
Pacheco Pereira vai cair a disparar. A última coisa que pretende é uma declaração presidencial antes das eleições, por isso apelou a ela. Temendo que não o percebessem, lançou o repto para um lunático pacto partidário que garantisse santuário às eventuais revelações. Seria assim: a 3 ou 4 dias das eleições (ou mesmo na sexta-feira!), o Presidente da República abriria a boca para revelar ao povo que Sócrates era um bandido ou que Sócrates, Governo, PS, democracia e portugueses tinham sido atacados por bandidos. Só há estas duas opções. E pronto, caso encerrado, tudo caladinho como prometido ao Pacheco. Bora lá votar.
Pacheco quer levar a campanha negra até ao fim, alimenta com as suas frenéticas declarações o clima de suspeição, constantemente. Chega ao ponto de mostrar que sabe ter Cavaco algo de muito grave para contar, algo que pode mudar o curso da campanha e as eleições, algo que envolve Sócrates e Governo. Pacheco permitiu-se dizer que todos os dias aparecem casos por esclarecer que implicam Sócrates e Governo em práticas dúbias ou ilícitas. E que esses milhentos casos estão quase a ser esclarecidos, e logo pelo Presidente da República. Qual a razão de não terem sido esclarecidos anteriormente? Pacheco não perde tempo com essa parte, há uma campanha de medo e ódio para fazer, cada vez com maior desvario.
É preciso, neste inaudito momento da História de Portugal, mostrar do que somos feitos como País, Pátria e Nação. Quem não está indignado com o silêncio de Cavaco Silva, como talvez nunca antes tenha estado enquanto cidadão, não é de confiança ou não tem noção da gravidade da presente falha institucional. Porque o mirabolante quadro de vermos um Presidente da República a ser cúmplice de conspirações que atentam contra os pilares da Constituição é definidor do carácter de cada qual na resposta a esse acontecimento.
Pacheco diz que o PS lançou uma campanha contra o Presidente. O Pacheco goza connosco. Ri da nossa dignidade.