Temos pena

Passos Coelho esteve em duas entrevistas televisivas nesta quarta-feira. Não sei quantos votos ganhou com a primeira, se algum. Sei quantos votos perderá com a segunda, um por espectador.

Este homem tem um irremediável e trágico problema para quem meteu no bestunto que é capaz de ser primeiro-ministro: quer agradar. E quer tanto agradar a tantos que basta estar meia dúzia de malucos num estúdio de TV a bater palmas de claque para ele se emocionar, interromper, fazer aquela coisa à cara que se vende em plástico no Carnaval. Quer agradar ao Cavaco, à Ferreira Leite, ao Rangel, ao Aguiar-Branco. Agradou, e de que maneira, ao Nobre. Se pudesse, se o deixassem, se ninguém estivesse a olhar, ia a correr fazer as pazes com Sócrates, dizer-lhe que já passou, não tinha sido nada, era engano. Já passou. Desculpa lá, Sócrates. Desculpa-me. Desculpem.

Eis um político cujo killer instinct, para gáudio e vídeo na campanha, está apontado a si próprio. Penoso espectáculo.

11 thoughts on “Temos pena”

  1. Eu estive a ver em directo (ambas – mas refiro-me ao “cinco”) e achei piada. Não esteve “à grande”, mas esteve bem…

    (Porra, Val, tu não dormes?)

  2. disse que foi o socrates(?) que denunciou a reunião que combinaram ser secreta, mas esqueceu-se de dizer quem é que encomendou a pergunta à judite, o que respondeu, quem pediu secretismo e porque motivo. o próximo salto do coelho é terem sido enganados por sondagens favoráveis, encomendadas pelo socrates, para derrubarem o governo.

  3. Marco, “esteve bem”? Please, o rapaz é de uma impreparação confrangedora! No início da entrevista agarrou-se à questão culinária (o “pirão” e tal) para ver se se falava menos de política, não fez um único comentário decente sobre Angola quando teve oportunidade (na esperança que, sendo um programa de humor, ninguém notasse) e aquelas caretas de que fala o Valupi mais não eram que insegurança, seguidas de olhares de soslaio para a plateia (“deixa cá ver se respondi bem”); depois, a cena da T-shirt (“dormir à grande” ou “fazer outras coisas à grande”), era completamente escusada (ninguém está interessado em saber ou sequer imaginar o que ele faz com a sua mulher…). Ah! E já nem falo naquele exemplo de um casal que foi para o “interior” do país (Aveiro, esse grande exemplo de interioridade), e que vinha da Moldava ou Moldavia ou lá o que era…

    Enfim, o rapaz até pode ser simpático e um bom compincha para jantaradas e tal, mas PM? Tenham dó, falta-lhe tudo!…

  4. ai que horror, o homem é um desastre: não tem piada, tem pouco sentido de oportunidade, manda bocas foleiras , enfim….

  5. Mónica, o Cinco é um programa de humor, ok? Não sei se costumas ver, mas quem por lá passa é para aquilo. O próprio Nilton disse a certa altura que estava a tentar evitar questões sérias.

    Quanto à região de Aveiro, e falo com toda a propriedade, que vivi lá até há quatro anos atrás, é uma região idiossincrática, entre a agricultura, a indústria comum e a pesca, que já viu melhores dias. O caso em concreto que PPC fala, também conheço muito bem (e é no distrito de Aveiro, não propriamente encostado à cidade), e pode-se multiplicar por imensos exemplos em Portugal: terreno que ficou a monte, abandonado, à espera que se faça alguma coisa por ele. Se não compreendeste o que homem quis dizer – assim como diz muitas vezes Paulo Portas, mas com menos demagogia – sai da tua Torre de Marfim lisboeta e dá um salto ao “Portugal Profundo”, que é tudo o que fica para lá da CREL.

    Por mim, foi engraçado, que é o objectivo do Cinco, e pouco mais. Diga-se de passagem que o Nilton também não é o meu “cinquista” preferido, mas pronto. Para o resto, tiveste a outra entrevista.

  6. Ola Marco, Claro que o Val nao dorme, nao te esquecas que ele faz parte da Frente da Calunia, que usa tecnicas de informacao, desinformacao e contra-informacao, proprias dos Servicos Secretos. E, dado o controle que Socrates parece ter sobre o Futuro, de acordo com o que diz o Lemos Esteves no Expresso, a dita frente esta provavelmente mancumunada com o Maligno. Que, como se sabe, nao dorme…

  7. Marco, se é assim, talvez saibas explicar por que razão o Passos Coelho escolheu a entrevista que deu no tal programa humorístico para revelar que se “vai comprometer a aplicar o memorando de entendimento”, coisa que se recusou a fazer umas horas antes na entrevista política. Não sou eu que o digo, é assim que a imprensa de hoje noticia a coisa.

  8. Qual é o nome daqueles estrangeiros que nos vão governar?

    Aposto que nem 1 em 1000 portugas não sabemos o nome.

    De maneira que vamos ser mandados por anónimos para não reclamarmos de ninguem!

  9. Gostei, principalmente de alguns pequenos deslizes. “… antes de eu mandar na RTP…”, soubemos que é um cozinheiro precoce pois antes dos dez anos já sabia fazer pirão, quando se falava nas sobremesas recordou-lhe a “farinha de pau” !!!!! confessa a páginas tantas que tudo o que consegur recordar é o nascer e o pôr-do-Sol e a cor do céu bem como o cheiro da trerra, também soubemos que Cabo Verde não é África (pois não, mas fica lá garanto-lhe), depois tenta fazer a comparação entre o cheiro da terra em diferentes pontos de África dizendo que em Bissau o cheiro é o mesmo que em Angola (creio que estará a falar de outros cheiros e de lugares mais prosaicos onde, de facto são idênticos, principalmente depois de uma boa feijoada). Mais adiante, diz que devem ser usadas pelos políticos frases e palavras que sejam facilmente entendíveis – talvez por exemplo, mix, cenarização (existe?), congelamento de indexação, utilities e outras de igual hermetismo – afinal tem uma ideia muito aproximada das contas do estado (porque é que terá mandado escrever as cartas, então!), gostei também do deslize sobre os erros cometidos na agricultura no tempo do cavaquismo (pois, às vezes a boca foge para a verdade).
    No fundo, mais uma entrevista para inglês ver como muito bem diz o aforismo popular.

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