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How low can you go, Coins?


«Contactada pelo Expresso a candidatura de Moedas explica que a ideia da imitação foi "intencional" e visou chamar a atenção dos eleitores "curiosamente pela diferença".
"É um cartaz que vai na linha do próprio posicionamento em Lisboa. A escolha é clara entre Carlos Moedas e Fernando Medina e os lisboetas vão ter que escolher se querem uma mudança para melhor ou mais do mesmo", justifica fonte oficial da candidatura de Moedas.

Questionado sobre se a ideia transmitida pode ser exatamente o oposto, que os dois candidatos representam quase o mesmo, a candidatura de Moedas recusa que seja esse o efeito. "Admitimos que essa é a mensagem que o PS quer transmitir, se virmos a floresta e não apenas a flor. Mas temos recebido ótimas reações ao cartaz, que tem criado na verdade algum buzz e burburinho", acrescenta a mesma fonte.»


Moedas copia outdoor de Medina. PS Lisboa responde com ironia: “Lisboetas: continuem a preferir o original à contrafação”

Mereço 10 euros

Ao ler este título – Rio e Medina pegam-se. Dois políticos em luta pela sobrevivência – do que era uma suposta notícia, fiquei intrigado. Será que o DN tinha voltado aos gloriosos tempos da “brigada laranja”, a qual, em 2011, produziu dez gloriosas transferências da redacção do jornal para o tal Governo que ia pôr os piegas fora da sua zona de conforto? Dez bravos escolhidos por nomeação directa do Pedro, um justo prémio por terem resistido à “asfixia democrática”, esse calvário onde só podiam usar a carteira de jornalista para dizerem e escreverem o que lhes desse na gana, quase sempre a favor do PSD e contra o PS, e pouco mais.

A dúvida resistiu dois segundos. “Isto é coisa do João Pedro Henriques, aposto 10 euros.” É que o título conseguia o feito de continuar a enterrar Rio e, em simultâneo, denegrir Medina. Medina, esse candidato que está destacadíssimo à frente nas sondagens, e que no episódio relatado reduzia o presidente do PSD a uma papa de ridículo e vergonha alheia, aparecia subitamente transmutado num náufrago a ir ao fundo. Não só, ficava nivelado por baixo com Rio, este um vero náufrago que se sentou no fundo da Fossa das Marianas e tem estado entretido a escavar o solo marinho.

Fui ver, era do JPH. Agora, a quem é que vou pedir os 10 euros?

Valer a pena

Tem toda a razão Pedro Marques Lopes. Vale muito e muito a pena ler o texto de António Ramalho. É exemplar e didáctico.

Mas então, foda-se caralho, como é que alguém que recomenda esta lição sobre a disfunção cognitiva inerente às comissões parlamentares – disfunção no sentido em que os partidos prolongam a cultura decadente onde a política é uma farsa de sensacionalismo e maledicência para poder reclamar vitórias que em nada se relacionam com o bem comum – é o mesmo alguém que alimenta a estrambólica calúnia do “assalto ao BCP”? É que tudo o que este Ramalho teclou se aplica, ipsis verbis e mutatis mutandis, às comissões de inquérito que se fizeram sobre a gestão da CGD no período em que Armando Vara era um dos administradores. Tudo.

Vale a pena pensar nisto, como dizia o outro.

Revolution through evolution

When they don’t express negative emotions, women are seen as more effective leaders than men
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Many Parents Still Believe Boys Are Better, More Competitive at Sports Than Girls
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Fit Kids, Fat Vocabularies
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We are more forgiving when people close to us misbehave
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Does testosterone influence success? Not much, research suggests
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People who are more creative can think of ideas with greater ‘distances’ between them
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No Particular Risk of Infection of SARS-CoV-2 From Cash
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Realmente, é tudo tão óbvio


«Deixem-me recordar o óbvio: há dezena e meia de pessoas assassinadas pelas FP-25 que deixaram família. Esta gente está viva, ainda chora a forma como os seus pais, filhos ou irmãos morreram, e certamente vê noticiários. Alguém pensou um minuto nessas pessoas e em como se sentiriam se vissem agora aquele foi considerado o grande autor moral dos crimes que conduziram à morte dos seus familiares a ser enterrado com honras de Estado?»

Caluniador profissional pago pelo Público

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Vamos lá a saber

Para quem na morte de Otelo releva o seu papel no derrube do fascismo e releva o seu papel na tentativa de derrube da democracia (é favor consultar o dicionário), e posto que o Estado não lhe deu honras de herói, qual seria a melhor forma de homenagear tão crucial e dilemática figura da História de Portugal?

Precisamos do PSD?

28 de Junho de 2021. Onde é que ele já vai. Mas foi nesse dia que Rio colocou em cima da mesa o fim da sua presidência no PSD – Rui Rio assume que mau resultado nas autárquicas é “encontrão para cair“. Se atendermos apenas ao que percebemos estar a querer dizer, parece o contrário. Parece que está a confiar ter-se atingido o fundo do poço em resultados autárquicos para o PSD em 2017, com Passos, e a capitalizar na imaginada impossibilidade de eles serem piores daqui a uns meses; donde, poder alegar que tem condições para disputar as próximas legislativas bastando-lhe ter uma junta de freguesia a mais. Porém, Rio é um dos mais ineptos líderes que o laranjal já conheceu, tendo ultrapassado o que reputados investigadores internacionais de Ciência Política chamam de “Limiar LFM” (onde LFM é sigla de “Luís Filipe Menezes”). Daí, ele não entender que o seu gosto em se ouvir apenas conseguiu deixar a malta toda a olhar para a representação mental da sua saída de cena.

Os dias continuaram a passar após este involuntário anúncio de demissão e os impérios mediáticos da direita chutaram para canto o haraquíri. Até porque à volta a implosão do partido continuava a bom ritmo com as cegadas entre a direcção e o Conselho de Jurisdição Nacional, a peixeirada de António Oliveira em Gaia, o bluff que Carlos Moedas revela ser a cada acto de campanha em que decide participar, e o improviso de um Marcelo desasado a gritar por socorro, implorando que alguém acuda com urgência ao PSD.

Rio também não esteve nada mal como artista a solo, ao exigir uma explicação acerca dos documentos do carro que transportava Eduardo Cabrita no acidente, ao manter a sua paranóia sem remédio contra as empresas de sondagens e ao lançar uma proposta de revisão constitucional que foi menos audível do que o som de uma solitária mão a bater palmas, eis três exemplos do seu inimitável estilo de liderança. Do outro lado, do lado da inexistência de imprensa em Portugal, a harmonia foi completa, não tendo sido incomodado sequer quando o Ministério Público anunciou querer a absolvição de Azeredo Lopes. O mesmíssimo Azeredo Lopes que Rio deu como culpado em 2019 e à pala do qual lançou calúnias que visavam envenenar a campanha eleitoral com chicana de tasca e esgoto. Estas palavras de Costa a respeito merecem ser lidas por serem o retrato exacto da pulhice onde Rui Rio mergulhou de cabeça e boca aberta – António Costa. Rui Rio “envergonha-se a si próprio” e atingiu “dignidade da campanha eleitoral. Escusam de procurar no inenarrável canal Twitter deste tratante porque nem aí foi capaz de dizer alguma coisa do foro do arrependimento ou sequer deixar um daqueles emojis com que tem animado as suas hostes e revelado o que lhe vai na alma.

O PSD é neste momento um território de caça para qualquer maluco com arma na mão ou sem ela, o cadáver de Rio apenas um zombie obrigado a um último arrastar de pés antes de ser pulverizado pela máquina. Faz esta derrelicção mal à democracia? Faz. Mas muito menos do que o mal que um PSD decadente espalha, o PSD que se enterra em acordos com o Chega e ainda recebe o apoio explícito de Cavaco e Ferreira Leite a tal conúbio, o PSD que afunda o País numa crise económica e social colossal evitável nesse nível de destruição atingido só para provocar eleições e governar escudado em soberanias estrangeiras. Esse PSD do poder pelo poder, do vale tudo, da judicialização da política e da politização da Justiça, do golpismo, se desaparecesse de vez era um alívio, um descanso. O potencial vazio donde viria a nascer um partido genuína e honradamente social-democrata.

Poias do Maduro

«Vivia em Itália quando teve lugar a Operação Mãos Limpas, nos anos 90. Começou num político menor, mas estendeu-se rapidamente a toda a elite política e económica italiana, revelando um regime estruturalmente corrupto. [...]

Também entre nós se sucedem os processos envolvendo a nossa elite económica e política. Como escreveu João Miguel Tavares, é o regime que está sob processo quando parte importante da elite está sob processo. A lição a retirar do caso italiano não é, no entanto (como alguns gostariam), que mais vale a justiça estar quieta e não fazer nada. A lição principal passa antes por perceber por que razão a justiça é conduzida a desempenhar este papel de julgar todo um regime. Num texto sobre a crescente criminalização da atividade política, Olivier Beaud * identifica essa circunstância, em grande parte, com a inexistência de formas de responsabilização eficaz dentro do sistema político. Isto conduz, inevitavelmente, a uma pressão sobre o sistema judicial para assumir o papel que a política se demonstra incapaz de exercer.

A eliminação da responsabilidade política e a sua redução à responsabilidade criminal é aquilo a que temos assistido entre nós. Desde Sócrates (que continua a ser tratado pela classe política apenas e só como um caso de justiça) aos sucessivos casos que envolvem o Governo. Os apelos à responsabilidade política ou são ignorados ou são tratados como uma questão de direito cuja avaliação pertence à justiça.

[...] A exposição na justiça dos políticos, sem que esta os consiga responsabilizar, vai reforçar perante os cidadãos a ideia de que é todo o regime que está viciado e deve ser substituído.»

Poiares Maduro

Poiares Maduro a citar João Miguel Tavares? Sim, não só é possível como é padrão. O caluniador profissional (há duas semanas) despachou o enésimo panfleto contra o “regime”, onde a tese é a de que os corruptos fazem leis na Assembleia da República para que os corruptos que estão nos Governos (socialistas) se safem, e o ex-ministro de Passos junta-se à festa lembrando à assistência que no capitulo do emporcalhamento do espaço público é menino para obrar com abundância e pestilência idênticas à dos crápulas graúdos.

Atente-se no argumento que assina por baixo, sumariamente exposto nos excertos citados. A questão da “responsabilidade política” é uma realidade que começa com “Sócrates” e termina com “os sucessivos casos que envolvem o Governo” actual, estabelece como calendário. Donde, começando por colocar solitariamente o PS no cadafalso, o resto é simples e fatal: o PS não se quer responsabilizar politicamente por “Sócrates” nem pelos “sucessivos casos”, o que leva os dedicados e coitados dos magistrados a terem de arregaçar as mangas e começarem a distribuir tau-tau pelos tais políticos a precisarem de uma boa responsabilização bem assente no lombo e pelas trombas abaixo. Porém, há aqui uma chatice, explica. É que vamos ter “frequentes fracassos“; isto é, será frequente os tais magistrados estarem tão entusiasmados com os linchamentos dos políticos que se vão esquecer de arranjar provas judiciais contra eles, o que causa muita frustração na indústria da calúnia e nas claques dos assassinatos de carácter, e depois elas vingam-se colocando o Chega à frente do PSD nas intenções de voto. Solução? Não a assume mas fica implícita: o PS terá de começar a substituir os procuradores do Ministério Público e o juiz Carlos Alexandre, preferencialmente mandando construir uns calabouços no Rato para tratar dos seus bandidos com celeridade e sem custos para o Estado.

Registe-se como este brilhante académico especialista em Direito Constitucional, para além de comendador e prémio Gulbenkian, nada tem a dizer sobre as peripécias judiciais da Operação Marquês e as revelações que sobre essa cagada monstruosa vieram à luz graças a Ivo Rosa. Isso é tudo completamente apagado, e o seu exclusivo interesse público é aproveitar um processo judicial que ainda decorre para pedir um castigo político para o cidadão em causa. Castigo esse que acabará sempre por ser para o PS, o alvo principal da sua arenga. Tal como tem dito e repetido João Miguel Tavares, também neste Maduro palpita tacitamente a solidariedade com os magistrados que cometem crimes para se vingarem dessa malandragem da política que se protege com leis feitas à medida para nunca serem apanhados em tribunal. Great minds stink alike. Trata-se, portanto, de uma vocação para o Direito veramente florentina.

Poiares Maduro passa por ser do melhorzinho que o PSD tem na barraca. A sua escolha para ingressar no Governo de Passos, após a saída de Relvas, causou surpresa. Sem qualquer experiência política, foi promovido como craque internacional no campo do Direito, supostamente trazendo uma sofisticação intelectual a anos-luz das competências do passismo. A experiência, contudo, deu-nos a conhecer um estrangeirado sem calo nem garra para captar a atenção de quem passa. Mesmo assim, dada a miséria circundante, consta agora das listas de potenciais sucessores de Rio. Seria curioso, então, vermos algum jornalista perguntar-lhe se no campo dessa famigerada “responsabilidade política” faria sentido esperar de Cavaco uma palavrita sobre o BPN, e de Passos uma palavrita sobre o PEC IV e a campanha absolutamente mentirosa que protagonizou de seguida, e mesmo a respeito de Miguel Macedo pois enquanto não foi absolvido o Ministério Público afiançava que era um retinto malandro, o que já chega, calhando acontecer no PS, para encher a pança com a “responsabilidade política”.

Vai acontecer? Não, jamais. Por um lado, porque não existe imprensa em Portugal. Por outro, porque perguntas desagradáveis como essas só devem ser feitas a quem chafurda e engorda no “regime”, não a quem repete, normaliza e amplifica a cassete do presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019.

Começa a semana com isto

Com a morte de Otelo, o 25 de Abril sobe ao cimo da actualidade e, por inerência, a temática da democracia ganha notoriedade. Este o quadro propício para escutar Cornel West, alguém apaixonado pela democracia – que o mesmo é dizer, pela inteligência, pela coragem e pela liberdade.

Eis o que mais gostei de lhe ouvir:

– A noção de que a democracia nasce, desenvolve-se e consolida-se através das mais altas capacidades civilizacionais. A democracia é muito exigente, não é para broncos nem para pulhas, é para sábios e heróis. A democracia é tão poderosa, na sua promessa universalista, como é frágil, pois requer cidadãos capazes de resistir aos tribalismos e atomização para se conseguir manter a integridade desse todo donde emana a liberdade de cada um.

– A fidelidade à tradição socrática (calma, trata-se do grego), e à da génese da democracia com Clístenes et alia, como narrativa que continua actual, metodologicamente operativa e politicamente vanguardista.

– A clareza com que reconhece as “falhas”, “limitações” e “pecados” de Joe Biden (a conversa decorre nas vésperas das eleições norte-americanas), e de como isso não o impede de escolher o mal menor contra quem lhe aparece como verdadeiramente fascista, Trump.

– A ligação da democracia, e o seu potencial para ir diminuindo e erradicando as injustiças, com o jazz e a sua criatividade, o improviso e as harmonias ou beleza que nasce desse desacordo alinhado numa mesma e superior finalidade.

– A assunção do seu cristianismo, numa versão mística (no caso, profetismo), sem que tal diminua qualquer aspecto da sua racionalidade política. Trata-se de uma abertura, então, a um meta-racionalismo que abre novas potencialidades racionais. Registe-se o que diz de John Rawls, uma passagem biográfica preciosa e que exemplifica esta complexa problemática. Não temos de concordar mas é intelectualmente desonesto ignorar esta sua dimensão, não a inscrever na avaliação que fazemos da sua pessoa como pensador e cidadão.

– A sua voz, a sua prosódia, o ritmo cantado, essa estética dos espirituais negros, que me deixou com vontade de bater o pé enquanto ouvia este neto de um pastor baptista discorrer sobre a essência da democracia.

Revolution through evolution

Mothers May Face Increased Workplace Discrimination Post-Pandemic, Research Warns
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‘Service with a Smile’ Plus Tipping Leads to Sexual Harassment for Majority of Service Employees, Study Shows
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When money’s tight, parents talk less to kids; could this explain the word gap?
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Have Something To Say? Your Boss Wants You to Do it in Private
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Bringing the Jury to the Crime Scene via a 3D Headset
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City-Funded Housing Repairs in Low-Income Neighborhoods Associated with Drop in Crime
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Higher levels of omega-3 acids in the blood increases life expectancy by almost five years
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Exactissimamente

Paulo Rangel – O algoz tornou-se vítima

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NOTAS

– Quem filmou Paulo Rangel no vídeo em questão não é necessariamente, só por isso, uma criança, um bronco ou um pulha. Porque depois poderia sempre arrepender-se, e apagar a coisa, ou não a mostrar a ninguém. Mas quem começou a partilhar esse vídeo, fosse só para uma pessoa ou várias no início, revelou-se ou transformou-se fatalmente numa criança, um bronco e/ou um pulha. Assunto arrumado e faço minhas as palavras do Carlos Esperança a respeito da irrelevância do que se vê, no fundo um estado de fragilidade que acaba por humanizar a vítima da devassa.

– Dito isto, e no mesmo espírito do Carlos, quero dar conta do sentimento de asco político e cívico que a figura pública de Paulo Rangel me suscita. Estamos perante um dos mais batidos políticos do PSD, passarão que já se candidatou à presidência do partido. Alguém que se apresenta invariavelmente com um estilo de virulência extremada pela retórica da litigância. Este é o inventor da “asfixia democrática”, uma cavilação que na origem se denominou “claustrofobia democrática” e que foi lançada na Assembleia da República em 2007, ainda por cima num discurso solene de celebração do 25 de Abril, e tendo como alegado pretexto a ida de Pina Moura para a Prisa. Que se passou a seguir? Isto: Prisa+Pina Moura em 2007=TVI+Manuela Moura Guedes em 2008 e 2009 (ano de eleições legislativas, ela esteve no activo quase até às eleições). Paulo Rangel é também o fogoso patriota que, em 2010, foi para o Parlamento Europeu berrar que “Portugal já não é um Estado de direito”, usando como pretexto o episódio em que Mário Crespo escreveu uma crónica tão abjecta que, mesmo tendo em conta o hábito de se aceitarem por lá cagadas parecidas do mesmo fulano, dessa vez o Jornal de Notícias não a quis publicar. Vale a pena ver e ouvir o número feirante exibido em Estrasburgo.

– Finalmente, e continuando a assinar por baixo o texto do Carlos, registe-se como ninguém será capaz de indicar uma singular ideia, ou que fosse a metade de um terço do quarto de uma ideia, saída da boca ou do teclado do Rangel que nos ajude a ter melhores serviços de saúde, melhor educação, melhores salários, melhores pensões e reformas, melhores sistemas ecológicos, melhor esperança e qualidade de vida. Nada, népia, nicles. Ele limita-se a praticar o que na decadência se entende por “fazer política”: atacar sistematicamente os adversários até que caiam desgastados e emporcalhados. E isto faz dele um cúmplice das campanhas negras, da judicialização da política e da radicalização populista que usa a Justiça para interferir nas disputas políticas.

– Comparemos: o que será mais aviltante, e mais perigoso: (i) um tipo qualquer, por acaso, filmar uma figura pública a percorrer cambaleante uma rua (podia ir nesse estado por causa do consumo de álcool numa ocasião social comum, mas também poderia ficar assim através do consumo de drogas recreativas ou de medicamentos, não sabemos nem teríamos de saber) e depois decidir divulgar o vídeo na sua rede de contactos, ou (ii) agentes da Judiciária e magistrados do Ministério Público, quiçá com a anuência de juízes, usarem recursos do Estado para espiarem a privacidade de alvos políticos no topo do Governo e do principal partido na Assembleia da República, e depois decidirem entregar a jornalistas (portanto, cometendo crimes) certas passagens truncadas das captações obtidas para assim provocarem fenómenos de alarme social, pânico moral, perseguição mediática, deturpação eleitoral, danos na reputação, perda de influência política, assassinatos de carácter, condicionamento dos tribunais?

– A resposta a esta pergunta não nos define apenas a cada um de nós como entidades dotadas de inteligência e interessadas em viver num Estado de direito democrático, aqueles que lhe derem resposta. Define também o País, define a comunicação social do tabloidismo à “referência”, e Paulo Rangel, por actos e omissões, tem sido um dilecto apoiante dessa práxis violenta e subversiva que invadiu a cidade desde 2009.

Cabrita limpa o rabinho aos piquetes de linchamento

A caçada ao Cabrita – depois da que fizeram ao Azeredo Lopes, e depois da que Marcelo fez a Constança Urbano de Sousa – transformou-se numa coisa muito diferente do que a pulharia desejava: tornou-se num acidente em cadeia onde a direita partidária e os seus impérios mediáticos (a que se juntam os sectários de esquerda – estatuto donde o PCP, incrivelmente, parece estar a sair) se vão enfiando como se não existisse mais nenhum alvo no Governo nem mais nenhuma questão política a congregar energias, acabando estes infelizes amontoados entre si numa pulsão imparável, quais traças a chocar de cornos contra uma lâmpada esquecida acesa no quintal. Estão cegos de raiva e atormentam-se com obsessão na conquista desse troféu, inclusive à custa de assim protegerem Costa e Medina; como se vê com o charivari à volta do relatório da IGAI em que módica inteligência eleitoral suporia levar o PSD a se concentrar ou no Governo como um todo, ou no autarca, em vez de estar a bombardear o solitário ministro que, para frustração da turbamulta, não mostra medo dos cães que ladram. Malhas que a decadência e o ódio tecem, jazem intelectualmente mortos e apodrecem.

Do outro lado da barricada, Cabrita aparece cada vez melhor, ganhando força política na perseguição que lhe fazem diariamente. Como agora com as suas declarações na Madeira, em que despacha como delirante a chicana sobre a sua responsabilidade nos festejos do Sporting e consegue acabar a declaração ao ataque à oposição. E como é que nós sabemos que o ministro está em crescendo de notoriedade e autoridade positivas? É o próprio laranjal que nos dá essa garantia – Cabrita considera “um delírio” dizer-se que validou os festejos do Sporting. É mesmo? Ouvimos juristas e as opiniões são todas diferentes – tendo o Expresso reunido três juristas que, não concordando tecnicamente entre si, são unânimes em reconhecer que só “politicamente” (leia-se, recorrendo à baixa política) dá para deturpar um caso onde o ministro não tem, de iure, responsabilidade sobre a solução adoptada e muito menos sobre a forma como foi implementada. A tutela não valida opções executivas, correntes, da Câmara e da PSP. A tutela só volta a ser responsável se for necessário abrir inquérito, como foi, daí o relatório da IGAI lhe ter sido entregue em primeira mão e pelo ministro divulgado nas condições que considerou adequadas.

A crise da direita é também a crise dos seus órgãos de comunicação social, pejada de editorialistas e comentadores que enchem os bolsos a despejar bílis e estupidez no espaço público. Não têm ideias nem líderes, vingam-se pela verborreia primária, maníaca, fétida. De facto, deliram-se capazes de derrubar ministros a golpes de títulos sacanas, artigos canalhas, caras de mauzões na televisão. E depois desesperam quando olham para as sondagens. Porém, como não sabem fazer mais nada para além deste cu-sentadismo impotente, em que se limitam a ver os socialistas a carregar com o fardo da governação tendo o apoio mínimo mas decisivo dos comunistas, voltam à carga com mais do mesmo. Até porque não sofrem qualquer consequência e, calhando o eleitorado no seu processo caótico de decisão preferir outros partidos a governar, irão adormecer a imaginarem-se magníficos generais – generais visionários e heróicos, mas que nunca puseram o pezinho numa batalha política nem numa função de responsabilidade soberana apenas e só porque andam sempre ocupados a pensar no que irão dizer a seguir sobre os filhas da puta do PS, repetem soberbos e trôpegos para a almofada antes de fecharem a pestana.

Cabrita, sem vacilar, esmaga estas bostas com estilosa facilidade. Dá gosto ver, é uma desgraça tal acontecer.

Perguntas simples

Portugal não seria um país muito mais seguro, próspero e avançado com Rui Rio a primeiro-ministro e as pastas da Segurança Social, da Agricultura, da Administração Interna, da Justiça e da Defesa entregues aos portugueses de bem comandados pelo Ventura?