Isto anda tudo ligado

Até onde pode ir o jornalismo? – Estrela Serrano faz a súmula de um gravíssimo caso (um de vários, um de muitos, um que espelha quem o faz e com ele aproveita) que é escandaloso em si e ainda mais escandaloso pelo silêncio de tantos a seu respeito. O Correio da Manhã, uma escola de pulhices, não por acaso é um maníaco perseguidor de quem persegue e um fervoroso apoiante de quem apoia.

Jerónimo o “semi-analfabeto” – José Albergaria, que fala a partir da autoridade atestada pela sua experiência directa do partido e da História, reduz Jerónimo de Sousa a um farrapo. Independentemente do acerto do retrato, afira quem para tal tiver competência, este humilde leitor só pode aplaudir um olhar verdadeiramente original sobre o actual líder do comunismo português. De facto, e vendo o PCP reduzido a fórmulas evangelistas (Mais produção/Melhores salários) sem qualquer ligação à realidade, urge desmontar a farsa que levou à sua cristalização anti-marxista.

Barack Obama — sob o signo do Rei Leão e Bin Laden em video (entre múltiplos e frequentes textos) – João Lopes traz um olhar educado e apaixonado pelas imagens para a análise política, a sua qualidade intelectual quase parecendo alienígena quando comparada com publicistas medíocres que enxameiam o debate público. Nestes dois exemplos, regista dois modos – só aparentemente distintos – de gerir a relação com a comunicação social, seus agentes e seus efeitos. Esta competência transformou-se numa responsabilidade e numa exigência da democracia. Ou seja, a democracia pede um domínio estatal sobre as forças mediáticas sob pena de não se realizar na sua plenitude ou ficar mesmo ameaçada. Esse domínio começa por ser legal e regulador, logo no garantir constitucionalmente a liberdade de expressão, mas é ao nível disciplinar que se coloca o maior desafio para os Governos. Quem não souber lidar com as imagens, não saberá lidar com as ideias.

5 thoughts on “Isto anda tudo ligado”

  1. Depois das famosas “escutas de Belém”, levadas a cabo pela gente do mais alto magistrado da nação, já nada me estranha. Os maiores crimes neste país, contra as pessoas ou contra as instituições, passaram a ser impunes, desde que há meia dúzia de anos o poder judicial, o poder económico e o jornalismo deram as mãos para actuarem em conluio contra quem muito bem entenderem, para atingir os seus objectivos. A extrema direita apoderou-se efectivamente do país e só a nossa integração na UE impede que transformem isto numa republica latino-americana dos anos setenta ou oitenta. A chamada classe politica da extrema direita, que já toda a direita, encontrou na extrema esquerda do PCP e no BE um aliado fiel que calou, consentiu e colaborou activamente neste descer ao inferno da indignidade, chegando mesmo a presidir a “plenários” das comissões de inquerito parlamentares, não tendo o menor pudor em devassar a vida privada dos seus adversários politicos, assaltada por escutas levadas a cabo por magistrados dignos da Santissima Inquisição.
    A História não pode esquecer isto. Passou impune, mas nâo escapará ao juizo dos nossos filhos, como a Santa Inquisição não ficou.
    O caso que o Valupi relata acerca de Edite Estrela é o exemplo acabado da impotencia das vitimas perante os novos inquisidores travestidos de magistrados, jornalistas, empresários endinheirados e politicos da extrema esquerda e da direita. Sem esquecer que até a Presidência da República do momento se avacalhou.

  2. ele ha cada uma…atao a democracia para sobreviver tb precisa de censura ? porque e isso que se diz aqui. liberdade de expressao so aquela que os “mediadores” acharem que nao poe em causa o seu estatuto…ta bem, abelha.

  3. O escritor cubano Juan Wilfredo Soto foi há quatro dias preso e espancado pela PIDE cubana, acabando por morrer ontem num hospital devido a… pancreatite. Ora cá está um verdadeiro “assassinato abominável” – a expressão há dias usada por Fidel para se referir à execução do carniceiro bin Laden.

  4. “Até onde pode ir o jornalismo?” é uma boa pergunta à qual acho que terão que ser os próprios jornalistas a responder. Os bons, os sérios, os verdadeiros profissionais não podem pactuar com isto . Denunciem até que a ‘voz vos doa’. As pessoas vão acabar por perceber quem são os profissionais e distingui-los dos outros,os jornaleiros. Neste momento temos que perder o medo de enfrentar esta gentinha sem escrúpulos.

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