Precisamos do PSD?

28 de Junho de 2021. Onde é que ele já vai. Mas foi nesse dia que Rio colocou em cima da mesa o fim da sua presidência no PSD – Rui Rio assume que mau resultado nas autárquicas é “encontrão para cair“. Se atendermos apenas ao que percebemos estar a querer dizer, parece o contrário. Parece que está a confiar ter-se atingido o fundo do poço em resultados autárquicos para o PSD em 2017, com Passos, e a capitalizar na imaginada impossibilidade de eles serem piores daqui a uns meses; donde, poder alegar que tem condições para disputar as próximas legislativas bastando-lhe ter uma junta de freguesia a mais. Porém, Rio é um dos mais ineptos líderes que o laranjal já conheceu, tendo ultrapassado o que reputados investigadores internacionais de Ciência Política chamam de “Limiar LFM” (onde LFM é sigla de “Luís Filipe Menezes”). Daí, ele não entender que o seu gosto em se ouvir apenas conseguiu deixar a malta toda a olhar para a representação mental da sua saída de cena.

Os dias continuaram a passar após este involuntário anúncio de demissão e os impérios mediáticos da direita chutaram para canto o haraquíri. Até porque à volta a implosão do partido continuava a bom ritmo com as cegadas entre a direcção e o Conselho de Jurisdição Nacional, a peixeirada de António Oliveira em Gaia, o bluff que Carlos Moedas revela ser a cada acto de campanha em que decide participar, e o improviso de um Marcelo desasado a gritar por socorro, implorando que alguém acuda com urgência ao PSD.

Rio também não esteve nada mal como artista a solo, ao exigir uma explicação acerca dos documentos do carro que transportava Eduardo Cabrita no acidente, ao manter a sua paranóia sem remédio contra as empresas de sondagens e ao lançar uma proposta de revisão constitucional que foi menos audível do que o som de uma solitária mão a bater palmas, eis três exemplos do seu inimitável estilo de liderança. Do outro lado, do lado da inexistência de imprensa em Portugal, a harmonia foi completa, não tendo sido incomodado sequer quando o Ministério Público anunciou querer a absolvição de Azeredo Lopes. O mesmíssimo Azeredo Lopes que Rio deu como culpado em 2019 e à pala do qual lançou calúnias que visavam envenenar a campanha eleitoral com chicana de tasca e esgoto. Estas palavras de Costa a respeito merecem ser lidas por serem o retrato exacto da pulhice onde Rui Rio mergulhou de cabeça e boca aberta – António Costa. Rui Rio “envergonha-se a si próprio” e atingiu “dignidade da campanha eleitoral. Escusam de procurar no inenarrável canal Twitter deste tratante porque nem aí foi capaz de dizer alguma coisa do foro do arrependimento ou sequer deixar um daqueles emojis com que tem animado as suas hostes e revelado o que lhe vai na alma.

O PSD é neste momento um território de caça para qualquer maluco com arma na mão ou sem ela, o cadáver de Rio apenas um zombie obrigado a um último arrastar de pés antes de ser pulverizado pela máquina. Faz esta derrelicção mal à democracia? Faz. Mas muito menos do que o mal que um PSD decadente espalha, o PSD que se enterra em acordos com o Chega e ainda recebe o apoio explícito de Cavaco e Ferreira Leite a tal conúbio, o PSD que afunda o País numa crise económica e social colossal evitável nesse nível de destruição atingido só para provocar eleições e governar escudado em soberanias estrangeiras. Esse PSD do poder pelo poder, do vale tudo, da judicialização da política e da politização da Justiça, do golpismo, se desaparecesse de vez era um alívio, um descanso. O potencial vazio donde viria a nascer um partido genuína e honradamente social-democrata.

11 thoughts on “Precisamos do PSD?”

  1. Oh Veiga você esganiça-se tanto. É que assim mete os pés pelas mãos e o Valupi leva a bicicleta neste caso e nos outros todos. Quando combatemos sem armas a altura é melhor estarmos calados. Se alguém fez copy paste do tal artigo foi o Poiares Maduro. Agora atacar a partida o Valupi porque não tinha lido o artigo do Le Monde parece retorcido. Para o bem e para o mal sabemos todos que desde sempre se fizeram jeitos entre a investigação, os magistrados, os PGR ora agora apagas tu, ora agora apago eu porque eram personagens intocáveis. E na maior parte das vezes como sabemos não foram os detentores de cargos públicos os beneficiados. Não sendo isto uma ditadura estes últimos não podem nos seus exercícios terem procedimentos criminais. Tornou-se moda neste país querer julgar políticos. Ministros, secretários , um 1o Ministro, é um rol de corruptos dizem os JMT(s) da praça. Na Bielorrússia não se consegue encontrar tamanho desastre , deduzo eu.

  2. Não precisamos do PSD para nada, enquanto o pai da troica ps/pcp/be, Antonio Costa continue em forma.
    Nem o PSD nem o Presidente Marcelo.
    Mas uma coisa é certa, sem Costa, um dia o PS volta â antiga forma habitual, e aí já precisamos do PSD…se houver a sorte de ainda existir.

  3. “o potencial vazio donde viria a nascer um partido genuína e honradamente social-democrata.”
    Valupi, andas distraído esse partido já existe e é mais antigo que o PPD. Dá pelo nome de Partido Socialista.
    O PPD perdeu os seus únicos sociais-democratas com a saída do grupo de Sousa Franco nos ids de 1979.
    A partir daí nem cheiro de social-democracia foi sempre a rumar à direita.

  4. A direita séria, honesta, que também existe, precisa realmente de um PSD, de um PSD sem PPDs e com verdadeiros sociais-democratas. Mas que me interessa a mim, a quem interessa, falar ou ouvir falar, ler ou escrever, sobre Rui Rio? Rui Rio só ainda existe, politicamente, porque, exactamente, o PSD ainda tem muitos PPDs, e porque os verdadeiros sociais-democratas ainda não se refizeram da escolha (a emenda foi pior que o soneto). Rui Rio derrota-se a si próprio, não necessita de ajuda. Desculpe-se-me, pois, voltar ao assunto do momento, à repetição do que entendo ser o assunto do momento: Otelo.
    ” Confirmou-se, Otelo Saraiva Carvalho, o principal herói do 25 de abril, não teve direito, pela sua morte, a luto nacional. A justificação para tal recusa foi avançada pelo socialista António Costa, Primeiro-ministro, e aceite, sem surpresa, algo canhestramente, por Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República. Não foi decretado luto nacional pela morte de Otelo porque também não tinha sido pela morte de outros heróis do 25 de abril, como Salgueiro Maia e Melo Antunes. Ou seja, em vez das desculpas pelo erro passado, corrigindo a injustiça, preferiu-se a mesquinhice, a hipocrisia, a intolerância, a irresponsabilidade, o oportunismo, escolha-se o termo. Preferiu-se alinhar com as anteriores decisões das duplas, Cavaco e Soares, no primeiro caso, Guterres e Sampaio, no segundo. De Cavaco era de esperar, dos outros três, nem por sombras, e sem grande contestação de qualquer quadrante como agora, embora não esquecendo as citadas no meu comentário anterior, do general Eanes, do poeta Alegre, da jornalista Sá Lopes, e também a do jornalista Amilcar Correia no editorial do Público, de hoje. Enfim! Velho, cansado, desiludido, decepcionado, muito, cada vez mais, penso que o meu voto, desta vez, vai ficar comigo em casa, na gaveta, e de lá já não sairá mais. Não aconselho a decisão a mais ninguém, só a mim, naturalmente, pois ela é apenas minha, só minha.

  5. Creio que enquanto não puserem lá o Passos não descansam. O Rio está numa posição dificílima porque está a remar contra tudo e contra todos, e dentro do “todos” não é só um setor do partido, são também comentadores e jornalistas. Por exemplo, José Miguel Júdice, que é um comentador que faz análises muito finas sobre a atualidade, acerca de Rio, foge completamente o pé para o chinelo. Chega até a ser venenoso. É o “Napoleão lll” disse uma vez, um desastrado para a política. Ou seja, verifica-se assim por que é tão odiado: é atacado por todos. (Júdice gosta de procurar personagens do passado análogas às do presente; é o seu método e por vezes, com esta maneira de argumentar, negligencia a justeza daquilo que observa)
    Eu não concordo. Acho que Rui Rio seria um primeiro-ministro muito apreciado pelos portugueses, eles é que ainda não o sabem. Vejamos: os portugueses gostam de líderes com caraterísticas “providenciais”, líderes que assimilem a generalidade dos contrapoderes políticos como desnecessários e redundantes. Por vezes é um “ditadorezeco”, e os portugueses gostam . Dou o exemplo do projeto para reduzir deputados (não tenho opinião embora ache que não tenhamos deputados em demasia) é uma lei que se ajusta ao panorama mental dos portugueses. São “verdades” que existem para acreditar e nunca as questionar.
    Já sobre a reforma eleitoral, podendo ser necessária ou não, deve ser discutida.
    Também tenho uma opinião favorável sobre o Rio, mas isso fica para quando o Valupi der a dele.

  6. não sei porque se aflige tanto com rio.
    nem entendi ainda se quer uma direita decadente ( para que o ps, que já é e se confunde com o regime vigente, – funcionando na base do testado e eleitoralmente garantido, O PS DÁ, e quanto a isto já lá vamos, continue no poder – ou se quer uma direita florescente, o que será vir contra interesse próprio, já que v. afirma ser de esquerda, e diz gostar muito do LIVRE, a meu ver, uma criação do PS para roubar eleitorado ao bloco de esquerda .
    seja como for, você quer é ter sempre tema de conversa, para dizer mal . nem que seja como o cigano, que repetia , “ai que sede que eu tinha”. portanto, rio, dentro ou fora, dará sempre ainda material para mais uns quantos postes. coisa do género “ai que mal que rio estava”.
    pode ficar descansado, quanto a rio, porque o mais certo é ir de vela. vai perder as legislativas nas maiores cidades, e, claro, no país.
    Depois vem o diabo . Já se perfila montenegro, e com montrenegro, vem o filho do meneses .
    Aí, é que v. vai ver o que é direita . a direita realmente sem ideias, populista, demagoga, mas com tratantes bons no bate papo, altamentes competentes na “arte” de politicar e enganar o povo . nada que lhe se desagrade por aí além, digo eu, porque lhe garantirá matéria-prima para fazer muitos mais postes .
    Quanto ao Vamoláver ( Costa ) já se sabe porque ele o afirmou, que não tem interesse no passo logicamente seguinte ( candidato a PR ) tem sim, interesse num alto cargo internacional ( por exemplo, no conselho europeu, ou coisa melhor ).
    É pessoa dada a consensos ( de que diz gostar ). Tendo uma costela familiar de origem indiana, também pode ser dado a incensos . Nem uma nem outra coisa, têm seja o que for de mau .
    Cada lider de governo ps, tinha as suas pancas ( ou como preferiam dizer, paixões ).
    Soares tinha várias mas como os defeitos ultrapassavam e em muito as qualidades, nem vou referir nenhuma . Guterres, era “o pelotão da frente”, desse por onde desse e nem que fosse arriscado e inadequado para o país, Portugal tinha que estar no pelotão da frente! Sócrates era os simplexes a energia verde e a neutralidade na emissão de gases de carbono, meta, 0 % de emissões nem que para isso o Pais – isto é, os cidadãos- tivessem que pagar um alto preço, e nem que à volta do negócio da energia dita limpa e da ecologia relacionada com o tratamento do lixo, se tivessem constituído negócios e empresas que se tornararn milionárias, com os contratos de “capitalismo sem risco e com lucro garantido pelo Estado”.
    O Vamoláver, no essencial, é um batoteiro . que anuncia Orçamentos que depois não cumpre, e anuncia ( por ele, ou pelo careca da economia ou pela menina Mariana ), injeções e medidas urgentes disto e daquilo, que depois os destinatários afiançam não lhes terem chegado aos bolsos. E é nisto que estamos.
    Marcelo, já deu a entender que não vai decretar mais medidas anti-pandémicas, nem retardar a volta do País à normalidade, porque isso é estar a levar o ps à vitoria em eleições futuras, no andor da unidade e unanimidade nacional na luta contra o covid . Já tem experiência do passado, quando Guterres foi embalado no andor pela unidade nacional em torno da luta do povo maubere .

  7. Com a pressa esqueci-me de referir a panca do Vamoláver . A transição digital .
    Ainda um dia, mais lá para a frente, iremos saber quais os interesses subjacentes a tal desiderato .
    O telefone celular, por via da transmissão de dados em ambiente aberto, é reconhecidamente o meio mais perigosos para a transmissão de dados, dada a possibilidade de intrusões .
    Para além disso, ir-se-á criar uma discriminação negativa, criando-se uma nova classe de cidadãos, os info-excluídos, que seja pela avançada idade, seja por opção, não têm ou não querem ter telemóveis.
    Claro que a dita transição digital não se esgota no celular .
    Mas concentando tudo na informática, e dependendo esta da energia eléctrica para funcionar, basta uma tempestade solar electromagnética de grau tal ( a última conhecida ocorreu ainda só existia dependência da electricidade com relação ao telégrafo ) para imaginar os danos nos servidores informáticos e em tudo o que dependa da rede eléctrica .
    Uma vez despoletada tal calamidade, as grandes infra-estruturas que transformam a electricidade de altíssima tensao em média-alta, irão colapsar e explodir ou incendiar-se, causando por arrastamento subsequentes estouros e incêndios na rede que irão fazer colapsar tudo aquilo que depende da rede, isto, tudo, desde bases de dados essenciais, seja administração central, hispitais, bancos, até aos frigoríficos dos supermados e domésticos. Seguir-se-à a anarquia e o caos, porque não existem redundâncias. Não existem máquinas desse gigantismo para fazer retirar as danificadas e proceder à substituição . E demoram anos a fazer, existindo apenas uma meia dúzia em todo o mundo de empresas especializadas no seu fabrico.
    Um outro defeito do Vamoláver, é ser lobista dos chineses . Já foi alertado por Merkl, e admoestado mesmo por Macron, para os negócios com os chineses . Vamoláver se um dia não iremos assistir à ocupação manu militari pelo exercito vermelho dos seud activos vendidos ao partido comunista da china ( edp e ren, por Passos Coelho ).
    Foi anunciado que os chineses querem entrar na Mota Engil, dizem trazer muito dinheito e que querem fazer cá muitas obras . Cá para mim, eles vêm mas é ao cheiro do dinheiro da bazooka .
    Vejam no youtube o caso do viaduto no Montenegro .

  8. O Humus é bruxo, não é que os chineses com a Mota Engil que já é dos chinocas, já estão em primeiro lugar para atacar o metro de Lisboa?

    Da bazooka não vai sobrar nada, apenas o IVA.

  9. Já não há empreiteiros portugueses, apenas uns patitos-bravos para uns biscates, os que eram bons são desde espanhois a brasileiros, desde italianos a ingleses e agora chinocas…tudo vendido em saldo em apenas 30 anos.
    Tristeza!

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