Um par de víboras

Nestes preliminares da dança das cadeiras, vai ser interessante ver quem é que é atacado com a receita “Cavaco Silva” e quem é poupado.. Por receita “Cavaco Silva” refiro-me ao armamento pesado, como aquele que o grupo de Sócrates usou contra Cavaco já por duas vezes. Uma vez, contra Cavaco e Manuela Ferreira Leite, a história do e-mail do jornalista do Público sobre a sua fonte de Belém, que, com a colaboração do Diário de Noticias, foi usado para fragilizar o Presidente e Manuela Ferreira Leite, como vítima colateral. A outra é a história do BPN e da casa do Algarve. Isto é preparado com tempo, e usado no momento certo.

Ora, eu tenho a certeza que também há do mesmo armamento contra Passos Coelho e os seus próximos e não tenho dúvidas que a casa de Sócrates, actuando como sempre actuou by proxy, o usará se for preciso. Se não o usar ou é ou porque não é preciso, ou é porque, bem vistas as coisas, o PS sempre esperará um governo de bloco central ou qualquer forma de entendimento, e evitará uma política de terra queimada. Mas esta gente não brinca em serviço. Se se modera, é só porque pensa ganhar alguma coisa com a moderação.

Pacheco, 10 de Fevereiro

Sócrates não quer sair do poder. Quer ser primeiro-ministro. Para isso precisa de eleições. Mas não de umas eleições quaisquer. Desde a tomada de posse de Cavaco que resolveu fazer tudo mas absolutamente tudo para que possa sair do governo como vítima. Depois virão as eleições e aí a vida de Passos Coelho será vasculhada de cima a baixo. Alguma coisa o gabinete do costume há-de arranjar. No PS o que para lá anda de oposição cala-se mais uma vez. No dia em que nos virmos livres de Sócrates e da sua gente perceberemos que mesmo com crise o mundo é um lugar bem mais respirável.

Helena Matos, 11 de Março

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Pacheco Pereira e Helena Matos são cópias um do outro em vários aspectos, até no mau português. Ganham o pão na indústria da política-espectáculo, promovem assassinatos de carácter, apelam ao ódio e chafurdam em todas as campanhas sujas dirigidas aos adversários que transformam em párias. Ei-los aqui a projectar nos outros o que na realidade são como inveterados caluniadores.

No entanto, há algo de muito estranho no que tiveram a ousadia de escrever e assinar. Ambos dão como certo que alguém ligado a Sócrates iria difamar Passos Coelho. O Pacheco, mestre da suprema canalhice, chega ao ponto de dizer que Sócrates é culpado mesmo que o ataque a Passos não seja feito, pois tal ausência de matéria de facto apenas significaria que não tinha sido necessário avançar com o plano ou que outros interesses teriam levado à retracção. O que afirma não deixa qualquer dúvida a respeito de uma qualquer informação que ele sabe, ou imagina, estar na posse do PS. E não há qualquer dúvida porque, tanto no caso do email divulgado pelo DN, como no caso da Coelha, estamos a lidar com documentação cuja existência foi comprovada:

Ora, eu tenho a certeza que também há do mesmo armamento contra Passos Coelho e os seus próximos e não tenho dúvidas que a casa de Sócrates, actuando como sempre actuou by proxy, o usará se for preciso.

Não é a primeira vez que o Pacheco alude publicamente a supostos conteúdos ainda secretos para o grande público. No auge da crise originada pela descoberta de que a conspiração lançada pelo Zé Manel em Agosto de 2009 tinha sido uma encomenda de Belém, um marmeleiro desvairado de raiva escarrou o seguinte:

Eu compreendo que o Presidente da República, até pelas coisas graves que tem certamente para dizer face aos ataques que lhe têm sido dirigidos, não queira falar em período eleitoral. O que diria perturbaria e muito o período eleitoral. Mas temo que só depois das eleições é que se vá saber demasiadas coisas sobre esta governação e sobre o Primeiro-ministro. E temo que isso seja um fardo muito difícil de gerir, ganhe quem ganhar as eleições. Seja no caso Freeport, seja na questão da eventual espionagem aos seus opositores, seja no ataque à TVI e ao Público, seja nos múltiplos negócios que estão por esclarecer, da OPA da Sonae à crise do BCP e à interferência da CGD, seja no caso BPN e nos nunca esclarecidos movimentos do dinheiro da Segurança Social, seja na tentativa de compra da PT da Media Capital e etc,. etc. Um etc. demasiado grande.

Pacheco, 20 de Setembro de 2009

Pacheco deixava assim transparecer que já conhecia o processo Face Oculta, e suas escutas a Vara e Sócrates, em plena campanha eleitoral para as legislativas de Setembro, quando era suposto ainda estar no segredo de Justiça e nenhum jornalista amigo de magistrados tinha feito parangonas à conta da pulhice. Muitos meses depois, António Costa disse-lho na cara, numa Quadratura, tendo obtido como resposta uma risota sardónica e a negação sem qualquer convicção. Obviamente, ele não poderia admitir que sabia naquela altura, mas também não sentiu necessidade de defender a sua honra posta em causa tão pública e frontalmente. E se o Pacheco sabia, toda a meia laranja já estaria farta de se mijar a rir nos almoços e jantares estivais da gente séria, fantasiando Sócrates algemado e metido na ramona a caminho do Torel.

Estamos a poucos dias das eleições, num cenário de imprevisibilidade, e nem um vagido foi publicado que macule a pessoa, nem a privacidade, de Passos Coelho ou de qualquer dos seus mais próximos companheiros de partido. Aliás, foi o próprio que optou por trazer a sua intimidade para a campanha, vendo nessa exposição uma vantagem eleitoral. Caso ainda viesse a aparecer qualquer boato, e para além do interesse em saber donde vinha para punir legal ou moralmente os caluniadores, teria um efeito nulo ou até contrário – tal como aconteceu com o ataque que o Independente fez em 2005, lançando a conspiração do Freeport em cima da votação.

Mas tanto o Pacheco como a Helena contam-nos uma outra história. Estão absolutamente confiantes na viabilidade de uma tentativa de assassinato de carácter, e nesse campo eles são dos nossos mais codiciosos especialistas. Se eu fosse ao Passos, tinha muito cuidado com esta dupla venenosa.

14 thoughts on “Um par de víboras”

  1. Julgamos pelos padrões do nosso comportamento, pelo que Pacheco Pereira e Helena Matos revelam o seu modus operandi, enfim, já bem conhecido, mas Pacheco Pereira assume as etapas da estratégia. Isto é doentio.

  2. Caro Val,
    com uma granda diferença cultural, estes dois têm em comum o carinho que a Manuela Ferreira Leite devota ao Sócrates.
    Para eles a liberdade de expressão passa por publicar pseudos-conhecimentos sobre processos de intenção sobre qualquer mortal que lhes não agrade.
    Figuras segundas que na sombra tecem urdiduras várias, lá vão levando a água ao seu moínho sem se preocuparem com os assassínios públicos de carácter que vão cometendo ao longo da sua vida.
    Amorais por natureza, fazedores de factos que lhes granjeiam o sustento nunca os veremos receber subsídios de desemprego ou preocupar com as subidas do IVA.
    Com remunerações muito acima dos salários mínimos passeiam a sua animosidade pelos salões da má-língua à cata de mecenas que os sustentem.
    Pertencam a uma espécie que singra em Portugal, a da cultura da má-lígua, a sua única diferença para além da óbvia e que é de género, é apenas intelectual. Aí o Pacheco leva a palma, pois por muitos defeitos que tenha não podemos de o considerar um prolífico escritor e um estudioso compulsivo.

  3. a iena de matos é uma trauliteira de serviço em ascensão na comunicação social, não dá uma para a caixa e destila fel ao socras. está melhorar o visual telegénico, já mostra as mamas e se lhe garantirem aumento aparece em latex.

  4. Estão-se a esquecer na quadratura do círculo da Voz do Dono. É um perfeito troca-tintas, refinado parasita que defende ali com unhas e dentes o lugar que o patrãozinho lhe garante. Se o Pachecóvio diz mal do Socas ele abana a cabeça a dizer que sim e vem de seguida acrescentar mais alguma parvoíces. Não tem ponta por onde se lhe pegue e só me admira que a SIC dê guarida a estes parasitas.

  5. Essa de «algemado a caminho do Torel» é um espanto. Há mais de 45 anos que não ouvia essa expressão. Hoje o Torel é um jardim e ao lado estão dois guardas prisionais. Quanto às víboras é uma pena eles não se morderem uns aos outros…

  6. Nada tenho a acrescentar a este excelente texto excepto o seguinte desabafo: porque é preciso que os bloggers (os tais “amadores” da comunicação) façam o trabalho de casa que os jornalistas (os tais “profissionais” da comunicação) não fazem?

  7. JIMMY JAZZ

    porque os bloggers estao agarrados ás suas convicções e os jornalistas estão agarrados a outros interesses, além da ignorancia natural destes

  8. Passos vai ser churrasco nas mãos dos sindicatos dos comboios dos médicos e professores.

    Mas que não minta nem dê remédios farmaceuticos de graça aos velhos, e não faça «SOCRATICES», já não é mau!

  9. SPORTINGUISTA ATEU

    Que não minta???? em que mundo vives?

    Só se disseres que não minta… depoisssss do dia 5 de junho (é melhor não pôr o ano)

  10. Estou completamente siderado. Acabo de chegar dos C.T.T. onde tenho um Apartado. E que encontro eu dentro do mesmo? Pois nem mais nem menos que um folheto de propaganda política com o retrato do Passos e de uma gaja. Claro que rasguei de imediato a propaganda e depositei no caixote do lixo.
    Agora pergunto eu: então, os C.T.T., uma empresa pública, permite que os seus funcionários andem a por propaganda dentro das caixas de correio dos utentes das mesmas? Mas onde chegámos? Ainda estes f.d.*. não são governo e já manipulam os C.T.T.? E quem põe cobro a isto?

  11. Basta de queixumes e de chamar nomes às pessoas. Lave-se a roupa que se lavar, ganhe quem ganhar, a cabala judaico-maçónica, estrategicamente posicionada em todos os partidos e noutros poleiros insuspeitos, nunca perde: foi no 5 de Outubro, foi no 28 de Maio e no 25 de Abril. O resto é som de castanholas e mau sapateado.

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