O amante de Sócrates

Não existem oradores mais insuportáveis do que a maltósia do Bloco de Esquerda. Até no PCP e no CDS, se procurarmos com tempo e paciência, encontramos quem se oiça com agrado; ou no Partido de Todos os Portugueses, aposto. Mas não se aguenta o matraquear canino de Francisco Louçã e Ana Drago, ou a sobranceria irrisória de Fernando Rosas e João Semedo, ou o contágio depressivo de Luís Fazenda e Helena Pinto. O mesmo problema com os satélites mediáticos, Daniel Oliveira e Joana Amaral Dias, que estão sempre num registo hipertenso e belicoso, numa gritaria que não conhece descanso. Fazem das suas intervenções, por mais insignificante que seja a matéria ou ocasião, uma ideológica questão de vida ou de morte. Precisam de acreditar que estão a exibir a sua irredutibilidade ao adversário de forma peremptória, fatal. Com eles não há negociações nem se fazem prisioneiros – ou seja, não se dialoga nem se constrói a democracia. Não reconhecem interlocutores para partilha de responsabilidades e projectos, só vêem trafulhas à sua volta. Por isso a vitória tem de ser obtida a cada locução, a cada frase, através do poder mágico das palavras. Caso fracassem e deixem de se fazer ouvir, não resta mais nada para alcançar. A luta chegará ao fim quando se apagarem os holofotes e o público dispersar, este partido é um espectáculo.

Louçã abriu a VII Convenção do Bloco de Esquerda com um discurso dirigido a Sócrates. Mas a qual Sócrates? Àquele que discursou na abertura do XVII Congresso Nacional do Partido Socialista – nem mais, nem menos. Foi de tal forma uma resposta directa a esse preciso momento que Louçã glosou expressões nele proferidas e acabou em registo de citação literal, fazendo um pasticho ao modo como Sócrates terminou o seu discurso. Quer este número patético dizer que Louçã vive num mundo minúsculo onde apenas o que o actual Secretário-Geral do PS diz, e como o diz, lhe desperta o entusiasmo. Por isso se esfalfa na comparação, assoberbado no afã de mostrar-se superior aos dotes retóricos e oratórios de quem, afinal, o assusta e fascina.

Os aplausos da praxe que recebeu, depois de um exasperante lençol proclamatório de vacuidades e demagogia, são a prova de que o Bloco está rendido à sua paixão.

11 thoughts on “O amante de Sócrates”

  1. Foge, o que é que o Francisco Louçã tera dito de tão certeiro que te tenha posto neste estado ? Agora não tenho tempo, mas logo mais à noite, sou capaz de ir à procura do tal discurso. Eu que até tinha perdido completamente a esperança de que o homem pudesse estar a dizer coisa com coisa, agora fiquei curioso…

    So aqui entre nos, trabalhas em publicidade, certo ?

  2. è que Louçã sabe perfeitamente que grande parte das suas hostes vieram do PS, e a lá regressarão em breve, pois valores muito altos de alevantam!

  3. E tiveram mais uma vez que se colar ao PSD. Acordos com o PS? Talvez, desde que não esteja lá o Sócrates. Que falta de imaginação. Que mediocridade confrangedora.

    Deve ser a paixão que os deixa aparvalhaçados.

  4. O Francisco Anacleto ainda não recuperou da sova que levou de Sócrates no debate televisivo para as eleições anteriores, daí a fixação no homem e esta relação de amor/ódio …

  5. Já está esclarecido.

    Ao Xico apetece-lhe muito puxar o Coelho pela gravata e olhos nos olhos confessar: estás diferente, é a merda desse champô.

  6. “insuportáveis”, “maltósia”, “matraquear canino”, “sobranceria irrisória”, “gritaria”, “número patético” e “exasperante lençol proclamatório de vacuidades e demagogia”. E isto foi aquilo com que, num pequeno texto, Valupi, o blogger que mais adjectivos desbarata em qualquer vacuidade que escreva, nos brindou. Para falar do “registo hipertenso e belicoso” dos outros. Mesmo que assim seja, nem com muito esforço chegariam aos calcanhares da sua histeria permanente. Nem sei como aguenta.

  7. Daniel, “mesmo que assim seja” ou mesmo como é? Tens sentido de autocrítica, certo? Sei que tens, mas és um excitadinho e isso não faz nada pela qualidade da tua argumentação. És excitadinho por desleixo, folclore e adolescência serôdia. Talvez por isso também de ti não venham contributos para o diálogo à esquerda, ou não os suficientes, preferindo tu alinhar nas campanhas de assassinato de carácter daquele que o PS quer à sua frente.

    As minhas vacuidades são à borla. As tuas, quanto rendem?

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