No fabuloso mundo da asfixia democrática

Se Marcelo Rebelo de Sousa fosse apoiante do PS (ou tivesse outro nome, como António Vitorino, por exemplo) seria alvo de incessantes ataques de ódio. A televisão que o quisesse contratar passaria a automático antro de sinistros elementos do Gabinete de Sócrates. O seu isolado protagonismo seria evidência espectacular dos tentáculos desse centro secreto (onde precisamente se utilizam técnicas dos serviços secretos, como o Pacheco teve a extraordinária coragem de revelar e nós, em sua homenagem, devemos fazer o extraordinário esforço de repetir) que amordaça Portugal e impõe um regime de terror. Assim, como é apoiante do PSD, reina a paz e a tranquilidade entre a boa, séria e superiormente honrada gente da direita. Os socialistas, pacholas como sempre, não se importam, até apreciam as capacidades histriónicas de mais um Professor social-democrata.

Entretanto, houve um pequeno tumulto nesta modorra. Pedro Mota Soares apareceu desasado a lembrar que Marcelo é Conselheiro de Estado nomeado pelo Presidente da República, o que o deveria obrigar, por uma vez – neste último domingo antes da eleições -, a ser isento. E ser isento, para esta peculiar cabeça, passava por não atacar um partido que tinha apoiado Cavaco. Caso Marcelo apelasse ao voto útil no PSD, explicou com o apoio de Portas, estaria acto contínuo a atacar o CDS. Naco de pensamento mais primário do que este não me recordo de encontrar na memória recente.

É assim a nossa direita. Um coio de hipócritas que enche a boca com a responsabilidade, contenção, equidade e imparcialidade se vê os seus interesses ameaçados, e desbunda privada e alarvemente quando consegue favorecimentos que acha serem seus por direito natural.

9 thoughts on “No fabuloso mundo da asfixia democrática”

  1. O post até começou bem (ou seja, o MRS esteve efectivamente mal), mas depois lá vêm as generalizações, simplificações e o habitual chorrilho de disparates/ofensas (último parágrafo, para que dúvidas não restem) e deita-se tudo a perder. Val, se controlasses a azia até conseguíamos, por uma vez, estar de acordo.

  2. A comunicação social albardou uma cambada de saloios, no sentido mais negativo que o termo pode comportar, para tentar escrever uma história enviesada. Estão convencidos que à sua volta, é tudo gente mais estúpida do que eles.

    Depois põem-se aos pinotes quando as coisas não lhes correm ao jeito: ou despenteados e espavoridos gritando por justiça quando são mordidos pelas serpentes que diariamente lançam aos adversários, ou disfarçados de especialistas e intelectuais lançando raios e coriscos sobre o povo quando este não lhes liga patavina.

    Esta boiada fez seu o lema “com a verdade me enganas”, mas ao contrário. Mas o “com a mentira me convences” já não pega desde a outra senhora. Já não vamos em cantigas, e muito menos de avôs enquistados.

    O palerma RSousa não vale dois minutos de antena por semana. Mas pronto, há quem aposte tudo no adormecimento neuronal.

    E tristes, continuam a insistir no mesmo há três décadas.

    O Coelho engoliu a cassete dos 700 mil desempregados. Já algum jornalista com o mínimo de seriedade na cara lhe perguntou quantos empregos vai criar se chegar ao governo?

    Mas faz de conta que percebemos, ele até a erva que escolheu caminhar, o faz tropeçar. Para quê atirar-lhe os cães de caça?

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