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Putrefacção

Esta entrevista de Catroga, para além de ética e politicamente soez, é um documento que evidencia o ponto a que chegou o Cavaquismo: putrefacção. E de tudo o que lá aparece, só gostava que uma passagem fosse fundamentada:

José Sócrates, honra lhe seja feita, é um grande actor, um mentiroso compulsivo, que vive num mundo virtual em que só ele tem razão. Tem uma máquina de propaganda montada há seis anos, poderosa. E o PSD tem uma máquina artesanal no campo da comunicação.

O PSD conta com a SIC, TVI, RTP-N, parte da RTP, Expresso, Público, DN, Correio da Manhã, Sol, Renascença, parte da TSF. Onde está a poderosa máquina de propaganda de Sócrates? Será o Prós e Contras? Será o Jornal da Tarde da RTP e aqueles 2 segundos a mais que consegue meter nas peças que falem do Governo e do PS? Ou será que Catroga também está a referir-se ao Câmara Corporativa, como fazem os outros macaquinhos de imitação?

Diz um especialista em política de medo

Em declarações à Agência Lusa, Aguiar-Branco condenou o facto de Francisco Assis usar o “chavão recorrente” de acusar o PSD de querer acabar com o Estado Social, acusando-o de “ter uma política de medo em relação aos portugueses”.

2011

“Nós temos em Portugal um Governo sob suspeita e isto corrói as instituições e mina a autoridade do Estado. Pretendem o Estado não para servir os portugueses, mas para servir o Partido Socialista. É um Estado que visa estar em todos os sectores da sociedade portuguesa. Isso é uma visão retrógrada, uma visão sovietizada, afirmou ontem o vice-presidente do PSD, Aguiar-Branco.

Aguiar-Branco, que falava na festa do PSD, no Algarve, recordou os casos do Freeport e das alegadas pressões sobre os magistrados, que envolvem figuras ligadas ao PS, incluindo o primeiro-ministro.

2009

Primeiro entranha-se, depois estranha-se

Não há guerra mais estranha do que a da Líbia. No início, no romance provocado pela embriaguez da Praça Tahrir, sugeria-se que o exército do Coronel estava em debandada e seria um passeio até os revoltosos conquistarem Tripoli. Entrávamos em Fevereiro. Três meses depois, com a Nato a bombardear, conselheiros militares ocidentais a orientar os rebeldes, serviços secretos com permissão para agir e a cobertura tecnológica que permite saber tudo acerca do poder militar de Kadhafi, suas posições e movimentações, o conflito parece empatado. É absurdo.

Contudo, é no plano do tratamento dado pela comunicação social que a estranheza atinge o seu auge. Não temos imagens reais, ou em infografia, que transmitam uma noção do que se esteja a passar. Nem sequer a dimensão da violência e destruição é captada mediaticamente, faltando relatos locais, ou de representantes do povo líbio no exterior, com dados concretos e de conjunto. Tendo em conta a facilidade em registar imagens por qualquer telemóvel, pelo menos, este deserto mediático não encontra paralelo em nenhum outro palco de guerra onde as forças ocidentais tenham estado envolvidas.

Finalmente, tal como o Francisco Clamote regista, a estratégia da Aliança está a passar pela tentativa de assassinato de Khadafi. Ou, no mínimo, por uma forma de chantagem que consiste em lhe mostrar que tal é possível a qualquer momento.

A apatia que se instalou na opinião pública internacional, e especialmente na europeia, assinala a contrario o poder do jornalismo.

Dissonância fotográfica

*

O texto diz-nos que Sócrates exibia um semblante carregado e Portas um leve sorriso. A fotografia que o DN escolheu mostra Portas de cabeça baixa e sério, enquanto Sócrates é apanhado com um rasgado sorriso ou a rir. Que se passa neste jornal? Que andam a pôr na água canalizada?

Também teria graça que alguém contasse as ocasiões em que cada um sorriu, e como sorriu e qual o contexto. Não que tal contabilidade tivesse importância fosse para o que fosse, mas por ser interessante para quem se interessa.

A raiz da dissonância cognitiva

Aqueles que dizem ter Portas ganhado o debate com Sócrates agarram-se a frases vácuas, insultos infantilóides, números parlamentares gastos. O resto é filtrado. E o resto é a ausência de programa e propostas, a confusão discursiva que levou Judite de Sousa a instigar Portas por mais de uma vez para ser claro, a exibição de fragilidade política em directo ao hesitar confrangedoramente na resposta à questão da eventual coligação com o PS e a cobardia de não olhar Sócrates nos olhos quando este o interpelava. Tal foi o desnorte de Portas que até desperdiçou por completo o minuto final, falando para a Judite em vez de se dirigir à audiência e não conseguindo sequer deixar uma mensagem perceptível.

Aqueles que dizem ter Portas ganhado o debate com Sócrates são os mesmos que andam desde 2008, dia sim dia sim, a declarar que Sócrates está acabado. São os mesmos que se deliciaram com as campanhas de assassinato de carácter que foram lançadas por jornalistas e magistrados. São os mesmos que aplaudiram a Inventona de Belém e foram a correr reeleger Cavaco. São os mesmos que estão dispostos a afundar Portugal na bancarrota desde que tal sirva para derrubar Sócrates e o PS. São os mesmos que não entendem as sondagens, o que quer dizer que não entendem o eleitorado, não entendem o País, não se entendem a eles próprios. Por isso andam neste carrossel da exaltação do ressabiamento e da depressão da impotência. Por isso alucinam.

Aqueles que dizem ter Portas ganhado o debate com Sócrates não vivem na estratosfera. Estão amochados na toca do Coelho a roer a cenoura.

Dou 100 euros a quem me conseguir explicar isto

Segundo o líder social-democrata, o Governo de José Sócrates “não tem perdão”. Isto porque, explicou, “teve todas as condições para evitar que Portugal chegasse onde chegou. Não teve nenhum Orçamento de Estado chumbado, nenhum Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) chumbado, excepto o PEC 4, nunca apresentou uma medida relevante que não tivesse tido acolhimento no Parlamento”.

Fonte

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Ora, bá lá ver. Passos declara que Portugal chegou onde chegou, seja lá o que isso queira dizer, porque o Parlamento sempre acolheu as medidas relevantes apresentadas pelo Governo. Ou seja, chegámos onde chegámos à pala do PSD que foi aprovando a política seguida pelo PS. É isto?

Ou será que Passos está a dizer que Portugal chegou onde chegou, presumivelmente ao chumbo do PEC 4, porque o PSD aprovou o Orçamento para 2011 e, perante os resultados muito positivos da sua execução nos dois primeiros meses, e a tomada de posse de Cavaco, ficou cheio de vontade de ir ao pote antes que o Governo fechasse o acordo que evitava a necessidade da ajuda externa?

Está a valer 100 euros a explicação que faça luz sobre a verdadeira mensagem que se pretende transmitir ao eleitorado. Militantes e simpatizantes do PSD também podem participar, apesar de serem aqueles com maiores dificuldades para entender as afirmações de Passos Coelho.

O amante de Sócrates

Não existem oradores mais insuportáveis do que a maltósia do Bloco de Esquerda. Até no PCP e no CDS, se procurarmos com tempo e paciência, encontramos quem se oiça com agrado; ou no Partido de Todos os Portugueses, aposto. Mas não se aguenta o matraquear canino de Francisco Louçã e Ana Drago, ou a sobranceria irrisória de Fernando Rosas e João Semedo, ou o contágio depressivo de Luís Fazenda e Helena Pinto. O mesmo problema com os satélites mediáticos, Daniel Oliveira e Joana Amaral Dias, que estão sempre num registo hipertenso e belicoso, numa gritaria que não conhece descanso. Fazem das suas intervenções, por mais insignificante que seja a matéria ou ocasião, uma ideológica questão de vida ou de morte. Precisam de acreditar que estão a exibir a sua irredutibilidade ao adversário de forma peremptória, fatal. Com eles não há negociações nem se fazem prisioneiros – ou seja, não se dialoga nem se constrói a democracia. Não reconhecem interlocutores para partilha de responsabilidades e projectos, só vêem trafulhas à sua volta. Por isso a vitória tem de ser obtida a cada locução, a cada frase, através do poder mágico das palavras. Caso fracassem e deixem de se fazer ouvir, não resta mais nada para alcançar. A luta chegará ao fim quando se apagarem os holofotes e o público dispersar, este partido é um espectáculo.

Louçã abriu a VII Convenção do Bloco de Esquerda com um discurso dirigido a Sócrates. Mas a qual Sócrates? Àquele que discursou na abertura do XVII Congresso Nacional do Partido Socialista – nem mais, nem menos. Foi de tal forma uma resposta directa a esse preciso momento que Louçã glosou expressões nele proferidas e acabou em registo de citação literal, fazendo um pasticho ao modo como Sócrates terminou o seu discurso. Quer este número patético dizer que Louçã vive num mundo minúsculo onde apenas o que o actual Secretário-Geral do PS diz, e como o diz, lhe desperta o entusiasmo. Por isso se esfalfa na comparação, assoberbado no afã de mostrar-se superior aos dotes retóricos e oratórios de quem, afinal, o assusta e fascina.

Os aplausos da praxe que recebeu, depois de um exasperante lençol proclamatório de vacuidades e demagogia, são a prova de que o Bloco está rendido à sua paixão.

Isto anda tudo ligado

Até onde pode ir o jornalismo? – Estrela Serrano faz a súmula de um gravíssimo caso (um de vários, um de muitos, um que espelha quem o faz e com ele aproveita) que é escandaloso em si e ainda mais escandaloso pelo silêncio de tantos a seu respeito. O Correio da Manhã, uma escola de pulhices, não por acaso é um maníaco perseguidor de quem persegue e um fervoroso apoiante de quem apoia.

Jerónimo o “semi-analfabeto” – José Albergaria, que fala a partir da autoridade atestada pela sua experiência directa do partido e da História, reduz Jerónimo de Sousa a um farrapo. Independentemente do acerto do retrato, afira quem para tal tiver competência, este humilde leitor só pode aplaudir um olhar verdadeiramente original sobre o actual líder do comunismo português. De facto, e vendo o PCP reduzido a fórmulas evangelistas (Mais produção/Melhores salários) sem qualquer ligação à realidade, urge desmontar a farsa que levou à sua cristalização anti-marxista.

Barack Obama — sob o signo do Rei Leão e Bin Laden em video (entre múltiplos e frequentes textos) – João Lopes traz um olhar educado e apaixonado pelas imagens para a análise política, a sua qualidade intelectual quase parecendo alienígena quando comparada com publicistas medíocres que enxameiam o debate público. Nestes dois exemplos, regista dois modos – só aparentemente distintos – de gerir a relação com a comunicação social, seus agentes e seus efeitos. Esta competência transformou-se numa responsabilidade e numa exigência da democracia. Ou seja, a democracia pede um domínio estatal sobre as forças mediáticas sob pena de não se realizar na sua plenitude ou ficar mesmo ameaçada. Esse domínio começa por ser legal e regulador, logo no garantir constitucionalmente a liberdade de expressão, mas é ao nível disciplinar que se coloca o maior desafio para os Governos. Quem não souber lidar com as imagens, não saberá lidar com as ideias.

Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

Think It’s Easy to Be Macho? Psychologists Show How ‘Precarious’ Manhood Is
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Too Much Or Too Little Sleep May Accelerate Cognitive Aging By 4 To 7 Years
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Washing With Contaminated Soap Increases Bacteria on Hands, Research Finds
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For Small Business Owners, Consultation Means Fewer Missteps
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Helping more disabled people get into politics
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When Self-Esteem Is Threatened, People Pay With Credit Cards
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Pundits Predict No More Accurately Than a Coin Toss, Students Find
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Domestic Violence Taken Less Seriously in Older Couples
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‘Fatting In’: Immigrant Groups Eat High-Calorie American Meals to Fit In
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Health Vs. Fitness: Why Fitness Does Not Necessarily Equate to Health
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Life Satisfaction and State Intervention Go Hand in Hand

Gente que não muda

Cabe-nos demonstrar que somos capazes de aproveitar este tempo difícil e fazer dos compromissos agora assumidos uma oportunidade para mudar de vida e construir uma economia saudável.

O acordo é o sinal mais evidente da necessidade de alterarmos o rumo das políticas e de mudarmos de atitudes e de comportamentos.

De uma forma muito clara, quero dizer aos Portugueses que, se não mudarmos, estaremos, daqui a três anos, ou até antes disso, pior do que nos encontramos hoje.

Está nas mãos dos agentes políticos e dos cidadãos agarrar esta oportunidade de mudança.

Não será fácil mudarmos hábitos instalados, acabarmos com vícios que afectam o funcionamento do Estado, das empresas e dos mercados. No entanto, não temos outra opção.

Cavaco

O que achei [da comunicação de Aníbal Cavaco Silva] é que o senhor Presidente disse que é preciso mudar o engenheiro Sócrates.

Marcelo

A comunicação ao País do Presidente da República foi clara, concisa e mobilizadora. Recusando deixar-se enredar na luta política pré-eleitoral em curso, Cavaco Silva tratou de falar à generalidade dos portugueses na semana em que se conheceram os termos do acordo com a troika convocando-os para o essencial: vai ser preciso “alterar atitudes e comportamentos”, para que esta oportunidade que nos é dada durante dois a três anos possa produzir todos os efeitos necessários, esclareceu através da televisão.

Editorial do DN

Está na hora de mudar

Lema de campanha do PSD

A festa da inocência

No assassinato de Bin Laden a parte menos importante é a da operação militar. Variadas unidades do exército poderiam ter sido usadas, as forças especiais não eram sequer necessárias para cumprir a missão. E até a vexata quaestio da legitimidade e moralidade do ataque letal ao terrorista mais famoso de sempre acaba por ser algo irrelevante perante o real triunfo desta operação: a CIA recupera a sua credibilidade.

O 11 de Setembro e o caso da alegada existência de armas de destruição maciça no Iraque revelaram uma CIA não só incompetente como perigosa para os interesses dos EUA e seus aliados. Pior do que terem provocado uma invasão errada com provas falsas, só se começassem a conspirar para derrubar o Presidente americano, tal o descalabro na sua reputação. Assim tem estado a CIA, humilhada durante quase 10 anos por não conseguir decapitar a al-Qaeda. Renasceu para a glória no dia 1 de Maio, o dia do trabalho.

O que a captura de Bin Laden mostra é uma organização que conseguiu lidar com aquele que é um dos maiores desafios para a sua segurança: o secreto poder militar paquistanês, o qual protegia o alvo mais cobiçado da América. Obviamente, nada poderia ser partilhado com as autoridades de Islamabad antes de se concluir o plano. A guerra contra o terrorismo é também contra quem o apoia ou defende, são outras as regras.

*

Bin Laden não pretendia conquistar recursos naturais, fundar um Estado autónomo ou expulsar um invasor do seu território. Pretendia destruir a civilização. Nada havia para negociar, o compromisso seria impossível. A festa que alguns fizeram pela sua morte, para além de ser uma catarse natural e inevitável, e para além de ser uma manifestação pungente na sua assimetria face ao horror sofrido, é um direito civilizacional – como sempre foi e será – é o direito à inocência.

Para quem quiser conhecer a verdade – repito: a verdade; insisto: a verdade

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Mensagem de felicitações do Presidente da República para os Presidentes das Direcções do Futebol Clube do Porto e do Sporting Clube de Braga
06.05.2011

Presidente Cavaco Silva felicitou José Mourinho, eleito Melhor Treinador do Ano pela FIFA
10.01.2011

Mensagem de felicitações do Presidente da República ao Rei de Espanha a propósito do Campeonato do Mundo de Futebol
12.07.2010

Presidente felicitou treinador José Mourinho pela conquista da Liga dos Campeões Europeus de Futebol
23.05.2010

Presidente felicitou Selecção Nacional, pelo apuramento para a fase final do Campeonato do Mundo
19.11.2009

Mensagem de felicitações do Presidente da República para a Selecção Portuguesa vencedora no Campeonato Europeu de Futebol 7 Special Olympics
11.05.2009

Mensagem de felicitações do Presidente da República para o futebolista Cristiano Ronaldo, Melhor Jogador Mundial FIFA 2008
12.01.2009

Presidente Cavaco Silva enviou mensagem a Cristiano Ronaldo, pela atribuição da “Bola de Ouro” de 2008
02.12.2008

Mensagem de Felicitações do Presidente da República pelo apuramento da Selecção Portuguesa de Futebol para a fase final do Campeonato da Europa de Futebol 2008
É com enorme satisfação que felicito a Selecção Portuguesa de Futebol pelo apuramento para a fase final do Campeonato da Europa que se realizará na Áustria e na Suiça em 2008. Jogadores e a equipa téc…
22.11.2007

Presidente entregou bandeira nacional a seleccionador Luís Filipe Scolari
08.07.2006

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Para se compreender o que significa esta lista, passa por aqui e escreve na caixa Pesquisar, ao cimo na direita, uma palavra ao calhas – por exemplo: pisa. Se quiseres um resultado ainda mais apuradinho, pesquisa por: pisa resultados. E se quiseres encontrar a verdade, só a verdade e nada mais do que a verdade a respeito do que Aníbal Cavaco Silva pensa e disse acerca, por exemplo, do que foi tornado público em Dezembro de 2010, já lá vão seis meses, escreve na caixa de pesquisa esta troika: pisa resultados 2009.

São estes os critérios para o orgulho do actual Presidente da República Portuguesa, eis a puta da verdade.

Good food for good thought

Our ability to predict the future is hindered of course by the nature of the world we’re trying to predict. Too many variables interact in too many unknown ways, producing outcomes too numerous and varied for us to meaningfully measure, process, and interpret correctly. Our ability is also hindered, as Kahneman and Tversky have shown, by the nature of the human brain. Too often we fall prey to the machine’s quirks. We commit the ‘representativeness heuristic,’ forgetting that the odds that something that looks like a duck and walks like a duck and quacks like a duck is actually a duck depends heavily on how many ducks actually inhabit the terrain we’re in. Or we commit the ‘availability heuristic,’ believing that what we can easily imagine — what comes easily to mind — is most common, or most likely to happen.

Yet our poor predictive prowess never seems to reduce our confidence. I challenge you to find one pundit, talking head, expert, or think tank in the last ten years who has uttered the words: “I don’t know” about the future, sincerely, and without qualification. We tend to be as confident about prediction as we are bad at it. Psychological research has shown time and again that your confidence about your prediction is often quite unrelated to the odds of it being accurate. The confidence with which you remember or report something is not related to whether the thing you remember actually happened. When a relationship between prediction and result is found, it tends to be in the direction of overconfidence. For example, as Daniel Gilbert has shown, people routinely overestimate how certain events will affect their future prospects. Most of the things we think will make us very happy tend to make us only slightly happier, if at all. Things we lament as unspeakable catastrophes end up harming us less than expected, or not at all.

Our Murky Crystal Ball
We make predictions even though we are bad at it

E tu, Marcelo? Por onde tens andado?

Marcelo Rebelo de Sousa diz não conseguir perceber o desaparecimento do ministro das Finanças.

“Estranho muito esse desaparecimento durante tanto tempo. Não dá para perceber se é por estratégia, por afastamento, ou por discordância. Em qualquer caso prejudica o primeiro-ministro e o Governo.”

Na mesma ocasião Marcelo elogiou a postura do Presidente da República: “O presidente Cavaco Silva tem adoptado uma posição prudente, reservando-se para o período pós-eleitoral e esperando o momento certo para agir, o que me parece um bom compromisso.”

Fonte

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A situação política de permanente ingovernabilidade, desde a tripla traição de Barroso (traiu o PSD, traiu a governação do País e traiu o compromisso com o eleitorado), explica-se com uma frase: decadência da direita portuguesa. É uma crise estrutural e ideológica, por isso de longa duração. Por um lado, não têm recursos humanos, sangue novo, talentos com menos de 40 (50?) anos. Por outro, não têm visão, ideias, caminho. O resultado, posto que insistem em lutar pelo Poder, só podia ser um: o recurso às tácticas mais hipócritas, insidiosas, difamantes e conspirativas que fossem capazes de montar sem perderem o bom nome ou irem de cana. O modelo supremo desta paupérrima condição é Cavaco Silva, o qual conspurcou a Presidência da República e viu-se premiado com a cumplicidade da elite e mais um mandato. Logo a seguir, vem o doentio Pacheco Pereira, o qual chegou a chafurdar – enquanto deputado e em sede de Parlamento! – nas escutas ilegais de conversas privadas. Saiu delas a dizer que eram avassaladoras e nada mais fez a respeito de tamanha gravidade. Talvez agora lhe sirvam como consolo nas insónias.

Marcelo, contudo, representa a decadência da direita com ainda maior fulgor, precisamente pelo aparato aristocrático com que a esconde sob o brilho retórico individual e colectivo propósito ilusionista. Neste episódio do remoque acerca de Teixeira dos Santos, juntando a sua voz ao coro dos acéfalos, nunca o ouviremos a retractar-se da boquinha que lançou nem a elogiar o Ministro das Finanças por ter estado a defender o interesse nacional exactamente como deviam ter estado todos os agentes políticos: com discrição, trabalho e serviço. Para ele a política consiste nesta guerra morna da vozearia à moda de Cascais e da atoarda compulsiva, a qual basta para lhe garantir a manutenção da sua valiosa marca na indústria da política-espectáculo. Acresce que os ganhos para a sua actividade profissional como jurista deste protagonismo mediático são imensos – não sendo as delícias da vaidade, e mesmo do puro gozo, as benesses de menor importância.

Teixeira dos Santos tem estado desde 2005 ao lado de Sócrates na defesa de Portugal. Ocupa um dos mais complexos e desgastantes cargos, dificuldades aumentadas desvairadamente pelas crises económica e financeira a partir de 2008. Podemos discordar do modo como o fizeram, podemos achar que erraram. Mas não reconhecer que há uma cada vez mais tarimbada força e dignidade na dedicação com que o continuam a fazer – e no que acabam de alcançar para o PEC V – é a prova acabada de que esta direita, na sua impotência, se desligou da sociedade e pessoas que alega compreender e representar. Estão reduzidos a um queixume raivoso onde não confiam em ninguém, a começar por si próprios. Não espanta que poucos, e broncos, sejam os que confiam neles.

Temos pena

Passos Coelho esteve em duas entrevistas televisivas nesta quarta-feira. Não sei quantos votos ganhou com a primeira, se algum. Sei quantos votos perderá com a segunda, um por espectador.

Este homem tem um irremediável e trágico problema para quem meteu no bestunto que é capaz de ser primeiro-ministro: quer agradar. E quer tanto agradar a tantos que basta estar meia dúzia de malucos num estúdio de TV a bater palmas de claque para ele se emocionar, interromper, fazer aquela coisa à cara que se vende em plástico no Carnaval. Quer agradar ao Cavaco, à Ferreira Leite, ao Rangel, ao Aguiar-Branco. Agradou, e de que maneira, ao Nobre. Se pudesse, se o deixassem, se ninguém estivesse a olhar, ia a correr fazer as pazes com Sócrates, dizer-lhe que já passou, não tinha sido nada, era engano. Já passou. Desculpa lá, Sócrates. Desculpa-me. Desculpem.

Eis um político cujo killer instinct, para gáudio e vídeo na campanha, está apontado a si próprio. Penoso espectáculo.