Quero dirigir uma palavra aos jovens portugueses. Lutem pelo vosso futuro, vocês são a geração da mobilidade, do Erasmus e das redes sociais. Não fiquem parados. Lutem por uma nova forma de fazer política. Mais transparência e fundamentação nas decisões, mais ética, mais respeito pela dignidade das pessoas. Menos espectáculo e mais verdade no discurso. Podem contar comigo.
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Se o primeiro discurso de Cavaco na noite eleitoral foi uma vergonha, o segundo foi chocante. Pelo meio, os comentadores tentavam entender o que tinha passado pela cabeça do homem para ter continuado a atacar os adversários mesmo depois de ter sido reeleito e esperavam que ainda fosse a tempo de dar uma palavra de concórdia e pacificação ao País. Acontece que o segundo discurso não foi só ainda mais persecutório, foi também desvairado e violento. No final, havia um sentimento de inaudita incredulidade; ninguém teria sido capaz de imaginar nada sequer parecido, quanto mais ter ainda de o comentar sabendo-se que se estava perante o actual e futuro Presidente da República.
Entre as várias infâmias proferidas por Cavaco, a maior de todas é esta invocação dos jovens somente para continuar a espalhar o seu fel. É o cúmulo da sonsice. O tal que patrocinou e alimentou uma golpada eleitoral, e que é cúmplice moral e directo beneficiário da golpada do BPN, vem dizer aos jovens para exigirem mais transparência, mais ética e mais respeito pela dignidade das pessoas – metas para as quais anuncia poderem contar com o mesmo que as ofende e despreza sem o mais leve sinal de remorso.
Estamos perante um grau de hipocrisia que merece uma pirâmide 10 vezes maior do que a de Gizé para lhe fazer homenagem.


