Se o capitalismo conseguiu criar uma empresa como o Google, não pode ser um sistema assim tão mau. O que me lembra o relambório de Carlos Carvalhas, hoje na manhã da TSF, em tudo conforme com o Portugal salazarista que também tinha medo do capitalismo e suas originalidades, seu assustador poder inventivo. Ora, os amigos do Google andam todos muito bem alimentados e descontraídos, para além de não estarem sujeitos à audição dos lamentos do Carvalhas, condições essas em que a inteligência floresce. Vai daí, estão sempre, mas sempre, a criar. O exemplo que trago pode parecer irrelevante, mas é genial de simplicidade. Trata-se do Google Image Labeler. É a resposta a um gigantesco problema, tão grande que até uma empresa que vale 150 mil milhões de dólares não se podia dar ao luxo de resolver por si: catalogar as imagens da Internet. Solução: que cataloguem os outros; ou, a catalogação a quem a busca. Eis o espírito revolucionário do capitalismo.
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Kalashnikov
Jel entrou na segunda série do Vai Tudo Abaixo, na Sic Radical, e o nível geral desceu. Efeitos do amadorismo, o qual resolve descansar após o sucesso. Mas tudo se perdoa, e mais do que se compensa, com as peças Kalashnikov. Estamos perante uma raridade absoluta em Portugal, e raridade ainda no resto do Ocidente amedrontado e acobardado pelo terror dos loucos. Porque se trata de genuíno iconoclasmo. E tão carentes que estamos dele.
Este segmento vale especialmente, cá para o meu palato, pelos dois últimos minutos. E, nestes, pelo despautério dos últimos 20 segundos. Dionisíaco.
Sensações mínimas

Não falou nem discursou, vociferou. Estava de peito feito. Bravo. A sala era caserna. O público, pelotão. Quis mostrar que tinha força. Que com ele não brincavam. Para mais, poupadinho, prometendo reduzir os jobes fore de bois. Mas que ia acabar a bagunça. E a pouca vergonha. Prova? O pelouro do urbanismo ficaria nas suas mãos. Prontos. ‘Táxplicadopá. O pelouro do urbanismo ia ter alguém de confiança. Para tomar conta dele, finalmente. Pessoalmente. Não era como com essa cáfila do Carmona e amanuenses, tudo já arguido ou a merecer pior sorte. Com ele, não. Arguido, sim, também, até porque começa a parecer suspeitoso ainda não se ser arguido de qualquer marosca, permitindo esse estado de pré-arguição as mais desvairadas conjecturas e maledicências. No caso dele, porém, descansai, não tinha nada a ver com o urbanismo, é coisa relativa a outra ordem de urbanidade. Daí a vantagem em ser arguido, para que se separem as águas.
O coro tentava pontuar a prestação. Mal ensaiados. O orador estava concentrado no tónus, na pujança. Tanto que se esquecia da claque. Lá se conseguiu o ruído mínimo necessário para ter sido feita política à moda destes políticos. E terminou.
Terminou, mas não acabou. A peça jornalística acrescentou os efusivos cumprimentos de Marques Mendes. Na mente do jornalista televisivo, era já chouriço para encher, suporte da locução que fechava a reportagem. Comigo, acontecia o desvelamento de uma alma. Marques Mendes estava comovido, grato pelo espectáculo. Apertava febril as mãos do candidato. O seu rosto exibia o sorriso dos beatos, aqueles que contemplam as forças superiores e se sentem levitar. E não era coisa de somenos: para o chefe do PSD, conseguir levitar tornou-se numa questão de sobrevivência.
Deixem-me sonhar

Para a candidatura de Helena Roseta à Câmara da Capital ser um cúmulo de perfeição, deveria convencer José Sá Fernandes e Maria José Nogueira Pinto a juntarem-se a ela. Imaginando que estes carismáticos e idiossincráticos figurões conseguiriam organizar-se, em Lisboa começaria a reconquista cívica de Portugal.
A foto/notícia não tem nada a ver com nada, e tudo a ver com tudo.
Gaia, a pequena Londres do Mediterrâneo
Conviver de perto com Luís Filipe Menezes pode ser catalisador de crises esquizóides, possibilidade que aumenta no caso da presença de patronímicos históricos no Bilhete de Identidade. É o que acontece ao vice-presidente da edilidade gaiense, de seu nome Marco António Costa. Sendo um Costa, pertence a uma enorme família de humildes e abnegados trabalhadores. Contudo, sendo primeiro um Marco António, é-lhe legítimo ambicionar império de recorte faraónico. Esta tensão anfibológica sofre imparável desequilíbrio vindo do sonhado futuro césar do PSD — o ilustre autarca-doutor-de-ir-à-lágrima — levando as faculdades cognitivas do Costa a deixarem-se ofuscar pela quimera e o fausto dignos de um Marco António.
Vai daí, o autarca foi a Londres apresentar o projecto de reabilitação urbana do centro histórico de Gaia. Picado pelos mouros, os quais tinham desencantado um ALLGARVE totalitário e expansionista, Marco António foi em modas e ofereceu-se para anunciar a maior obra de terraplanagem e engenharia civil de que haverá memória, tanto a passada como a futura: transformar Gaia numa pequena Londres — isto é, supõe-se, recriar uma cidade em tudo igual a Londres, porém muito mais pequenina, mais maneira, mais rápida de atravessar de um lado ao outro, com casinhas de bonecas, autocarros de dois andares reduzidos a um só, o Big Ben em versão Small Ben, etc. — e, depois da estrambólica operação concluída, ir a correr colocar o brinquedo algures no Mediterrâneo. Esta última parte ainda não está fechada, e confere ao projecto uma audácia que desafia a imaginação. Porque a empreitada permite soluções variadas.
Os mapas supra ilustram a grandiosidade da visão e sua inspiração romana — trata-se do mesmo espírito indomável, uma vontade imperial. Vejamos: estando Gaia no litoral do oceano Atlântico, pode-se mudar a cidade para novo poiso no litoral mediterrânico; como era prática corrente há mais de 2000 anos e não houve notícia das pessoas terem protestado. Poderia comprar-se terreno em Espanha, França, Itália, que são zonas nobres e prestigiadas, com bons serviços turísticos, à altura do génio dos promotores; ou ir para a Argélia, que deve ser muito mais barato; e com um muro à volta ninguém chateia a malta. E levarem-se as pipas de Porto em barcos rabelo motorizados, à volta das quais nasceria a tal pequena Londres solarenga e soalheira. Só que essa trasladação é apenas uma primeira ideia, demasiado óbvia, ferida de banalidade. Muito melhor seria o oposto: pegar no mar Mediterrâneo e levá-lo para as imediações de Gaia. Isso, sim, iria calar todos os que ladram verrinosos. Porque, se o Mediterrâneo surgisse súbito junto de Gaia, muito se iria rir o Marco António. Olá.
Não tem que enganar, a deslocalização da massa de água será a escolha que melhor defende os interesses da vereação. Podemos avançar na engenharia: onde se iria colocar a coisa? É pergunta de falsa complexidade, pois só admite duas respostas: fora ou dentro da linha de terra. Fora, tem a vantagem da fácil arrumação, confundindo-se com o espaçoso Atlântico depois de vertida. Mas dentro, dentro… dentro, meus amigos… levaria à completa submersão da Ibéria, há muito a merecer tal sorte, e deixaria Gaia como nova e solitária ilha. Uma ilha banhada conjuntamente pelo Atlântico e pelo Mediterrâneo, conforme as marés, possuindo inclusa uma pequena Londres para inglês ver. E então, acalmados os demiúrgicos governantes locais, tudo estaria pronto para se reclamar novo e definitivo título: Gaia, a pequena Londres do Mediterrâneo que, no fundo, é uma Madeira do Pacífico.
O palimpsesto da crise da licenciatura
O que me preocupa na crise da licenciatura do Primeiro-Ministro é o estado do PSD. Coitadinhos. É mais grave um vazio de poder no maior partido da oposição do que todas as tropelias do Governo, juntas. Porque quem está a tomar conta disto não escapa ao holofote, a qualquer altura pode levar nas orelhas. E no PSD, que está a acontecer? Quem é o treinador de reserva? O que irá ser daquilo, quem lhe irá pegar? O melodramático e vácuo Menezes? O sebastiânico e ignoto António Borges? O “não me fodam” e “vão para o caralho” Rui Rio? O professor e aluno traquina Marcelo? O delirante e em delírio Santana? Uma gaja?
Aposto numa gaja. Gira. E tesuda, para endireitar o País. Caso a Ségolène perca, proponho que se lhe faça uma proposta de transferência para o nosso campeonato.
O teu bem é sono
Se fores inteligente, vais deitar-te.
Coisas que não se encontram no YouTube
Wiener Aktionismus foi um movimento artístico de uma radicalidade a que importa voltar, nestes tempos de modorra cultural em que nos afundámos. Talvez agora se possam pensar as questões levantadas há 40 anos por este grupo de atípicos austríacos, o qual nos prestou valioso favor ao registar em película as suas performances. Talvez se descubra que nada saberemos do corpo enquanto continuarmos a olhar para ele com vergonha. Talvez se consiga, pela primeira vez, falar de sexo sem medo da sexualidade.
Outras razões legítimas para ousar uma experiência que não se apagará com facilidade, são:
– A vaga sensação de que o domingo está a ser uma chatice.
– Usufruir de inovador recurso visual para apreender um dos significados do adjectivo escatológico.
– A aferição irrefutável, se é que ainda faltava alguma, do grau transgressor de Andy Warhol: foi apenas um betinho.
Entrai, por vossa conta, risco e proveito.
Ideia da Prosa_Giorgio Agamben
Metro de Lisboa, 9 da manhã, terça-feira. Pela quantidade de jornais (à borla) a serem lidos, parece que estamos na Finlândia. Jornais e livros. Eu também vou de livro. É o Ideia da Prosa, de Giorgio Agamben [Cotovia]. Outros não lêem, mas ouvem sons que trouxeram de casa. Têm auriculares, espalham zumbidos. Um destes insectos coloca-se mesmo ao lado do livro que estou a ler, o Ideia da Prosa, de Giorgio Agamben. Está tão alto o ribombar naquela cabeça que consegue abafar a chiadeira dos carris. Pasmoso. Olho para o espécimen com censura muda, só para ficar preocupado com a sua saúde. Se fico incomodado com os sons que derrama para fora, como estarão os seus tímpanos, na linha da frente daquela carga sonora? Isto no caso de ainda haver tímpanos, feito que não me pareceu fisicamente possível e que acabei por aceitar como resposta. Tento voltar ao Ideia da Prosa, de Giorgio Agamben, mas sem conseguir. Do lado esquerdo do livro está outro auriculado. E há mais dois nas imediações deste. A pluralidade revela-se maligna, como sabem os teólogos. Porque começa a tocar um telemóvel. Um telemóvel que não se conforma perante a indiferença humana, continuando a pedir atenção com galhardia. Avalio a situação: está definitivamente comprometida a leitura do Ideia da Prosa, de Giorgio Agamben. O telemóvel é potente, esforça-se, mas não vence a barreira musical que protege o destinatário. Quem? Qual daqueles rostos imóveis, solenes, com olhares que exibem concentrada introspecção, terá encontrado a vacina contra a angústia do seu próprio telemóvel? Impossível saber. Pelo que fechei o Ideia da Prosa, de Giorgio Agamben. Capitulei perante os vagalhões sonoros, os ruídos das máquinas e as máquinas de ruídos, juntos maquinando contra a minha leitura. E depois desceu sobre mim uma harmonia. Talvez o dessintonizado fosse eu. Talvez estivesse a ler alto demais, mesmo que em silêncio no meu silêncio. Talvez os outros se tenham sentido grosseiramente sobressaltados por causa da voz de fundo do Ideia da Prosa, de Giorgio Agamben, levando-os a procurar refúgio na surdez. Sim, quem quer escutar o Ser deve fazê-lo em segredo. Desculpem-me.
Sabiam?
O hífen da questão

Não escapou aos atentos a suprema ambiguidade desta acção de marketing do Gato Fedorento. A primeira reacção foi de surpresa agradável — em muitos casos esfuziante —, fosse pelo inusitado da intervenção, fosse pela empatia moral assim actualizada. E neste primeiro nível terá ficado a quase totalidade da população. O Gato Fedorento é a mais recente coqueluche nacional, das raras que há, e nem sequer a polarização da questão do aborto os afectou. Estado de graça, pois, que permite brincadeiras displicentes e arroubos de juventude.
Ainda a poeira não tinha baixado e já se podia vislumbrar a face melindrosa do cartaz. O problema não estava no facto de se explorar uma temática política para vender uma imagem comercial; porque, meus amigos, o Gato Fedorento é uma entidade que visa o lucro, não uma representação política ou a intervenção social em nome de um ideal humanitário. O problema formulava-se ao contrário: sob a bandeira da argumentação política contra uma organização no extremo do espectro — usando o estatuto e discurso humorísticos como inovação propagandista —, a acção resultava na anulação do gesto político intencionado. Tão nula foi a consequência que até os nulos do PNR a aproveitaram em seu favor.
Sob vários pontos de vista, é fácil adivinhar registos de irresponsabilidade e cobardia na lógica que permitiu o acontecimento. Irresponsabilidade, porque não se ponderou o efeito de notoriedade conferido à mensagem opositora. E cobardia, porque não faltam causas políticas, sociais e culturais a merecer o contributo cívico de qualquer cidadão, sendo que nesse rol não entram cartazes de grupos de extrema-direita ou ditos nacionalistas. Esse fenómeno, em Portugal, é circense, não tem expressão. Porquê ir bater em mortos, em trinca-espinhas?
Aquém e além do berbicacho moral, não pude deixar de reparar que se grafou “bem vindos” sem hífen. Um pequeno sinal de um grande erro.
O verso mais erótico em toda a língua portuguesa
Está numa letra atribuída a Silva Tavares, para música de Alves Coelho, e que foi um sucesso pela boca e corpo de Lina Demoel (ou será Lina de Moel?) algures no século passado. Chama-se Dia da Espiga:
Dia da Espiga
Ói! Óai!
Esta vida é uma cantiga
Este dia de alegria
Vale um ano de afliçãoÓi! Óai!
Porque é o dia da Espiga
É o arauto do dia
Em que o trigo há-de dar pãoMaria! São teus olhos azeitonas
Cachopa! São teus lábios qual cerejas
E os teus seios cachos de uvas que abandonas
À vindima desta boca que os desejaJorra o vinho dos pinchéis
Para os lábios das moçoilas
Mais vermelhas que papoilas
Das larachas dos ManéisE há merendas pelos prados
Gargalhadas pelo ar
E à beirinha dos valados
Ouve a gente murmurar.
O texto tem mais quadras, mas não se encontram publicadas na Internet. Para o que aqui me importa, agora, está encontrado o verso mais erótico — porque mais lírico, mais inventivo, mais gracioso — de toda a literatura portuguesa, erudita ou popular:
E os teus seios cachos de uvas que abandonas
À vindima desta boca que os deseja
Que sorte minha tão desvairada eu ser da língua portuguesa.
Fotograpyas
O Presidente de todos os portugueses
Sexta-feira 13
Os heliastas
Ao ver Marques Mendes reclamar uma “investigação independente”, após as televisivas explicações de Sócrates, tive pena da figura. Ali estava eu dentro de uma daquelas situações viscosas em que sentimos vergonha por causa do desamparo alheio. Empatia obscena que nos expõe a nós próprios. Dói-nos sabermo-nos carne tão crua, iluminada pelo reflexo da miséria do outro. Marques Mendes prestou-se a mais um acto na sua tragédia de homem ridículo, apenas porque não consegue fugir da armadilha em que se transformou o seu destino político.
Mas não só ele. Toda a oposição, onde se incluem os publicistas, chafurda na irresponsabilidade, na imbecilidade. Pergunto: alguém conhece proposta qualquer, que possa citar de cor e em que acredite, relativa às dimensões da política governativa, que seja alternativa às do Governo, e que tenha a autoria dos que exploram o caso da licenciatura de Sócrates? Por que razão não consigo eu encontrar, em mim, uma única ideia oriunda do PSD que me convença da vantagem em ter Marques Mendes como 1º Ministro? Por que razão quase não se encontra na opinião política uma reflexão política, antes se perpetuando esse coro como um viveiro de arrivistas?
Está na altura de julgarmos os heliastas.
300_Zack Snyder

A coisa cabe toda dentro desta americana palavra: comics. Sendo adaptação de banda desenhada (sub-especialidade: graphic novel), é tão denso quanto uma folha de papel. Talvez nem seja um filme. Seguramente, não se trata de cinema.
Dentro do chico-espertismo que molda a indústria do entretenimento, a equipa que produziu e realizou o 300 foi roubar descaradamente às fórmulas vencedoras na bilheteira. Pegou na fotografia de Gladiator, nas cenas de Braveheart, nos diálogos de Xena, e acrescentou a antropologia do hip-hop. Resultado: um produto adequado aos indivíduos cujos cérebros correspondam aos 12 anos de idade biológica. Esta característica neuronal, esclareça-se, pode encontrar-se em pacientes com 65 anos já gastos, ou mais.
A querela relativa aos espartanos versus persas, e à História da história, é totalmente irrelevante. Perder tempo a discutir o assunto é sintoma de grave falha cognitiva. Tais como irrelevantes serão as supostas alusões ao racismo, aos muçulmanos, ao Oriente, ao Irão, aos homossexuais, ao eugenismo, ao culto da violência, à estética gore, e sei lá que mais. Esses espasmos são pavlovianas manifestações do marketing que está na génese deste artigo de consumo. A questão que importa ao cinéfilo é bem outra: a que género pertence?
É que esta coisa não pode entrar no género Histórico, visto estar-se a marimbar para a dita. Não pode ser de Guerra, pois não se vê nenhuma guerra, apenas uns maduros a decepar tipos que avançam para eles dentro de umas vestimentas carnavalescas. E não pode ser de Acção, porque não tem o menor estremecimento emocional, é um acabado aborrecimento do princípio ao fim. Então?
Então, é uma comédia. Uma das mais hilariantes que me lembro de ver. O facto de ser involuntária, só lhe aumenta a graça.
E esta, hein?…

No dia 23 do mês passado, Pacheco Pereira revelou ser um apaixonado por jogos de computador. Nenhum dos seus abruptos leitores comentou a nova, ou, se o chegou a fazer, não mereceu ser publicado em relação. E eu estranho, porque o facto é notável. Primeiro, porque Pacheco Pereira será um dos publicistas mais atarefados, desmultiplicando-se pelas regulares prestações mediáticas (jornal, revista e TV), mais as da investigação, mais as das leituras correntes, mais a manutenção do melhor blogue português, mais o resto, o tanto. Depois, porque de um usual vituperador do futebol, o qual recusa com desdém, não se esperam adesões a divertimentos (aparentemente) ainda mais alienantes. Por fim, porque seria fácil usar a informação para piadas imbecis e argumentos ad hominem.
Donde, a conclusão que retiro é a seguinte: mal estão os que ainda não jogam.
A nossa notícia do dia
Este blogue continua cheio de saúde. Aliás, até está melhor do que no ano passado.
O Povo Certo

Recebi gordas lágrimas neste sábado, 17 de Março. Foram oferta do Fernando Mendes, na comemoração da milionésima emissão d’O Preço Certo. No final duma rapsódia de edições anteriores, homenagem que antecedeu o epílogo do concurso, a qual foi embrulhada no enjoativo Tudo o que eu te dou do enjoativo Abrunhosa, os que enchiam o Coliseu do Porto prolongaram a salada de imagens com uma juliana de vozes. Continuaram a capella, e a câmara foi para cima do rosto do Fernando. Aquele rosto que, mesmo quando descontraído, parece sempre contorcido, atingiu uma nova capacidade plástica e enfiou-se todo por debaixo das pálpebras, tentando conter a solidão derretida. Nesses longos segundos em que ficou perdido e esmagado pela apoteótica alegria do povo, eu imaginei uma Nação a fazer as pazes com a sua gente.



