Deixem-me sonhar

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Para a candidatura de Helena Roseta à Câmara da Capital ser um cúmulo de perfeição, deveria convencer José Sá Fernandes e Maria José Nogueira Pinto a juntarem-se a ela. Imaginando que estes carismáticos e idiossincráticos figurões conseguiriam organizar-se, em Lisboa começaria a reconquista cívica de Portugal.

A foto/notícia não tem nada a ver com nada, e tudo a ver com tudo.

20 thoughts on “Deixem-me sonhar”

  1. Sim. Sonha lá um bocadinho porque, ainda ontem, na sua entrevista, no telejornal da RTP2, Helena Roseta afirmava que embora a sua estima e consideração por Maria José Nogueira Pinto fosse muita, não se revia nas suas ideias, logo não poderia fazer parelha com ela.
    (Um lenço?)

  2. Claro, daí eu remeter para o sonho e para o “cúmulo da perfeição”. Aliás, pondo os pezinhos na terra, nem sequer o Sá Fernandes aceitaria tal despromoção…

    Mas, lá está, é bom sonhar com uma nova revolução – e, desta vez, um bocado mais inteligente do que a outra.

  3. Essa entrevista da Helena Roseta também me deixou de pé atrás. Ela começa por afirmar que a candidatura é supra-partidária e movida por um impulso cívico (whatever that means) para depois dizer que jamais aceitaria fazer parte de uma lista com a Maria José Nogueira Pinto porque ela pertence a um espectro político oposto ao dela. Isto já para não falar no facto desse «impulso-cívico-supra-partidário-da-tanga» apenas lhe ter surgido depois do Sócrates não lhe ter feito a vontadinha. É. Não consigo imaginar pior começo.

    Eu gostaria era de saber a opinião de algum leitor que tenha residido em Cascais durante o seu mandato. Os que conheço, dizem que ela não deixou saudades…

  4. o sonho é bonito mas, sonho por sonho, não podia ser ao contrário? por mim, tenho assistido com muito mais interesse e surpresa aos recentes anos da carreira de maria josé nogueira pinto, do que aos de helena roseta que me parece, precisamente, carecer de independência. a primeira, além do mais, tem exibido conhecer com profundidade os problemas da cidade e a sua experiência profissional tem-na indubitavelmente dotado de capacidade executiva.

  5. Helena Roseta e Sá Fernandes acharia fantástico, mas porquê Maria J. Nogueira Pinto? Onde é que ela revelou competências assim tão extraordinarias para gerir Lisboa?

  6. já para não falar do facto de estarmos a falar de pessoas com posições políticas completamente incompatíveis, acho eu. Ou isso já não conta para nada?

  7. Sim, Helena Roseta é alvo de acusações variadas que tentam desenhar uma incompetência para a gestão (tanto na Câmara de Cascais, como na Ordem dos Arquitectos). Podendo ser verdade (que sei eu?), isso não invalida que no plano da imagem política ela seja, para mim, um exemplo de coragem e de liberdade.

    A carência do poder autárquico não está ao nível técnico, mas ético. Não faltam técnicos capazes de conceber e acompanhar toda a sorte de projectos. É o campo das decisões políticas que está todo minado, com invariável prejuízo para o bem comum.

    Quanto à diabólica trindade, onde a Maria José parece destoar irremediavelmente, concordo com a discrepância apontada pelo jt. Só que eu retiro desse albergue espanhol uma vantagem, uma esperança louca: admitindo (como eu admito) que a Nogueira Pinto é pessoa de honra e dedicação, então, estaríamos perante uma nova possibilidade: a reunião dos melhores, independentemente de credo, cor, género ou percurso ideológico/partidário. Eis a aristocracia, aquela que é – etimologicamente – a melhor forma de poder possível. E, já que estou embalado, concluo: a realização suprema da democracia será, ideal e inevitavelmente, uma aristocracia ética.

  8. Precisamente como se viu em Cascais esses valores não bastam. Uma coisa chamada “competência” também dá jeito.

  9. Concordo plenamente com o Valupi. O discurso da Roseta não faz sentido senão admitindo essa «reunião dos melhores, independentemente de credo, cor, género ou percurso ideológico/partidário». Isso sim, seria uma revolução gira. Como este não parece ser o caso, fica-se apenas com um discurso trôpego em que as boas intenções apenas irão sensibilizar os ceguinhos.

  10. Ainda não percebi porque é que Maria José Nogueira Pinto está entre os melhores. Alguém me quer explicar? Quanto a Helena Roseta, eu, por acaso, que não voto em Lisboa porque estou recenseada em Cascais, votaria nela. Não sei se é uma gestora exímia, e não vejo porque razão ser gestor exímio deva ser uma qualidade superlativa, mas não foi durante o seu mandato em Cascais que se encheu a Marginal de cimento, embora de luxo, nem se fez o negócio do Estoril Sol, à conta do edifício ser alto !!!! (voltámos à casa portuguesa e ao português suave), nem se avançou sobre o Guincho como gato a bofe onde, para lá da disneylândia colada a Cascais proliferam ideias peregrinas de habitação de qualidade. Eu cá votava na senhora, se pudesse. Com convicção. E não sou suspeita. Até porque nem aprecio as charopadas do Manuel Alegre.

  11. «Reunião dos melhores, independentemente de credo, cor, género ou percurso ideológico/partidário»?!?!?!

    “All animals are made equal. But some are more equal than others” — in “O Triunfo dos Porcos”, de George Orwell. Misturas ’tá bem, mas nada de exageros, roncam eles em privado.

    Até já.

  12. Primo

    Claro que não concordas comigo (e fazes muito bem). Porque do discurso da putativa candidata (ah…. os prazeres da língua…) não resulta qualquer ideia que se possa aferir. O que temos anunciado é uma disposição para a candidatura e respectivo programa. Mas, ouso, nem o programa seria necessário conhecer. De Helena Roseta espero competência política, seja lá o que for que quisesse fazer (e que até poderia não recolher a minha aprovação).

    Convém reter que não basta ter cães a ladrar, qualquer pessoa com actividade pública sujeita-se à crítica. Que aconteceu em Cascais, há 20 anos, que seja relevante para a candidatura a Lisboa, em 2007? Alguém sabe? Se nem sequer se sabe, que se pretende alcançar com a suspeição? E porquê?
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    ana cristina leonardo

    Eu explico: porque ela tem uma vida de entrega à comunidade, e àqueles que na comunidade estão/são miseráveis. Para mais, sendo diferente de Helena Roseta em tantas dimensões simbólicas, poderiam as duas criar algo novo; nunca pensado, nem feito. E o que poderia ser? Sei lá.

    Também não aprecio a tonteira Alegre.
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    Então, Renato, estás com problemas nos pontos de interrogação ou nos de exclamação?

  13. Sonhar com uma revolução… para mim, seria o Sócrates aceitar e apoiar a Helena Roseta como cabeça de lista de uma coligação à esquerda e a Maria José Nogueira Pinto candidatar-se com independente.

  14. A super-revolução seria, para além da coligação de esquerda já referida, a Maria José Nogueria Pinto ser cabeça de lista de uma coligação à direita.

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