Dois debates: Galiza e Portugal

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CUMPLICIDADES e CONTRABANDOS: é o sugestivo tema para dois debates sobre as relações culturais entre Portugal e a Galiza. Terão lugar na Biblioteca do Museu República e Resistência, no Espaço Cidade Universitária, Rua Alberto de Sousa nº10-A, Zona B do Rego, Lisboa.

[e não, como noticiámos primeiro, na Estrada de Benfica]

TERÇA, 15 de Maio, 18.15 h

Debate moderado pela Directora do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional,
Prof. Ana Paula Guimarães. Debatem

Camiño Noia (Univ. Vigo)
Clodio González Pérez (Conselho da Cultura Galega)
João David Pinto Correia (Univ. Açores)
Paula Godinho (Univ. Lisboa)

QUARTA, 16 de Maio, 16.00 h

Debate moderado pela Coordenadora do Centro de Estudos Galegos,
Prof. Graça Videira Lopes. Debatem:

António Medeiros (ISCTE, Lisboa)
Fernando Venâncio (Univ. Amsterdam)
María del Carmen Espido Bello (Univ. Compostela)
Pilar García Negro (Univ. Corunha)

3 thoughts on “Dois debates: Galiza e Portugal”

  1. PORTUGAL

    Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
    linda vista para o mar,
    Minho verde, Algarve de cal,
    jerico rapando o espinhaço da terra,
    surdo e miudinho,
    moinho a braços com um vento
    testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
    se fosses só o sal, o sol, o sul,
    o ladino pardal,
    o manso boi coloquial,
    a rechinante sardinha,
    a desancada varina,
    o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
    a muda queixa amendoada
    duns olhos pestanítidos,
    se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
    o ferrugento cão asmático das praias,
    o grilo engaiolado, a grila no lábio,
    o calendário na parede, o emblema na lapela,
    ó Portugal, se fosses só três sílabas
    de plástico, que era mais barato!

    *

    Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
    rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
    não há “papo-de-anjo” que seja o meu derriço,
    galo que cante a cores na minha prateleira,
    alvura arrendada para o meu devaneio,
    bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
    Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
    golpe até ao osso, fome sem entretém,
    perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
    rocim engraxado,
    feira cabisbaixa,
    meu remorso,
    meu remorso de todos nós…

    Alexandre O’Neill

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