Todos os artigos de Valupi

Laboratório de Ideias – sessões oficiosas

O direito de inventário

Ideias testadas nesta sessão:

– Francisco Assis entrou na lista de alvos a abater.

– Há uma seita no PS.

– Apelar à unidade do PS é amordaçar o partido, prolongar a falta de pluralismo e debate interno do socratismo.

– Soares é mais um daqueles tansos a quem Sócrates fez a cabeça.

– Os dirigentes e militantes socialistas, nos últimos 6 anos, não passaram de cães-de-fila do socratismo tirânico.

– Os casos lançados contra Sócrates e contra governantes socialistas provam, sem necessidade de desfecho judicial ou mera análise, a razão que assiste aos acusadores.

– Os socráticos preparam-se para acabar com o PS.

– Manuel Maria Carrilho continua sem tempo para oficializar a sua participação no Laboratório de Ideias para o qual foi convidado por António José Seguro.

Aspirina marada

Estamos com problemas que impedem a utilização dos comentários. A única boa notícia que posso dar neste momento é a de já termos excluído qualquer responsabilidade dos Protocolos dos Sábios de Sião pela ocorrência.

O castigo como salvação, paradigmas da portugalidade

Ouvindo o Fórum TSF, por exemplo entre tantos outros exemplos, deparamos com múltiplos testemunhos de pessoas a repetirem o discurso da culpa, da necessidade do sofrimento através da austeridade, da cura moral pelo corte de serviços públicos e de rendimentos, do exorcismo pátrio na diabolização de um indivíduo.

Pelo léxico, a sintaxe, o pathos, não andaremos longe se os retratarmos como pertencentes a uma classe média baixa ou baixíssima. Talvez alguns sejam factualmente pobres. Mas querem juntar-se ao cortejo, sentir o poder de, nem que seja por uns instantes, darem um sentido ao absurdo da sua vida ou das vidas que os cercam, das vidas que os ameaçam por serem o que são na sua desgraça. Talvez alguns até sejam votantes da esquerda pura e verdadeira, mas também aí foram sendo constantemente avisados de que habitavam num território entregue a criminosos e que só pela grande expiação colectiva se conseguiria alcançar a terra prometida.

Perante isto, a soberba de Passos-Relvas ganha a sua perfeita definição. E somos confrontados com a pior das misérias: as vítimas transformadas na sombra dos carrascos.

Prémio Ranho 2012

O líder parlamentar do PSD acusou o PS de «falta de coragem» em «assumir posições impopulares» e de estar contra medidas que «inscreveu no memorando», afirmando que os socialistas vivem «uma liderança bicéfala» no Rato e em Paris.

Discursando no XXXIV Congresso do PSD, Luís Montenegro fez uma longa intervenção de críticas cerradas à atual liderança do PS, acusando-a de «não cumprir a palavra que deu», de ter «vergonha das suas causas», de estar «contra tudo e contra todos» e ser «pobre e mal agradecida» em áreas como a educação, a administração local ou a saúde.

No entanto, o líder parlamentar do PSD considerou que «há uma atenuante» para estas críticas. «A vida não está fácil no interior do PS, o PS é hoje um partido com duas lideranças, lamentavelmente com duas lideranças, o PS tem uma liderança oficial, com sede no Largo do Rato, e tem depois uma liderança que é mais ou menos clandestina, que parece que não mexe mas mexe, que vem desde Paris com ventos e telefonemas», afirmou.

Fonte

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Montenegro é uma figura que aprecio sobremaneira. Representa o protótipo do político PSD: advogado, carreirista, pândego. Está sempre a sorrir, anunciando ao mundo que a vida lhe corre bem e tenderá a correr cada vez melhor. A sua mensagem calada é a de que a política não passa de um jogo, e bem básico por sinal. Tão básico que até ele o consegue jogar com imperturbável descontracção. Vive agora o seu momento de maior projecção, tendo a magna responsabilidade de chefiar a bancada.

Pois este passarão foi para o congresso no propósito de rivalizar com Menezes na corrida para o Prémio Ranho 2012. E embora os resultados só venham a ser conhecidos no final do ano, há uma alta probabilidade de já ter garantido a vitória. É que o seu material, no que ao ranho diz respeito, parece imbatível. Montenegro resolveu atacar o PS e Seguro recorrendo ao que o Correio da Manhã publicou há poucas semanas, onde demos por nós a descobrir que alguém em Paris tinha violado a privacidade de Sócrates, ou assim se alegava, escutando o que ele dizia ao telefone. Ficámos com um dos mais altos momentos do jornalismo franco-atirador – seja qual for o ponto de vista deontológico, moral, ético, ou tão-somente lógico – mas essa peça estava destinada a um voo ainda mais alto: ser usada num congresso partidário social-democrata, pelo líder parlamentar, para insultar o maior partido da oposição.

A sarjeta que é o Correio da Manhã faz as delícias da elite do PSD. E se eles se permitem esta exibição pública da sua decadência, o que não se passará nos bastidores? Até onde chegará a sua violência? A pulsão caluniosa sistemática e sórdida exibida tanto pela arraia-miúda como pelas figuras gradas do PSD deveria ser suficiente para terem menos intenções de voto do que o PNR. Todavia, estamos em Portugal e a oligarquia conhece este país de ginjeira.

Impressionar nas greves, brilhar nos congressos, seduzir em Braga

Holding a Gun Makes You Think Others Are Too, New Research Shows
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Classical Music Slows Mice Transplant Rejection
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Poverty Leads To Poor Health – But Not For Everyone
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Snacking On Raisins May Offer a Heart-Healthy Way to Lower Blood Pressure
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A New Take on the Games People Play in Their Relationships
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Meditation Fights Cancer and Promotes Longevity
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Media, Politics, and Democracy: In the Election Season
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Beer and Bling in Iron Age Europe
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‘Coregasm’ or Orgasm With Exercise Is Real, Says Kinsey Study

Sê rei de ti próprio – III

A quem interessa o populismo, ou niilismo, anti-políticos, anti-partidos, anti-deputados? Depende, né? Depende donde ele vem e como ele vem.

Se vier do analfabruto, ou do deprimido, ou do xexé, ou do desempregado, ou do cínico, ou do facebookiano, é uma coisa. Uma coisa boa, porque exprime uma honestidade. Aquelas pessoas pensam aquilo. Tal e qual. Isso significa que, havendo recursos, disponibilizando-se voluntários e horas, ou dias, ou meses, aquelas pessoas trocariam os seus pensamento decadentes, anti-democráticos, anti-republicanos, anti-cidadania por outros. Melhores? Sem dúvida alguma. Qualquer coisa é melhor do que o culto da impotência, que é a única consequência do discurso contra os políticos e contra a política. A energia desses discursos é bondosa, pois contém uma ideia de justiça. Mesmo que essa ideia seja primária, ou incoerente, ou inviável, continua a ter uma certa forma que abre um espaço onde a comunicação pode acontecer.

Se vier do próprio político, do publicista, do jornalista, do empresário, do profissional disto ou daquilo, do dirigente de uma merda qualquer, é uma outra coisa. Uma coisa má, porque nasce de uma desonestidade. Aquelas pessoas não pensam aquilo. Muito pelo contrário. Se o pensassem não estariam a ocupar os cargos que ocupam, os quais dependem da manutenção de um qualquer sistema político em condições regulares de legitimidade e funcionamento para existirem e permanecerem. Invariavelmente, é a sua íntima frequência dos círculos e circuitos da política partidária e executiva que lhes dá a motivação e a confiança para simularem uma denúncia ou oposição a algo propositadamente abstracto para que não seja ameaça para nada nem ninguém.

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O Ministro superlativo absoluto sintético

O ministro da Educação assegurou que vai à Assembleia da República prestar todos os esclarecimentos necessários sobre a Parque Escolar, depois de o PSD ter anunciado que pretende ouvir Nuno Crato, Maria de Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada sobre esta questão.

Em Leiria, Nuno Crato recordou que os números que apresentou no Parlamento sobre a Parque Escolar foram «confirmadíssimos pelo Tribunal de Contas que agora veio explicar muito daquilo que se passava de uma maneira muito clara».

Fonte

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Como é que é? Confirmadíssimos? Crato está a sair melhor do que a encomenda. Este caso da Parque Escolar, até pela magnitude da acusação do Tribunal de Contas, tem tudo para ser a última oportunidade de Seguro interromper o suicídio para que está a arrastar o PS. Pura e simplesmente, não é possível continuar a ser cúmplice – e por razões que não revela! – com as manobras difamantes e caluniosas cujo objectivo é exactamente este aqui espelhado nos 4 comentários à notícia na TSF:

inot
25.03.2012/23:46

E foi assim que estes miseráveis deixaram o Pais e agora o principal culpado vai para PARIS estudar e vi ver há grande e há francês como se diz em girea.

J.M.
25.03.2012/23:24

Que esclarecimentos? É do conhecimento geral que os milhões foram gastos em proveito próprio e politico. RESPONSABILIZAÇÃO CRIMINAL já!

cesar tavares
25.03.2012/21:56

no correio da manha de hoje vem noticiado que o T.C “tribunal constitucional pode multar os ex responsaveis do parque escolar em 5100 euros por pagamentos elegais no montante de 544 milhões.Como é que é? então eles cometeram uma falcatrua de milhôes e são multados em tostões?Estão a brincar com o fogo,ai estão estão.Qualquer dia isto vai dar *** da grossa e depois já não há nada a fazer

antonio marques
25.03.2012/20:39

era preciso julgar e prender estes enrgumes de governantes que em vez de governarem governaram-se preso já

Cineterapia


Hugo_Martin Scorsese

A vida de Méliès merece um filme. A obra de Méliès merece outro filme. A herança cinéfila de Méliès merece ainda outro filme. Ver Scorsese a realizar algum deles teria sido mais do que merecido, para ambos. Infelizmente, Marcantonio Luciano resolveu fazer o 3D-em-1 disto tudo.

James Cameron, talvez o mais eficaz representante na actualidade do estilo invisível de Hollywood, o qual entende o cinema primeiro que tudo como experiência de plena imersão emocional na profundidade do ecrã pela maior quantidade de espectadores possível, o cinema como puro entretenimento, disse que nunca se utilizou tão bem o 3D até agora. Ora, acontece que Cameron é uma puta velha que pode ter com esse elogio evitado falar do filme ele próprio. O próprio elogio pode não passar de irónica ironia, se nos lembrarmos que o 3D em Avatar é não só inútil como ridículo.

A indústria, desde os primórdios, tentou acrescentar realismo a uma imagem que começou por ser monocromática e muda. De imediato se tentou aplicar o 3D ao cinema, aparecendo os primeiros desenvolvimentos técnicos estereoscópicos ainda no século XIX, e as primeiras projecções nos anos 20 do século XX. Nos anos 50 viriam inovações que criaram uma moda que levou à produção de dezenas de filmes pelos maiores estúdios. As décadas seguintes repetiriam o padrão de permanente procura de soluções técnicas que tornassem o 3D economicamente viável e confortável para os espectadores.

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Gaia Ciência

Luís Filipe Menezes fez um ataque violento ao anterior governo, pelo “descalabro” da governação socialista. O antigo líder do PSD quis mesmo atingir José Sócrates, um dos nomes que ainda não tinha sido proferido no congresso laranja.

Menezes fez um paralelo entre o percurso de vários políticos para dar uma estocada no antecessor de Pedro Passos Coelho: “O primeiro-ministro Cavaco Silva hoje é Presidente da República; António Guterres, que falhou, é presidente de uma instituição das Nações Unidas, Durão Barroso cumpriu o seu dever é presidente da Comissão Europeia; o engº Sócrates é aluno estudante em Paris…” E acrescentou: “Pelo menos em Sorbone não se fazem exames ao domingo”…

Fonte

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A governação socialista foi um descalabro, Menezes tem 300% de razão, em especial a partir daquela altura em que Sócrates levou o Lehman Brothers à falência e deu ordens a Teixeira dos Santos para rebentar com a AIG na primeira oportunidade, coisa que o ex-futuro administrador não executivo da PT fez em poucos dias. O resto é História, e a Grécia que o diga que está cheia dela, tendo esta dupla continuado a afundar a economia mundial e a Eurolândia até Junho de 2011, quando finalmente foram corridos pela gente séria.

Menezes atinge os 1000% de razão quando compara o percurso de alguns líderes políticos com o de Sócrates. E até podia ter ido um bocadinho mais longe. Por exemplo, Cavaco não se limita a ser o Presidente da República, é também o patrono da “Inventona das Escutas”, entre outras habilidades nunca antes vistas em Belém. Por exemplo, Durão Barroso não se limita a ser o presidente da Comissão Europeia, é também aquele tipo que disse consistir a sua maior ambição na vida chegar a primeiro-ministro, e que depois de lá se apanhar fez algo que igualmente nunca tínhamos visto em S. Bento: fugiu a meio do mandato para ir ganhar mais e deixou o seu partido e o País entregue ao Santana Lopes. Por exemplo, Santana, que Menezes não referiu apenas por falta de tempo, não se limita a ser uma figura que liderou o PSD e o Governo, é também aquele político que alimentou um boato acerca da suposta homossexualidade do seu maior adversário eleitoral, algo que, novamente, marca uma estreia no panorama político nacional e que mais do que justifica o prémio de usar a Santa Casa da Misericórdia para andar por aí a ser misericordioso. Por exemplo, Marques Mendes, que Menezes igualmente teve de omitir por falta de tempo, não se limitou a ser um zeloso operacional do Cavaquistão, é também na actualidade um dos mais fervorosos adeptos das escutas ilegais a políticos seleccionados e sua divulgação em pasquins do laranjal. Por exemplo, Menezes foi de uma modéstia exemplar ao não se incluir neste comparativo, pois ao contar 9 meses como presidente do PSD estaremos perante o recorde da liderança partidária mais curta em Portugal, um feito que poderá ser inscrito no Guiness Book sem espinhas.

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O suspiro da banqueira

A escassez de liquidez é global em todo o Mundo. Porquê? Porque nós estamos a assistir em todo o Mundo a uma coisa que se chama the great deleveraging, a grande desalavancagem. O que é que aconteceu? Nós estamos piores do que os outros, em todas as situações há melhores e piores e nós estamos intervencionados portanto estamos piores, não obstante, desde a década de 80 até 2010 houve um crescimento brutal do crédito, um credit boom em todo o Mundo. Em 1980 os países da OCDE tinham globalmente em termos de dívida 160% do seu PIB, dívida pública mais privada – chegam a 2010 e estão com 320%.

Explica-se muito pela China. Isto coincide com o período em que a China entra em força no mercado, em 1978, altura em que a China abriu aos mercados de capitais, permitindo algumas décadas de forte crescimento em todo o Mundo com produtos que vinham da China a muito baixo preço. Pensamos que esse período está a chegar ao fim e que o Mundo chegou à conclusão que viveu acima das suas possibilidades, que todos exagerámos um bocado na festa.

[…]

Eu sou engenheira e gosto muito de dados objectivos.

Isabel Ferreira, presidente do banco Best

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Esta banqueira diz aquilo que qualquer profissional ligado à actividade económica repete para si e entre colegas. Porque são os tais dados objectivos passíveis de serem demonstrados com números e contas fáceis de fazer e de entender. Estamos perante um acontecimento global que rebenta indomável aquando da crise das dívidas soberanas na Europa, mas o qual decorre ao longo de décadas de uma forma que nem sequer teria sido racional combater por um país isolado, pois era uma dinâmica sistémica ubíqua. Foi este o fenómeno que a direita portuguesa explorou para fazer de Sócrates, de Teixeira dos Santos e do PS os tais monstros simultaneamente incompetentes, corruptos e loucos que nos tinham levado à bancarrota por causa de um TGV por construir, um aeroporto por planificar e muito rico dinheirinho esbanjado com doentes, crianças e desempregados em vez de ter ido aumentar a zona de conforto da gente séria.

Marcelino, o director da versão softporno do Correio da Manhã que conduz a entrevista, não quis tirar daqui nenhuma ilação para a situação em Portugal e fugiu rapidamente daqueles terrenos. Contudo, é delicioso o suspiro que se consegue ouvir no minuto 30, quando a Isabel começa a explicar que não se podia ter feito diferente do que se fez em Portugal, e por isso quase todos os países, de alguma forma, acabaram por ter as suas dívidas a aumentar enormemente. Nesse suspiro está uma calada e dolorosa tristeza por ver a elite da direita a transformar a política numa decadente caça às bruxas, promovendo os instintos mais baixos e irracionais num povo tão carente de educação e formação, só para chegar ao poder de qualquer forma e nem que para tal tivesse de afundar o País numa crise ainda mais grave do que aquela que já era gravíssima por causa das fragilidades estruturais e das condições externas. Nesse suspiro cabe também a absoluta inutilidade do voto entregue ao PCP e, particularmente, ao BE, forças de sectarismo demente que acabaram por servir os interesses dos supostos adversários ideológicos. É o suspiro de quem contempla a estupidez humana, tantas vezes registada na História, o lastro da animalidade que prefere a selva, que não sabe viver na cidade.

Faz hoje 1 ano que

Faz hoje um ano que PSD, CDS, BE e PCP olharam uns para os outros e pensaram que a coisa não estava assim tão mal que não pudesse ficar pior, e muito pior. Se bem o pensaram, implacavelmente o fizeram.

Creio que melhor retrato do que são actualmente esses partidos não há, nem nunca houve, e só nos resta esperar que não venha a haver.

Populismo de alta velocidade

A oposição do PSD e CDS à linha ferroviária de alta velocidade faz parte do padrão populista com que estes dois partidos fizeram combate político contra o Governo PS. O TGV era um alvo que permitia despertar a irracionalidade numa enorme maioria de eleitores que não compreendiam o que estava em causa e se deixavam manipular com a distorção desmiolada de ser apenas um investimento megalómano para satisfazer o desejo de luxo dos socialistas. E o que estava em causa era o compromisso do Governo português com Espanha, assinado por Durão Barroso e Manuela Ferreira Leite em 2003 para a construção de 4 linhas, número que viria a ser reduzido a duas por Sócrates. Esse projecto tinha o aval europeu, sendo considerado estratégico para as redes de transportes de passageiros e de mercadorias, e o Fundo de Coesão dispunha de verbas para o seu financiamento.

O que continua a ser fascinante é o gosto da opinião pública pela escancarada violação da verdade factual que aqueles que levaram a cabo o maior engano do eleitorado de que há memória continuam a fazer. O logro que consistiu em prometer o fim dos sacrifícios só para depois os agravar para níveis inimagináveis assim que tomaram o poder não suscita no cidadão o mais leve protesto, antes estão ao lado dos violadores e repetem os seus argumentos. É por isso que às explicações de Ana Paula Vitorino, realçando as evidências, responde Hélder Amaral com a retórica da criminalização, como se o chumbo do Tribunal de Contas não tivesse um contexto, um pretexto e até um subtexto. Se perguntarmos ao vizinho de que lado é que está a razão e quem é que melhor defende os seus interesses nesta questão, dobrado contra singelo como 90% se oferecerá para levar a senhora até ao calabouço.

Claro, calhando o PSD ter governado de 2005 a 2011 e o TGV seria agora uma obra imprescindível na paisagem do laranjal.

Red Light District

Na eventualidade de algum comunista ou bloquista ter passado algumas horas, mesmo só alguns minutos, a reflectir sobre a política dos últimos Governos socialistas – e na ainda mais improvável eventualidade de ter chegado à conclusão de que esses Governos não eram constituídos por serventuários do imperialismo americano e do capitalismo selvagem, antes por concidadãos que tentaram, e em grande ou relevante parte conseguiram sem ter de abandonar a União Europeia e a NATO, utilizar os recursos do Estado na defesa dos superiores interesses dos portugueses, interesses esses atacados e desmantelados ou a caminho disso, em grande e relevante parte, pelo actual Governo e sua constelação de pote-dependentes – que pensará agora das decisões do seu partido cuja única material e dialéctica consequência foi o apoio à direita no seu processo de derrube da esquerda?

Zona de Conforto

Pedro Adão e Silva, o surfista prateado do comentário político, é também um disc jockey de mão-cheia. Nas madrugadas de sexta para sábado, entre a meia-noite e a uma da manhã, felizardos que estejam em automóveis à beira-rio, ou felizardos que não estejam em automóveis à beira-rio, poderão sintonizar a TSF e comprovarem quão felizes são.

Para todos os outros felizardos de todos os outros dias e de todas as horas, os programas arquivados e as cenas fixes aguardam pela visita aqui.

Impressionar com desemprego, brilhar sem receitas, seduzir com défice

More Women Having Children Before Marriage
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Recent Generations Focus More on Fame, Money Than Giving Back
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“Unconscious” Racial Bias Among Doctors Linked to Poor Communication with Patients, Dissatisfaction with Care
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Hydrogen Power in Real Life: Clean and Energy Efficient
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Cyborg Snails Power Up
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Why Interacting with a Woman Can Leave Men “Cognitively Impaired”
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Sharing the Wealth (of Knowledge): Cumulative Cultural Development May Be Exclusively Human
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Helping Children To Succeed By Reducing Academic Pressure And Fear Of Failure
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Cool Hands May Be the Key to Increasing Exercise Capacity
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Losing Belly Fat, Whether from a Low-Carb or a Low-Fat Diet, Helps Improve Blood Vessel Function
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Rats Match Humans in Decision-Making That Involves Combining Different Sensory Cues

Estudos socráticos

Nove meses depois de ter apresentado a demissão de secretário-geral do PS, e de ter abandonado o País para um recolhimento privado só interrompido pela obsessiva perseguição dos caluniadores, Sócrates continua a ser a principal personalidade na política portuguesa. As manchetes são diárias, os publicistas direitolas carimbam como socrático qualquer sinal de pensamento próprio no PS, os tribunais fervilham com processos que directa e indirectamente afectam o seu bom nome e futuro político e o Presidente da República declarou-o persona non grata do regime em mais um inédito ataque ao prestígio da soberania que lhe foi confiada unipessoalmente. Seja qual for o ponto de vista da análise, é indiscutível que estamos a testemunhar algo completamente novo em quase 40 anos de democracia. Soares, Cavaco, Santana, nomes que podemos associar a períodos de grave austeridade, prepotência e desvario, respectivamente, foram deixados em paz com a sua honra intacta assim que abandonaram o poder. E nenhum deles foi alvo das escabrosas golpadas a que assistimos com os casos “Freeport”, “Licenciatura”, “Casas da Guarda”, “Face Oculta” e “Inventona de Belém”, os quais exibiram um assustador conluio entre magistrados e jornalistas na violação da deontologia e da lei para fins de derrube político através de escutas e campanhas negras. O resultado lateral deste vale-tudo é quantitativamente aferível: nunca houve, depois do 25 de Abril, um político tão devassado policial e jornalisticamente como Sócrates.

A que se deve esta fúria que não conhece distinções ideológicas e de classe, reunindo manipuladores profissionais com fanáticos, membros das elites sociais e intelectuais com analfabrutos, ranhosos com imbecis, e que até conta na sua legião odiosa com figuras gradas do PS? Antes de todas as variadíssimas respostas, uma aparece em primeiríssimo lugar: só a quem se reconhece poder para alterar factores culturais que estruturem a vivência dos grupos se fazem maldades de tipo, duração e logística como estas a que assistimos desde 2004. Caso Sócrates fosse apenas mais um, banal na sua idiossincrasia, não se perderia tempo com ele. Acontece que são os seus declarados inimigos que não o largam, sugerindo algo mais do que oportunismo táctico dada a intensidade das paixões expressas: tudo indica estarmos perante uma resposta do foro traumático. Algo se terá passado neste últimos 6 anos que até levou a referência máxima da direita, Cavaco Silva, a perder por completo o sentido das responsabilidades e a conspurcar a Presidência da República no seu afã de ostracizar Sócrates. Que terá sido?

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Sporting místico

O Sporting de Sá Pinto exibe os sinais da verdadeira mística: ser forte com os fortes e fraco com os fracos. Não há nada de errado com isso e vai dar-nos um taça europeia, mas alguém devia dizer-lhe que retirar o Matías ao intervalo é uma pulsão sacrificial que pode ser guardada para os jogos particulares.