Perde-ganha

Louçã, faltavam 13 minutos para acabar o debate com Sócrates, exclamou que tinha finalmente percebido qual era a estratégia do seu adversário para esse páreo: não responder. Mas, ao dizer essa inócua banalidade, estava simultaneamente a espelhar a sua natural e inevitável preocupação: ter uma estratégia vencedora, não voltar a perder.

A estratégia de Louçã consistia em demonstrar que Sócrates, mais o seu Governo, mentia. E mentia numa área onde o BE vende o seu peixe: a Segurança Social. A mentira parecia indesmentível, estava escrita numa carta. Dizia: grande redução na Taxa Social Única. Toma lá. Toma lá 20 dos 50 minutos disponíveis. A defesa de Sócrates consistiu em remeter para o acordo assinado com o FMI, confirmar a necessidade de reduzir a TSU, informar que tal carece de estudo dentro de três opções possíveis, e diferenciar-se do PSD nessa matéria quanto ao modo e dimensão do corte a efectuar. À denúncia baseada na semântica, Sócrates respondeu com factos relativos à pragmática.

Louçã não tinha mais nada na manga e mostrou-se satisfeito com a sua prestação. Às questões seguintes respondeu com displicência, sem chama. O trabalho estava feito. Um trabalho que o puxou para uma linguagem técnica, o despejar de referências que levaram o espectador não especialista a perder o interesse por ser incapaz de seguir os raciocínios, tendo como finalidade a transmissão de uma única mensagem: Sócrates mente e eu consegui provar onde. Está tudo aqui na carta, é só ler.

A SIC-N reuniu Maria João Avillez, Sarsfield Cabral e Ricardo Costa, três clones do anti-socratismo, para botarem faladura acerca do debate. Foram unânimes: Louçã ganhou, sem dúvidas. Ganhou, explicaram eles prestimosos, porque… porque… hã… porque esteve muito bem ao pressionar o Engenheiro nos tais 20 minutos iniciais… sim, senhor… muito bem… ali a morder-lhe as canelas e a não largar! Foi então que a Maria João não se conteve e deu-nos a conhecer a sua dissonância cognitiva. Consistia nisto: apesar de Louçã ter ganhado o debate, inquestionavelmente, Sócrates tinha conseguido mostrar que a reestruturação da dívida, a principal bandeira do BE para estas eleições, era uma promessa que conduziria o País à total e abjecta ruína. Mais acrescentou que Sócrates tinha estado bem ao mostrar a contradição de pretender levar a cabo nacionalizações sem ter qualquer dinheiro para elas. Por fim, frisou que Sócrates tinha estado bem, mesmo bem, muito bem, ao deixar claro que as propostas do BE são inconcebíveis e não encontram ponto de apoio na realidade.

Quase se diria que, para a Maria João Avillez, Sócrates tinha ganhado o debate com larga folga, não fosse o minúsculo pormenor de o ter perdido por imperativo do ódio.

34 thoughts on “Perde-ganha”

  1. Pois eu achei que Louçã esteve péssimo. Com os olhinhos a faiscar, tira uma carta da cartola, como uma grande revelação, para deslumbrar, uma bomba, mesmo, mas, vai-se a ver, e se bem se percebeu, a carta não diz nada de muito diferente do que diz o acordo e, mesmo que dissesse, é o acordo com a troika, e não a carta, que vincula o governo e que levou a assinatura dos partidos do chamado arco da governação. Além disso, é completamente estúpido querer fazer passar por crime a vontade expressa de reduzir a TSU para as empresas, tendo-se expressamente em conta que tal seja feito à medida que haja folga orçamental e depois de estudadas as compensações de entre várias alternativas. Qual a grande revelação de Louçã, pois, à parte o número de circo?
    Depois, levou um baile. Não tem programa, mas critica o dos outros; chumbou o PEC IV, sabendo que tal conduziria à ajuda externa e agora critica essa mesma ajuda; recusou reunir com a troika e agora critica os termos do acordo; quer reestruturar a dívida, mas não quer sair do euro; quer nacionalizar tudo, mas sabe que não há dinheiro; quer nacionalizar tudo, mas alia-se a partidos que querem privatizar tudo; afirmou em 2009 que a perda da maioria absoluta do PS facilitaria o diálogo à esquerda e foi o que se viu; utiliza nos documentos da passada Convenção termos como o combate à burguesia; não consegue perder a voz de diácono e de moralista; contribuição para a resolução dos problemas do país, zero.

  2. Por falar em dissonancias, gostei de ver o Loucã, que pelos vistos quer acabar com os burgueses, não obstante, ia munido de um símbolo da burguesia. Então não é que os gajos gastam o latim a propor a obrigação de software livre à Administração Pública, no entanto, dá estes exemplos usado produtos duma empresas que comba com todas as forças o software livre. Bem prega ……

    A avilez chega a dar pena.

  3. Ha aqui, julgo, uma confusãozinha, que ja veio do debate com Portas…

    Este e Louçã, não são putativos candidatos a PM, ao contrario de PPC e JS…

    serão assim, quando muito, candidatos marginais a umas graçolas marginais, que no dia seguinte ja ninguem se lembra….

    o real debate é todos os dias, e tambem no dia 20, entre PPC- katroga e kavacu, contra JSocrates e PS…

    alem do mais, …

    fico-me por aqui…
    abraço

  4. Achei o Sócrates cansado e com ar aborrecido de ter de aturar imbecilidades. Foi a imagem mais forte que me ficou, sinceramente. O Louçã está em declínio acentuado.

  5. Olá, pelos vistos não perdi muito, pois não vi o debate pois algo mais importante chamava a minha atenção e onde estavam presentes três gerações e todas com um nome comum.
    Quanto aos comentaristas de serviço, nem valerá a pena falar, pois já sabemos que o Sócrates vai perder todos os debates, pelo menos, são esses os seus (deles) desejos.
    É o jornalismo à portuguesa…

  6. Havia um programa de televisão na ex-RDA chamado “Der schwarze Kanal” (o canal negro, numa tradução literal) que prestava o valioso serviço de traduzir para os cidadãos da RDA o que é que se passava na decadente e capitalista RFA. Não, não vos estou a comparar com o dito programa, porque seria injusto e insultuoso. Parece-me é que a realidade vos chega através de um filtro muito particular, de um qualquer “schwarze Kanal”: Louçã tomou a rédea e conseguiu dominar cerca de 20 minutos do debate com o tema TSU (no qual, na minha opinião, Sócrates não conseguiu explicar a contradição de porque é se o PSD reduz a TSU é mau, mas se for o PS já é bom porque está a honrar o compromisso com a troika). No restante tempo, as vacuidades e generalidades habituais de Sócrates. O único momento em que este brilhou foi com a questão do programa do BE, ou melhor, ausência dele. Sem deixar de ser verdadeiro – e de ter razão – o número não era original. Em suma: pouco e fraco.

  7. Sócrates tem toda a razão em criticar a falta de programa do BE e isso só por si é logo meia derrota para o Louçã. Seja como for, ao contrário do que acontecia na última campanha, Louçã e o Bloco estão em queda abrupta, neste momento ninguém acredita que haja grande fuga de votos do PS para o Bloco, pelo contrário, e pareceu-me que Sócrates não quis dar a Louçã mais importância do que aquela que ele tem na realidade, e é pouca. Aposto que em determinadas alturas Louçã se sentiu frustrado por Sócrates não se ter entusiasmado mais com a discussão como é seu hábito, e se isso interessava ao líder do Bloco. Sócrates mostrou-lhe claramente que jogam em campeonatos diferentes e não esteve para lhe alimentar o ego.

  8. Mas isso era claro desde o início e por isso Louçã foi eficaz no desgaste (e pela mesma razão o não foi no debate de 2009).

  9. João Dias, essa jogada da carta foi tão imbecil que, de facto, era difícil qualquer resposta. Que o governo se comprometeu a considerar a redução da TSU é sabido, está no Memorando de Acordo, assinado também pelos outros dois partidos. Pelos vistos também constava dessa carta. So what? Está previsto para 2012. O que Sócrates respondeu passada a surpresa com a suposta “bomba” que afinal era “não bomba” é o que planeiam de facto fazer: reduzir essa taxa gradualmente e à medida das condições orçamentais e, em função das mesmas, escolher a melhor de 3 alternativas de compensação de receita. Nem seria já, nem em força.
    Ora isto é o que pretende o PSD: baixar já 4pp a TSU tapando o buraco aberto com o aumento do IVA, ou eliminando o escalão intermédio, não se percebeu ainda bem e essa é uma das polémicas e das trapalhadas.
    Para além de achar, como já disse, que a segunda parte foi destruidora para o Louçã, concordo com o Vega em que Sócrates mostrou estar completamente farto e cansado de aturar imbecilidades e números circenses de quem está na política como numa plateia: a assistir e a gozar. Os outros que metam mãos à obra. Sobretudo em períodos historicamente difíceis, há pouca paciência para radicais académicos anti-capitalistas que usam i-Pads.

  10. Penélope, os compromissos assumidos com a troika não são para diluir na legislatura à medida das necessidades; e o que consta é uma aposta forte na descida da TSU. Depois podemos discutir o que é que “forte” significa, mas pelo menos que é o antónimo de fraco parece-me claro…
    Além de que acho que o pretenso – e aparentemente desculpável – enfado de um candidato com as perguntas que lhe colocam é sinónimo de arrogância, na melhor das hipóteses, e de falta de espírito democrático, na pior.
    Faz parte das regras do jogo debater e responder a perguntas; se o interlocutor acha que são imbecis tanto melhor porque assim consegue brilhar. Ora não foi isso que aconteceu.

  11. a carta do teixeira dos santos exibida por louçã é um documento das negociações supostamente confidenciais. se for falsa ou amanhada tipo gráfico do portas pode considerar-se batota normal do louçã, caso seja verdadeira demonstra falta de fiabilidade para desempenhar qualquer lugar de governação.

  12. E donde é que saiu essa peregrina ideia de que se tratava de um documento confidencial?!
    É que se era, então Sócrates esteve ainda pior no debate do que eu julgava por não ter esgrimido esse argumento.

  13. Desculpem lá, mas o debate já começou desequilibrado. Isto porque puseram um secretário geral à conversa com um coordenador, já por si, aparenta existir aqui alguma desigualdade.
    Dai que a penélope não tenha percebido que a tentativa subliminar do Louçã, não foi ostentar o seu IPAD, mas sim dizer ao Sócrates que não usa Magalhães, como quem diz:
    “o meu é maior que o teu, por um pintelho…” – desculpem mas já adoptei a expressão,se o dizem na TV também o posso escrever.

  14. oh dias! peregrino é o futuro do bloco e para o 13 de maio já vão atrasados. para quem não governa, nunca governou e nem governará não há segredos, deve ser tudo feito com o conhecimento do povo e de preferência na praça da ribeira em horário de expediente, classificação de documentos, confidencialidade, segredos de estado, é tudo corrupção e aldrabice. quanto a veracidade dos documentos é difícil levar o notário e a brigada de investigação para os debates, mas haverá sempre alguém que descobrirá mais tarde, sem apagar o efeito imediato que a coisa teve. ora pensa lá só um bocadinho, porque é que portas e o loução parecem umas varinas a dizer que o socrates mente e vivem obsecadas em apanhar e fabricar contradições? tá bom de ver, queres exemplos?

  15. João Dias, “Não foi isso que aconteceu”, dizes tu. Foi precisamente o que aconteceu: brilhou a bom brilhar toda a inutilidade de Louçã e do seu partido e também a opção por ajudar, mais uma vez, o PSD.
    Em matéria de enfado, o que sobressaiu das palavras de Sócrates foi o seguinte: o que faço eu, governante, aqui com um tipo destes, sem programa, sem responsabilidades, sem vontade de as vir a ter, um contestatário de meia tigela? É que, repara, a propósito da reestruturação da dívida – achas que o primeiro-ministro, mesmo que colocasse ou estivesse a ponderar tal hipótese, alguma vez poderia vir dizê-lo em público, neste momento altamente sensível da Europa? Nenhum governante o faz, pelo menos enquanto os quadros subsequentes não estiverem totalmente claros! Aliás, há sempre matérias que um primeiro-ministro tem forçosamente de reservar, como também já alguém disse lá atrás.
    Portanto, os números do Louçã não passam disso mesmo, números de um irresponsável, e penso que isso ficou bem visível.

  16. Caro João Dias,
    desculpe lá mas parece que quem está a ver o Tal Canal é você, meu caro.
    O que está na carta, e é público, fala-se numa redução das contribuições patronais para a segurança social e que a medida seria vista quando da primeira análise à evolução das contas públicas. Mas, há três condições que deverão ser verificadas em simultâneo.
    (i) não poderá resultar num grande impacto social derivado do aumento de preços por via do IVA; (ii) assegurar que a diminuição das contribuições será mitigada pelo recurso a iguais entradas nos cofres da Segurança Social para não destruir o equilíbrio das suas contas e finalmente (iii) assegurar-se que o abaixamento da contribuição da TSU se reflete com realidade na diminuição de preços.
    O primeiro grande passo seria incluído no OE de 2012 e depois ver-se-iam os resultados, e, em função deles, actuar-se-ia em conformidade.
    Onde está o mistério?
    O PSD no seu programa, para além de se contradizer, num dado ponto fala na diminuição da TSU até 4% para as empresas exportadoras ou que evitam importações (!) – eviar importações? O que será isso? Um talhante que só venda carne nacional poderá ver reduziada a sua contribuição para a TSU? E uma grande superfície que evite importações ficará no mesmo pé?
    Noutro lado do mesmo programa, a TSU será reduzida até 4%, ao longo da Legislatura, tendo em vista o objectivo estratégico de acorrer a redução dos custos de produção do sector de bens transaccionáveis, bem como no caso das empresas exportadoras, segundo modelo a definir no OE 2012.
    O que é que são bens transaccionáveis? Não são todos os que têm procura e são vendáveis?
    Em que ficamos?
    Amiga Penélope,
    o PSD não diz que baixa já, mas apresenta uma vaga data para a aplicação da medida, por isso há muito quem desconfie.
    Quanto ao que vou ouvindo por aqui e por ali, o Louçã agarrou-se à carta e evitou falar sobre tudo o resto, ora as soluções que preconiza ou desapareceram como fumo, ou então são as do costume.
    Não pagar, renogociar e depois vê-se…

  17. Caro Teófilo,

    Cfr. página 12, parágrafo 39 da carta enviada pelo Governo e as declarações de Poul Thomsen disponíveis em http://www.imf.org/external/pubs/ft/survey/so/2011/INT050611A.htm e que para facilidade de compreensão transcrevo (não faço o mesmo com a carta pq o pdf não o permite, mas fará a delicadeza de acreditar no que lhe digo, ou então de procurar pelos seus próprios meios a dita carta):

    “In this regard, I would highlight that the government is now considering what could be a dramatic “game changer” in the form of a sharp reduction in social security contributions in the order of 3–4 percent of GDP (offset by other appropriate tax and expenditure adjustments). This would reduce labor costs significantly and make goods produced in Portugal more competitive abroad.”

    Não me parece que a expressão “dramatic ‘game changer'” dê espaço para grandes dúvidas. De facto, e como bem diz, não há mistério.

    No que ao programa do PSD respeita, não sou filiado no partido, nem demiurgo nomeado, mas ressalto que os 4% de que fala o PSD são, afinal os mesmos 3-4% que resultam das declarações acima transcritas e subscritas – Poul Thomsen dixit – pelo Governo. E que, já agora, não constam do programa do PS. Pelo vistos há vários níveis de confidencialidade: a da carta e a da narrativa por detrás da carta.

  18. o portas aldraba gráficos e o louçã falsifica cartas, daí a preocupação com a originalidade das piadas do sócrates. debates com essa gente só documentos reconhecidos pelo notário.

  19. Penélope, não me está a apetecer facilitar-te a vida. Vai ao Público e procura a carta. Ou basta-te com o desmentido do PSP que, aliás, é mais um exercício de “com a verdade me enganas”. Mesmo que te mandasse a carta, não mudarias de opinião e sinceramente me parece sequer que se justifique ter trabalho para alguém que nem sequer se deu ao trabalho de ir ao link do FMI que juntei (e cuja parte relevante transcrevi). Parece-me manifesto que não estás interessada em discutir o essencial e assim sendo não vejo razão para continuar a alimentar este debate.

  20. pois é, podia ter colado, mas não colou, portantes o melhor é mudar de conversa e manter um ar sério. vai dar banho ao cão.

  21. João Dias, agradecia que nos levasse para fontes fidedignas… na minha opinião o jornal responsável pela inventona de Belém é tudo menos fonte credível.

    Uns chamam-lhe “carta”, outros “memorando”. Isso é relevante? Sou leigo nas questões fiscais, mas o que entendi ao ver o debate, muito rapidamente, é que o que lá está sobre as TSU não foi ainda quantificado qualquer taxa especifica, está ainda tudo em aberto, e segundo a explicação dada, seria um valor abaixo de 1%, ao contrário dos 4% que o PSD pretende no seu programa (pff corrijam-me se estiver errado).

    No excerto que nos apresenta é uma entrevista. Não sei quanto a si, mas confio mais nos meus conterrâneos do que nesse senhor na entrevista. Posso estar errado, penso assim, até prova do contrário.

  22. Leio o seguinte na citação que João Dias faz de Thomsen:

    “is now considering what could be”.Isto se fosse “comunitarês”, que é praticamente o que é, significa que temos um “considerar” e um condicional. Só falta um “if appropriate”. Mais à frente – “this would reduce”. Outro condicional. Ou seja, é uma possibilidade que talvez. Num texto legislativo isto seria coisa para os considerandos ou para umas recomendações, com o valor vinculativo que se lhes conhece…

    Minha interpretação:

    A redução da TSU em 3-4%terá sido discutida nas negociações do MoE, e suponho que muito desejada pelo FMI, dada a insitência de Poul Thomsen. Será assim, algo que se recomenda vivamente que venha a ser feito, que será provavelmente feito, mas cujos moldes serão definidos e decididos por quem nos vier a governar, tendo por restrição o respeito das metas orçamentais fixadas : equilíbrio das contas, défice, dívida , etc… .

  23. Correcção:

    Uns chamam-lhe “carta”, outros “memorando”. Isso é relevante? Sou leigo nas questões fiscais, mas o que entendi ao ver o debate, muito rapidamente, é que o que lá está sobre as TSU não foi ainda quantificada qualquer taxa especifica, está ainda tudo em aberto, e segundo a explicação dada, seria um valor abaixo de 1%, ao contrário dos 4% que o PSD pretende no seu programa (pff corrijam-me se estiver errado).

    Relativamente à entrevista, não sei quanto a si, mas confio mais nos meus conterrâneos do que nesse senhor na entrevista. Posso estar errado, penso assim, até prova do contrário.

    Peço desculpa

  24. Sofia C,

    Também tirei essa conclusão ao ler, de que nenhuma das medidas que ele comentou estariam já acordadas.

  25. Passando por cima do facto – até agora incontestado – que a diminuição da TSU não consta do programa do PS, o Sérgio Lopes tem razão quando diz que da carta/memo/whatever não consta nenhum valor específico, mas pensemos um pouco: se Poul Thomsen avança com um valor entre 3% e 4% e invoca pelo meio o Governo (Sofia: é o Governo que está a considerar; pode ser condicional, mas é o Governo que está a considerar), é porque certamente já haverá algum comprometimento nesse sentido. Ou seja, na melhor das hipóteses – e nem isso é claro porque há um intervalo de 1% – estamos a falar da diferença entre 3% e 4%, com a agravante que o PS não avança esta proposta.

    A fonte é o Público, mas a carta/memo/whatever é publicado na íntegra (aliás, por isso referi página e parágrafo).

  26. João Dias,

    Eu percebi, mas é indiferente. Poul Thomsen diz que o governo está a considerar o que poderia ser…e que resultaria numa redução… . É uma possibilidade com que não se comprometeram ( considerar e no condicional). Pelo menos não de acordo com a frase em apreço, atenção. É uma possibilidade.

    Por isso, penso que discutir se será 1%,2 ou 3 ou 4% é mera especulação. Na realidade não sabemos nada para além de que a coisa foi discutida, encorajada e será uma possibilidade, uma probabilidade, uma eventualidade.

  27. Sofia, parece-me evidente que Poul Thomsen não podia ir mais longe, desde logo porque vamos a eleições no dia 5 de Junho. Mas o facto de avançar o valor de 3% / 4%, que lhe foi avançado pelo Governo, significa que se o PS for novamente Governo, é com isso que avançará. Não me parece que o FMI e demais membros da troika, que policiarão com regularidade o nosso bom comportamento, acharão muita piada se um hipotético futuro Governo do PS avançasse com 1% ou 2%…

  28. João Dias,

    A única coisa que lhe posso dizer é : talvez. Tudo o resto é especulação.
    Agora , pergunta minha: como sabe que foi o governo que propôs o valor de 3-4%, está nalgum documento? Pode indicar-me a fonte?

    BCE, CE, eurogrupo e FMI irão controlar a aplicação do Acordo, como aliás sempre fez o Eurogrupo, BCE e CE em relação aos membros do Euro com os resultados que se virão/vêem…Não é para desencorajar, é só para dizer que desde a introdução do euro que as políticas orçamentais são acompanhadas pelas três instâncias acima referidas. Fazem-no pelo menos 1 vez por mês. E até me esqueci do Ecofin! O Ecofin também.
    Quanto a ficarem zangados, depende das circunstâncias, se o governo não se comprometeu com nada em concreto, não poderão dizer nada. O fundamental será cumprir as metas do défice e da dívida e pagar o que é devido.
    Na realidade, sem texto jurídico em que o governo se comprometa no presente e não no condicional (will em vez de would ou should), não está vinculado a nada. O que não significa que não o faça, claro.

  29. João Dias,

    Fui à procura de informação e encontrei este aritgo do Público sobre o assunto:

    http://economia.publico.pt/Noticia/financas-garantem-que-ideia-de-reduzir-a-tsu-nunca-foi-omitida_1493848

    Não fica claro de facto, nos documentos fala-se em termos vagos de medidas fiscais, pouco especificadas e diferentes consoante as ocasiões. A referência mais concreta é a de Poul Thomsen com os tais condicionais, uma forma traduzida no futuro português que o permite, mas o que ele disse foi no condicional, o futuro em inglês seria vinculativo. Se Poul Thomsen o fez é porque não podia dizer nada mais definitivo.

    Sócrates, de acordo com o artigo, declarou que o governo ficou de estudar a medida.
    Confesso que as declarações de Thomsen me inspiraram isso mesmo. Fez-me lembrar o tipo de declarações do Reino Unido quando não se quer comprometer com nada.
    Dali tanto pode sair uma redução de 4%, como inferior, como faseada como coisa nenhuma. É um “vou pensar nisso”.

  30. Caro João Dias,
    ou não leu os que eu escrevi, é a tradução livre do que está vertido no Memorandum of Economic and Finantial Policies (MEFP) na pag 12 no seu ponto 39.

    Sobre a entrevista, e dando de barato, que o sr. Poul Thomsen pode dizer o que lhe apetecer, nem comento, pois quem anda metido nestas andanças sabe bem que há o que interessa, e está assinado pelas partes, e há o folclore que sai nas entrevistas e conferências de imprensa.

  31. O Loiça apareceu no debate de viatura com o depósito cheio de combustível. Mas a verdade é que o motor engasgou-se-lhe por três ou quatro vezes (eliminação dos burgueses, renegociação da dívida, nacionalizações, responsabilidades na actual crise e outras mais) após os seus próprios vinte minutos de glória. A verdade é que nesses vinte minutos, mais uma vez, se limitou a fazer o trabalho da direita. E se restassem dúvidas, isso constata-se hoje pelas reacções do partido da oposição.

    E até nesse aspecto concreto da TSU, Sócrates esteve muito bem: se existirem condições objectivas para que se baixem (por questões de competitividade é quase senso comum) será natural que se equacionem todas as vertentes sem pôr em causa a reformulação da SS que está em curso e, que pelos vistos, tem sido valorizada por todos, exceptuando ranhosos e imbecis.

    Já quanto à questão de ausência de programa do BE me parece que o Sócrates não esteve tão bem quanto isso: estamos numa situação de crise, o programa do BE é igual ao de há dois anos, digo eu seis (quinze? trinta e cinco? não me chateis manel): os burgueses, os cabrões das empresas públicas, a banca, os off-shores, as ilegalidades que eles próprios não levam a tribunal e o resto. Para quê apresentarem mais serviço? Os portugueses já têm esta lição mais do que bem estudada, está-nos na ponta da língua, para quê gastar meios? O mesmo se passa com o cds, nós já sabemos. É a terceira idade, a agricultura, abracinho às piquenas impresas, também aos trabalhadores e grande amor ao povo. Para quê recorrências?

    Já quanto à Avilez, ela ainda não sabe o que é ter que dar banho ao cão. E depois aquele pêlo todo…
    Ainda vai ter que aprender.

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