Que é que fez Eduardo Catroga? Só montou ruído, fez ruído em cima de ruído e mais ruído. Foi a história da cerveja a 23%. Depois foi contar – uma coisa que fica pessimamente, pessimamente – histórias particulares, conversas privadas, que teve com Manuel Pinho e outros. Uma coisa horrível. Contradição na questão do IVA que embaraçou, e muito, Pedro Passos Coelho; ele dizia que ia acabar a taxa intermédia e Passos Coelho teve que vir dizer que não e depois dizer outra vez que não. E acabou com uma das cenas mais indignas dos últimos anos na democracia portuguesa, que foi a comparação, ou a espécie de comparação, entre Hitler e José Sócrates, a insultar as pessoas que votaram… […] Quer dizer, nós não podemos vulgarizar, não podemos vulgarizar, palavras e homens como Hitler, como Staline, como Mao Tsé-Tung. Não podemos fazer essas comparações, porque não são viáveis, porque não são sérias. E esse tipo de discurso dentro do espaço público é a pior coisa que pode acontecer. Isto não pode acontecer. Isto num aspirante a político era muito grave, muitíssimo grave. Num político experimentado como Eduardo Catroga é incompreensível e sinistro. Acho sinistro.
Quando ouvi isto, eu esperava que Pedro Passos Coelho viesse dar uma conferência, ou falasse e dissesse — Olhem, nós estamos muito gratos ao Dr. Eduardo Catroga, ele fez um excelente trabalho no programa, tem sido um excelente colaborador, mas a partir de agora está afastado, pelo menos durante bastante tempo, do Partido Social Democrata e de falar em nome do partido. […]
[…]
Eu gostava de ter visto a classe política unida neste ponto, gostava que tivesse havido um repúdio geral. E as primeiras pessoas que eu gostava que tivessem repudiado isto eram os líderes do PSD. […]
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Perguntas complicadas
Prioridade do BE: nacionalizar a Apple
6.1. O problema de Portugal é a sua burguesia. O objectivo do socialismo é derrotar os donos de Portugal.
Moção de orientação A, cujo primeiro subscritor é Francisco Louçã, aprovada na VII Convenção do BE
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Como toda a gente sabe – refiro-me àquela gente que aceita com grande sofrimento ir à televisão iluminar o povo com os seus palpites e humores – Sócrates perdeu o debate com Louçã por causa de uma carta inexistente. Todavia, apesar dessa derrota indesmentível, ainda conseguiu dizer ao interlocutor que ele era responsável pela vinda do FMI, que ele tinha sido uma muleta da direita, que a sua desejada reestruturação da dívida acarreta desgraças económicas colossais e que as promessas de nacionalizações são pura fraude. Last but not least, Sócrates trouxe para a ribalta uma passagem do actual programa politico do BE que estaria condenada a passar ignota para a posteridade.
De facto, se aquele eleitorado urbano, jovem, socialmente sofisticado e profissionalmente integrado, mas politicamente iletrado, que tem votado Louçã já desde os tempos do PSR por adesão impulsiva ao protesto ou genuína esperança de alternava lírica à esquerda, soubesse no que se estava a meter, tivesse noções básicas de História e ciência política, jamais o BE teria sequer entrado no Parlamento, quanto mais ter conseguido ser uma réplica do PCP para o boicote à governabilidade e à democracia, aumentando ainda mais a disfuncionalidade político-social da esquerda portuguesa. Ocasião, pois, para um passeio à origem da retórica marxista contra a burguesia*.
Seis anos negros
Temos que nos livrar destes seis anos negros do PS e olhar para a frente.
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É possível que um dia, num futuro próximo ou longínquo, Passos venha a entender que a repetição desta frase lhe dá um voto por cada cinco que perde. É possível que, depois das eleições, um amigo, ou um estranho caridoso, lhe explique que os portugueses não são assim tão broncos como ele pretende. É possível que a própria imagem fantasmagórica dos tais seis anos negros, que algum desmiolado do PSD inventou para a campanha, o atormente e persiga nos sonhos.
É possível, mas não é certo.
Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares
Sexy Clothes — Too Much, Too Young: Study Reveals That a Significant Proportion of Young Girls’ Clothing Is Sexualized
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Personality Affects How Likely We Are to Take Our Medication, Swedish Study Finds
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Breastfeeding leads to better behaviour in children, researchers claim
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Coffee Reduces Breast Cancer Risk, Study Suggests
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Twinning Is Winning: Moms of Twins Live Longer, Study Finds
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On 9/11, Americans May Not Have Been as Angry as You Thought They Were
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Musical Experience Offsets Some Aging Effects: Older Musicians Excel in Memory and Hearing Speech in Noise Compared to Non-Musicians
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If You Get Along With Your Co-Workers You May Live Longer, Researchers Find
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Pooh, Peter Rabbit & Clifford: Males Dominate Children’s Books
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The Pain Of Ostracism Can Be Deep, Long-Lasting
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From Legal Defense to Rallying Cry: How ‘SlutWalks’ Became a Global Movement
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Whales Have Accents and Regional Dialects: Biologists Interpret the Language of Sperm Whales
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Forty-eight women raped every hour in Congo, study finds
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The Ties That Bind: Grandparents and Their Grandchildren
Sondagem
Castilho não gosta, Passos altera
Tal como diz Pedro Adão e Silva, alguém tem de ajudar o PSD a acabar a campanha com dignidade. Se o eleitorado votasse maioritariamente a partir de um qualquer centro psíquico racionalizador, então este episódio (entre tantos outros, sabemos) chegaria para colocar o PSD atrás do CDS a 5 de Junho.
A cena, para quem pretende ser líder partidário, é fatal.
Ficou esta ideia
Os finlandeses, esses simplórios
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Teve justo sucesso a peça mui bem esgalhada de promoção da marca Portugal lançada no encerramento das Conferências do Estoril. E sucesso entre portugueses, a quem se dirigia inconscientemente num lapsus video que Freud não precisa de maçar-se a explicar, pois nós compreendemos bem que algumas daquelas informações, mesmo trabalhadas como discurso humorístico, não são do conhecimento público nacional ou nele não encontram memória, nem celebração, nem imaginário. Daí, estarmos perante um falso título, cuja versão original se lê em palimpsesto: O que os portugueses precisam de recordar acerca de si próprios.
Uma das provas de que o filme se estava a marimbar para os finlandeses consiste na ausência de qualquer referência ao facto de termos Portugal, enquanto nome e património histórico, associado a um dos mais importantes fabricantes de relógios de luxo: IWC Schaffhausen. A sua colecção mais valiosa e reputada chama-se Portuguese. E um dos modelos da família leva a extraordinária designação de Portuguese Grande Complication. Extraordinária porque descreve uma característica técnica desse relógio relativa ao número de funções que desempenha (quantas mais complicações, mais complexo e raro é o relógio), e extraordinária porque se aplica na perfeição ao tempo que vivemos e ao povo que somos quando toca a ter de assumir responsabilidades colectivas.
Os finlandeses, excelentes rapazes e ainda melhores raparigas (são gostos, calma), não têm nada que consiga rivalizar com esta opulência lusitana que inspira os suíços e se passeia no pulso de milionários dos sete mares. A vulgaridade dos seus Nokias provoca-nos uma homérica gargalhada e revela-os como simplórios que são, ignaros do fausto a que se pode chegar após 8 séculos de grandes, enormes, complications.
Ciclo Eduardo Catroga – Poesia para as massas
Adorna hirsuto ríspido pentelho
Os ardentes colhões do bom Ribeiro,
Que dão duas maçãs de escaravelho,
Não digo na grandeza, mas no cheiro:
Ali piolhos ladros tão vermelho
Fazem com dente agudo o pau leiteiro,
Que o cata muita vez; mas ao tocar-lhe
Logo o membro nas mãos entra a pular-lhe.
Estrofe de Ribeirada – poema de um só canto
Há sempre quem goste de baralhar aquilo que é simples
Louçã – Eu queria ter aqui já uma conversinha sobre a questão da Segurança Social. […] Mas olho para o que o PS aprovou, e pró que está no documento da troika, e vejo que até Outubro vai ser proposto uma nova proposta sobre a Taxa Social Única. Mas vejo mais, Eng. Sócrates. O que eu olho é quando vejo a carta que o Governo escreveu ao FMI, que ninguém citou até agora, eu vou-lhe citar. A carta é do Governo, não é do FMI, e não é da troika, é do Governo. […] Eu queria saber como é que vai ser paga essa proposta que o senhor se comprometeu na sua carta ao FMI.
Sócrates – […] Aquilo que o Governo negociou com a troika está no Memorando de Entendimento e nada mais. […]
Louçã – […] O que o Eng. Sócrates diz é que está um memorando da troika que afirma uma posição. Certo.
Sócrates – É a única coisa que estabelecemos.
Louçã – Mas estabeleceu mais. É que fez uma carta do Governo, assinada pelo Ministro das Finanças. Eu tenho-a aqui, vai-me desculpar… […] mas é o que o Eng. Sócrates escreve na carta, uma grande redução, a major reduction… […]
Sócrates – […] e nessas fórmulas que o Francisco Louçã leu, que são igualzinhas às que estão no Memorando […]
Louçã – Aqui diz que é uma pequena redução, na carta que escreveu diz que é uma grande redução. Está escrito na carta.
Sócrates – É o que está no memorando, não é a carta.
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Segundo o ministro da Presidência, nesse debate, quarta-feira, na SIC, Louçã confrontou o primeiro-ministro com um dado falso: uma suposta carta escrita pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, ao FMI com compromissos adicionais sobre redução da taxa social única.
“O truque [de Francisco Louçã] foi o de procurar sugerir que [os excertos que lia] não estavam no memorando estabelecido com as instituições e que se trataria de uma coisa escondida – essa ideia é falsa. O que o dr. Francisco Louçã leu não foi carta nenhuma e apenas leu o memorando estabelecido com o FMI e com as outras instituições internacionais”, contrapôs Pedro Silva Pereira.
Em conferência de imprensa, Luís Fazenda contrapôs que Louçã confrontou isso sim o secretário-geral do PS com o que está escrito no ponto 39, página 12, do memorando económico e financeiro subscrito pelo Governo (e pelo PSD e CDS) no acordo de assistência financeira a Portugal e que, segundo o Bloco de Esquerda, constitui “uma carta de garantia” ao FMI.
Interrogado sobre como se gerou o equívoco de que Francisco Louçã se referira a uma carta desconhecida escrita alegadamente pelo ministro das Finanças ao FMI, Luís Fazenda respondeu que “há sempre quem goste de baralhar aquilo que é simples”.
Great minds think alike
I have tried to avoid writing about Darren Aronofsky’s pirouetting parody Black Swan, but, having been a professional ballet dancer for George Balanchine, I keep getting asked what I think of the movie. And now that it has garnered a huge audience, numerous passionate fans and five Oscar nominations, it is time to put on my toe shoes, wrap my ribbons, paint on my four-inch black eyebrows, lace-up my wet-tutu suit and take a grand jeté into Aronofsky’s swamp. I mean lake.
[…]
One hundred and eight minutes later, as the movie ended, the friend I took — not a dancer — turned to me and asked in all seriousness, “Was that supposed to be camp?” There, on the screen, was a beautiful, bleeding-into-her-tutu Portman as the White Swan, uttering those portentous dying words: “Perfect . . . It was perfect.” As a dancer, I have never been so perfectly insulted.
DN, um exemplo no combate à crise
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O jornalismo do DN também vive as agruras da crise. É por isso que se mostram muito económicos, muito poupadinhos. Veja-se esta fotografia acima, tirada no dia 8 de Maio aquando da apresentação do programa do PSD. Por sorte, espectacular acaso, o fotógrafo conseguiu apanhar o homem e o slogan num feliz enlace. É o três em um: Passos, PSD e campanha. Faria algum sentido desperdiçar este boneco tão bem composto para, sei lá, usar antes fotografias que retratassem a actualidade e, portanto, fossem obtidas nos locais onde, supostamente, as notícias referem que os acontecimentos respectivos, alegadamente, tiveram lugar? Sentido algum, para mais numa crise destas; terrível, terrível. Assim, o facto de Passos Coelho ter dito não sei o quê não sei onde é indiferente para o DN desde que se continue a usar a mesma foto, ou variantes. É que ter de andar sempre a disparar a máquina fotográfica por dá cá aquela declaração, aquela conferência, aquele encontro, isso é irresponsável, é uma loucura, é pós ricos. Os ricos que tirem fotos, mas não venham chatear a malta do jornalismo de referência com as suas manias e vícios.
No DN reina uma feroz política de controlo de custos e redução da pegada ecológica. Os coelhos agradecem.
Um Coelho no País das Maravilhas
Esta notícia fresquinha – Portuguese Software Enables Automatic Analysis of Mammograms – serve de aperitivo para o texto da Palmira.
Catroga, pá, vais curtir esta, ó bacano
Sondagem
Perde-ganha
Louçã, faltavam 13 minutos para acabar o debate com Sócrates, exclamou que tinha finalmente percebido qual era a estratégia do seu adversário para esse páreo: não responder. Mas, ao dizer essa inócua banalidade, estava simultaneamente a espelhar a sua natural e inevitável preocupação: ter uma estratégia vencedora, não voltar a perder.
A estratégia de Louçã consistia em demonstrar que Sócrates, mais o seu Governo, mentia. E mentia numa área onde o BE vende o seu peixe: a Segurança Social. A mentira parecia indesmentível, estava escrita numa carta. Dizia: grande redução na Taxa Social Única. Toma lá. Toma lá 20 dos 50 minutos disponíveis. A defesa de Sócrates consistiu em remeter para o acordo assinado com o FMI, confirmar a necessidade de reduzir a TSU, informar que tal carece de estudo dentro de três opções possíveis, e diferenciar-se do PSD nessa matéria quanto ao modo e dimensão do corte a efectuar. À denúncia baseada na semântica, Sócrates respondeu com factos relativos à pragmática.
Teoria do clique
PSD aumenta vantagem sobre PS, indica Barómetro
A excelente prestação política de Passos Coelho, a superior qualidade da sua equipa, o magnífico programa que pacientemente elaboraram, tudo isso mais as saudades de vermos Portas como ministro, levaram o Barómetro a registar uma justíssima subida da direita. PSD e CDS juntos obteriam maioria absoluta, e até Cavaco recupera a sua popularidade.
Não fosse a teoria do clique que Relvas criou, seria motivo para algum alívio no palacete da Lapa.
F-se! #ILoveSocrates
Louçã prolongou a onda epistolográfica inaugurada pelo Catroga e levou uma carta para o debate. Era uma carta de amor, por isso não se conseguiu afastar dela. Ora, se esta campanha se resume a esse género literário, eis mais uma razão para irmos a correr ter com a De Puta Madre.

