O intragável

Pegando neste extraordinário texto da Isabel Moreira, onde num breve parágrafo explica de forma sucinta a obra feita pelo PS nestes últimos 6 anos, não posso deixar de notar uma coisa com espanto: José Sócrates é um péssimo candidato. Não sabe inspirar. Não sabe sorrir nem tem sentido de humor. O seu uso da ironia é sofrível. É muito mau nos soundbites, nas respostas ao minuto, é mau a lidar com os media e os jornalistas, que o detestam, não aproveita de maneira imediata e eficaz as imbecilidades dos outros candidatos. E são tantas. Não sabe relacionar-se com os eleitores, não lhes fala ao coração, nem por um momento sabe passar a imagem que é um de nós. Não consegue esconder a arrogância e a impaciência, já temi pelo pescoço de vários entrevistadores depois de perguntas imbecis. Ah, se o deixassem…

Resumindo, não se sabe vender. Ganhou a primeira maioria por clara falta de comparência do adversário, mas contra o Santana Lopes depois daquela desastrada governação se calhar até o Jaime Gama, esse poço de entusiasmo, ganhava. No fim de 4 anos das maiores e mais corajosas reformas que este país já viu, enfrentando as corporações que todos os eleitores dizem que devem ser enfrentadas, tendo posto o défice abaixo dos 3% pela primeira vez, investindo em industrias de futuro, pondo o nosso pais como exemplo em jornais internacionais, depois de tudo isso, esteve a um passo de perder as eleições contra uma contabilista rancorosa de um lado e um pastor da IURD de outro, sendo salvo pela desastrosa inventona do génio de Belém no último minuto e pela absoluta falta de jeito da protegida de Pacheco Pereira, ainda pior do que ele como candidata. Mas perdeu a maioria, expondo-se a um desgaste que é ainda capaz de lhe ser fatal. A ele e a nós.

O que Sócrates tem felizmente a seu favor é sobretudo uma coisa: é um excelente governante. O melhor que esta democracia já viu, incluindo (mas não restrito a) todos os outros. A lidar com politicas e números concretos, com resultados palpáveis, com visão de futuro e respectiva concretização, ninguém o bate. Mas ninguém. É se calhar por por isso que já nem sequer tentam, dando origem às estratégias de calúnias, insinuações e mentiras que, da direita à esquerda, os seus adversários se vêm obrigados a recorrer. Pela politica, pela governação, pelos números, pelos resultados não vão lá. Sócrates trucida-os, como se consegue ver nos debates parlamentares que, num gesto de crueldade gratuita, tornou quinzenais. Chega a ser penosa a demonstração de menoridade intelectual e politica que faz de quem o defronta nessa arena. Não admira que a Manuela não o queira lá sequer na oposição. Havia de ser bonito.

Mas nas campanhas, no meio do povo, lidando com os casos, falando para o país? Um desastre, penso eu. Combativo sim, ninguém lhe tira isso. Mas pergunto-me se essa combatividade não é fruto dessa dificuldade em comunicar. Porque com o currículo feito, com a obra realizada, com as reformas postas em marcha, caramba, não devia ser necessário tanto esforço. Paulo Portas, se chegasse a metade do que Sócrates fez, tinha já avenidas com o seu nome. Até no Barreiro.

O que não deixa de ter um lado positivo, pensando bem: ninguém vota no homem pelo seu magnetismo pessoal ou pelo charme, pelo que duas vitórias depois e à beira de uma terceira – ou pelo menos a vender cara a pele – no meio de uma crise gigantesca, muitos eleitores sabem apreciar antes de mais os resultados da governação e a competência. Quando todos nos querem, e mea culpa aqui, vender a ideia que a politica moderna é feita de soudbites e imagem, não deixa de ser reconfortante. Mas José, porra, se te gabasses um bocadinho mais da tua obra em vez de te entreter a demolir as propostas dos outros, morrias?

35 thoughts on “O intragável”

  1. Mas não é que eu ando a dizer isto há uma data de anos?…
    Só espero continuar a ter muuuuita pena dos adversários do homem…
    Parabéns pelo texto.

  2. Acerca disto, Vega, tenho algumas coisas a dizer:

    Como ponto prévio, esqueces-te das condições duríssimas a nível pessoal em que exerceu a primeira legislatura, sob fogo constante do PSD e dos Media, e que de certa (muita) forma condicionaram a sua naturalidade.

    Depois, não acho que Sócrates seja uma lástima de comunicador. É um bocado contido e programado no que diz, mas, com isso, dificilmente o apanham em falso.
    Consigo adivinhar nele uma pessoa bem disposta. Já o vi falar de improviso e achei excelente. Nos actuais discursos de campanha repete-se bastante, mas tem momentos de franca empatia e de apelo às “massas” e muito mobilizadores. Comentário oportunos, nem sempre, mas por vezes consegue ser muito eficaz – caso do comentário às palavras insultuosas do patrão do Pingo Doce “Não basta ser muito rico para se ser bem educado!”
    Não esquecer que o cargo de primeiro-ministro o espartilha forçosamente na exteriorização do que pensa.

    Em geral tens razão no que respeita à explicação das medidas. Têm razão de ser, têm um bom objectivo, são eficazes a curto ou médio prazo, mas, por vezes, confesso, até eu era capaz de as defender melhor. Agora, se podia ser Sócrates a fazê-lo, não sei. Nem sempre. O homem tem muito que fazer, penso. Pedro Silva Pereira, por exemplo, expressa muito bem aquilo que está em causa. Devia falar mais vezes.

    Posto isto, concordo contigo em que o mais importante de Sócrates é a obra e a governação em geral e é isso que a maioria das pessoas retém. Não há nada que lhe escape. Se o deixassem, não ficaria pedra sobre pedra de tudo o que é bolor, atraso cultural, ineficiências, faltas de organização, infra-estruturas caducas, modelos económicos e tecido produtivo obsoletos, etc, etc.

    Guterres, por exemplo, exprimia-se muito bem e com facilidade, mas, quanto a acção concreta, deixava muito a desjar.

    De qualquer modo, o teu post coloca um desafio importante, que deve ser levado a sério pelo interessado directo.

  3. Vega, até ontem concordava com o que dizes e sobretudo com a pergunta com que terminas o teu excelente texto. Mas ontem a RTPN passou em directo os discursos de Soares e de Sócrates no Porto. E pudemos assistir às habituais críticas de Sócrates ao PSD e a Passos Coelho, mas também o ouvimos falar, demoradamente e de forma detalhada, da obra feita. Da reforma na Educação, onde falou no prolongamento do horário no primeiro ciclo, na introdução do inglês, música e restantes actividades, na renovação do parque escolar. Da reforma na energia, não se esquecendo de referir que Portugal passou a ser líder nas energias renováveis. Do investimento em ciência e tecnologia e do impacto que esse investimento teve nas empresas e nas exportações. Na modernização da administração pública, dando vários exemplos e referindo o salto que o País deu nesta matéria. E muito mais. Cortaram-lhe o pio quando se preparava para falar na reforma da Saúde.

    Acontece que não vi em lado nenhum a mínima referência a esta parte do discurso de Sócrates, nem nas televisões nem nos jornais online. O que vi foi, por exemplo, a deturpação completa do discurso de Soares, no Público. Quem lê o artigo fica com a ideia que Soares fez um frete ao ter participado na campanha, diz-se mesmo que só nomeou Sócrates uma vez, sendo que isso é absolutamente mentira. Soares apoiou Sócrates inequivocamente.

    Portanto, Vega, se calhar Sócrates fala mais do que pensamos na obra feita. O que se passa é que a comunicação social lhe boicota os discursos.

  4. Eh pá, que belo blogue, que gente supimpa! :-)
    Se vos tivesse encontrado há mais tempo andava menos deprimido e não achava que sou o único a achar que o Sócrates é o melhor PM que este país já teve.

    Gostei muito deste texto, porque consegue ir contra-corrente em dois pontos: primeiro, diz que Sócrates se “vende” mal quando a maioria dos media diz exactamente o contrário, que o homem é todo marketing; depois porque fala da obra feita, que é real, quando a maioria dos media sugere que ela simplesmente não existe!

    Abraço,
    Jimmy

  5. Um acrescento :Sócrates a intervir sem notas é muito bom também, mais espontâneo. A imagem que adopta na televisão é mais controlada, logo menos espontânea, mais estudada. É um político muito bem preparado, e quando tem de defender posições de improviso fá-lo muitíssimo bem, cria mesmo empatia e captiva a atenção. Tem grande inteligência política e metas de longo prazo em várias áreas da governação, por isso muitos dos resultados da sua governação serão sentidos a médio e longo prazo.
    É um excelente negociador e não padece de um mal muito comum entre compatriotas: complexo de inferioridade. É respeitado pelos seus homólogos e se tiver de escolher uma pessoa para nos representar em negociações comunitárias, ele é a pessoa ideal.
    Como Vega salienta, tem obra feita, é esse o seu grande trunfo e esse deve ser de facto o trunfo primeiro dum governante.

  6. @Sofia C – 100% de acordo com o facto de JS não sofrer do habitual complexo de inferioridade dos portugueses. É uma espécie de Mourinho da política – e tal como ele, há muita gente que acha que ele devia ser mais “modestozinho” e baixar as orelhas…

  7. Grande texto.
    Nos últimos anos tenho-me embrulhado mais na politica porque me revolta ver tanto ódio a alguém que eu acho que tem feito tanto trabalho, e bom trabalho, pelo país.
    Eu gostava de Sócrates antes de ser PM, mas depois de ele chegar a esse cargo e ter a coragem de fazer as reformas necessárias e, mais ainda, de se empenhar no futuro e desenvolvimento do país, apostando nas areas da educação (para jovens e não jovens) e da tecnologia que, infelizmente, são tão descredibilizadas pela oposição (será que é porque sabem que ele aí lhes ganha? Ou porque não entendem que é aí que está o futuro do país?), tornei-me uma admiradora.

    No dia 23 de Março é que verdadeiramente comecei a perceber que apesar de muitas criticas há muita gente que quer Sócrates como primeiro ministro. Nesse dia, quando apresentou a sua demissão, ouvi muitas vozes de desagrado que não tinha ouvido antes. E desde aí penso, que apesar de tudo, a obra de uma pessoa realmente fala por si, e as pessoas estão mais atentas do que aquilo que a comunicação social e oposição nos querem transmitir ou gostavam de admitir.
    Mas não entendo como certos resultados e números raramente são falados nas televisões e jornais e afins. Como é que o positivo fica tão por baixo do tapete.

    Como podemos passar de um homem com tanta obra feita para um homem sem nenhuma obra feita é algo que me vai dar uma grande dor de cabeça, caso aconteça.

  8. Foi a primeira vez que cheguei a este blog e a minha boca abre-se de espanto? Em que planeta vive o autor da mensagem e os comentadores? Serão todos jovens candidatos aos lugares do aparelho de estado? Curiosamente, o autor do post não foi capaz de enunciar um único elemento da suposta boa governação de Sócrates, a não ser um eventual combate às corporações. Nem todas, meu caro, nem todas. Para mais explicações fale com o Jorge Coelho que ele faz-lhe um esquema.

    Já agora gostei muito das suas referências ao chamado pastor da IURD. Já reparei que o que lhe falta em argúcia de análise sobra-lhe em espírito caceteiro.

  9. Por mais que se pretenda paradoxal, a verdade é que Sócrates pessoalmente, como político, tem bastantes semelhanças com o Cavaco Silva que foi Primeiro-Ministro. A par do carisma e da convicção firme, há porém uma certa “secura”, no contacto com as “massas”, que lhe retira alguma popularidade e adesão emocional. Por outro lado, talvez conquiste assim muitos votos, da parte de quem vota mais com os neurónios do que com a sensibilidade.

    Como é minha convicção ser José Sócrates uma espécie de Cavaco Silva, mas em bom, talvez isso explique que também venha a ser dez anos Primeiro-Ministro de Portugal. Era mais do que justo e necessário.

    Quanto ao mundo em que vivemos, ó “closer”, tu saberás de ti, mas nós nem queremos saber qual será o teu. Só imaginamos, mas deixa lá, o tempo resolve muita coisa…

  10. Os closer e os jimmy jazz, são vozes do despeito. De não terem um líder como o Socrates.
    Eles sabem a verdade, mas doi reconhecê-la.
    Bom texto Vega e força pra frente!

  11. Ana o medo deles é precisamente esse, eles nao falam disso na comunicação social, mas em todas as sondagens o partido socialista não descola do psd, ás vezes até aparece á frente, isso verdadeiramente é que os assusta.

    Closer para ser a primeira vez que cá vens e abres logo a boca, isso não agoira nada de bom.

  12. este post vai um pouco de encontro ao que eu penso desde os debates das legislativas de 2009. sócrates podia ter esfrangalhado a velha manela no debate que os opôs, mas preferiu discutir e atacar as ideias dela. e podia ter esfrangalhado o coelho steps neste último debate mas, à força de discutir para atacar as propostas alheias, deixou-o sobreviver e isso para as hostes laranjas (e analistas encartados) foi uma grande vitória.
    mas nos debates do parlamento o caso muda de figura e sócrates não tem medo de deixar em frangalhos o macedo, o portas ou qualquer um que lhe apareça no caminho.
    por fim devo dizer mais uma vez que o aspirina, na análise política, dá uma abada a comentaristas, politólogos e ex-jornalistas ressabiabos. tenhem atenção porque daqui a pouco vão começar a ser plagiados (eheheh); agora ainda não porque o objectivo dessa gente é só deitar abaixo o socras. mas quando começarem a faltar ideias vão virar-se para aqui, não há dúvida.
    (oh closer, em que mundo vives pá? naquele que acaba em badajoz? ou também achas que o socras nos gastou o dinheirinho que não havia?)

  13. Penélope, estar sob fogo da oposição e dos media faz parte dos requisitos do trabalho. Os políticos não se podem queixar disso, tal como os professores não se podem queixar da imaturidade dos alunos.
    Agora, também já vi Sócrates muitas vezes bem-disposto, mas noto que acontece mais quando está entre os seus e a tratar da governação, e não em combate eleitoral. Governar, lidar com problemas concretos, nota-se que isso é que o faz feliz. Já na parte de vender uma mensagem, dá a impressão que é um bocadinho a contra-gosto. Não lhe sai naturalmente. Esse comentário que citas sobre o patrão do Pingo Doce é um exemplo. “Bem-educado”? É o melhor que lhe sai?
    ___
    guida, não vi o discurso, mas estava com alguma esperança que na semana final mudasse as agulhas para o discurso da esperança. Espero que tenhas razão. Quanto aos média tens razão embora – e aqui posso ser injusto – seja também a responsabilidade de um líder politico seduzir os jornalistas, e acho que ele simplesmente não tem perfil para isso. Para o bem, e para o mal.
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    Sofia C, essa característica é a que faz mais confusão a muita gente. Mas o ponto é que o que faz um bom governante e politico não faz necessariamente um bom candidato.
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    closer, o espanto uma boa coisa, significa que descobrimos algo fora da nossa zona de conforto. Noto no entanto que no teu mundo a defesa de um politico tem como motivação um lugar no estado. Bem-vindo a outra realidade. Verifica as moscas antes de fechares a boca, por favor.
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    Marco Alberto Alves, essa comparação seria válida se soubéssemos o que seria Cavaco a governar numa crise. Não sabemos, felizmente.

  14. Marco Alberto Alves: concordo totalmente contigo. Sócrates e Cavaco são dois políticos atípicos da política portuguesa. E essa “secura” de que falas (eu chamaria ausência de sofisticação ou de cultura) está na raiz do facto de ambos ser odiados por uma parte considerável da intelligentsia nacional.

  15. Uma grande diferença entre Cavaco e Sócrates é que um governou em tempo de vacas gordas, o outro governa em tempo de vacas mais que magras. É muito mais dificil governar e ganhar votos quando nada se tem para oferecer, do que quando se tem mundos e fundos para dar. Tempos em que a UE parecia um paraíso e uma porta para o sonho.

  16. Calma, Vega, eu só comparei Cavaco a Sócrates no que toca à tal maneira de fazer política, em especial fazer campanha. Não os comparei em termos de qualidade de governação (e é verdade que Cavaco nunca governou em tempos difíceis, como é igualmente um facto que Sócrates ainda não pôde governar em tempo de “vacas gordas”). O J. P. da Costa apanhou bem o que eu pretendi (se calhar mal) transmitir.

    Quanto ao Jimmy Jazz, penso que seja genuíno e sincero, para além de arguto. Compará-lo ao sarcástico “closer”, como fez o “passosapressados” (;-)), deve ter resultado de uma leitura mais do que em diagonal do Jimmy…

  17. Esqueceu-se de salientar o aumento que o Sr. PM José Sócrates fez aos funcionários públicos em ano de eleições. Não é da área da Economia com toda a certeza se não saberia que tal irresponsabilidade nos levou (iniciou) o declinio da economia. Foi irresponsável e cretino, pensou nele e, na hora da verdade, sabendo muito bem as consequências desta sua decisão para o país, levou a decisão em frente. Este senhor, por muito que tenha feito (foram os bons e inteligentes ministros que teve o bom senso de escolher, não foi ele na prática) não merece voltar a ser PM.

  18. Ó RB

    fizeste-me lembrar o EURO 2004, os jogadores portugueses levaram-nos até á final o treinador fez com que a perdessemos.

    belo raciocinio.

  19. oh rebê! deves ter um gráfico que prove isso e bué de recortes da velha a reclamar contra os aumentos à epoca, mas a única coisa que me lembro foi terem perdido as eleições por causa de uma inventona e ainda não terem recuperado.

  20. Ó jpferra… o quê? Leste bem…? É melhor leres melhor, vá lá. Uma, duas, três vezes. Vais ver que o teu exemplo não tem nada a ver com o que eu disse. Força nisso.

    Por acaso não caro anónimo. Até sou militante do PS. Mas sei pensar pela minha cabeça e sei filtrar/analisar as coisas felizmente. Havia formas de ganhar as eleições nessa altura, por exemplo salientar o trabalho feito até esse momento. Bastava isso. Mas era pouco para uma mente politiqueira como acabou por o demonstrar. Infelizmente.

  21. Vega, obviamente, não interpretamos todos da mesma forma os sinais que os outros transmitem. Para mim, Sócrates entusiasma-se como nenhum outro quando fala das suas propostas e do que ambiciona para o País. O seu lendário optimismo parece-me genuíno e contagiante. E isto é válido onde quer que ele fale.

    Penso que o problema de Sócrates com os media tem mais a ver com o seu perfil reformador, com o ter interferido nos interesses de corporações poderosas que não tardaram, essas sim, a ‘seduzir’ os jornalistas. É bom não esquecermos que a longa e vergonhosa campanha de calúnia e assassinato de carácter de que foi alvo com o caso Freeport, por exemplo, só foi possível graças à comunicação social que temos. Não me vais dizer que Sócrates podia ter evitado isto se soubesse seduzir os jornalistas…

    Mas fiquei curiosa, dá-me lá um exemplo de outro candidato com esse perfil sedutor, para ver se te percebo melhor. O Paulo Portas não conta, a demagogia e o populismo não valem como sedução. :)

  22. ó pá, sócrates está maluquinho e o puto dos passos, maluquinho está. Depois há os outros maluquinhos do loicinha, do jerónimo, essa cangalhada toda. Soda nos gajos, já.

  23. Ok, é oficial: com 36 anos de atraso, este blogue rendeu-se à dinamização cultural. Mais vale tarde do que nunca. Bem-haja!

  24. Amanhã a Selecção Nacional de Sub-21 vai jogar contra a Alemanha para ganhar.

    Se houvesse disso em política o, Paços, Coelho também podia aspirar a ganhar.

  25. Para que não fiquem dúvidas : )

    Se existisse um campeonato sub – 21 da política, talvez o Passos Coelho pudesse sonhar com uma vitória. O melhor é contratar o Paulo Bento já.

  26. guida, um candidato que me ocorre que também foi alvo das maiores calúnias e tentativas de assassinato politico nos media, mas que seduzia a imprensa como ninguém, era Bill Clinton. Para sedução dos jornalistas, considero-o o benchmark.
    Cá no burgo, já que não posso usar o Portas (por uma regra unilateral que considero injusta, mas aqui como sabes estamos às ordens) posso usar o Mário Soares? Não que me recorde muito dos seus tempos de primeiro-ministro, mas também não teve vida fácil, não é? Havia algo relacionado com diamantes de Angola, que ainda hoje muita gente acredita.

    Mas de qualquer maneira, se calhar exprimi-me mal apenas com a palavra “sedução”. Para ter imprensa favorável, ou se vai por essa via ou pelo “bullying” tipo Cavaco e a direita. Sócrates não faz uma nem outra. Pode ser honesto da parte dele, mas torna-lhe a vida complicada.

  27. Vega faz uma muito boa ” leitura ” do politico José Sócrates ,como candidato e como governante .

    Quero acentuar o seguinte : só o actual ,repito o actual governo presidido por José Sócrates,porque fez o PEC IV com os senhores da CE e BCE e o PEC IV é a base do Memorando ,trabalhado pelo governo e a troika ,está em condições de começar a executar o Memorando .
    Qualquer outro governo,e então presidido por Passos Coelho e Portas como Ministro de Estado e MNE ,não tem quaisquer possibilidades de executar aquele Memorando ( pense-se no tempo de formação de um novo governo ,da tomada de posse , do estudo de dossiers ,de conhecer ” os cantos à casa ” ,da aprovação do programa de governo no Parlamento ,etc ) , a não ser que os prazos nele constante sejam alterados ,mas mesmo muito alterados .
    Alguém tem de dizer isto ao País ,não como uma ameaça ,mas como uma realidade evidente e da qual não é possível fugir , porque isto não tem sido apercebido pela população .

    Estas eleições são uma perca de tempo e um erro crasso .Qualquer outro resultado ,que não uma vitória do PS , é pior a emenda que o soneto .
    Sócrates tem sido acusado de repetitivo por tentar explicar esta situação para a qual toda a Oposição ” atirou ” o País ,pois eu acho que ele e todo o PS , todo o PS , o devem continuar a fazer até à exaustão ,sem prejuízo de realçar o que de positivo os governos Sócrates fizeram.
    Alguém comentava sobre os 700 mil desempregados ,que todo o mundo interiorizou como único culpado o malvado do Sócrates ,que também levou a desgraça ao resto do mundo . Isto tem sido de tal modo badalado que o ” Zé Povinho ” nem sequer duvida : o culpado é o Sócrates .
    Quem cria emprego são os empresários ,os patrões,os privados ,as empresas ,mas os mesmos que dizem isto , também dizem que quem criou os 700 mil desempregados foi … o Sócrates ! E não vi ninguém no PS desmistificar isto . Sim ,há disparates tão evidentes,que nem merecem que nos preocupemos com eles ,mas quando os disparates são repetidos à exaustão fazem mossa e nessas situações ,nomeadamente como a que estamos a viver , não pode ser só Sócrates a ir à luta .
    Sócrates tem muito mais com que se preocupar como por exemplo, chamando a atenção para o ataque ao Euro ,onde a Divída e o Défice vêem servindo como cortina de fumo .

    Por tudo o que Vega diz , nas actuais circunstancias o único POLITICO capaz de enfrentar esta tempestade e de levar o barco a bom porto é José Sócrates ,pelo que vou votar PS .

  28. “RB
    Mai 30th, 2011 at 17:56
    Este senhor, por muito que tenha feito (foram os bons e inteligentes ministros que teve o bom senso de escolher, não foi ele na prática)”

    Neste parágrafo está a comparaçao com o scolari que eu fiz, “toda” a gente dizia que o mérito era dos jogadores por Portugal chegar á final, MAS o demérito de perder a final era do scolari.

    Capisce??? ah e só li mais uma vez.

  29. Vega, claro que podes usar o Mário Soares, embora eu estivesse a pensar nos outros candidatos que concorrem com Sócrates. Mas, pronto, não posso ditar as regras todas. :)

    Seja como for, não concordo contigo, gente como o Zé Manel, o Henrique Monteiro, o Crespo, o Saraiva, a Felícia Cabrita, o casal Moniz, entre muitos outros, não devem ser desculpados de forma nenhuma pelas campanhas difamatórias e de autêntica perseguição que promoveram ao longo dos últimos seis anos e que começaram ainda antes da eleição de Sócrates. Tem valido tudo, e Sócrates até podia ser o político mais sedutor de todos os tempos que os teria tido sempre agarrados às canelas pela simples razão de não ser um deles. Nunca engoliram o facto da governação de Barroso, Santana e Portas ter sido o desastre que foi e de ter acabado como acabou. Vingança e ressabiamento foi o que se seguiu, e estou convencida de que fosse qual fosse o socialista a ir para o governo, independentemente das suas características pessoais, estaria sempre marcado como alvo a abater por esta comunicação social onde reina a filha-da-putice.

  30. Sem dúvida! Sobretudo se lhes infligisse uma derrota humilhante. Isso aí é que foi demais para quem estava habituado a mandar, mesmo quando os Governos eram do PS (como aconteceu com o bonzinho católico do Guterres!)…

  31. Caro jpferra, se achas que sim… tudo bem, ganhaste. Não há nada como ir buscar o futebol para tentar iludir as conversas. Mas não me parece que seja por aí o caminho, estava a tentar falar de algo mais sério. Cumprimentos.

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