Gente que não muda

Cabe-nos demonstrar que somos capazes de aproveitar este tempo difícil e fazer dos compromissos agora assumidos uma oportunidade para mudar de vida e construir uma economia saudável.

O acordo é o sinal mais evidente da necessidade de alterarmos o rumo das políticas e de mudarmos de atitudes e de comportamentos.

De uma forma muito clara, quero dizer aos Portugueses que, se não mudarmos, estaremos, daqui a três anos, ou até antes disso, pior do que nos encontramos hoje.

Está nas mãos dos agentes políticos e dos cidadãos agarrar esta oportunidade de mudança.

Não será fácil mudarmos hábitos instalados, acabarmos com vícios que afectam o funcionamento do Estado, das empresas e dos mercados. No entanto, não temos outra opção.

Cavaco

O que achei [da comunicação de Aníbal Cavaco Silva] é que o senhor Presidente disse que é preciso mudar o engenheiro Sócrates.

Marcelo

A comunicação ao País do Presidente da República foi clara, concisa e mobilizadora. Recusando deixar-se enredar na luta política pré-eleitoral em curso, Cavaco Silva tratou de falar à generalidade dos portugueses na semana em que se conheceram os termos do acordo com a troika convocando-os para o essencial: vai ser preciso “alterar atitudes e comportamentos”, para que esta oportunidade que nos é dada durante dois a três anos possa produzir todos os efeitos necessários, esclareceu através da televisão.

Editorial do DN

Está na hora de mudar

Lema de campanha do PSD

20 thoughts on “Gente que não muda”

  1. é o gajo a dar um empurrãozinho ao outro e a pôr desde já as barbas de molho.
    (olhe se ganha o engenheiro…).

  2. O que eu acho piada é o apelo de Marcelo à autoridade moral de Cavaco. Toda a gente sabe que Cavaco quer mudar Sócrates desde pelo menos 2009, senão desde o episódio do Estatuto dos Açores. Convém lembrar que Cavaco promoveu agora Fernando Lima, o mesmo que não afastou quando este foi acusar o PS através de um ‘jornal de referência’ de estar a espiar Belém. Sócrates chamou a isto um disparate de Verão, o DN revelou a fonte de Belém, o PS ganhou as eleições, José Manuel Fernandes foi dar uma curva, e a coisa ficou por ali. Mas cabe bem lembrar que quando um Presidente Americano espiou a oposição, teve que se demitir para não ser destituído e foi perdoado pelo seu sucessor para não ser processado. Por isso, a acusação de Fernando Lima era bem grave. E o que fez Cavaco? Como dizia o boneco de Marcelo dos Gato Fedorento, que não consegue ser tão criativo como o original: ‘Nada!’

  3. Isto anda tudo ligado, como dizia o outro. E a corda que os ata uns aos outros bem pode ser a malta do BPN e da Coelha. Quero ver onde isto vai parar. Ontem Sócrates pareceu-me muito zangado, em Portimão. Um dia dá um murro na mesa. E bem pode ser depois de aprovado pacote. Quando tudo extremado, até pode chegar à mairia absoluta.

  4. A noite já caíu, sintonizo vários canais e apanho em todos em diferentes horários com o discurso do excelentíssimo presidente onde a palavra mudar é constante.
    Seguidamente, quase todos ligam a Sta. Maria da Feira e mostram a palavra MUDAR escarrapachada no mural.
    Está lá a técnica toda. Não é subliminar é ostensivo e intensivo.
    Dou uma volta pelos comentadores e lá estão os do costume ou umas caras novas a debitar o velho discurso.
    O PR falou bem e é preciso mudar!
    Eu por mim não deixo de estar de acordo.
    É preciso mudar O DISCURSO DESTE PRESIDENTE QUE JÁ SE ESQUECEU DA SUA CONTRIBUIÇÃO PARA ESTE ESTADO DE COISAS. É preciso mudar a pouca-vergonha que se instalou na comunicação social onde os jornalistas falam pela voz do dono e mandam a objetividade às malva. É preciso mudar a oposição que não apresenta medidas mas apenas critica. É preciso mudar esta justiça que nada faz e cada vez perde mais tempo a olhar para o seu umbigo.
    Nós podemos fazê-lo. Haja vontade.

  5. Fidel classificou a morte de Bin Laden como um “assassinato abominável”.

    Gostaria de conhecer a opinião sobre o mesmo assunto dos fãs da Cuba comunista em Portugal, principalmente o bloco louceiro e o partido da ferrugem.

  6. Este discurso é bem a prova da existência de uma clara e inacreditável coligação a concorrer às próximas eleições. Quando pensávamos que já tínhamos visto tudo eis que temos o PSD a concorrer coligado com o Presidente da República. Nem era preciso ter vindo o Marcelo traduzir, penso que até os mais distraídos já perceberam. Nem quando o partido foi liderado por Ferreira Leite o apoio de Cavaco foi tão descarado. Cavaco desta vez não apelou a um entendimento entre os partidos, logo de seguida tivemos Passos Coelho a informar que depois das eleições só estará no Governo o PS ou o PSD, não os dois. É bonito ver este alinhamento dos discursos.

    É verdade que o medo de mais uma vitória de Sócrates é mais do que muito, mas quem diria que Passos Coelho, em tempos visto como o líder que fecharia o ciclo cavaquista e que representaria o corte geracional das elites social-democratas, se renderia desta forma a Cavaco. Passos tem repetido que não quer ser primeiro-ministro a qualquer preço, não se percebe muito bem o que quer dizer com isto, mas o preço desta aberrante colagem ao presidente da república é óbvio que está disponível para pagar. Não se pode portanto dizer que não houve aqui uma grande mudança, mas o verdadeiro lema do partido é o do regresso, regresso ao passado. Se o PSD vencer será o regresso em grande de Cavaco ao Governo.

  7. Concordo em absoluto com a Guida. Penso exactamente que, se o PSD ganhar(???), vamos ser governados a partir de Belém e o Passos vai ser um corta fitas ‘travestido’ de Primeiro Ministro.

  8. Sua Excelência na mensagem de Ano Novo em 2009, ano de eleições legislativas com Manuela ‘Verdade’ Ferreira Leite à frente do PSD:

    “Devo falar verdade.”

    “A verdade é essencial para a existência de um clima de confiança entre os cidadãos e os governantes.”

    “É sabendo a verdade, e não com ilusões, que os portugueses podem ser mobilizados para enfrentar as exigências que o futuro lhes coloca.”

    “Há uma verdade que deve ser dita: Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz.”

    “Não escondo a verdade da situação difícil em que o País se encontra.”

    Se pesquisarmos neste mesmo discurso ‘mudar’, ‘mudança’ ou derivados o resultado é: ‘No matches were found’

  9. Prestar-se atenção ao que dizem o Cavaco e a Maria é funesto, sinistro.
    Até do estrangeiro o mandam calar. Bem fez o PS que ignorou a declaração

    Hoje, o Miguel Portas também disse que o país mudou esta semana.

    Já é preocupante o défice de vocabulário que o país atravessa.
    Isso não será facebook a mais?

  10. Este Presidente há muito deixou de ser o Presidente de todos os portugueses. Desde que assumiu a facção e se apresenta como orientador do PPD, concorre no terreno partidário. Se Socrates ganhar, Cavaco tem de resignar! Assuma-se de vez, homem! Às claras. Ja toda a gente lhe conhece e viu o jogo. Joga assim desde os tempos da Manuela. Da asfixia e das escutas falsas a Belém! Se em Portugal houvesse dignidade presidencial, há muito que o nosso Nixon tinha caído! A BEM DA NAÇÂO!

  11. “ME ESPANTO ÀS VEZES, OUTRAS M’AVERGONHO”. Sá de Miranda
    Que me desculpem os autores e habituais comentadores deste blog, se hoje aqui trago de novo um assunto a que já há dias aludi mas que me parece vir a propósito dos insistentes apelos de Cavaco à mudança. Vejam lá os que me lerem, a rica mudança que nos espera se os apelos de Cavaco forem ouvidos no sentido que ele manifestamente deseja!
    .
    É que não consigo deixar de comentar o que pode levar um intelectual como Vasco Graça Moura a escrever palavras como essas que por aí têm andado e que, de novo, aqui deixo para quem porventura as não conheça.

    Segundo ele, os portugueses não estão à altura do PSD pois têm uma série de defeitos, entre os quais enumera:

    “a natureza calaceira dos portugueses; o seu feitio de incumpridores relapsos; a sua irresponsabilidade nas exigências desenfreadas; o corporativismo imperante nos sectores sócio-profissionais; os péssimos níveis de qualificação escolar e profissional; a iliteracia generalizada e irremediável; uma certa propensão para a estupidez e a crendice fácil que explicam algumas vitórias socialistas;”

    Desejaria não me deixar levar pelos sentimentos, descendo ao mesmo tipo de linguagem que VGM usa e que, sem dúvida, mereceria uma resposta do mesmo nível.

    Gostemos ou não de VGM, o certo é que ele não é nem um intelectual, nem um político nem um homem qualquer. Como intelectual pode gabar-se de ter feito, ao que se diz, a melhor tradução de que há registo da Divina Comédia, tendo também obra poética e em prosa de reconhecido mérito. Como apreciador que sou da obra de José Saramago, não esqueço que VGM, apesar de ser um intelectual da direita, foi capaz de assumir um entusiástico apoio da obra de Saramago quando muitos dos seus pares, por inveja ou por despeito, a isso torceram o nariz!

    Como político e embora isso lhe não confira nenhum especial atributo o certo é que é deputado ao Parlamento Europeu democraticamente eleito por portugueses.

    Bastariam estas referências para ter direito ao nosso respeito. Pois bem, o que pode levar um homem destes a DESRESPEITAR-SE A SI PRÓPRIO desta maneira tão ignóbil, sendo capaz de escrever sobre os seus adversários políticos o que escreveu? Qual é o seu conceito de democracia?

    Aliás, VGM tem fama que vem de longe, de ser um homem truculento e a quem o ódio e raiva cegam com extrema facilidade. Trata-se de uma personalidade com algo de bipolar que tão depressa o faz ser um intelectual urbano e comedido, como o mais reles carroceiro da nossa praça.

    Compreende-se que o homem comum facilmente se deixe cegar pelo ódio, pela raiva e pelo pânico de, por esta ou aquela razão, recear não se concretizem ao seus mais ambicionados objectivos. Mas que isso aconteça com alguém da estatura intelectual de VGM, é algo que transcende a minha capacidade de compreensão e é, seguramente, do domínio do patológico.

    Como homem da cultura, é perfeitamente natural que VGM ambicione o lugar de Ministro de Cultura num qualquer governo da Direita que porventura e para infelicidade dos portugueses venha a existir em Portugal. Pois bem, não vê ele que atitudes destas, além de o desqualificarem como homem e como intelectual o desqualificam também como político e serão, por isso, um sério obstáculo à concretização das suas legítimas expectativas. De facto, qual será o primeiro-ministro, ainda que de direita mas com um mínimo de respeito pelas suas responsabilidades, que não pensará duas vezes antes de convidar para seu ministro da cultura um homem que não teve vergonha de qualificar desta forma os seus concidadãos?!

    Por último e para não descer ao nível de VGM, limito-me a dizer que me parece mais do que evidente, que a sua análise está completamente invertida. À bon entendeur…

  12. Da minha parte só posso agradecer, ANIPER.

    Já de há muito tempo a esta parte me parece que o VGM é a pessoa mais credível para percebermos o que o PSD pensa sobre a sociedade portuguesa.

    Com o mínimo de empenho da nossa parte, facilmente conseguimos perceber qual será o programa que eles se recusam apresentar.

  13. Aniper, O VGM é um franco-atirador, que mais não faz do que mostrar o profundo desprezo que sente por quem é menos do que ele. É claramente um elitista. Duvido que queira ser ministro da Cultura, os intelectuais não são normalmente bons executantes. Já o discurso do Miguel Relvas é muito diferente, porque ele é uma espécie de vice de PPC. Seja como for, a verdade é que na Direita sempre se pensou que devem ser os Professores Doutores a ocupar as cadeiras do Estado (os melhores, como lhes chama Pacheco Pereira). É a teoria dos Reis Filósofos. Essa é mais uma razão pela qual eles não gostam de Sócrates, que consideram um mero Engenheiro Técnico, indigno de ocupar o lugar que ocupa (o António Barreto diz o mesmo, e a verdade é que ele é também um Académico). Eu cá pensava que para se ocupar esse lugar, bastava ser eleito para tal, mas a Democracia é uma chatice naquelas paragens… E mais, quem é que vocês prefeririam para Presidente: o Lula, mesmo com a sua faceta anti-intelectual, um metalúrgico que subiu a pulso e que enfrentou a ditadura, ou um menino do Papá como o Bush, com licenciatura em Yale e MBA, mas que gostava de esconder estes títulos, para se parecer com o Americano Médio?

  14. não estou a ver qual o mal em gente que não muda. eu pouco mudo , quase nada , nadinha , estruturalmente falando. mudo bué de ideias , em consonância com o toflfler e em confronto com a realidade efeitos perversos da agregação de acções individuais de gente que muda cada 15 dias : aqui mudo de estratégias para me ir safando num mundo de cucos à toa.

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