhor os dobraria, já subindo. O problema eram as oitocentas milhas sobre o mar, e a garantia de passar por cima delas sem molhar os pés. De modo que se resolveu tirar a coisa a limpo, e fazer o teste definitivo da autonomia dos aviões, com carga máxima de combustível, à máxima altitude utilizável, que eram treze mil e quinhentos metros.
E lá fui eu atrás do coronel comandante, o tal velho homem excelente de quem já se falou. Parecíamos dois sísifos condenados, até chegar aos quarenta mil pés. E por lá andámos a desenhar no ar triângulos minúsculos, a tropeçar em fronteiras, ainda agora esbarrámos no Senegal e já estamos à vertical da linha de Conakri, só o vasto mar dos Bijagós é que nos dava um pouco mais de folga.
Gorou-se, porém, a prova real do exercício. Pois que, a dada altura, sobressaltaram o chefe as estranhas cabriolas que o meu avião se pôs a desenhar. Desabituado de tamanhas alturas, o regulador automático começara a cortar-me o oxigénio da máscara. Como se nada fosse comigo, eu fui perdendo o controle do avião, mais tarde era a visão que já me ia falecendo. E foi o grande saber do velho comandante que o levou a colar-se atrás de mim, a ditar-me procedimentos que eu reproduzia em gestos desconexos, a conduzir-me à entrada da pista que eu já não descortinava, e a mandar-me despejar no asfalto a passarola, que acabou rebocada à mão para o estacionamento.
Tínhamos passado entretanto sobre a ilha Caravela, a norte dos Bijagós, naquele estranho exercício de bilhar às três tabelas. E eu tinha visto, no meio duma vastidão de coqueiros, uma enorme faixa de macadame, que me pareceu uma pista de aviões. Algum tempo mais tarde, pois que o tempo disponível tinha passado a ser muito, consegui o acordo dum piloto de helicópteros para o passeio turístico. Levámos connosco um jovem alferes médico, aterrámos numa praia semeada de bolas de nafta escura, e logo um grupo de negras primitivas apareceu a saudar-nos, entre risadas tímidas. Vestiam tangas de ráfia pré-históricas, que eu só conhecia das gravuras da etnografia ultramarina, e ali mesmo nos deram a admirar os peitos do império, assim abertamente expostos à carícia do sol, um deles apresentava um nódulo visível, que o jovem médico logo aproveitou para diagnosticar. E a pista enorme lá estava, enigma rectilíneo e vastíssimo, o piso ainda irregular, de macadame não compactado.
Ficou-me sempre vivo este mistério, que não se decifrou em trinta anos. Nunca ouvi uma palavra sobre ela. E a minha primeira explicação foi que um governador previdente pensou nela como garantia de retaguarda. Viessem as tropas a ser empurradas para o mar, às mãos do inimigo ou às dos políticos dementes de Lisboa, e ali achariam refúgio seguro.
Até que tropecei há tempos na chave do enigma, quando vi num jornal um par de onagros bem falantes, a escoicinhar contra a descolonização criminosa. Se colónias ainda houvesse, compravam eles por bom preço umas divisas de furriel amanuense, para não irem comandar em Madina do Boé uma companhia de atiradores. E pois que colónias já não há, por força as retomarão, para virem depois a descolonizá-las sem crime.
São os pais da Pátria em versão pós-moderna. E já têm na ilha Caravela uma testa de ponte. A Pátria, essa, está ansiosa por lhes inscrever o nome na parede do forte do Bom Sucesso, ali ao lado da Torre de Belém. Sendo para quem é, há-de arranjar-se um espaço disponível. Talvez assim, calados os canhões, se venham a calar, também, as bestas.

Jorge Carvalheira

Pungentómetro

A Valupi

Muito antes de procurar, num texto, o que lá não está, é obrigatório ler nele o que lá está. Explicitamente.
Invadi-lo de subjectividade é enviesá-lo. É abusá-lo. É ver nele um outro que não existe.
A contenção e o pudor dum texto fazem-no contido e recatado. Pode ser belíssimo, carregado de intenção, mas não é pungente.
Só ao autor cabe medir a pungência que quer presente na obra. Por isso não há pungentómetros
no mercado. Tudo o resto são oportunismos de leitor.

Jorge Carvalheira

A parábola dos cachuchos

Se as pessoas que passam pelas salas de aula portuguesas chegassem ao fim dos 12 primeiros anos de escolaridade a saber quem é Sequeira Costa, a conhecer a sua importância para a cultura em Portugal, ainda, ou só então, haveria esperança para este antro de imbecis. Sim, Sequeira Costa é apenas um exemplo para dar conteúdo à provocação, poderia usar o nome de outros ilustres patrícios. Mas o facto é que 12 anos, ou mesmo 21, de estudos não garantem que se descubra a existência deste português por parte de cada português. Português que celebra em 2007 o cinquentenário da fundação do Concurso Vianna da Motta. A esse propósito, e de propósito por causa da realização da actual edição, o pianista esteve na manhã da Antena 2, na passada quinta-feira, onde contou a seguinte anedota:

Tendo ganho o Concurso de Piano de Paris, assim como outros certames internacionais, amealhou a, ao tempo, substancial maquia de trinta contos. Em 1953, essa verba daria para grandes e estouvados deboches consumistas. O que ocorreu ao nosso Costa, meu primo, foi uma ideia peregrina: criar um concurso de piano em Portugal que se tornasse uma referência internacional pela sua excelência. Para tal, foi falar com uma Sua Excelência, Leite Pinto, o Ministro da Educação. Levou a esposa para a audiência ministerial e apresentou a ideia. Entusiasticamente, e do alto do seu prestígio e juventude, realçou a pique as vantagens para a Nação em albergar tal iniciativa, prestando-se ele a entregar todo o dinheiro ganho até então de modo a financiar a iniciativa. O ministro ouviu atento e composto. Silêncio mais tarde, olha decidido para a estrela do teclado e diz-lhe: Ó homem, mas porque é que você não pega nesse dinheiro todo e compra antes uns cachuchos para a sua mulher?!…

Que me perdoem as vítimas da PIDE e da Guerra Colonial, mas este episódio é o mais fiel retrato do salazarismo que conheço. Se alguém ainda tiver dúvidas sobre o que deve ser a acção política futura, que faça a si mesmo a pergunta: qual dos dois protagonistas pertence ao escol da Pátria? A resposta transformará a anedota numa parábola.

Quem é aquela mulé?

A Susana anda a armar-se. É óbvio que o seu último post é uma vil intromissão no pelourinho que me foi atribuído na última Assembleia Geral do Aspirina B que teve lugar na piscina da Soledade (marcaram presença o Valupi, o Fernando, a Susana, a Soledade e mais uma centena de heterónimos muito giros que falavam todos da mesma maneira e que diziam todos muito bem uns dos outros). Isto, como é óbvio, irá ter consequências graves no regular funcionamento deste blogue em putefracto estado de HTMLização. Para já, para além de aqui anunciar publicamente que fui EU quem mostrou pela primeira vez à Susaninha a genialidade dos Buraka Som Sistema, deixo aqui o vídeo de «Wawaba» que, não por acaso, é há mais de meio-ano o toque do meu telemóvel. Tipo picolê.

Mastrados

A senhora mastrada é mulher do senhor Roxo e tem um sindicato. Mal se lhe compreende um homem desta cor, talvez por isso tenha um sindicato. Mas adiante.
O senhor Roxo está em prisão preventiva, será por muito ir à missa, um dia algum juiz decidirá. O facto é que, sendo a mulher do Roxo, a senhora mastrada teve em casa um mandato de busca, que um desembargador qualquer determinou. Do desembargador não sabemos mais nada. Apenas que desembarga e determina mandatos, o que já não é pouco. E os oficiais lá foram.
A senhora mastrada concedeu ser mulher do senhor Roxo, e até lhes mostrou o sindicato que lá tinha. Mas não era bem isso que eles queriam saber. Porém do que buscaram não se falará aqui, por estar em segredo de justiça.
Sucede, porém, que a senhora mastrada, ou por ter um sindicato, ou por ser mulher do Roxo, não pode sofrer em casa um mandato qualquer, assim do pé para a mão. Mormente sem a presença dum mastrado do conselho superior, capaz de validar-lhe a diligência. A ver se os oficiais dão o bom dia, ou se pedem licença para revistar a alcova, ou desencravar à senhora mastrada uma gaveta renitente.
Sucedeu não estar presente o tal mastrado. Que o desembargador mandante do mandato se esqueceu de avisar o conselho superior das intenções da busca. E assim foi anulada a diligência, não por quaisquer razões substantivas, que se guardam em segredo de justiça, mas por este claro e insuportável vício da falta de memória dum desembargador. Até os códigos ficavam a sangrar, se alguma coisa transitasse em julgado.
Quando eu for grande, já sei o que fazer. Poderei dispensar um senhor Roxo, mas não vou abdicar de ser mastrado, e ter um sindicato. E hei-de aconselhar os meus vizinhos todos a esfolharem os códigos e a fazerem-se juízes. Ou até desembargadores, a ver se desembargam isto tudo.

Jorge Carvalheira

Dias solarengos

Na TSF, um locutor (jornalista?) abriu o noticiário das 8 e 30 da manhã dizendo que este era um dia pouco solarengo. Depois fez umas referências obscuras à meteorologia, para concluir, já animado, que os próximos dias seriam mais solarengos. Como se trata da TSF, a notícia parece-me credível. Mesmo assim, não consegui evitar o rapto para uma funesta nostalgia. É que eu nunca tive um dia solarengo na vida. Nem um. E não acredito que venha a ter. Será, a essa luz, uma existência cinzenta.

Este avisa. É amigo

mapaut.gif

Na caixa de comentários da «Carta Aberta a José Saramago», a conversa continua. A última intervenção do comentador «MIRO» é do maior interesse. Dela destacamos:

«Acho que os iberistas portugueses têm uma visão muito idílica das Autonomias espanholas. Saiba você que as autonomias não têm direito de se separar do Estado, nem de chegar acordos com outros Estados, nem sequer de se unir a outras Autonomias. Saiba que nas ordenanças militares espanholas, fruto do fascismo, existe uma clausula chamada “supuesto anticonstitucional máximo”, que vem dizer que se houver o risco de que qualquer pedaço de Espanha, qualquer, se separa-se da Espanha, o exército estaria legitimado para evita-lo, desobedecendo incluso a ordens do presidente e do parlamento. Saiba também, questão esta não trivial, que a mais alta autoridade militar é o Rei.

«Para além disso, o peso relativo dos partidos nacionalistas “periféricos” no Governo no Estado está também claramente sobrevalorizado em Portugal. De facto, o PP espanhol tem intenção de rematar de vez com a influência das forças “minoritárias” instaurando um sistema a dupla volta, como o francês. Se o tal projecto chegar a se consumar, e chegará, tão logo como o PP obtiver uma maioria absoluta, o peso político duma hipotética Comunidade Autónoma de Portugal (CAP) no Reino de Espanha seria zero. Aí Portugal diria, não, não, assim não jogo, voltamos ao de antes, e o exército espanhol teria o direito de intervir unilateralmente sem escutar o Parlamento para evitar a ruptura da “pátria”.»

MIRO

Leia mais aqui.

Fala do roupeiro Vítor Sério em 1997

Sou eu que tenho a chave deste espaço
Onde guardo os sonhos mais fagueiros
De quem faz desta equipa um abraço
Num mundo de caminhos traiçoeiros

Nas vitórias o vendaval é de euforia
Nas derrotas chuva de palavras feias
Custam como o duche de água fria
Ao lado das camisolas e das meias

Pela minha parte tenho a psicologia
Do resgate da sua tristeza neste lugar
Lembrando que amanhã é outro dia
E no sábado há outro jogo para jogar

Depois é um quadrado de marmelada
À espera que ele vá activar a insulina
Para que a equipa não fique cansada
E viva os sonhos fechados na cabina

José do Carmo Francisco

Retrato público

Não faço a mínima ideia de quem é ele, o poeta. Digo mais, com a comodidade da ignorância: se soubesse quem é, sentir-me-ia mais incomodado ainda, tão impiedoso é o retrato. E tão impiedoso que, mesmo que o soubéssemos inventado, continuaria a incomodar.

São assim os retratos, todos os retratos, de J. Rentes de Carvalho. E eu posso dizê-lo, que já tive
de me reconhecer num. Só não consegui (há destas sortes) inspirar-lhe a qualidade deste.

Aspirina Box #8

boxas.jpg

Coisas novas na Box. Em primeiro lugar, há o belo e longo «He’s Simple, He’s Dumb, He’s The Pilot» dos Grandaddy, seguido de uma superior interpretação de Vinicius Cantuária da melhor canção do mundo. Para além de «Maryan» do indispensável Robert Wyatt (cujo novo Comicopera sai já em Outubro) e do muito estival «La Baie» de Etienne Daho, também coloquei o meu tema favorito dessa doida que é a Björk, o não menos belo «Feather by Feather» dos Smog e «La Cienega Just Smiled» de Ryan Adams (que aqui parece o Elton John antes deste ter começado a soar que nem aquele galo que canta desde 1919). Para terminar, há a Radio 1 Session de «London, Can You Wait?» dos Gene (um autêntico case-study: como é que uma banda tão medíocre conseguiu compor uma pérola destas?), «Smoke & Mirrors» dos The Magnetic Fields e Mark Kozelek a resgatar da sombra dos Genesis o tema «Follow You, Follow Me», o que prova, mais uma vez, as virtudes da reciclagem.

Desajeitados

Schaduw.jpg

«Muitos intelectuais», escreveu Marguerite Duras, «são amantes desajeitados, tímidos, assustados, distraídos. Isso não me incomodava sempre que percebia que quando estavam longe de mim eles eram escritores igualmente distraídos do seu próprio corpo». E Pedro Mexia transcreve-o num artigo de ontem no «Ípsilon» («Ypsilon» tinha outra graça) do Público. Você não deitou fora, pois não?

«É uma bela expressão: “distraídos do seu próprio corpo”», prossegue Mexia. «Como se o corpo não fosse o corpo. Como se o corpo dos escritores fosse o seu texto e o corpo propriamente dito um facto vivido distraidamente».

E eram – dizia-se – uma classe invejável. Porque amantes, amantes, são mesmo os trolhas. Lentos, exactos, e duros.

Belo Encanto

Imitando o meu primo, atentai como este vídeo atenta contra a arte e a artista. Desde a completa ausência de ideias na realização aos movimentos de câmara enjoativos, passando pelo cenário pindérico. Esta peça é até uma justa homenagem à qualidade da equipa que criou e produziu o original, pois apresenta uma falha de sincronização. Mas que se lixe o vídeo. É a ária que importa. Esta precisa e preciosa ária. Uma das provas de que Deus existe, é siciliano e gosta de mulheres.

Angela Gheorghiu não é consensual. Há quem nos mande callar se a elogiarmos. Para mim, que sou bruto, podem vir as duas.

Um panfleto no metro

«Ja não tens desculpa», repete com insistência o panfleto que me estendem à saída da estação do Metro da Baixa-Chiado. «Vem este Verão a Lusiberia e aproveita as vantagens», insiste o panfleto. Quando me estou a recompor do choque do «tu» ostensivo (porque «Ja não tens desculpa» é um «tu» mal escondido), apanho com três erros de ortografia: Ja por Já, Lusiberia por Lusibéria e Aquatico por Aquático.

Isto anda tudo ligado – dizia o poeta Eduardo Guerra Carneiro. No domingo passado José Saramago no Diário de Notícias falava da inevitabilidade da nossa integração em Espanha. Até fala de um parlamento igual ao da Catalunha; a criatura já tinha pensado em tudo. Integrado está ele, pois tem a vida controlada pela mulher e pelos cunhados que lhe filtram os passos e as chamadas telefónicas.

Dois dias depois de dar esta polémica entrevista a João Céu e Silva, Saramago casou-se em Espanha, numa cerimónia íntima. Pois. No dia seguinte, aparece-me este «Ja não tens desculpa» sem acento no «a», a convidar-me a ir até Badajoz gozar as delícias do Parque Aquático sem acento no «a», cujo dono se chama Lusibéria sem acento no «e».

Mas não vão tão longe como Saramago, que se fixava na Ibéria; eles chamam à empresa Lusibéria. Dito de outra maneira: não diluem a Lusitânia como pretende o Nobel 98. Embora não concorde com a ideia, Lusibéria (mesmo sem acento no «e») tem muito mais lógica que Ibéria.

Depois de ter feito desaparecer do livro os nomes das pessoas que lhe contaram as histórias do «Levantado do chão», Saramago propõe o desaparecimento do país e a sua diluição na grande Espanha. Sinto-me «atirado ao chão», mas vou arranjar forças para me levantar. É caso para dizer em bom português: Safa!

José do Carmo Francisco