Todos os artigos de Valupi

Já somos dois

Górgias (workflow)

Há um exercício retórico ao qual me dedico amiúde e que surge sempre sem eu querer:

1. Indigno-me com alguma coisa e começo a escrever sobre ela, argumentando ao sabor da minha indignação - tanto que, grande parte das vezes, não estou a escrever sobre o que me indignou, mas sobre a indignação em si.
2. Mais ou menos a meio do texto apercebo-me de que a minha posição é indefensável.
3. Mais por prazer do que por orgulho ou teimosia continuo a defender a minha posição indefensável.
4. Limo o texto, usando de subterfúgios pseudo-estilísticos banais e de uma lógica aparente (e aparentemente lógica).
5. Quando estou satisfeita com a minha fraude, releio-a várias vezes, com prazer.
6. Se a cadência e a fluidez do que escrevi me conseguirem fazer esquecer as minhas mentiras, retiro-me do texto.
7. Se me acontece voltar ao texto, muito tempo depois, penso: que bem que eu escrevia, que diletante que sou.

Filigraana

Política, essa doença

Esta girafa ’tá muito mal. Muito mal… Vê estas malhas todas aqui? Isto é fígado! Sim senhor, fígado… Eu preciso é de lhe ver a língua. Tem a língua suja. Ela tem comido bem? Mal? Mal, sim. Olha, de hoje em diante, só água fervida, mais nada. Regímen absoluto, absoluto.

Canção de Lisboa

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A decisão de viajar em classe económica nos voos europeus, que Passos passou a cumprir, não é censurável. Para além de ter sido anunciada na campanha, está de acordo com a moral que vem de ser validada politicamente em dois actos eleitorais consecutivos: legislativas e presidenciais. Também o voto em Cavaco legitimava o discurso contra a classe política que ele assumiu em crescendo desde 2008, e que este tipo de medidas hipócritas e irracionais simboliza. Na sua faceta mais radical, estamos no território dos remédios contra a doença, a metáfora que – na ausência de uma real criminalização de Sócrates e sua equipa governativa – atinge o propósito de castigar e anular o inimigo. Se não vão para a prisão, irão para o hospício. Veja-se o à-vontade, mesmo júbilo, com que César das Neves espalha esta mensagem.

Os tempos estão bons para populismos. O magnífico triunfo de Cavaco, ao conseguir derrubar o Governo e dar a maioria a PSD e CDS, foi feito apenas com essa estratégia. Não havia mais nada para dizer, muito menos para pensar, tratava-se só de uma questão de insistência, de repetição. Tendo na mão os patrões da comunicação social, e parte da RTP, conseguiu-se uma transversal base sociológica, da extrema-direita à extrema-esquerda, de apoio ao ataque às instituições democráticas. Os discursos das capturas dos políticos, das negociatas com as empresas e da gordura do Estado nunca eram substantivados, nunca se demonstrava a suposta ilegalidade ou falha de gestão, ficavam apenas pela exploração das aparências no intento de as deturpar. Quem aparecesse com uma proposta a desconstruir as calúnias e a promover a racionalidade, chamando a atenção para os institutos e mecanismos fiscalizadores, tanto nacionais como internacionais, não seria sequer levado em conta.

Quando o maior partido da oposição, secundado por uma legião de comentadores a ocupar todos os espaços de opinião, aposta na envenamento da honorabilidade dos governantes, levando ao extremo a natural desconfiança que sempre existe em relação ao exercício do poder, gera-se uma vaga de fundo que vai aplaudir aquilo que consegue entender. Passos a voar em económica é algo que qualquer um entende; saber se as suas políticas para a Saúde, Educação e Ciência são as melhores, isso já poucos entendem. São coisas lá dos políticos, doenças.

Peço pouco

Juros da dívida aproximam-se dos 16 por cento a três anos

Durante ano e meio não se calaram. Os juros da dívida pública subiam porque o PS estava no Governo e Sócrates era um tarado que não descansava enquanto não cobrisse Portugal de Norte a Sul com uma camada de alcatrão com 10 metros de altura, aeroportos internacionais em todas as freguesias e mais linhas de TGV do que auto-estradas e caminhos de cabras. Diziam que bastava mudar de gente, pôr lá a boa, a séria, a da verdade e da poupança, para de imediato os mercados voltarem a atinar.

Não peço muito. Peço só que os voltemos a ouvir agora.

Grandes questões

Se o Porto for campeão com o Vítor Pereira já na próxima época, fica definitivamente numa classe exclusiva, distinguindo-se do Benfica e do Sporting: super-grande.

E se o Sporting não lutar pelo título até ao fim, depois de ter ficado a 36 pontos do 1º classificado e a 15 do 2º, passa a ter o seu estatuto de grande em risco.

A pasta Kinder

A referência à média de idades do Governo, e respectiva experiência política de cada Ministro, é conversa para entreter. Qualquer um daqueles nomes pode revelar capacidades e talentos que ninguém poderia adivinhar sem eles terem sido postos à prova. Tal como um outro elenco feito com dinossauros cavaquistas não garantiria sequer siso, quanto mais eficácia, se estes últimos anos de oposição vil servem de critério.

Só há uma figura que me desperta as maiores suspeitas: Paula Teixeira da Cruz. Ela tem pautado as suas prestações públicas por uma constante expressão do ódio. Se continuar nesse descontrolo emocional – ou melhor, ético – enquanto Ministra da Justiça, as disfunções e perversões serão muitas e muito graves.

Tomemos posse do governo

A tomada de posse do XIX Governo Constitucional constitui-se como o efectivo começo de novo ciclo político em Portugal. Os cidadãos que dele fazem parte, assim como todos os deputados eleitos, merecem incondicional gratidão. Eles são os nossos representantes e a eles se entrega a direcção do Estado. É uma das mais altas responsabilidades que se pode assumir atingidos os 18 aninhos de idade. E uma das tarefas mais difíceis e desgastantes pelos desafios cognitivos, éticos, afectivos, emocionais, físicos e volitivos que coloca. Especialmente no Governo, a exposição é permanente e quase holística, sujeitos à fiscalização de entidades oficiais e populares. As oportunidades para errar são tantas quantas as ocasiões para decidir, pelo que os governantes estão sujeitos ao esforço máximo e aos mais variados riscos no seu exercício do poder. No mundo ideal – ou numa terra de ideais; ou tão-só para gente com boas ideias – a comunidade começaria por celebrar a disponibilidade destas pessoas para os cargos onde juram dar o melhor de si, prometendo ajudá-las a cumprir com tão alta missão. Porque elas estão ao nosso serviço.

Numa democracia, as eleições são um sacramento. Qualquer meio politicamente reprovável, moralmente errado ou eticamente iníquo usado até ao momento do sufrágio deixa de contar após o legal apuramento dos votos. Esta é a fraqueza e a força das democracias, capazes de acolherem o patife e o samaritano, não sendo óbvio quem o povo irá preferir. De resto, o samaritano pode ser completamente burro no que toca à governação e o patife pode ser luminosamente inteligente no que concerne ao interesse nacional. A república escreve direito por líderes tortos.

Aqueles que alimentam o discurso do ódio contra os políticos não ajudam ninguém, a começar por eles próprios, tornando-se parte do problema. Tirando os manipuladores, que exploram os sentimentos de desconfiança e desespero, quem verbaliza o seu fel contra os soberanos está, no fundo, a pedir ajuda. O seu estado de confusão e medo já deixou de ser controlável. O resultado é tóxico, contagiante e destinado a acabar numa qualquer forma de violência. Os democratas não ostracizarão estes pobres coitados, precisamente porque os compreendem. Os democratas também não serão complacentes com os demagogos e populistas sempre dispostos a aumentar a entropia cívica, aqui não fazendo prisioneiros.

Ser parte da oposição é ser parte da governação. É, num certo sentido, ainda mais importante do que governar. No Governo há um vasto conjunto de inevitabilidades que decorrem dos meros actos de gestão inerentes às tutelas, a que se somam os eventos sucessivos a que os governantes não podem faltar com a sua presença corporal ou mental. Isso significa que a actividade executiva não oferece oportunidades para a inovação, desenvolvimento e maturação intelectual. Governar é também reflectir, claro, mas adentro dos problemas concretos e urgentes. É na oposição que se pode realizar o trabalho de investigação e debate donde nascem novas propostas políticas, sociais e culturais. Uma oposição digna não cede na sua responsabilidade fiscalizadora, bem ao contrário: leva-a para dimensões e extremos que se confundem – mas não colidem, posto que noutro plano – com a actividade governativa. Não haverá oposição mais temível do que aquela que confia na capacidade do Governo vir a ser um exemplo de excelência, mesmo que em nada concorde com o seu programa e decisões.

Se tudo correr na perfeição, este novo Governo conseguirá chegar ao fim da legislatura com a obra realizada, aquela a que se propôs no início e aquela que as circunstâncias tornarão conveniente ou necessária, levando a votos os resultados obtidos. Se tudo correr na perfeição, as oposições e os parceiros sociais defenderão os seus interesses e farão acordos. Se tudo correr na perfeição, tu e eu ficaremos ainda mais apaixonados pela política, diariamente tomando posse do governo da nossa radiante liberdade.

A regra do jogo

Eu queria denunciar aqui aquilo que se está a passar em Portugal neste momento, onde é claro que a comunicação social trouxe à luz um plano do Governo para controlar os jornais, para controlar estações de televisão, para controlar estações de rádio.

Ainda esta semana um jornalista muito conhecido viu censurada uma crónica sua também por aparente sugestão do Primeiro-ministro. Perante isto, o Primeiro-ministro José Sócrates tem de dar explicações substanciais ao país e explicar que não está a dominar, a censurar, a liberdade de expressão em Portugal.

Pela forma que estamos a andar, Portugal já não é um Estado de direito. É um Estado de direito formal, onde o primeiro ministro se limita a formalidades, a procedimentos, a formalismos e não quer dar explicações substanciais.

Paulo Rangel ao Parlamento Europeu, Fevereiro de 2010

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É impossível ligar o televisor, papar um vídeo onde alguém diz que entregou envelopes castanhos com uns trocos lá dentro ao actual primeiro-ministro do país onde se calhou nascer e viver e não ficar irremediavelmente afectado nas suas certezas e convicções. Ou sair à rua, olhar para a banca dos jornais e ver impresso numa capa um suposto diálogo telefónico, supostamente captado pela polícia e supostamente validado por magistrados, com base no qual esse jornal mui amigo da transparência sugere que o actual primeiro-ministro do país onde um gajo deu por si a nascer e a viver é uma versão transmontana do Al Capone. Pura e simplesmente, não se resiste a uma campanha deste tipo. Vamos ao tapete porque não há como evitar os golpes sucessivos que acertam em cheio na nossa cabeça.

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O Amado e o odiado

Belém e PSD, a partir do consulado de Ferreira Leite, usaram a Justiça e a comunicação social para levar a cabo o plano de destruir política e civicamente o cidadão José Sócrates, não se coibindo de acirrar ao extremo as pulsões populistas antipolíticos – sempre em crescendo em períodos de crise económica, e tão mais fermentáveis quão maior for a iliteracia, ignorância e dificuldades cognitivas dos grupos e segmentos sociais mais desfavorecidos. Foi também nessa lógica que cooptaram Nobre, um demagogo lunático que tinha conseguido abarbatar perto de 600 mil votos apenas recorrendo a um patético culto de personalidade. A embrulhar este degradante intento social-democrata, aparecia Cavaco a clamar pela verdade e a cavalgar o ódio contra as autoridades democráticas, enquanto punha a máscara apolítica e varria para debaixo do tapete os seus 30 anos de responsabilidades em actividades governativas.

Neste quadro, Luís Amado foi alvo de uma trôpega manigância para criar divisões no Governo, dadas as suas posições centristas e o inatacável sucesso da sua pasta. Invariavelmente, apareciam vozes do PSD a manifestar admiração pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e a sugerir que ele seria um dos substitutos ideais para ocupar o lugar de um Sócrates obrigado a deixar a sua cabeça numa travessa a ofertar aos Cavaquistas. Dentro da nojeira que se espalhava histericamente por tudo o que era espaço de comentário político, dizia-se que apenas Amado se salvava num grupo de bandidos que ia arruinando o País. O facto destas calúnias ofenderem quem assim parecia estarem a elogiar, porque o desonravam na associação, era o que menos preocupava os fidalgotes laranjas ressabiados, cegos de raiva e sequiosos pela vingança. Sócrates era a sua desvairada e maníaca paixão, valia tudo.

Que não espante, pois, o silêncio que os sicofantes estão a fazer sobre estas palavras:

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Evolução das espécies

Há quem louve Passos por ter tido o cinismo de levar avante a tentativa de colocar Nobre como segunda figura do Estado apesar de saber que tal não seria sequer desejável para o PSD, agora que já tinha alcançado o Poder. Estes são os mesmos que não se importam nada por Passos ter prometido a Nobre algo que não só não estava em condições de garantir como ficava como um insulto, por mais do que uma razão, à própria Assembleia da República.

Depois da forma como mentiu acerca do que se passou numa certa quinta-feira à noite, e agora com a frieza como achincalha Nobre, à mistura com outros sinais dados na campanha em situações de exposição emocional com populares, temos aqui o começo de um esboço que sugere estarmos perante uma espectacular mutação na Ordem Lagomorfa: o aparecimento do primeiro coelho carnívoro.

Os partidos vão acabar com o desemprego

Aqueles que encheram as televisões, jornais e rádios com crescentes, inflamados, lancinantes e desesperados avisos de estarmos à beira do abismo, ou já em queda parabólica no vazio, calaram-se de repente. Alguns, passaram a exibir as saudáveis cores da segurança e da tranquilidade. Outros, de imediato mudaram de disco e lembraram, cheios de razão, que precisamos de enfrentar os desafios com optimismo, pois sem essa confiança em nós próprios é que nada se alcança. Desde o lançamento do mote do difuso mal-estar – com que a malta da SEDES anunciava em Fevereiro de 2008 estar muito preocupada com a implosão do BPN e BPP, a que se somavam as consequências desgraçadas da guerra intestina entre Jardim Gonçalves e Paulo Teixeira Pinto e entrega do BCP aos maçónicos – que temos tido 3 anos seguidos de promoção do catastrofismo e da ruína moral. Foi uma campanha extraordinária nos meios reunidos e na sua intensidade, consistindo na mensagem de que os vencedores das eleições legislativas desde 2005 não tinham legitimidade para governar por serem incompetentes e corruptos, por um lado, e, pelo outro, de que só o FMI conseguiria pôr ordem nisto, afastar a ladroagem, disciplinar os indígenas e entregar o poder às pessoas de bem, a gente séria, aqueles que nasceram para mandar nesta merda toda. Felizmente, a 5 de Junho estas centenas de políticos, empresários, jornalistas e comentadores puderam finalmente descansar. Tinham salvado Portugal das garras do demónio.

Esta história contém uma lição da maior importância para os 700 mil desempregados: os partidos, mesmo que um asteróide de 100 quilómetros esteja a poucas horas de acertar em cheio em S. Bento, estão sempre prontos para assumir os sacrifícios da governação. Aliás, em tempos de penúria ainda maior surge a ferocidade com que se tenta obter o alimento; isto é dos livros e da selva. Assim, a solução para o desemprego está à vista de qualquer um: inscrição num partido como militante. Para o desempregado é a carreira ideal, pois pode dedicar todo o seu tempo ao partido. Subirá no respeito, consideração e estima da hierarquia em menos de nada, graças à colagem de cartazes, distribuição de panfletos, participação em sessões de esclarecimento, comícios, manifestações e greves (caso se escolha um partido que seja proprietário de sindicatos). Para além deste quotidiano cheia de animação e interacção popular, os partidos fornecem aos desempregados as condições mínimas para levaram uma vida saudável e confortável, porque há sempre nas sedes partidárias frigoríficos cheio de minis e dispensas com sacos de amendoins e latas de salsichas. À noite, pode ficar-se a dormir nas salas de reunião e corredores. O ambiente para os novos residentes é familiar, à direita, e de camaradagem, à esquerda. Claro, os partidos têm diferente riqueza patrimonial e financeira, não sendo igual entrar no PSD e passar a frequentar a Lapa ou escolher o Partido Humanista e ir parar a uma cave insalubre sabe-se lá onde. Mas, no final, vai dar tudo ao mesmo. Pense-se só no que poderiam alcançar os desempregados portugueses se fossem militantes do Partido dos Animais. Pois, seriam logo a terceira força política no Parlamento, e receberiam 3,16 euros por voto. É fazer as contas.

Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

Teen Brain Data May Predict Pop Song Success, Study Finds
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What Are You Looking At? Conservatives May Be Less Sensitive to Certain Social Cues
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Daily Acts of Sexism Go Unnoticed by Men, Women
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Money Can’t Buy Happiness: Individualism a Stronger Predictor of Well-Being Than Wealth, Says New Study
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Imagination Can Influence Perception
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The Way You Relate to Your Partner Can Affect Your Long-Term Mental and Physical Health, Study Shows
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9 Tips to Fall Asleep Faster
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Is A Man More Desirable To Women If He Drives A Porsche?
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Low-Carbohydrate, High-Protein Diets May Reduce Both Tumor Growth Rates and Cancer Risk
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Extensive TV Watching Linked With Increased Risk of Diabetes, CVD and Death
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Growing Up With Bullies Not a Normal Part of Childhood
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Increasing Equality Has Led to Better Dads

Louçã e a rede social

Louçã conseguiu ofender Rui Tavares apenas com o recurso ao Facebook e à sua megalomania: Quatro são mesmo quatro. A resposta do Rui termina com uma bela amizade e deixa um problema urgente para os militantes do BE: agora que já não é possível continuar a fechar os olhos perante o narcisismo e paranóia de Louçã, a quem é que vão entregar o partido?

Aquando do caso que envolveu Paulo Campos e Joana Amaral Dias numa palhaçada literalmente ridícula, antes das eleições de 2009, Louçã explorou a oportunidade de modo febril para atacar Sócrates e o PS, pouco lhe importando existirem eventuais consequências negativas da sua desbragada deturpação a recaírem sobre a Joana. Também nesse tempo, fez comentários que pretendiam atingir Miguel Vale de Almeida, apresentado como alguém que tinha feito um pacto com o Diabo.

Entretanto, Louçã veio dizer que muita gente não tinha compreendido a recusa do BE em reunir com a Troika. Assim, após ter visto os seus deputados reduzidos a metade, declarava-se arrependido. Se fosse agora, teria ido lá dizer das boas aos gringos, admite contrafeito. Os resultados eleitorais tinham-lhe feito ver a luz.

Estes factos mostram que Louçã faz um uso revolucionário da sua rede social: magoa os amigos de longa data e abdica da coerência para tentar agradar a estranhos.

As cinzas de Cavaco

Quando Cavaco faltou ao funeral de Saramago, chegando ao miserável baixo nível de ter usado a sua família como desculpa, tive a esperança de que tamanho desprezo por Portugal assinalasse a sua eventual desistência das presidenciais. Acreditava que aqueles eleitores com respeito por si próprios – na esquerda, no centro e até na direita – jamais seriam capazes de votar em semelhante criatura. E julgava que mesmo quem tinha sido complacente com a Inventona de Belém, por acharem que valia tudo contra o odiado Sócrates, não lhe perdoaria essa manifestação de vil ressentimento na hora da morte de um dos maiores símbolos pátrios da actualidade, pouco importando as suas ideias políticas perante a obra artística e sua projecção internacional. Afinal, Cavaco foi reeleito, e à primeira. Logo de seguida, com o decisivo apoio do BE e PCP, conseguiu derrubar o Governo socialista e levar o País para uma situação onde a direita tem pleno poder.

A Isabel, ainda por cima num excelente texto, deixou há meses este aquilino retrato:

Cavaco é um dos políticos com menos sentido do institucional de que tenho memória: não respeita a lógica dos seus poderes elementares; ignora o procedimento dos vetos e atira-se às televisões às 20h em drama sanguinário, odeia a democracia, donde conhecermos várias declarações do PR indignadas com o facto de ter bastado a maioria parlamentar para aprovar leis; planta mentiras nos jornais acerca do Governo; tudo isto numa lista interminável que vai ao requinte de anunciar no seu mui moderno site o pedido de demissão do PM antes que o PM pudesse dizer aos portugueses que apresentara o referido pedido.

A sua vingança contra Saramago, levando a que o Presidente da República Portuguesa tivesse preferido ficar de férias nos Açores a perder umas horas numa homenagem a um concidadão que continuará a ser lembrado pelos séculos vindouros, dá conta da impensável decadência a que chegou a direita nacional. Mesmo assim, não tão decadente como a imbecilidade dos imbecis, os quais se juntaram a esta desgraça ambulante para afastar o único político que tinha deixado apavorados e furibundos os mortos-vivos do Cavaquismo.

Os caminhos do Bernardino

É um conjunto de ministros que confirma a intenção deste ser um Governo apostado em aplicar uma política muito à direita, de submissão ao que está a tentar ser imposto pelo FMI e pela União Europeia, e que vai continuar a aumentar as desigualdades sociais, a impor uma recessão económica e o aumento do desemprego, abdicando de instrumentos fundamentais para o desenvolvimento do nosso país. E isso é um caminho muito negativo.

Bernardino Soares

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Bernardino elenca as razões pelas quais o PCP se aliou aos partidos que pretendiam substituir um Governo socialista por outro apostado em aplicar uma política muito à direita. Para os comunistas portugueses todos os caminhos vão dar à defesa dos trabalhadores – e aqueles percorridos de braço dado com a direita, que fingem detestar, são os caminhos preferidos.

Marx não saberia o que dizer perante este paradoxo na luta de classes, mas Freud explica.

Good food for good thought

When the current financial crisis hit, the failure of traditional economic doctrines to provide any sort of early warning shocked not only financial experts worldwide, but also governments and the general public, and we all began to question the effectiveness and validity of those doctrines.

A research team based in Israel decided to investigate what went awry, searching for order in an apparently random system. They report their findings in the American Institute of Physics’ journal AIP Advances.

“To a non-economist, economic theories seem decoupled from human reality. The fundamental assumption is that investments are made rationally. But investors can behave irrationally—driven largely by greed and fear, and other human factors,” explains Ben-Jacob. “It’s also odd that many mathematical analyses, such as the design of investment portfolios, assume no memory. It’s assumed that stock prices behave with no apparent temporal order. Yet investors, including professional traders, take into account past behavior and are particularly influenced by the variation in prices or the volatility associated with the fear index.”

Ordered Fear Plays a Strong Role in Market Chaos