Todos os artigos de Valupi

Lúcidos e optimistas

Uma das características com maior expressividade na oposição política e social da direita a partir de finais de 2007, o período em que começou a crise do preço do petróleo e onde os bancos BCP, BPN e BPP entraram em queda, foi a do pessimismo. Este sentimento evoluiu rapidamente – fruto dos receios, medos e pânicos originados, sobretudo, com a saída em desgraça de Jardim Gonçalves do panorama bancário, acontecimento que abalou profundamente a alta sociedade e classes médias à direita – para um incontrolado síndrome conspirativo e para uma retórica catastrofista. À medida que as sucessivas crises económicas e financeiras se iam sucedendo sem que Sócrates e PS fossem derrotados, uma neurose generalizada transformou-se em situação psicótica para muitos. Era um desfecho inevitável, pois à fragilidade da condição opositora, agravada pela incompetência das lideranças partidárias na direita, juntava-se a real ameaça de perda de bens e privilégios por via das crises e pelo desabamento de instituições consideradas intocáveis, simbólicas e efectivos pilares do seu modo de vida – como o BCP, invadido por esse desclassificado do Vara e demais matilha socialista, vociferava cega de raiva a oligarquia. Colhe também aqui lembrar que as classes abastadas tendem a ser conservadoras pela mais lógica das razões: pretendem conservar o que têm e o que ambicionam ainda vir a possuir. Esta natural cobiça gera um individualismo que aumenta as inseguranças daqueles que se passam a imaginar rodeados de invejosos e ladrões. Tendem a ficar mais desconfiados, mais agressivos, mais cínicos. E apostam quase tudo nos assassinatos de carácter, como retintos hipócritas que são e pretendem continuar a ser.

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Pela justiça da liberdade

Não me lembro de alguma vez ter votado PS para as legislativas (nem PSD, já agora). Para as autárquicas, sim. Várias vezes. E para o Parlamento Europeu, uma só vez, por causa do Vital Moreira. A principal razão para nunca ter votado a favor de um Governo PS – especialmente em 2005 e 2009 – é a mesma que me leva obrigatoriamente a votar PS em 2011: a Justiça.

Não é preciso ganhar a vida a desenhar foguetões para saber que a dimensão da Justiça é a mais importante numa república e numa democracia. A sua importância é tal que até as eventuais disfunções, e perversões, que mantenha afectam a economia dessa sociedade, inibindo ou afastando investimentos e promovendo a corrupção. Para além disso, e descendo do abstracto ao concreto, centenas de milhares de portugueses viram as suas vidas gravemente prejudicadas pelo efeito de uma singela anomalia do sistema, ainda antes da qualidade dos juízes, procuradores e leis: a lentidão processual. Assim, fico banzo por não haver um pacto de regime onde se decidisse dotar a Justiça com todas as condições materiais e humanas que pedisse para executar o melhor possível o seu trabalho e a sua missão. As imagens de documentação amontoada em pardieiros, as queixas de falta de computadores ou seu estado obsoleto, a sempre propalada carência de funcionários e magistrados, as notícias acerca de instalações indignas ou inseguras, são, para mim, realidades inacreditáveis, escandalosas. Perto de 40 anos passados após o 25 de Abril, os partidos, sem excepção, são cúmplices desta infâmia histórica. E os que tiveram maiores responsabilidades governativas são os que têm maiores culpas. Daí, nunca ter votado PS ou PSD para a Assembleia da República.

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O que foi? O que é? E o que ainda poderá ser?

Depois de ler o José Albergaria – Da inutilidade dos votos – fui transportado para uma reflexão recorrente: que leva a que Sócrates seja odiado com intensidade igual, e através dos mesmos ataques de carácter, pela direita e pela extrema-esquerda? Que liga alguns dos maiores patrões, alguns dos mais poderosos jornalistas e alguns dos mais ubíquos comentadores a uma leva de mentecaptos, trafulhas e miseráveis? Se aplicássemos à situação uma análise marxista, veríamos que neste enquadramento histórico diferentes forças se unem para defenderem os mesmos interesses. É a lógica da dialéctica na conquista do Poder que o revela. Tanto para PSD e CDS, como para BE e PCP, o que está em causa é afastar Sócrates. Quando isso acontecer, juram, um mar de rosas inundará a política nacional e o PS voltará a ser um partido com o qual se pode falar, conviver, negociar. Curiosa unanimidade… e curiosa repetição da lengalenga que já vendia o mesmo peixe podre na promessa de que ao acabar a maioria absoluta do PS o País entraria nos eixos, a democracia regressaria ao Parlamento. Foi a desgraça que se viu.

Quando cruzamos este ódio concentrado num indivíduo com os quase 40 anos de regime pós-25 de Abril, com as suas castas, as suas dinastias, as suas corporações, os seus territórios de influência, os seus tecidos económicos e financeiros, as suas inércias, os seus vícios, o retrato ganha súbita nitidez. Algo muito forte assustou muito os muito poderosos. À direita e na extrema-esquerda. O que foi?

É uma questão para cientistas políticos, claro, mas também para historiadores, sociólogos e até antropólogos. É uma questão para mim e para ti.

Um par de víboras

Nestes preliminares da dança das cadeiras, vai ser interessante ver quem é que é atacado com a receita “Cavaco Silva” e quem é poupado.. Por receita “Cavaco Silva” refiro-me ao armamento pesado, como aquele que o grupo de Sócrates usou contra Cavaco já por duas vezes. Uma vez, contra Cavaco e Manuela Ferreira Leite, a história do e-mail do jornalista do Público sobre a sua fonte de Belém, que, com a colaboração do Diário de Noticias, foi usado para fragilizar o Presidente e Manuela Ferreira Leite, como vítima colateral. A outra é a história do BPN e da casa do Algarve. Isto é preparado com tempo, e usado no momento certo.

Ora, eu tenho a certeza que também há do mesmo armamento contra Passos Coelho e os seus próximos e não tenho dúvidas que a casa de Sócrates, actuando como sempre actuou by proxy, o usará se for preciso. Se não o usar ou é ou porque não é preciso, ou é porque, bem vistas as coisas, o PS sempre esperará um governo de bloco central ou qualquer forma de entendimento, e evitará uma política de terra queimada. Mas esta gente não brinca em serviço. Se se modera, é só porque pensa ganhar alguma coisa com a moderação.

Pacheco, 10 de Fevereiro

Sócrates não quer sair do poder. Quer ser primeiro-ministro. Para isso precisa de eleições. Mas não de umas eleições quaisquer. Desde a tomada de posse de Cavaco que resolveu fazer tudo mas absolutamente tudo para que possa sair do governo como vítima. Depois virão as eleições e aí a vida de Passos Coelho será vasculhada de cima a baixo. Alguma coisa o gabinete do costume há-de arranjar. No PS o que para lá anda de oposição cala-se mais uma vez. No dia em que nos virmos livres de Sócrates e da sua gente perceberemos que mesmo com crise o mundo é um lugar bem mais respirável.

Helena Matos, 11 de Março

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Pacheco Pereira e Helena Matos são cópias um do outro em vários aspectos, até no mau português. Ganham o pão na indústria da política-espectáculo, promovem assassinatos de carácter, apelam ao ódio e chafurdam em todas as campanhas sujas dirigidas aos adversários que transformam em párias. Ei-los aqui a projectar nos outros o que na realidade são como inveterados caluniadores.

No entanto, há algo de muito estranho no que tiveram a ousadia de escrever e assinar. Ambos dão como certo que alguém ligado a Sócrates iria difamar Passos Coelho. O Pacheco, mestre da suprema canalhice, chega ao ponto de dizer que Sócrates é culpado mesmo que o ataque a Passos não seja feito, pois tal ausência de matéria de facto apenas significaria que não tinha sido necessário avançar com o plano ou que outros interesses teriam levado à retracção. O que afirma não deixa qualquer dúvida a respeito de uma qualquer informação que ele sabe, ou imagina, estar na posse do PS. E não há qualquer dúvida porque, tanto no caso do email divulgado pelo DN, como no caso da Coelha, estamos a lidar com documentação cuja existência foi comprovada:

Ora, eu tenho a certeza que também há do mesmo armamento contra Passos Coelho e os seus próximos e não tenho dúvidas que a casa de Sócrates, actuando como sempre actuou by proxy, o usará se for preciso.

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Teoria do clique

PSD e CDS vão para estes últimos dias de campanha com o conforto das sondagens. Elas dizem que Portugal vai mesmo ficar nas mãos de Cavaco, Passos, Portas e Nobre, mais uma legião de ressabiados. E isto depois de tudo o que fizeram e mostraram serem capazes – e incapazes – de fazer. Com um bocadinho de ranço, o CDS, partido de um só homem, até conseguirá arrebanhar mais votos do que PCP e BE juntos, os partidos dos sindicatos e dos professores, o que seria um castigo perfeito para o facto dos imbecis terem feito do PS o seu inimigo principal.

Quem volta a estar preocupado é o Relvas. É que não é à toa que ele se tornou no braço direito de Passos. Há por ali muita ciência do clique.

Uma nova terapia

A Fernanda escreveu a respeito do caso de absolvição do psiquiatra que violou uma paciente, estando esta a sofrer de depressão e no último mês da gravidez. O parecer da Relação do Porto chocou a sociedade de alto a baixo – a decisão não é só incompreensível e absurda, é também aviltante. Eduarda Maria de Pinto e Lobo e José Manuel da Silva Castela Rio foram os juízes que assim decidiram, José Manuel Baião Papão declarou-se vencido.

Este último, na sua Declaração de Voto, aponta o seguinte:

Acresce que a aparentemente fruste resistência da assistente é inteiramente compatível com o estado de fragilização em que então se encontrava, decorrente da sua doença depressiva e do seu avançado estado de gravidez.

Não se concede que este tipo de resistência concordante com uma tal fragilização pudesse ter sido interpretada erradamente como “consentimento” pelo médico psiquiatra assistente da ofendida, que acompanhava a sua doença e as preocupações da mesma relacionadas com a gravidez, desde há vários meses.

A questão de saber se a vítima resistiu de forma juridicamente válida é o busílis neste processo, o bizantino ponto que está na origem da divergência interpretativa. E o que Baião Papão deixou lavrado chega e sobra para olharmos para os seus colegas de Tribunal com um sentimento que mistura incredulidade e gana de ir buscar alcatrão e penas. Para que a indignação não passe e permita que sejamos capazes de confrontar os juízes com os seus erros, fiquemos com este excerto do interrogatório que dá conta do quadro mental, e respectivas perversões deontológicas e cognitivas inerentes, na relação entre o violador e a vítima:

Adv. do arguido: D. C…, vamos àquele episódio do pénis na boca. A Srª. estava sentada, o Dr. introduziu-lhe o pénis na boca. O Dr. disse-lhe que era uma nova terapia. Isso foi antes ou depois de lhe introduzir o pénis na boca?

Assist: Depois.

No fabuloso mundo da asfixia democrática

Se Marcelo Rebelo de Sousa fosse apoiante do PS (ou tivesse outro nome, como António Vitorino, por exemplo) seria alvo de incessantes ataques de ódio. A televisão que o quisesse contratar passaria a automático antro de sinistros elementos do Gabinete de Sócrates. O seu isolado protagonismo seria evidência espectacular dos tentáculos desse centro secreto (onde precisamente se utilizam técnicas dos serviços secretos, como o Pacheco teve a extraordinária coragem de revelar e nós, em sua homenagem, devemos fazer o extraordinário esforço de repetir) que amordaça Portugal e impõe um regime de terror. Assim, como é apoiante do PSD, reina a paz e a tranquilidade entre a boa, séria e superiormente honrada gente da direita. Os socialistas, pacholas como sempre, não se importam, até apreciam as capacidades histriónicas de mais um Professor social-democrata.

Entretanto, houve um pequeno tumulto nesta modorra. Pedro Mota Soares apareceu desasado a lembrar que Marcelo é Conselheiro de Estado nomeado pelo Presidente da República, o que o deveria obrigar, por uma vez – neste último domingo antes da eleições -, a ser isento. E ser isento, para esta peculiar cabeça, passava por não atacar um partido que tinha apoiado Cavaco. Caso Marcelo apelasse ao voto útil no PSD, explicou com o apoio de Portas, estaria acto contínuo a atacar o CDS. Naco de pensamento mais primário do que este não me recordo de encontrar na memória recente.

É assim a nossa direita. Um coio de hipócritas que enche a boca com a responsabilidade, contenção, equidade e imparcialidade se vê os seus interesses ameaçados, e desbunda privada e alarvemente quando consegue favorecimentos que acha serem seus por direito natural.

São Caetano, you have a problem

Pedro Passos Coelho vai-me desculpar, mais uma vez digo, eu não ando à procura de um outro primeiro-ministro, eu ando à procura que o engenheiro Sócrates saia de primeiro-ministro.

Manela

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No mesmo dia, Passos arroja-se aos pés de Cavaco e deixa-se espezinhar por Ferreira Leite. A predisposição deste homem para aguentar, ou preferir, ser humilhado começa a despertar um novo interesse acerca da sua pessoa. Ele aparenta ser capaz de tudo dizer e de tudo ouvir, numa fatal pulsão para agradar que o leva a andar à nora sempre que lhe aparecem figuras gradas, ou a imprensa, à frente.

O Miguel chamou a atenção para um vídeo que é imperdível. Não se trata de algo humorístico, como é da praxe em campanha, mas de algo perturbador. Passos pega-se com uma mulher que o critica, e mostra, pelo verbo e pelo corpo, uma agressividade que arrisco dizer nunca antes vimos a candidatos políticos de pequenos partidos, quanto mais a um candidato a primeiro-ministro. Este episódio de antagonismo e despique de bate-boca com populares não é um caso isolado, tornando ainda mais significativo o que se registou.

Marcelino ensina como se faz

A rubrica Gente que Conta, da autoria de João Marcelino na TSF, chamou Rui Vilar e António Saraiva para dizerem de sua justiça em período de campanha. Numa incrível coincidência, ambos comungavam no mesmo diagnóstico: Sócrates tinha pedido a ajuda externa tarde demais. E numa ainda mais incrível coincidência, em ambas as situações Marcelino não os questionou acerca das consequências do derrube do Governo ou da censura europeia (Barroso, instituições económicas e financeiras, Merkel) ao chumbo do PEC 4. António foi ainda mais longe, alinhando na crítica às Novas Oportunidades e promovendo o slogan de campanha do PSD perante o agrado do Marcelino.

Os destaques destas entrevistas são depois replicados na comunicação social e entram como elementos de campanha. E é assim que elas se fazem em Portugal quando o jornalismo supostamente de referência ambiciona ter influência eleitoral: de pantufas.

Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

Pretty Shoes Can Lead to Ugly Foot Problems for Women
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Female Rappers Brag about Being Sexy but Keep Mum about Their Domestic Skills
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Whites Believe They Are Victims of Racism More Often Than Blacks, Study Suggests
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Intuitions Regarding Geometry Are Universal, Study Suggests
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Child pageants bad for mental health
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New Imaging Method Allows Scientists to Identify Specific Mental States
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Violence Doesn’t Add To Children’s Enjoyment Of TV Shows, Movies, New Study Finds
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Drug May Help Overwrite Bad Memories
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The Creative Power of Thinking Outside Yourself
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What Makes an Image Memorable?
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New Studies Reveal Stunning Evidence that Cell Phone Radiation Damages DNA, Brain and Sperm
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A Digital Diet: Drop (Calls, Texting, Web) and Give Me 28 (Days of Peace)
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‘Sleep On It’ Is Sound, Science-Based Advice
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Lunch? Have a Large Fruit Salad Please!
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Good Vibrations: U.S. Consumer Web Site Aims to Enhance Sex Toy Safety
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Cultured Men Are Happier and Healthier, Study Finds

Aflições

Eu, pessoalmente, dada a atitude do engenheiro Sócrates, dado aquilo que ele diz, nem tranquila fico se ele ficar na oposição, porque acho que ele na oposição vai ser tão pernicioso para o país quanto na liderança do país, porque vai fazer a maior das afrontas a tudo aquilo que vá ser feito para cumprir o acordo que ele próprio assinou.

Manela

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Esta senhora não ficará tranquila enquanto Sócrates não for corrido da política nacional. Resta saber se também fica aflita quando sai à rua sabendo que o mafarrico tem carta de condução.

Mastigações

Líder do PSD diz que “não vai perder mais tempo” a responsabilizar Sócrates pela actual situação.

Falando depois a militantes e apoiantes num almoço em Amares (distrito de Braga), ensaiou aquilo que apresentou como um novo discurso para a recta final da campanha. “Não vou perder mais tempo a chamar a atenção para as responsabilidades que o Governo tem nesta situação. Agora o que nós precisamos é de dar uma nova esperança ao país.”

Almoço

No comício, Pedro Passos Coelho dramatizou o resultado das eleições de 5 de Junho e advertiu que, “se tudo continuar como está” e o PS de José Sócrates continuar a Governar, Portugal pode seguir o exemplo da Grécia no prazo de seis meses.

“Se continuarmos como estamos hoje, em meio ano estaremos como a Grécia que está hoje”, afirmou o líder do PSD no jantar em que deixou vários elogios à sua ex-adversária na corrida à liderança.

Jantar

Assombrações

Este estudo – Eleitores fantasma podem dar vitória à direita – foi olimpicamente ignorado, ou diminuído, pela direita. Contudo, se o resultado apontasse para uma perversão eleitoral que favorecesse o PS, estaríamos perante o principal caso da campanha. Teríamos direito a declarações do Presidente da República, audiências várias com Conselheiros de Estado muito preocupados e afrontados, os jornalistas não mais largariam o assunto e ele seria omnipresente das sete da matina à meia-noite em tudo o que fosse bloco noticioso e opinativo. Provar-se-ia, se ainda outras provas fossem precisas, que Sócrates era um super-criminoso, capaz das mais diabólicas manigâncias para se manter no poder e dominar o Estado. O bom povo do PSD e do CDS estaria na rua, uns cortando estradas em Rio Maior e revistando automóveis à procura de propaganda do PS para queimar, outros indo para o Marquês de Pombal acampar com os seus sacos-cama de marca e abastadas provisões de perfume e água-de-colónia, de modo a darem uma lição aos piolhosos no Rossio.

Também teria graça perguntar aos direitolas como que eles explicam o fenómeno do PS estar a oferecer a vitória ao PSD. Seria algo que Hitler, Saddam ou Drácula fizessem calhando ficarem na mesma situação? Receio que estas interrogações não venham a encontrar resposta em tempo útil.

O furão de Belém e o Coelho da Lapa

“Tendo um semanário publicado hoje o título “Cavaco contra Governo reduzido a 10 ministros”, aliás sem correspondência com o corpo da notícia, o Presidente da República desmente categoricamente qualquer tomada de posição, que lhe seja atribuída, relativamente à dimensão ou estrutura de um futuro governo e reafirma a sua rigorosa imparcialidade no que respeita à campanha eleitoral em curso.”

Diz que é uma espécie de Presidente da República

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Passos foi rápido a dizer que será tudo o que o Professor quiser que seja – ingénuo, vira-casacas, palhaço – pelo que Belém tentou sacudir a água do capote estando o trabalhinho feito; assim tratando o País como se não vivesse por cá ninguém com mais de 10 anos de idade.

Mas este comunicado é fixolas. Porque nos recorda das outras ocasiões – tantas, ui! – em que a imprensa lhe atribuiu opiniões e estados de alma a respeito do PS, do Governo e de Sócrates sem que ele tivesse manifestado o mais leve protesto ou incómodo. Haverá um padrão qualquer nos seus silêncios selectivos, claro, porque estamos a falar de um ilustre estadista que age com o mais elevado sentido de responsabilidade, mas agora não me consigo lembrar se esses seus critérios que alimentam calúnias e conspirações estão mais ligados a esta invocada rigorosa imparcialidade ou à celebérrima magistratura activa e de influência.

Teoria do clique

Miguel Relvas voltou a animar com esta sondagem, depois do sofrimento da anterior que apontava para um imparável crescimento do PSD em direcção à maioria absoluta. Eram notícias funestas para o inventor da Teoria do Clique, a tese de que a probabilidade do PSD ganhar as eleições aumenta sempre que o PS se aproxima nas sondagens. Felizmente, graças à excelente coordenação entre Passos e a sua já lendária incompetência política, as coisas voltam a compor-se positivamente para os social-democratas.

É continuarem, meus senhores. Têm mais uma semaninha para mostrarem as vossas habilidades na dificílima arte de descer nas sondagens quando se é levado ao colo pela comunicação social e onde o adversário era suposto estar abaixo dos 20% ou metido nos calabouços da Judiciária.