O Presidente-comentador (talvez ainda melhor: o comentador-Presidente) e os comentadores propagandistas irão vencer estas eleições?
Dia da mulher: não brindo às rancorosas, velhacas e inqualificáveis
“A covid para este Governo foi uma benesse, foi uma desculpa para nada fazer, foi a possibilidade de poder ajudar quem efetivamente nessas alturas teve necessidade de apoios – e que qualquer Governo com certeza que o faria, um Governo do PSD também o faria”, sustentou.
A covid-19 deu ao PS no Governo “a oportunidade de receber da União Europeia um montante de recursos de tal forma volumoso”, os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), “e que ele tem desbaratado, não para investimentos para futura alteração do país, mas para muitas vezes pagar aquelas benesses que anda a distribuir para manter as pessoas ligadas ao Governo”, acusou.
De acordo com Manuela Ferreira Leite, “a inflação foi outra benesse que lhes caiu em cima”, porque “não só é uma desculpa para várias coisas que nada têm a ver com a inflação, como abriram os seus cofres e foi só entrar dinheiro”.
Vamos lá a saber
Desesperar não puxa carroça
O cenário, aparentemente inevitável, de se voltar a ter uma disputa Biden-Trump, agora com 81 e 77 anos respectivamente, é um pesadelo dentro de um pesadelo dentro de um pesadelo. Seria inimaginável até para autores de ficção antes de 2016.
Ao mesmo tempo, é apenas a democracia no seu esplendor de permitir o aleatório. Trump tem cidadãos americanos que saíram de casa para lhe dar o seu voto, querem que ele volte a ser presidente dos EUA mesmo que se prove ser um criminoso e um tirano. E Biden não preparou um sucessor, insiste em tentar nova campanha eleitoral e novo mandato apesar das suas exuberantes fragilidades físicas e cognitivas, as quais explicam a fragilidade política.
Isto acontece com uma Rússia abertamente em modo de chantagem nuclear sobre a Europa e um planeta em crescente disfunção de ecossistemas por causa da poluição, da exploração económica e das alterações climáticas.
Desesperar? Não, porque não há nada aí que valha a pena. A tarefa consiste em ir ao encontro dos que colocam a inteligência e a coragem ao serviço da liberdade. E pensar com eles. Como se faz desde o começo da civilização.
Serviço público
Declaração de voto
Declaro a intenção de votar no PS. A última vez que o tinha feito foi em 2011. Antes, nunca.
Tal como em 2011, o meu voto justifica-se pelo ataque à democracia, ao bem comum e ao interesse nacional concretizado na golpada judicial-presidencial que levou ao fim de um Governo de maioria absoluta em 2023. Em 2011, tinha sido o chumbo do PEC 4 e a utilização da Troika como desculpa para uma governação socialmente violenta e economicamente insana os instrumentos desse ataque, bem sucedido então para os propósitos da aliança negativa que preferiu abrir uma crise política por solitária gula eleitoral. Não fora isso, votaria agora Livre por ser a única alternativa onde se encontra módica racionalidade negocial e uma ética da decência, imune a sectarismos típicos da esquerda.
O meu voto no PS é paradoxal. Considero que esse partido suporta isolado a coesão da comunidade, ligando as carências de pobres, remediados e ricos em políticas que não ambicionam a revolução nem a perfeição. A história do PS como partido de poder confunde-se com a história da democracia como regime da inclusão e do desenvolvimento pragmático, realista, consequente. E estes predicados são os mesmos que me levam a considerar o PS como o principal responsável pela perigosíssima, e já trágica, disfunção dos órgãos de Justiça, Ministério Público como corporação e certos juízes incluídos.
No PS não existem respostas para essa crise do poder judicial tomado pelo justicialismo e cometendo crimes sistemáticos. Não existe sequer um discurso que permita ter esperança a respeito. Restam as pessoas a dar o seu melhor, confusas e assustadas com os poderes fácticos em acção. Sendo demasiado pouco, é nesta circunstância infinitamente melhor do que nada.
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Hearing relaxing words in your sleep slows your heart down
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May I have a quick word? Study shows talking faster is linked to better brain health as we age
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Want fewer microplastics in your tap water? Try boiling it first
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Researchers overestimate their own honesty
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More schooling is linked to slowed aging and increased longevity
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AI outperforms humans in standardized tests of creative potential
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Live music emotionally moves us more than streamed music
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Dominguice
Nos anos 80, numa escola secundária, convidaram-me para fazer parte de uma lista para a associação de estudantes. Era a lista M, porque o activista dela pertencia à Juventude Monárquica. Para mim, e para o meu colega parceiro de estróina também convidado, a ligação ao PPM aparecia como um acidente folclórico completamente irrelevante. Aceitámos porque éramos putos e aquilo prometia cegada da boa. Tínhamos uma palavra de ordem nos materiais de campanha: “Mudar”, pois claro. Depois, quando entrei na faculdade, fui de novo convidado para pertencer a uma lista para a associação de estudantes. Já não era a lista M nem o activista tinha qualquer relação com reis e barões, mas a palavra de ordem foi a mesma: “Mudar”, pois eram outros que ocupavam o poleiro. Alguns anos depois, nessa mesma faculdade, um professor (o qual viria ter uma frustrada passagem pela política partidária) explicou-me que isto do “mudar”, da “mudança”, não era coisa boa. E dava como exemplo a Modernidade, período que ele lamentava dolorosamente tantas as mudanças impostas, quase sempre para pior no que mais lhe importava. Sim, este professor era um conservador ilustrado.
Mudar pode ser um apelo que faça todo o sentido. Mas quando o faz não é pelo lado da mudança, é por fazer sentido. Pelo sentido os conhecereis, pelo sentido é que vamos.
“Coitado do Montenegro. Só ralações com as individualidades que o vêm apoiar publicamente…”
Frases semelhantes às do título acima têm sido ditas por alguns comentadores, como o Pedro Marques Lopes, ou até o Rui Tavares, que optou por chamar a Montenegro “ingénuo” (ingénuo não será o Tavares?). Isto a propósito de intervenções na campanha da AD, como a de Pedro Passos Coelho, Gonçalo da Câmara Pereira, Paulo Núncio, Durão Barroso ou Eduardo Oliveira e Sousa (ex-líder da CAP e cabeça de lista da AD por Santarém), todas elas assumidamente radicais e assustadoras, mesmo do tipo imperdoáveis em democracias avançadas. Um insurgiu-se contra o excesso de imigrantes atiçando ódios e instintos persecutórios adormecidos, à moda do Ventura, aproveitando para repetir o quão inevitável será uma aliança com o Chega (uma forma de ameaça ao próprio Montenegro); outro não abre a boca a não ser para dizer asneiras, pelo que volta convenientemente a fechá-la; o terceiro quer obrigar as mulheres com menos meios económicos a voltarem aos abortos clandestinos, quando não à prisão (as ricas têm médicos amigos); o Durão fala mal do país dos últimos anos, como se tivesse sido um primeiro-ministro excepcional (!) e com imeeenso prestígio, quando todos sabemos o pouco e mal que fez por cá e o pouco e muito mal ou irrelevante que fez na Comissão Europeia (como prémio por ter sido o anfitrião da cimeira das Lajes) só para depois ganhar um tacho na Goldman Sachs; por fim, o último resolveu falar em distribuir armas aos agricultores, totalmente ao estilo violento e belicoso do Chega.
Pois para esses comentadores cheios de boa vontade, Luís Montenegro, com as aparições e as declarações desses personagens, pode estar a prejudicar os seus louváveis propósitos sociais-democratas e moderados inadvertidamente, por suposta surpresa (para o PML) ou por não saber como são e o que pensam as pessoas que convida e acreditar que são boas pessoas e moderadas (Rui Tavares).
Que dizer disto? Que Luís Montenegro não sabe quem convida para a campanha? Mas ele conhece-os todos e bem! Que não sabe o que vão dizer? Isso não é possível. Que não sabe inclusive que estão a falar em nome da AD e não a título individual, circunstância em que ele, Montenegro, se pode arrogar dizer que discorda?
É óbvio que não é nada disso. A ideia pode ser roubar votos ao Chega “roubando-lhe” a linguagem, por um lado, e, por outro, marcar o carácter “moderado” de Montenegro ao distanciar-se de algumas declarações. Mas Montenegro, nesse caso, só pode estar de acordo com esta estratégia. E o facto é que a tem seguido: uns vêm com discursos que apelam a punições, à violência e à intolerância e logo vem ele acalmar os ânimos como se fosse um social-democrata de gema, dando a entender que se trata de excessos próprios da campanha.
Pois para mim, desculpem o meu “francês”, isso é “bullshit”. Tudo estudado. Quem Montenegro terá, no dia 11, se ganhar, para formar um governo serão essas pessoas e não outras. Os ministros serão essas pessoas e não outras. A sua aparência de moderado, dialogante e centrista é estratégia de campanha. Mas, como dizia o outro “se convive com patos, ouve os patos, ri-se do que riem os patos, já falou à pato durante vários anos, vai escolher rodear-se de patos… então é um pato!”.
Melhor momento da campanha, dá votos
A Terra será mesmo redonda?
Legado de Marcelo: cinismo, irresponsabilidade e miséria moral
«O Presidente da República disse esta quarta-feira que, em campanha eleitoral, "cada um dramatiza no que entende que é útil" para obter votos, em resposta sobre as declarações de Passos Coelho a ligar imigração à alegada insegurança.
"Depois, na hora da verdade, os portugueses dirão se valeu a pena ou se não valeu a pena", acrescentou.»
Inveja bissexta
Tenho inveja de quem nasceu a 29 de Fevereiro. Porque, durante 3 anos seguidos, ficam com a liberdade de escolherem duas outras datas, em dois meses diferentes, para celebrarem o seu aniversário. E também porque podem retirar 3 a cada 4 anos no registo biográfico mental, chegando aos 80 com a convicção secreta de só terem 20 aninhos.
Parece pouco? Pode ser o que mais importa.
Exactissimamente
Passos criminoso
Num sábado, há duas semanas, andei de Metro em Lisboa. Mais de 70% dos passageiros não eram caucasianos. Desta minoria, uns 10% seriam ostensivamente estrangeiros. Não vi o menor desacato, uma simples discussão. Apenas rostos indecifráveis quanto à sua biografia e variabilidade etnográfica num registo de provável baixa condição social, salvo pontuais excepções.
Subitamente, não só compreendi mas também senti como pode ser altamente eficaz espalhar o medo acerca desta paisagem demográfica. Os mecanismos tribais do racismo e da xenofobia estão antropologicamente enraizados, fazem parte da herança biológica ligada ao instinto de sobrevivência. É muito mais fácil suspeitar de um estranho do que confiar nele, especialmente se esse estranho se apresenta culturalmente exógeno aos nossos grupos sociais onde construímos a identidade.
Passos a imitar Ventura pode não surpreender, posto que criador e criatura se têm declarado aliados desde Loures. Contudo, porém, todavia, ver um ex-primeiro-ministro (ainda com planos de voltar à ribalta política) a acirrar os instintos que podem causar alarme social, pânico colectivo e violência física potencialmente letal é historicamente significativo. O PSD pode mesmo ter deixado de fazer sentido no regime após a algaraviada de Passos a 26 de Fevereiro de 2024. Pela simples razão de ser incompatível com a decência pertencer a um partido onde a irresponsabilidade máxima é recompensada com discursos ao lado do líder e com um messianismo alimentado pela escória da direita portuguesa.
Há crimes cometidos por imigrantes? Sim. Tal será inevitável, estatisticamente necessário. Mas, como a sua percentagem é muitíssimo mais baixa do que a dos crimes cometidos por portugueses, o discurso que diaboliza os estrangeiros — e que aponta as suas tochas e forquilhas na direcção de pessoas com aparência africana e asiática — é uma mentira que procura instigar o ódio. Pretende-se levar para o Parlamento ainda mais incendiários do pior que existe na natureza humana.
A solução dos populistas de direita contra o crime é sempre serem eles a cometer crimes.
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Women Get the Same Exercise Benefits As Men, But With Less Effort
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Chronic stress spreads cancer… here’s how
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A cousin to the Mediterranean diet: The Atlantic diet explained
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Fasting-like diet lowers risk factors for disease, reduces biological age in humans
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Eating too much protein is bad for your arteries, and this amino acid is to blame
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Scientists can tell where a mouse is looking and located based on its neural activity
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Real-time wearable human emotion recognition technology developed
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Dominguice
E o Marcelo, pá? Protegido pela comunicação social, poupado pelo sistema político, quando aparece expõe-se cognitivamente friável, moralmente pusilânime. Contraste radical com a postura irresponsável, acintosa, estouvada que, durante quase dois anos, gerou instabilidade política absurda e criou as condições para um golpe de Estado judicial — o qual ele validou e consumou.
Marcelo, no seu segundo mandato, quis brincar aos monarcas absolutistas. Vai acabar decapitado, a guilhotina será o juízo da História.
Geringonça 2.0 seria uma hipótese. Mas o PS deve visar uma maioria folgada
Na antiga Geringonça, começo pelo PCP: em 2015, quando se constituiu a Geringonça, ainda a guerra da Ucrânia, nos moldes violentos e declarados em que hoje se processa, estava longe. Nos últimos anos, o Partido Comunista Português perdeu não só um líder carismático, mas também prestígio, adeptos e votantes a um ritmo nunca visto, chegando a um ponto em que, se obtiver 3% no dia 10 de Março poderá dar-se por contente. Assim, os deputados que conseguir eleger serão parca ajuda para a eventual tentativa de Pedro Nuno Santos (PNS) de constituir uma maioria para governar, caso não a consiga sozinho. Para já não falar nas desavenças que haveria na prossecução da política externa, possivelmente insusceptível de deixar de fora desta vez.
Quanto ao Bloco: na minha modesta opinião, a Mariana Mortágua não conseguirá conquistar mais votantes. É demasiado sinistra, arrogante, castigadora e ultrapassada. Manterá a votação que o Bloco teve nas últimas eleições ou perderá mesmo eleitores em relação aos conseguidos por Catarina Martins, apesar de tudo uma pessoa mais empática. Além disso, o Bloco desfez a Geringonça em 2021 ao chumbar o orçamento. Por que razão haveria o eleitor de acreditar que a quer reeditar? E para quê? Para evitar a direita? Mas quando lhe convém (pensam eles e pensam mal), alia-se a ela!
O Bloco não é nada neste momento a não ser uma memória de interrogatórios tipo Stasi pela boca da Mariana nas comissões de inquérito. Odeiam, e de chicote na mão, os “ricos” (conceito muito abrangente) e isso, como programa para um país, é mau. Acresce que a maioria absoluta de António Costa muito se deveu ao repúdio generalizado da partilha de programa com estes dois partidos, em especial o Bloco, e à convicção de que António Costa valia mais do que todos eles. Reeditar essa partilha para o PS conseguir governar poderá ser a única opção para deter a direita, e nesse caso, força com isso, mas tenho para mim que os eleitores não sentem tantas saudades da Geringonça quantas PNS já quis dar a entender. Só se for uma nova Geringonça, melhorada, com o Livre, um partido assumidamente europeísta.
O PNS não é o António Costa, claro está, nem possui a experiência e os conhecimentos da política, e a boa aura, e longa, que ele possui. Mas tem muitas outras qualidades. É mais decidido, mais prático, e menos “institucional”, o que não é necessariamente negativo. Tenho a certeza de que, se a crise com Marcelo, desde o seu começo logo a seguir às eleições de 2022, se tivesse passado com ele, jamais PNS continuaria com os salamaleques e o respeito, e o silêncio, por vezes incompreensíveis, que Costa fez questão de continuar a exibir. Também não sei se, suspeitasse o Ministério Público dele sem razão, manteria a frieza e a contenção de Costa. Para o bem e para o mal, Pedro Nuno parece-me mais genuíno e directo. Esta diferença pode jogar a seu favor neste momento, a par dos bons resultados da governação socialista.
Para tirar partido dela, PNS faria bem em não ligar às sondagens. As da Católica, infelizmente as mais divulgadas, porque são publicitadas na RTP, têm claramente por objectivo animar as hostes da direita e influenciar o voto. Bastante ridículas, vendo-se os detalhes técnicos. Pode ser que consigam; à falta de melhor, a direita recorre aos conhecimentos que tem, ou seja, mete cunhas. Mas as sondagens falham e já falharam clamorosamente nas últimas eleições em Portugal. Falharam nas autárquicas em Lisboa e falharam nas nacionais em 2022. Além do mais, há outras sondagens com resultados diferentes. Portanto, coragem. Está tudo em aberto.
Sei que os ventos podem estar a soprar, ao fim de oito anos, a favor da direita, mas o principal adversário, o Montenegro, é um líder objectivamente tão fraco, na iminência mesmo de ser substituído a curto prazo, tão contraditório, tão ignorante, que me parece quase inacreditável vir a ser primeiro-ministro. Ventos haverá, pois, mas trazem mau cheiro, más memórias e péssimas companhias (Ventura) e isso não é impossível de contrariar. A esquerda pode bem apresentar uma melhor alternativa.
