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Joker

pacheco pereira

Pacheco Pereira vai cair a disparar. A última coisa que pretende é uma declaração presidencial antes das eleições, por isso apelou a ela. Temendo que não o percebessem, lançou o repto para um lunático pacto partidário que garantisse santuário às eventuais revelações. Seria assim: a 3 ou 4 dias das eleições (ou mesmo na sexta-feira!), o Presidente da República abriria a boca para revelar ao povo que Sócrates era um bandido ou que Sócrates, Governo, PS, democracia e portugueses tinham sido atacados por bandidos. Só há estas duas opções. E pronto, caso encerrado, tudo caladinho como prometido ao Pacheco. Bora lá votar.

Pacheco quer levar a campanha negra até ao fim, alimenta com as suas frenéticas declarações o clima de suspeição, constantemente. Chega ao ponto de mostrar que sabe ter Cavaco algo de muito grave para contar, algo que pode mudar o curso da campanha e as eleições, algo que envolve Sócrates e Governo. Pacheco permitiu-se dizer que todos os dias aparecem casos por esclarecer que implicam Sócrates e Governo em práticas dúbias ou ilícitas. E que esses milhentos casos estão quase a ser esclarecidos, e logo pelo Presidente da República. Qual a razão de não terem sido esclarecidos anteriormente? Pacheco não perde tempo com essa parte, há uma campanha de medo e ódio para fazer, cada vez com maior desvario.

É preciso, neste inaudito momento da História de Portugal, mostrar do que somos feitos como País, Pátria e Nação. Quem não está indignado com o silêncio de Cavaco Silva, como talvez nunca antes tenha estado enquanto cidadão, não é de confiança ou não tem noção da gravidade da presente falha institucional. Porque o mirabolante quadro de vermos um Presidente da República a ser cúmplice de conspirações que atentam contra os pilares da Constituição é definidor do carácter de cada qual na resposta a esse acontecimento.

Pacheco diz que o PS lançou uma campanha contra o Presidente. O Pacheco goza connosco. Ri da nossa dignidade.

Elementar, meu caro Procurador-Geral da República

Isto não tem grande ciência. Se a ninguém, dos ignorantes que somos quase todos, passava pelo estreito que a nomeação de Dias Loureiro como conselheiro de Estado algum dia seria ocasião de escândalo, sequer de incómodo, para o Presidente, agora, que conhecemos muito melhor a peça, estamos estupefactos. E estupefactos ficámos com o espectáculo que Oliveira Costa deu na Assembleia da República, onde informou a Nação de que o Loureiro era um escroque:

Veja lá como me trata, olhe que eu quando me hostilizam não sou para brincadeirasDias Loureiro para Oliveira Costa

Assim, Cavaco tinha escolhido para conselheiro de Estado alguém cujo pivete a casa de banho era insuportável. Ingenuidade? Impossível, o Presidente já declarou não ser ingénuo. E nisso podemos acreditar, porque Dias Loureiro era uma figura de risota há muitos e muitos anos. Fazia parte do anedotário do PSD, os próprios militantes contavam as suas peripécias desde os sortudos tempos de Coimbra até ao fulminante estrelato político. Pois bem, já temos dois cromos, e também duas siglas onde os enfiar, BPN e SLN. Altura de juntar outro castiço, Luis Filipe Menezes, o qual numa golpada populista afasta o sóbrio Marques Mendes. Só que era areia a mais para a sua camioneta, passados dois meses da chegada à presidência do partido já tinha a guia de marcha assinada. E, ao ir embora, declara:

O partido está muito doente.

Altura de chegarmos à Madeira, pois a ninguém, dos ignorantes que somos quase todos, passava pelo estreito ter o conflito entre Cavaco e Sócrates começado antes da crise dos Açores, em Julho. Ora, o email obscenamente Público coloca o conflito em Abril. Abril mudanças mil, com a saída do Menezes e a entrada em cena da Manela. E que mais podemos recordar nas proximidades desse período? Por exemplo, em Fevereiro tinha Oliveira Costa saído do BPN. Um mal nunca vem só, pois logo a seguir separa-se da esposa e dos bens. Este infortúnio assinalava que o pior já estava a caminho. E era coisa para chegar ao terceiro arquipélago desta história, Cabo Verde.

São demasiadas coincidências a deixar-nos estupefactos com o que as pessoas da maior confiança de Cavaco Silva fazem nas suas santificadas costas. Ainda por cima, este mestre de finanças, economia e moral enfiou a mão no pote de mel, ele e família. Ignorava o que se dizia no meio político, jornalístico e financeiro dessa entidade em 2002 e 2003? Será esse estado de ignorância não ingénua que explica a conivência com a actividade conspirativa do jornal Público em Agosto deste ano, para não irmos mais longe? Se sim, se é apenas ignorância, incapacidade para perceber o óbvio e suas consequências, tudo bem. Mas não em Belém.

Sr. Procurador-Geral da República, honre Portugal.

Abençoada democracia

Juntaram-se dois cínicos paranóicos e foi este o resultado:

Nuno Ramos de Almeida afirmou saber que os serviços de informação estão absolutamente governamentalizados, com camadas sucessivas de gente colocada por confiança partidária e com poderes demasiado vastos. Quais poderes e porquê demasiado vastos? Não disse. Mas disse que o DN fez mal em ter revelado o email supostamente verdadeiro, que os serviços de informação militares foram mesmo a Belém e que Cavaco suspeita mesmo das escutas. Portanto, que elas existem. Mais declarou que as polícias não têm independência face ao poder político e que o Partido Socialista condiciona o poder judicial, como se vê no caso do juiz Rui Teixeira. Também verteu uma calúnia dirigida a Lopes da Mota.

Paulo Pinto de Mascarenhas explicou que o Lima foi à vida apenas porque apareceu o email, mas que há mesmo espionagem de Sócrates, competindo agora ao Governo demitir alguém para voltar a reequilibrar a guerra fria, tal como se faz nas crises diplomáticas que envolvem espiões. Se o fizer, estará tudo bem e siga.

Abençoada democracia que acolhe quem lhe faz tanto mal.

O lado negro da Força

Em funerais, missas de sétimo dia e acções de campanha vai quem quer.

Parece aquele sujeito que mata o pai e a mãe para depois dizer que é órfão.

Sócrates tem um projecto pessoal de poder pelo qual faz uma luta de vida ou de morte.

Você não vai estar cá daqui a dez anos.

Estamos todos debaixo de água, mas ele entende que é igual morrer afogado a 12 metros de profundidade ou a 13 metros. Para mim, não é tudo igual. Não quero é morrer afogada.

O Governo destruiu o casamento e a família.

Medo, medo.

Vivemos numa sociedade bloqueada da qual só se pode esperar decadência, porque enquanto não ultrapassarmos o medo não é possível crescermos.

Sócrates é o coveiro da pátria.

Recuso aceitar que o director de um reconhecido e prestigiado jornal do nosso país possa estar sob escuta.

Até já começa a duvidar-se da segurança na correspondência.

Dia 27 vamos devolver ao nosso país a liberdade.

Manuela Ferreira Leite

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Bute lá dizer verdades

A verdade é a de que o PSD surge, neste momento, como um partido indigno, sem vergonha, canalha. Apostou tudo numa campanha de assassinato de carácter, de suspeições, de medo, de anulação da política enquanto exercício de elevação cívica e de inteligência para o bem comum. É uma desgraça, pois atinge muita gente que tem tido muitas responsabilidades públicas e sociais ao longo de muitos anos. O que o PSD faz, manipulando faixas da opinião pública – cultural e cognitivamente fragilizadas – com torpes e canhestras mentiras, é uma patifaria.

Já no PS, é óbvio que qualquer indício de falha grave em Sócrates seria imediatamente transformado em afastamento e substituição da liderança. Foi isso que se viu nesta legislatura, com constantes manifestações de divergência, oposição, e até dissidência interna, por parte de algumas figuras socialistas de referência. Estas mesmas pessoas, que representam muitas mais, estão nesta campanha ao lado de Sócrates, e mantêm intacta a sua independência. Isto, infeliz e tragicamente, é uma lição para o PSD. Mas, feliz e gloriosamente, é uma garantia de liberdade para Portugal.

Freitas perguntou, Louçã calou

7) E, por último, que pensa o BE da NATO? Teve ou não um papel positivo na «guerra fria»? E agora? Deve ser suprimida? Mantida nas suas funções iniciais? Ou transformada numa espécie de «polícia do mundo», como tanto deseja um grande número dos seus países membros?

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Freitas do Amaral, na Visão de 21 de Maio de 2009, fez sete perguntas a Francisco Louçã. Se alguém souber onde se encontram as respostas, é favor avisar.

Endireita

Os principais blogues da direita foram nesta segunda-feira negra terrenos de grande desolação. Grassa a cobardia e o estado de negação, a esperança louca de que Cavaco ainda destrua Sócrates num golpe mágico. Salvam-se o Carlos Abreu Amorim e o Pedro Marques Lopes. Isto é, salvam-se os mais independentes. É desta raça que tem de nascer a refundação da direita, pois a escumalha que preenche os quadros do PSD e CDS não tem nada a ver com a direita ou seja com o que for de aspiracional no plano da cidadania. A direita, a ser alguma coisa identificável para lá das diferenças ideológicas e teóricas internas, é tradição, liberdade e honra. Se for preciso, também se pode fazer um desenho.

Crespoterapia

Crespo convidou Maria João Avillez para explicar aos portugueses com quantos pastéis de Belém se faz uma conspiração. Ela disse que bastavam dois ou três. Para além do Lima, havia seguramente outra fonte. E falou dela com tocante intimidade. Citou-a. Esse repuxo presidencial teria apenas feito um comentário en passant a um jornalista do Público. Algo tão natural e inócuo como isto: Mas já viram esses 4 mecos do PS a dizerem que andamos a fazer o Programa do PSD?… Sinto-me… sinto-me… nua!

Continuar a lerCrespoterapia

Freitas perguntou, Louçã calou

6) Na perspectiva da política económica geral, que modelo defende o BE? É monetarista ou keynesiano? Manteria Portugal na União Europeia? E no Euro? Que pensa do famigerado Pacto de Estabilidade e Crescimento – se, ou quando, for levantada a sua actual suspensão de facto?

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Freitas do Amaral, na Visão de 21 de Maio de 2009, fez sete perguntas a Francisco Louçã. Se alguém souber onde se encontram as respostas, é favor avisar.

Universos paralelos

Caso o DN não tivesse informado o País da existência de um email que explica as duas peças seguidas do Público em Agosto, acerca de escutas e vigilância da Presidência, chegaríamos a 27 de Setembro ignorando que a temática da asfixia democrática é bem mais grave e escabrosa do que aquilo que a propaganda senil do PSD andava a querer que engolíssemos.

Marcelo resolve

No caso das eventuais escutas em Belém, José Manuel Fernandes é uma peça-chave. Desde que saiu a notícia, e em estrito acordo com o lançamento da bomba, ele tem sugerido que Cavaco aprovou a acção. Essa possibilidade ficou reforçada com o conhecimento do email revelado pelo DN, por um lado, e pelos silêncios e declarações crípticas de Cavaco, pelo outro. Acresce que o Zé Manel já avisou ter uma vasta investigação em curso cujo alvo é o Governo e os serviços de informação, assim reforçando a densidade da suspeita e, na prática, tomando partido pela validade da mesma. Neste cenário, os que estão cegos pelo seu ódio a Sócrates esperam que, mais cedo do que mais tarde, as provas apareçam e o Engenheiro seja derrubado pelo Professor. Os restantes, estão banzos com o inacreditável comportamento do Presidente, o qual está a arrastar o País para uma crise institucional absolutamente imprevisível – e que poderá ainda estar envolvido em crimes ou ter assessores passíveis de responsabilização criminal.

Assim, estes 13.52 minutos são fundamentais para vermos (ou imaginarmos) uma luz ao fundo do túnel neste inusitado imbróglio. Marcelo é conselheiro de Estado, para além de residir nele um prestígio senatorial que lhe dá uma especial autoridade numa crise com esta gravidade. Marcelo é uma figura que pode substituir Ferreira Leite e Cavaco a qualquer altura, com óbvios ganhos, é a mais valiosa referência simbólica do PSD agora que Cavaco caiu em desgraça. Pois bem, este mestre da intriga palaciana tomou o partido da sanidade mental e da ética: é mentira que alguma vez Cavaco tenha suspeitado da existência de escutas ou vigilâncias posto que nunca as denunciou a quem de direito durante 17 meses. Este será o único desfecho que salva a face do Presidente da República, porque a alternativa, a existência de suspeitas e até de escutas, arrastaria Cavaco na enxurrada pois teria faltado à sua responsabilidade, pelo menos.

Marcelo adjectiva o caso de ridículo e decreta um puxão de orelhas ao assessor da Presidência que será o solitário culpado. Isto equivale a dizer: já chega de loucura, atinem, por favor. Especialmente caricato foi o modo como comentou o desmentido do Estado-Maior General das Forças Armadas à notícia do CM que trazia declarações de fontes anónimas da Presidência a referir uma investigação das secretas militares em Belém. Para Marcelo, impaciente, tal confusão não passa de mais um equívoco fruto do nervosismo eleitoral.

Aqui chegados, temos de nos perguntar o que diria Marcelo numa situação similar onde o Presidente da República em causa tivesse sido candidato pelo PS. E não é difícil. Marcelo diria que se estava a viver o impensável, o maior escândalo do regime desde o 25 de Abril, e que todos os sinais apontavam para uma situação caótica em Belém, onde o Presidente não tinha qualquer mão sobre a sua Casa Civil ou era cúmplice, quiçá mentor, dos seus desmandos. Terminaria com uma graça, de graça duvidosa, dizendo que só faltava que essas pessoas que estão a largar notícias conspirativas em período eleitoral pegassem em caçadeiras e fossem para o alto dos muros do Palácio de Belém disparar contra quem passa.

Felizmente, o Presidente é do PSD e Marcelo pode resolver a coisa com esta limpeza e contenção de danos.

Pacheco tradutor de Cavaco

Eu compreendo que o Presidente da República, até pelas coisas graves que tem certamente para dizer face aos ataques que lhe têm sido dirigidos, não queira falar em período eleitoral. O que diria perturbaria e muito o período eleitoral. Mas temo que só depois das eleições é que se vá saber demasiadas coisas sobre esta governação e sobre o Primeiro-ministro. E temo que isso seja um fardo muito difícil de gerir, ganhe quem ganhar as eleições. Seja no caso Freeport, seja na questão da eventual espionagem aos seus opositores, seja no ataque à TVI e ao Público, seja nos múltiplos negócios que estão por esclarecer, da OPA da Sonae à crise do BCP e à interferência da CGD, seja no caso BPN e nos nunca esclarecidos movimentos do dinheiro da Segurança Social, seja na tentativa de compra da PT da Media Capital e etc,. etc. Um etc. demasiado grande.

Pacheco diz que Cavaco não fala para não perturbar o período eleitoral. Entretanto, à sua volta há um País perturbado e perplexo com o silêncio do Presidente da República num caso que ultrapassa em gravidade tudo o que aconteceu desde o 25 de Novembro na política nacional. É que nem a morte de Sá Carneiro causou esta desconfiança em relação à viabilidade do regime. Não é humanamente possível ser-se mais hipócrita do que o Pacheco.

Pacheco diz que Cavaco, ou alguém por ele, irá expor os podres de Sócrates. Entra tudo, da SONAE ao Freeport, do BPN à TVI. Pacheco diz que Sócrates é o maior criminoso de sempre em Portugal, provavelmente na Europa e talvez no Mundo. O que o safa é estarmos em período eleitoral e etc. Um etc. demasiado grande até para o Pacheco, que não tem capacidade para dar conta do recado e atalhar caminho.

Pacheco tem uma noção radicalmente nova do que constitui o período eleitoral. Suspeito que, para ele, esse período tenha começado em 23 de Março de 2007.

Louçã tradutor de Alegre

Eu estou certo que há imensos socialistas, a começar por Manuel Alegre, que têm perfeitamente a consciência de que esta injustiça não se pode manter, foi por isso que ele votou contra o Código do Trabalho e eu elogio a sua coerência.

Louçã explicou ao eleitorado BE o aviltante fenómeno de verem Alegre ao lado de Sócrates na campanha. Eis o que se deve seguir: se Louçã elogia a coerência de Alegre, então que seja coerente e lhe siga o exemplo. Vote PS.

Má sorte, ser um imbecil na esquerda imbecil

Ser imbecil é chato. E ser da esquerda imbecil é galo. Mas ser um imbecil da esquerda imbecil, indo para a cama com a direita reaça e salazarenta, alinhando nas campanhas de assassinato de carácter de Sócrates, passando ao lado de um tempo na História de Portugal em que a democracia se vê ameaçada a partir da instituição suprema do Estado, já não tem nada a ver com imbecilidade. É muito pior.