300_Zack Snyder

300.jpg

A coisa cabe toda dentro desta americana palavra: comics. Sendo adaptação de banda desenhada (sub-especialidade: graphic novel), é tão denso quanto uma folha de papel. Talvez nem seja um filme. Seguramente, não se trata de cinema.

Dentro do chico-espertismo que molda a indústria do entretenimento, a equipa que produziu e realizou o 300 foi roubar descaradamente às fórmulas vencedoras na bilheteira. Pegou na fotografia de Gladiator, nas cenas de Braveheart, nos diálogos de Xena, e acrescentou a antropologia do hip-hop. Resultado: um produto adequado aos indivíduos cujos cérebros correspondam aos 12 anos de idade biológica. Esta característica neuronal, esclareça-se, pode encontrar-se em pacientes com 65 anos já gastos, ou mais.

A querela relativa aos espartanos versus persas, e à História da história, é totalmente irrelevante. Perder tempo a discutir o assunto é sintoma de grave falha cognitiva. Tais como irrelevantes serão as supostas alusões ao racismo, aos muçulmanos, ao Oriente, ao Irão, aos homossexuais, ao eugenismo, ao culto da violência, à estética gore, e sei lá que mais. Esses espasmos são pavlovianas manifestações do marketing que está na génese deste artigo de consumo. A questão que importa ao cinéfilo é bem outra: a que género pertence?

É que esta coisa não pode entrar no género Histórico, visto estar-se a marimbar para a dita. Não pode ser de Guerra, pois não se vê nenhuma guerra, apenas uns maduros a decepar tipos que avançam para eles dentro de umas vestimentas carnavalescas. E não pode ser de Acção, porque não tem o menor estremecimento emocional, é um acabado aborrecimento do princípio ao fim. Então?

Então, é uma comédia. Uma das mais hilariantes que me lembro de ver. O facto de ser involuntária, só lhe aumenta a graça.

85 thoughts on “300_Zack Snyder”

  1. “Resultado: um produto adequado aos indivíduos cujos cérebros correspondam aos 12 anos de idade biológica.”

    Evidentemente que pessoas doutas e maduras como o Valupi não perdem tempo com filmes como “300”, nem com as graphic novels de Miller – muito provavelmente, as pessoas doutas e maduras como o Valupi consideram que a B.D. é um género meramente infantil. Pessoas doutas e maduras como o Valupi gostam de filmes com “mensagem”, não suportando a ideia de um filme que seja apenas e só isso: um filme, uma história representada. Não percebo é como é que uma pessoa douta e madura como o Valupi escolhe para nickname algo tão infantil como “Valupi”…

  2. josé franco

    Acertas na parte em que me consideras douto e maduro. No resto, confundes o cu com as calças.

  3. Que bom, o Valupi ver, primeiro, todas as porcarias por nós. Dá-nos, juntando juntando, anos de vida úteis.

  4. Eu não resisto a ir ver. O Shâhanshâh está mesmo bem representado. Nunca percebi se os 300 de Termópilas tinham alguma coisa a ver com os 300 do batalhão sagrado de Tebas. Se não leram A Criação do Gore Vidal, não percam: 20 valores, e ainda é pouco.

  5. O Valupi, pelos vistos, riu com gosto quando viu a fita, mas não riu mais do que eu que, sem a ter visto, quase ia partindo a moca a ler o comentário do José Franco: “um filme, uma história representada”.

    A Inocência gosta tanto de arrastar as nalgas por estes blogues!

  6. Pensando melhor, o Rei dos Reis não era suposto estar de Mitra e vestido de túnica com mangas compridas? Estão-me a escapar as modas da época!

  7. COMUNICADO MESMO MUITO URGENTE:

    Estão abertas as inscrições
    para blogueres decadentes e
    sem a mínima noção do ridículo.

    A Direcção.

  8. O que este LAP têm, é inveja de este miserável blogue não entrar, nem por sombras, na elite bloguista portuguesa. Essa é que é essa!… Invejoso!!!

  9. Este blogue é um morto-vivo em adiantado estado de decadência.
    Vale mais um Jorge Candeias, do que muitos Valupis a voar…

  10. E o py e a susana e a susan e o py, e o py e a susana e a susana e o py, e o py e a susana e a susana e o py, e o py e a susana e a susana e o py, e o py e a susana e a susana e o py, e o py e a susana e a susana e o py, e o py e a susana e a susana e o py…

  11. O Fernando é o MAIOR vulto da crítica portuguesa, e é uma injustiça e uma crueldade esta infame deselegância. Tenham vergonha. Disse.

  12. agora parece que há muitos amigos do Jorge. Tudo bem que deu uma “tareia intelectual” ao Valupi, mas daí até o considerarem um Génio (com fãs e tudo) vai uma grande distância

  13. Fernando,

    Reservas-me uma duvidosa glória, essa de ser porqueiro-mor do reino. E tenho de realçar que ninguém nos substitui no gosto. Ai de quem perca a alma.

    Assim, ide ver esta coisa!
    __

    py

    Fazes muito bem em ir ver. Aliás, aposto que vais gostar (e por boas razões, entenda-se).
    __

    Neo-Zazzie

    Bem apanhado.
    __

    Fãs

    Organizem-se.

  14. Não lhe ligues Valupi, eles tem é inveja da tua suprioridade. Vai em frente e não desligues o site. Continuem sempre. Eu adoro o aspinina.Abraço.

  15. – Também queriamos gozar um bocadinho o Senhor Fernando.

    – Nem pensar, o Senhor Fernando podia ser vosso pai! Além disso, é um Senhor muito culto e muito educado, e incapaz de ser arrogante mesmo com o mais húmilde incauto.

    – Tá bem maezinha. Mas se o Valupi voltar a ser arrogante, e mostrar-se muito culto e pedante, voltamos-lhe a dar uma lição!

  16. COMUNICADO DESESPERADAMENTE MUITO URGENTE:

    Estão abertas as inscrições
    para blogueres decadentes e
    sem a mínima noção do ridículo.

    A Direcção.

  17. Gostava de apelar à comunidade dos fãs para seguir os sábios conselhos da respectiva Mãe, com os quais (conselhos) me solidarizo.

  18. (olha… este último valupi não é o Valupi… que giro!)
    (Fernando, estou com uma leve sensação que os fãs do Jorge estão zangados contigo.)

  19. Sininho,

    Que os fãs do Jorge estejam zangados comigo, coisa é que me não incomoda. É a vida. Pior seria se Jorge Himself o estivesse.

  20. Concordo no essencial: o filme é muito mau. Mas nem a fotografia é do Gladiador, embora tenha algumas parecenças (a fotografia do 300 até é bem interessante) nem as cenas são do Braveheart (onde se mostrava a brutalidade da guerra, não se estilizava). A menos que falasses não das cenas de combate mas nos discursos dos chefes para os exercitos. E aí sim, o overacting é de ir às lágrimas.
    Quanto à questão do “género” do filme, explica lá como é que isso é “a questão que importa ao cinéfilo”.

  21. maiquelnaite

    E eu concordo com a tua discordância. Claro que os filmes que fui buscar não se tematizam assim como influências. Estou a fazer uma redução à caricatura. E estou num blogue, sou um diletante. Não esperes teorias sobre cinema, pois não as tenho.

    Dito isto, também discordo do acordo contigo. Porque dizer que a fotografia do 300 é “bem interessante” é o mesmo que nada dizer. E porque o Braveheart não mostra brutalidade nenhuma, pois se trata de um clássico filme de aventuras para toda a família, onde a temática da guerra nem aparece tratada. Aquilo a que chamas “brutalidade”, no Braveheart, é pura fancaria, é gozo infantil – ninguém se assusta e a violência não se mostra, antes assim se esconde no manto lúdico. Neste aspecto, o 300 foi lá buscar muito. Basta citar a cena das flechas, cópia a papel químico do “gag” no Braveheart. E etc.

    Quanto ao que importa aos cinéfilos, convoco o teu sentido de ironia para entenderes a passagem.

  22. Epá, não devemos estar a falar do mesmo Braveheart. Eu estava a falar daquele do fanático sado-maso Mel Gibson, onde se vêem braços e pernas dobrados ao contrário, membros vários decepados, espadas pelo capacete abaixo, estrelas-de-alva em cheio na tromba, etc… O 300 tem algumas destas coisas (mais as setas, bem visto, os discursos inflamados, o “aguentem, aguentem, ainda não ataquem”, muitas coisas mais) mas em estilo cozinhado a comic, não ao vivo e a cores como no outro. Este é um comic, o outro é um filme cheio de porrada. Da grossa.

    Pois, quanto ao que importa, bem me pareceu que escreveste isso só para meter a piada da comédia. Frase feliz esta, “a piada da comédia”.

  23. o Henry V, do kenneth branagh, por exemplo, é um filme onde a guerra me pareceu bem representada. bela, cruel e crua.

  24. o Henry V, do kenneth branagh, por exemplo, é um filme onde a guerra me pareceu bem representada. bela, cruel e crua.

  25. (afinal ontem apanhei sol demais no pensador e só vou amanhã; Susana já viste que nos iam casando eternamente lá em cima? Eu só me lembro de termos dado 2 beijokas num post lá muuuiiito para trás; espero que o teu marido não ande a ler estas confissões de um javali)

  26. Valupi:

    Estás enganado. Não tenha nada a ver com essa merdice que por aí andou. Ora confirma lá o IP, sff que eu não gosto de passar por Luís Rainha.

    Já devias ter percebido que eu sou gratuita. Se for preciso chamo panilas um tipo e logo a seguir posso estar a mandar-lhe uma beijoca.

    Não me disfarço. Uso sempre o meu nick e esta cena até me tinha passado ao lado.

    Se nem tive tempo para ver o David Lynch ia agora perder o que resta para coisitas destas.

    isto em matéria de cinema é exigência igual à dos gelados. Por menos que uma conchanata prefiro ficar a lamber os dedos

    “;O)

    (mas confirma mesmo o IP que, se há merda que me chateia na blogosfera é esta. A dos encapuçados verrinosos que nem conseguem dizer nada de forma directa.

  27. Por outras palavras: Sou desastrada com quem gosto e anormalzinha com quem me é indiferente mas sou muito saudável. Não me travisto

    “:O)))

  28. … conchanata!, eu lembro quando era puto na Av da Igreja!, eram 4 bolinhas com compota de morango…

    joka pa ti Zazie, tou com dor de corno, stricto e lato sensu. Amanhã já tou bom.

  29. E nem acredito que o Ferdinand pudesse pensar o mesmo que tu.

    É impossível. O Ferdinand conhece-me virtualmente há uns anitos e não acredito que fosse capaz de me imaginar a fazer comentários merdosos deste tipo.

    O meu problema é sempre outro. Nem me cuido. Digo o que vejo e só depois me lembro a quem o disse e que nem queria magoar ninguém
    ehehe

    Quando quero da porrada, já se sabe que também não costumo pedir licença

  30. Comi uma no outro dia. Na esplanada.

    Beijocas rapaz. Estás a ver a toinice. Alguma vez eu era capaz de me disfarçar de fã não sei de quê.

    C’um caralho o foda, ao Valupi e mais as suas tremuras

  31. Além do mais dá para ver que este fã (com muitos heterónimos) tem apenas uma afinidade ideológica com o Jorge. Ou usou o Jorge por causa de paranóias religiosas e falta de linha dura esquerdalha do blogue.

    ora eu curto o Jorge mas nem sei bem porquê. Por ouros feelings que nada têm a ver com o facto de ser um comuna desgraçado

    “:O)))

    E até me senti mal, no outro dia, por ter sido tão desastrada. tinha acabado de lhe pedir uma ajuda por causa de apartamentos no Algarve

    ahahahahaha

  32. Axo tudo o que escreveu uma parvoice. O filme além de ser historicamente bastante correcto (é portanto um filme histórico) demonstra a guerra como era feita ( o resto são invenções de cinema DeMille e etc) sendo por isso um bom filme de guerra. Depois co,o adaptação de um comic seria bom conhecer a fonte para criticar o resultado. Talvez lhe falte bagagem intelectual para apreciar bom cinema.

  33. Kriska,

    You taking the piss, right?
    Xerxes was nice and so was his father and grandfather. Herodotus lied, right? And so did Miller who based his story on a 1962 film, right? What a schollar, right?

    And Maiquelmite is stupid, right? And Mel Gibson rules nicely, OK? Nice christian, right?

    Do me a favor, give Zazzie an IP. She needs one, right? Make sure it is big with all the digits, right?

  34. Essa Neo-Zazzie aka Bomba aka Luís Rainha anda a precisar de tratamento nas nalgas

    Quem a topa bem é o Filipe…

    Completamente doente, o gajo. No outro dia ainda confessava ao Filipe que tinha usado um nick para largar aqui um comentário porque não queria ver o nome dele associado ao Aspirina B

    Mas não pediu para o aparem ali da coluna do lado dos enfermeiros e meterem enfiarem no sítio certo- o dos loucos a precisarem de camisa-de-forças.

  35. Destas conversas antigas não sei nada, mas se calhar aindam andam zangados por causa de um plágio, que era um pseudo-plágio,…, deixem pra lá isso para aquela tonta da clarinha, ainda me lembro de tão zangado uma vez pus um livro dela no caixote de lixo.

  36. Zazzie,

    A senhora é (por vezes, não vale abusar) adorável, mas, desculpe a franqueza, esgarabulha para lá e para cá e estrafega impiedosamente os seus opositores com uma frequência preocupante. E agora virou à sorte, com azar, na segunda à esquerda, na esperança de que o (ausente e bastante lembrado) Rainha more por lá. Precipitação? Sim, sem dúvida, mas perdoável em termos de diplomacia blogueira, porque não houve sangue.

    Pois deixe o homem descansado, senhora, e concentre-se na batalha das Termólipas, último blockbuster das cinematecas angelinas obviamente muito atarefadas em fazerem dinheiro e politica de raiva aos persianos farsis, ou seja, em preparação psicológica das gentes doudas e inocentes para a terceira termólipa mundial, se não houver outro remédio.

    E não seria tão excelente e agradável que a cara Zazzie nos desse uma opinião sobre isso? Seria. Por razões várias e sobretudo porque há aqui gente que literalmente se derrete a lê-la, não tanto pela sabedoria e originalidade das suas opiniões, também lhe digo. Mais porque domina a arte de prolongar os nossos orgasmos invertidos com uma fiada de comentários anti-climácticos.

    PS – “La pus” furunculorium errorum ortograficum est, right?

  37. ò filho, para te prolongar os orgasmos invertidos tenho ali um pau de marmeleiro mas não o quero sujar, que sempre dá jeito para varejas as nêsperas

  38. maiquelnaite

    Se te deixaste impressionar com as fantochadas do Braveheart, como é que irás algum dia chegar ao terror do Murnau?… Ou do Antonioni?…

    [esta parte do meu texto recebeu o inestimável contributo ‘a posteriori’ da susana, que me corrigiu a ortografia e impediu uma fantuchada]
    __

    susana

    Sim, mas a guerra interior, donde a exterior é símbolo.
    __

    zazie

    Eu não estou enganado. Nunca estive, porque raio é que ia começar agora?!…

    Quanto ao IP, vens bater à porta errada. Eu é mais estradas secundárias.

    Fica calma que aqui ninguém duvida do teu curso de engenharia.
    __

    Kriska

    Concordo com a tua última frase.
    __

    Neo-Zazzie

    Tens aí um bom naco de prosa.

  39. Zazzie,

    Essa do “Ó filho” presta-se a confusões ou interpretações dúbias. Devias ter mais cuidado com as palavras que escolhes.

    De qualquer forma, duvido que o teu pau de marmeleiro (bon pour entretenir la souplesse de la peau)se sujasse. A minha entrada é grandiosa, diria até que monumental…própria para cerimónias de Estado com desfile de tropas, carros de assalto e foguetões balisticos intercontinentais.

    Sim, já lá vão os tempos das retro-virgindades exíguas.

  40. bleurgh!, Valupi, perdeste a aposta pá, saí a meio do filme depois de saltar a cabeça do ogro e foi só porque me segurei até ver o xerxes brasileiro e porque não tinha intervalo. Lamento não ter a tua bonomia para conseguir rir com aquilo. Fiquei irritadíssimo com aquilo tudo. Quanto às boas razões só o filho do rei se safava e é porque sou muito compreensivo com a juventude.

    E no entanto espero que alguém tenha visto aquilo com atenção porque deve lá estar uma boa parte da retórica básica da administração bush.

    Quanto ao resto, o que queres, é assim: gostei do Babel, gostei do Apocalypto (por razões muito díspares) e odiei esta coisa inenarrável. Agora vamos ao Sócrates.

  41. Py,

    Enquanto ouço o Sócrates: o fulano conseguiu convencer-me quanto aos seus estudos. Sou professor universitário, e sensível à perspectiva do aluno, que é a dele. O aluno seria o último a dever responder por aquilo que a universidade decidiu a seu respeito.

  42. Há coisas em que não é preciso grande esforço para te convencer
    Com a cabalinha ainda ia procissão no Adro e tu já falavas em atirar “um borrego à água para depois passar mais facilmente a manada

    Ès um naive, Ferdinand.
    Ainda me tentas convencer-te a passares-me o nº do cartão de crédito para dar uma esmolinha a uma pobrezinha que eu conheço

    ehehehe

  43. … também me conseguiu convencer qb Fernando, chega-me isso. Mas também sou naif qb.

    Mas eu agora já tou ko, e ainda estou irritado com o filme, só vim aqui fumar um cigarro e ver que a Zazie também é capicuadeira :)

  44. O filme é de doer de ruim.É um desperdício de dinheiro e talento de atores como Gerard Butler, Dominic West e Rodrigo Santoro. Todos são espada,gíria brasileira para heterossexual, mas não conseguem evitar o machismo rançoso. O perigo vem da Asia, o rei oriental é tão afetado que a voz é uma dublagem de computador.Não vale a caminhada até o cinema.

  45. V.s são é tuguinhas moles e nada exigentes que se sabem que para quem é bacalhau basta. E depois,fazem sempre as continhas de mercearia e antes o nosso pântano que o pântano dos outros.

    E isto não é boca, é mesmo uma passagem de conversa de jantar com estrangeirados que já nem se reconhecem nesta mixórdia de poltranice nacional.

    Por mim já estou fora desta trampa há muito. Qualquer noção de Patria só a reconheço num passado do tempo dos bons reizinhos à D. João II. Este presente democrático é uma fraude. Com a agravante de já não ter as desculpas da ditadura.

  46. Caro py

    Se saíste a meio, perdeste o efeito humorístico, que se vai adensando com a sucessão de disparates – acabando num final, de facto, hilariante, e muito hilariante.

    Quanto às “boas razões”, não estamos sintonizados, pois eu referia-me a razões menos somáticas, e mais lúdicas. Mas não alteres os teus critérios por causa dos meus, escusado será dizer.
    __

    Divino Ricardo

    Nem mais.

  47. Valupi:
    Abstenha-se de tentar dar-me lições de cinema por favor, ao dizer o que disse só soa pedante. E para mais, embora o “terror” do Murnau seja de facto muito bom, gosto mais do terror do Wiene. E mais ainda do do Clive Barker, veja bem.
    Quanto ao Braveheart ser fantochada, até aceito que sim, mas é uma boa fantochada, e isso é que interessa.

  48. Caro Valupi: tens a certeza que és professor universitário? Tal paciência para continuar a responder encontra-se mais facilmente entre clérigos (as coisas não são mutuamente exclusivas, eu sei).

    Do filme concordo: aquilo não é cinema a sério: é BD animada com uns actores a dar o corpo (literalmente) à história. Não é por acaso que é adaptado, se não estou errado, quase directamente das pranchas. Provavelmente foram elas os story-boards da coisa. Só me aborreceu uma coisinha no meio daquilo tudo: que a rainha e a oráculo não tenham tido um pouco mais de direito a luz nos momentos de descasque mais intensos. Afinal de contas, se deixei uma boa parte do cérebro pendurado com o casaco à entrada da sala de cinema, ficaram apenas os instintos e esses sempre poderiam ser um pouco melhor satisfeitos…

  49. Caro João André

    Não sou professor universitário, nem alguma vez o fui. Mas já me disseram que tinha cara de clérigo, pelo que vou dar 50% de veracidade à tua tese.

    Tocas numa parte que ignorei intencionalmente ao escrever, mas que não me escapou na visão. As sequências eróticas declaradas (refiro-me, aqui, ao gosto heterossexual, pois que para o enfoque homossexual masculino todo o filme poderá ser estimulante) são regidas pelo código do videoclip e softcore. É o caso da miúda (púbere?…) que dança só para, no fundo, se permitir a amostragem dos seus mamilos juvenis. É o caso da cena de Leónidas e consorte, numa rápida sequência de posições e planos em tudo iguais aos interlúdios cliché da indústria erótica audiovisual mais básica. É ainda o caso da rainha, quando se vende pelo suposto acordo político e tem direito a ouvir um comentário que é “tout un programme” da sexualidade hip-hop.

    Enfim, no contexto, uma grande piada.

  50. É possível que para outros seja assim ‘pois que para o enfoque homossexual masculino todo o filme poderá ser estimulante’, mas proveito para desmarcar-me completamente disto.

    Só vi no entanto até cortarem ao cabeça ao “ogro”.

  51. Peço desculpa Valupi, o comentário foi do Fernando e eu é que fiz asneira. É muito comentário. Ficam então os 50% de clérigo (que já não é mau).

    E é como dizes, uma grande piada. Que me entreteve, num momento de baixa exigência. É a tal história, mesmo para (pseudo)intelectuais, o circo não faz grande mal. Pelo menos incomoda pouco. Quanto mais não seja a mim.

  52. Bem, abro uma excepção para o filho do leónidas, e também o xerxes brasileiro impressiona, mas por certo que o Xerxes não era assim (?), mas não sei onde está a minha A Criação e ainda leva tempo. Eles todos usavam barba.

    E não era ajoelhar perante o Rei dos reis, mas sim prosternar-se.

    Meu Deus, que irritação que foi todo o tempo.

    Salva-se a bela oráculo tadinha.

  53. py

    Com certeza, daí o condicional, o “poderá”. De resto, não estou sequer em condições de saber da matéria.

  54. Sim, mas aproveitei para desmarcar-me, porque para mim aquilo foi anti-erótico, pôs-me enjoado, irritado, etc.

    No Brokeback Mountains percebe-se bem, creio.

  55. O filme é completamente tonto, mas é aí que está o humor. Para mim, então, a última fala, em que se começam a fazer relações numéricas a propósito das dimensões dos exércitos, foi o paroxismo do riso.

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