
Júdice equânimo
Quem se interessar pelo fenómeno Sócrates (refiro-me aos efeitos psicológicos, sociológicos, antropológicos, políticos e históricos, em Portugal, resultantes de esse cidadão ter exercido cargos governativos e ter sido prejudicado, punido e linchado num processo judicial politizado) terá interesse nesta hora com José Miguel Júdice a ser muito simpático para com Maria João Avillez: José Miguel Júdice: “Não houve um Sócrates 1 e um Sócrates 2”
A senhora aparece igual a si própria. Trata Sócrates com desprezo de classe, caricaturando-o como um traste que não tinha educação, nem maneiras, nem moral, nem berço. Repete os argumentos ad hominem estafados de 20 anos e tem o extremo cuidado de evitar qualquer questão acerca das clamorosas violações do Estado de direito, e dos trâmites do processo justo, de que Sócrates foi e é vítima.
O Júdice também está igual a si próprio, ele que nunca caluniou nem diabolizou Sócrates. Nesta entrevista acrescenta alguns episódios biográficos que ajudam a explicar porquê. Mas o seu principal contributo para um olhar equânime sobre a pessoa de Sócrates vem do seu lamento lúcido de ser incompatível ficar apanhado nas embrulhadas financeiras, que foram assumidas pelo próprio, e manter a esperança de voltar a ser politicamente relevante, quiçá decisivo — e isto mesmo que se validasse a sua versão dos acontecimentos, que tudo não passa de um alegado empréstimo do amigo, sem actos de corrupção provados.
Júdice transmite verdadeira admiração pelo poder político de Sócrates como governante reformista. Lembra que no auge dessa capacidade a direita estava toda rendida e assarapantada, reduzida à sua impotência. Porque Sócrates governava à direita? Não, pá, porque governava ao centro. Sem cedências face ao que considerava essencial, sem culto de personalidade e leninismos. Ou seja, governava para o mais largo espectro da comunidade, conseguia resolver problemas dos diferentes segmentos económicos e grupos ideológicos. E criava futuro desenvolvendo o presente, como se confirmou em várias e cruciais áreas do Estado.
Daí o seu lamento. Que é o nosso.
Vamos lá a saber
Nesta entrevista a João Galamba, quais são as declarações politicamente mais relevantes?
Comichões
“Tortura? Os choques elétricos só faziam comichão.”
Óscar Cardoso é um dos inspetores da PIDE que recebeu de Cavaco Silva uma pensão vitalícia por serviços relevantes prestados à Pátria. A mesma pensão que Cavaco recusou atribuir ao Salgueiro Maia.https://t.co/KmYOOm9i0E pic.twitter.com/BUbIcMB4WD— WalterDomingos (@WalterDomings) April 28, 2024
Oferta do nosso amigo cmtv entrevista um eleitor do chega
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Treatment from female doctors leads to lower mortality and hospital readmission rates
.
Don’t be a stranger — study finds rekindling old friendships as scary as making new ones
.
Low intensity exercise linked to reduced depression
.
Exploring brain synchronization patterns during social interactions
.
Social programs save millions of lives, especially in times of crisis
.
A university lecture, with a dash of jumping jacks
.
Unveiling the secrets of Montesinho’s honey: a blend of tradition and science
.
Continuar a lerRevolution through evolution
Dominguice
A ideia de uma inteligência artificial atingir o ponto da singularidade descreve a hipótese de esse tipo de inteligência se tornar cada vez mais inteligente apenas usando os seus recursos — portanto, não só se tornando independente da humanidade para o aumento das suas capacidades de cálculo como igualmente se tornando incompreensível para essa mesma humanidade. Um buraco negro cósmico é também descrito como uma singularidade dado que a física no seu interior transcende as leis conhecidas sobre a Natureza, os conceitos de espaço e tempo deixam de fazer sentido e uma densidade infinita pode ter um volume zero. Idem para a suposta causa do Big Bang.
Há outras singularidades parecidas mais acessíveis, próximas. Por exemplo, alguém que tenha o hábito de alimentar a sua curiosidade estará, por inerência, a aumentar a sua inteligência. E esse processo pode ser mantido indefinidamente, assim haja saúde. Dá origem a pessoas e situações singulares. Por vezes, ao nascimento de universos.
Aguiar-Branco finalmente livre
O discurso de Aguiar-Branco, nesta quinta-feira 50 anos após a outra, surpreendeu por ser uma bela peça oratória. Bela no conteúdo, fielmente representando a comunidade democrática de outrora e de agora. E belo na forma, começando com forte apelo sentimental e terminando com sapiente e folgada sátira política.
No seu sucesso, este desconhecido talento revela as causas do seu fracasso como político. Aguiar-Branco concorreu para presidente do PSD em 2010, tendo perdido para Passos Coelho numa corrida onde também estava Paulo Rangel. Donde, o homem tinha grandes ambições governativas, que o actual cargo senatorial apenas apaziguarão. Só que a sua derrota para o então jovem Pedro foi justíssima. Aguiar-Branco sempre se apresentou no espaço público como um bimbo, uma máquina de despachar clichés e imitar os colegas laranjas na práxis da baixa política e da chicana. Afinal, tinha dentro dele um tribuno e um patriota.
A decadência da direita é, na essência, isto. Pessoas que optam por esconder a sua decência durante décadas por terem medo das consequências.
Vamos lá a saber
Saudades do Abril futuro
«O que faltou dizer a Marcelo e a Santos Silva é que as ameaças ao tempo, às regras institucionais, à necessidade de uma “respiração pausada” ou ao pluralismo vêm em grande parte do Governo. O caso TAP, a impunidade dos poderosos e o estilo pasmaceiro e complacente de António Costa não justificam a histeria do Chega, que se estendeu a uma parte do PSD e à nova liderança da IL ou à imprensa — a histeria do Bloco é outra coisa. Mas se não responsabilizarmos o Governo pela degradação da política, pela erosão das instituições e pelo consequente fulgor do populismo, estaremos a fugir à realidade.»
Manuel Carvalho, 25 de Abril de 2023
Este fulano, então ainda director do Público, termina com o parágrafo acima mais um dos caudalosos editoriais sépticos despachados ao longo de 5 anos. Porquê ir buscar a sua prosa inane, na solenidade dos 50 anos do 25 de Abril, de que ninguém se lembra nos poucos que a leram, nem o próprio autor? Por causa da liberdade, essa forma de viver que nos humaniza infinitamente.
Passou um ano. O Governo socialista foi alvo de uma golpada judicial, o Presidente da República aproveitou-a para dissolver uma maioria absoluta no Parlamento, as eleições deram ao Chega uma vitória estrondosa em número de votos e de deputados, uma AD de fancaria foi à rasca para S. Bento mostrar a sua encardida incompetência, e o tal Presidente da República, que anda há dois anos a exibir-se como pessoa cognitivamente diminuída, acaba de pedir ajuda urgente do foro neurológico e psiquiátrico. Comparemos com a lista do valente Carvalho: o “caso TAP” (está só a falar do Galamba, vítima de um taralhouco e da exploração mediática e política que se seguiu), a “impunidade dos poderosos” (quais poderosos? qual impunidade? que tinha o Governo anterior a ver com isso?), o “estilo pasmaceiro e complacente de António Costa” (ou seja, a responsabilidade, ponderação e confiança de Costa como governante, a que se junta o seu exímio sentido de Estado). É isto que tem o topete de invocar como causas do “fulgor do populismo”. Não contente, ainda lava as mãos ao dizer que a “histeria do Chega” se estendeu à imprensa.
A “histeria do Chega” nasceu na imprensa, a partir de 2004. E teve no Público um dos órgãos mais “histéricos” na promoção do populismo de extrema-direita, logo em 2007, na sequência da OPA falhada que a Sonae lançou à Portugal Telecom. Um dia depois da votação na assembleia-geral da PT, literalmente, José Manuel Fernandes (o qual tinha interesses acionistas na operação da Sonae) iniciava uma campanha negra contra Sócrates, e contra o PS, que nunca mais terminou e a qual apontou aos pilares da República. Em 2009, o mesmo Zé Manel lançou a meias com Cavaco a Inventona de Belém. Em 2013, foram buscar o João Miguel Tavares ao Correio da Manhã, com a ostensiva intenção de lhe dar um palco supostamente mais credível para a sua actividade de caluniador profissional. Ainda em 2019, o bravíssimo Manuel Carvalho inventou isto — Citizen Karvalho — em que chafurda numa alucinada teoria da conspiração lançada pela direita após a crise internacional de 2008, quando os seus bancos começaram a cair. O Carvalho fez uma manchete em que trata Vítor Constâncio como mafioso do que seria o crime do século, mesmo do milénio, em Portugal e na Europa. O pânico celerado, pois não tinham quem fosse competitivo face a Sócrates, deu azo à utilização da Justiça, em conluio com a imprensa, para tentar destruir politicamente os socialistas num inaudito vale tudo, inclusive com recurso a incontáveis e normalizados crimes. O Carvalho vestiu essa camisola, nisso sendo apenas mais um no ecossistema da imprensa nacional que está toda, sem excepção, nas mãos das direitas. O milhão de votos no Chega não seria possível sem o efeito decadente e pestífero produzido pelos jornalistas portugueses com poder editorial, e seus apaniguados, há já duas décadas.
A democracia permite os ataques à democracia. A liberdade que começou com o 25 de Abril, portanto, nunca está plenamente realizada. É por isso mesmo que precisamos de a festejar. Para nos recordarmos do nosso futuro.
24 de Abril sempre
“Eu?”
O cabeça de lista da AD às Europeias explica em detalhe o significado da sua colocação naquele lugar. pic.twitter.com/d8kx3l1GDD
— Porfírio Silva (@especulativa) April 23, 2024
O padrinho
Quem melhor do que um (ex-)comentador televisivo do PSD, actual Presidente da República mas cuja pele de comentador nunca largou, para sugerir a Montenegro, o primeiro-ministro que só com as manigâncias de Marcelo aqui chegou, um jovem comentador televisivo, activo defensor do PSD na estação oficial deste partido, para encabeçar a lista de candidatos ao Parlamento Europeu? Ninguém melhor.
Qualquer pessoa constata que Luís Montenegro fala muito pouco e que, surpresa, surpresa, há poucos “segredos” a saírem para a comunicação social. Não me admira. Possivelmente, Montenegro não sabe o que anda a fazer. Quando fala a sério, diz asneiras, como a chico-espertice de fazer passar por medida sua a baixa do IRS já em vigor desde Janeiro, ou revela ignorância sobre as matérias de que fala, como foi o caso, entre outros, da garantia de diminuição do IRS para pessoas que dele já estavam isentas. Por isso, como não sabe nada de nada, o Marcelo que o lá pôs dá-lhe as orientações. Agora, o Bugalho? Um pagamento tão flagrante?
Perguntas simples
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Family and media pressure to lose weight in adolescence linked to how people value themselves almost two decades later
.
Physical activity reduces stress-related brain activity to lower cardiovascular disease risk
.
Millions of gamers advance biomedical research
.
Health behaviors accumulate and remain relatively stable throughout middle adulthood
.
Biodiversity is key to the mental health benefits of nature
.
Impact of Meditation Versus Exercise on Psychological Characteristics, Paranormal Experiences, and Beliefs: Randomized Trial
.
How claims of Anti-Christian Bias can serve as Racial Dog Whistles
Dominguice
Toda a gente, e a gente toda, aplica critérios morais dúplices, tríplices, decúplices. Cúmplices. Quão maior for a recompensa, a ameaça, maior a plasticidade moral. Nem poderia ser de outra forma, sobrevivência oblige. Mas também o amor. Que é o amor senão o viés supremo? Permanecemos indiferentes ou adaptados a essa antropológica hipocrisia porque ela é funcional: permite a entrada nos grupos, e até chegar à sua liderança. Ora, não é possível escapar aos grupos. O anacoreta continua a viver em sociedade, imaginária e ecossistémica.
A justiça, a filosofia e a ciência nasceram dessa mesma gente. Nasceram por causa dos grupos. Mas depois cresceram. Foram para longe. Para onde se pode aprender. Quando não, não há ciência, nem filosofia, nem justiça.
Lapidar
Esperar sentados que Marcelo demita a Procuradora-Geral
Penso que são, para efeitos práticos, uma perda de tempo os apelos e os pedidos para que o Presidente demita Lucília Gago. Esses apelos e pedidos apenas valem como demonstração da indignação de uma parte substancial dos cidadãos adultos e informados. Só por isso não devem ficar por dizer. Mas o facto é que Marcelo ficou totalmente “confortável”, como agora se diz, com a abertura do processo Influencer e a menção de António Costa, que acabou por levar à queda do Governo, a eleições e a um novo Governo, desta vez do PSD, o partido de Marcelo (Cavaco, Maria João Avillez, Manuela Ferreira Leite, Relvas e companhia). Iria demitir a Procuradora porquê, quando tudo indica que a cumplicidade entre os dois neste golpe bem sucedido foi total?
Lucília Gago, por sua vez, poderia tomar a iniciativa de se demitir, depois do enxovalho a que tem sido sujeito ultimamente o Ministério Público que dirige. Mas também não irá fazê-lo. Prefere, como a própria disse, “prosseguir as investigações”, insistindo na ideia de marosca, num misto de orgulho bacoco e guerra institucional, uma tentativa de defender o indefensável, que é a honra perdida da sua instituição, mal dirigida e a causar graves danos à democracia. Nada disto importa para a senhora Procuradora.
De maneiras que o Ministério Público, para já, pode fazer o que quer e lhe apetece sem prestar contas a ninguém. Pode continuar a arruinar as vidas dos políticos e alguns excelentes investimentos com suspeições e acusações sem qualquer fundamento, porque os senhores procuradores são absolutamente intocáveis e livres de gastarem o dinheiro dos contribuintes em todas as fantasias que entenderem. O Presidente, entretanto, apoia. Apoia ou corre o risco de ser constituído arguido no processo das gémeas.
Mas alegremo-nos porque tudo pode ficar ainda pior: se, como se suspeita, existem simpatias pelo Chega dentro da instituição e o objectivo de criar a percepção de corrupção dos políticos que têm governado o país for o que move as perseguições insanas, o conluio com os media e o que dita o método especulativo de acusação a que assistimos, e se isso convier ao Presidente e a alguns partidos que espreitam, então há um forte risco de se instalar por cá uma ditadura apoiada por uma parte importante da Justiça, pelas polícias, pelos militares e pelos frequentadores de tabernas por esse país fora.
Como evitá-lo? Parece difícil. O Presidente devia ter-se já demitido por causa da cunha de 4 milhões de euros. Contactou o hospital, mandou para o Governo o pedido do filho, a cunha está clara demais. Com a cumplicidade da Procuradora espera passar entre os pingos da chuva. Mas a sua demissão seria um primeiro passo no sentido da decência. Depois dele, a Procuradora. E aqui estou eu também a dizer inutilidades.
A honra de Galamba é uma hipótese a ter em conta, diz a Relação aos procuradores verdugos
Galamba pode ser só um político preocupado com o interesse do país, diz Relação https://t.co/DkpvT3hpPV não conheço um caso de escutas tão prolongadas . @Joaogalamba foi devassado. Devassado. Não foi ouvido em sede própria. Foi devassado anos a fio. E fez política .
— Isabel Moreira (@IsabelLMMoreira) April 18, 2024