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Seguro, o cidadão exemplar e o político honesto

«Nós dizemos é que é mais fácil hoje, e o país já sabe isso, o diálogo e entendimentos com o PS liderado por António Costa, com o PS liderado por Francisco Assis ou com o PS liderado por António José Seguro, por uma razão muito simples, porque são pessoas que ao longo da sua história cumpriram sempre a palavra e têm uma forma e uma seriedade de estar na vida política», acrescentou.

Antes, no início da sua intervenção, o secretário-geral do PSD referiu-se a António José Seguro como «um dos políticos mais brilhantes» da sua geração.

Relvas e Seguro lado a lado, 14 de Abril de 2011

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Na cara de Seguro, em período pré-eleitoral, Relvas disse que Sócrates não cumpria com a sua palavra e, portanto, não pertencia ao grupo das pessoas sérias – isto é, não merecia respeito, não era de confiança, não era honrado. Que fez Seguro ao ouvir isto da boca suja do seu amigo? Só visto, contado não se acredita, porque nada há para contar.

Não satisfeito, dias depois Relvas levou até ao limite da quase agressão física – ou a pedir esse tipo de reacção do visado – o seu ódio, e saiu-se com esta ofensa:

“Eu quero chegar a casa, depois de ganhar as eleições, todos os dias e quero que a minha filha tenha orgulho daquilo que está a ser feito”, disse o porta-voz do PSD, acrescentando: “Eu no lugar do engenheiro Sócrates tinha vergonha, eu se fosse parente do engenheiro Sócrates escondia que era parente dele”.

Alguém sabe qual foi o comentário que Seguro fez à sugestão do boca suja para que os parentes de Sócrates, especialmente os filhos, escondessem a sua relação sanguínea? Se souberem, por favor apresentem-se à porta deste blogue para receberem o vosso peso em acções da SLN.

Saltemos para o que Seguro fez e disse a respeito de umas bocas do Marcelo. Primeiro, exigiu ser tratado como um comentador que se picou com outro comentador, sujeitando-se voluntariamente a ir ao seu local de exibição para ripostar. Segundo, envolveu o Secretariado Nacional e o chefe da bancada na resposta, tornando-a numa questão partidária ao mais alto nível. Terceiro, foi para a TVI armar uma peixeirada em registo anal, reclamando ser impoluto e intocável. Tendo dado todo o flanco ao seu novíssimo rival, foi imediatamente colhido e mandado pelos ares. Marcelo começou por o humilhar, mandando-o esperar pelo próximo show. Chegada a hora, redobrou a dose do achincalhamento, deixando Seguro e o seu PS calados, num estupor bovino.

Dir-se-ia que a qualidade estratégica de quem aconselha o actual Secretário-Geral socialista é vil e que a inteligência do próprio é miserável, tanta a burrice junta. Tudo se resume ao facto de Marcelo ter apresentado pontos inquestionáveis à mistura com erros de informação. A gula oportunista de usar essas falhas para tentar escapar das farpas que acertaram no alvo revelou-se um erro que nem os principiantes fazem no seu estado normal. Precisariam de ser muito estúpidos ou estarem sob a influência de algumas litradas de álcool para não perceberem no que se estariam a meter. O resultado é esta imagem de um líder que ambiciona chegar a primeiro-ministro a levar ralhetes e tautau de um profissional da política-espectáculo famoso desde os anos 70 por avacalhar a cena política por proveito e compulsão.

Deus viu que a luz era boa

Exportações aumentam 10,2% e défice comercial diminui

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Junta-se a antropologia com a cultura e a História e dá nisto: Portugal é um país de esmagadora cobardia cívica. Daí o clima social dissoluto que promove a exploração dos populismos inorgânicos que medram sem antídoto. Tanto a esquerda como a direita fazem um uso intensivo do medroso povo que têm à mão.

Sócrates costumava lamentar-se, num registo de pacificada e afável resignação, por nem o PCP nem o BE serem capazes de reconhecer qualquer resultado benéfico por acção do Governo PS. Nada prestava, tudo se pintava como obra maligna ao serviço dos inimigos da esquerda pura e verdadeira, cuspiam os imbecis. Essa fúria era, e continua e continuará a ser, necessária para manter os adeptos num estado de irracional negação. É a arcana estratégia do maniqueísmo, fonte de tantas tragédias ao longo dos séculos. A partir do momento que PCP e BE decidissem ser parceiros de uma solução governativa não tendo maioria, teriam de começar a pensar. Porque teriam de negociar. De nada querendo abdicar, com medo que uma ínfima racha no sectarismo faça desabar a alucinação, têm cavado trincheiras cada vez mais fundas, ao ponto de já nem sequer conseguirem ver os tais pobres e trabalhadores que juram defender através dos Governos de direita que viabilizam sempre que tal sirva para derrubar o PS.

O ataque da direita a Sócrates e ao PS foi, igualmente, um ataque à outrance a Portugal. De 2008 a 2011, em crescendo e em relação directa com as frustrações da impotência própria e com os pânicos do descalabro da banca laranja e das crises internacionais, a gente séria deixou milhares e milhares de registos de voz e de escrita onde era patente a sua raiva perante qualquer notícia positiva para Portugal e para os portugueses. Se era positiva tinha de ser mentira, berravam ululantes, mesmo que viesse do estrangeiro. Cavaco Silva, essa espécie de Presidente da República, chegou ao desplante de se ter recusado a saudar o sucesso do Governo PS numa ida aos mercados de financiamento, a qual tinha corrido muito bem, porque alegou não saber quem tinha comprado a dívida nacional. Se tivesse sido o BCE ou chineses, ou coisas assim infectadas pelo socratismo, não prestava e não passava de mais um prego no nosso caixão, foi a mensagem que quis e conseguiu transmitir. Cavaco Silva é também o nome daquele invertebrado que emite louvores solenes sempre que uns galfarros fazem um brilharete qualquer em calções atrás de uma bola mas que foi incapaz de dizer fosse o que fosse a propósito dos resultados do PISA respeitantes ao período 2006-2009.

Pois a puta da verdade, neste caso, é só uma e é esta: se com este Governo as exportações aumentarem, isso é bom para todos; se com este Governo os juros da dívida baixarem, isso é bom para todos; se com este Governo os salários aumentarem, isso é bom para todos; se com este Governo o desemprego baixar, isso é bom para todos. O antídoto contra o populismo, o antídoto contra a impotência, o antídoto contra a cobardia começa na lucidez – a qual é boa para todos.

No hablas inglés?

Men Start Businesses for the Money: Women for the Social Value
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Empathy Doesn’t Extend Across the Political Aisle
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China’s Rapid Economic Growth Means Population Is ‘Wealthier but Unhappier’
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Golfers Can Improve Their Putt With a Different Look: Visualize a Great Big Hole
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Internet Use Promotes Democracy Best in Countries That Are Already Partially Free
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Higher-Spending Hospitals Have Fewer Deaths for Emergency Patients (Vanderbilt Study Provides Warning Against Spending Cuts for Certain Patient Populations)
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How Do I Love Me? Let Me Count the Ways, and Also Ace That Interview
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Market Researchers See New Generational Cohort Emerging
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Using Less Effort to Think, Opinions Lean More Conservative: Is Our First Response ‘Right’?

União Nacional, mais de 80 anos ao serviço do mesmo e dos mesmos

Depois de se terem unido em 2009 para deixarem Portugal com um Governo minoritário. Depois de se terem unido em 2010 para aumentarem a despesa e diminuírem a capacidade de resistirmos à crise. Depois de se terem unido em 2011 para derrubarem o Governo e entregarem a soberania financeira a estrangeiros. Depois de se terem unido em 2012 para atacarem o Estado de direito. Que estão PSD, PCP, CDS e BE já a preparar para voltarem a fazer juntos em 2013?

Grandes socráticos da actualidade

O núcleo duro dos Governos de Sócrates foi constituído por Teixeira dos Santos, Pedro Silva Pereira, Augusto Santos Silva, Vieira da Silva e Luís Amado. Num segundo círculo, João Tiago Silveira e Francisco Assis ocuparam cargos de grande notoriedade nos tempos mais difíceis. E, finalmente, temos os restantes ministros e secretários de Estado que se mantiveram leais à governação até ao fim. Que têm feito estas figuras na presente legislatura? Todas, sem excepção, têm dado provas do mais alto sentido de Estado e do mais explícito apoio ao partido. Uns, porque nem sequer intervêm por opção ou desinteresse da imprensa. Outros, porque utilizam a comunicação social para fazer oposição implacável e construtiva. Outros ainda, porque têm sido decisivos para pacificar e unificar um partido sujeito à disfuncional liderança de Seguro. Se estas personalidades representam a essência do socratismo, então o socratismo é um dos pilares mais sólidos e fulcrais do regime.

Mas a decadente direita insiste em rotular de socrático tudo o que dê sinal de vida no PS. Quer isso dizer que o socratismo corresponde à exibição de José Lello a ser José Lello, alguém que se limita a dizer o que quer, como quer e quando quer como sempre fez? Será o socratismo a independência da independente Isabel Moreira, incansável na produção de trabalho parlamentar para o partido e para os cidadãos? Será o socratismo o que preenche a cabeça de Pedro Nuno Santos, alguém que apoiou de alma e coração Seguro?

Terão melhor sorte aqueles que procurarem socráticos no laranjal, porque estão lá os socráticos quase todos, senhores ouvintes. Como o João Marcelino, chefe da guarda pretoriana do passismo. Para além da linha editorial fanática – onde se utiliza uma versão polida do estilo Correio da Manhã no tratamento dos títulos, textos e imagens, mas cuja finalidade é denegrir socialistas que se julguem ligados positivamente a Sócrates – temos também as palavras do director. Nestes exemplos abaixo, apenas recorri à sua crónica semanal. De fora ficam os editoriais diários, no todo ou na sua maioria igualmente escritos por si, presumo, seguramente por si validados, no que vai dar ao mesmo. O ponto em análise é este: Marcelino, chegados a Abril de 2012, ainda não se cansou de falar de Sócrates, aproveitando qualquer pretexto para ir maldizendo o ex-primeiro ministro recorrendo ao cinismo, ao sarcasmo e à calhandrice. Marcelino, inquestionavelmente, é um dos socráticos mais activos e merece um justo aplauso pelo seu esforço para manter viva a lembrança do homem.

Durante quase dois anos, o PS de Sócrates tentou retirar das mãos de Francisco Louçã os temas fraturantes. O espaço mediático encheu-se de discussões sobre a interrupção voluntária da gravidez, os casamentos homossexuais e outras que esvaziaram o espaço de intervenção do Bloco de Esquerda.

25 de Fevereiro

Nem todos são capazes da grandeza pessoal de Teixeira dos Santos, atrás de quem o PR também se esconde, e que até hoje calou a ingratidão e a desconsideração final do seu primeiro-ministro.

10 de Março

percebe-se que José Sócrates, desde o exílio filosófico em Paris, não acredita estar fora desta corrida [presidencial]

24 de Março

Sobra estar no partido com a máxima que José Sócrates lembrava repetidamente enquanto inquilino de São Bento: “Só se passa por aqui uma vez.” Ao menos nessa convicção estava inteiramente certo…

31 de Março

Há um ano (completado ontem), Teixeira dos Santos dizia, finalmente, “basta”. Passadas algumas horas, José Sócrates, já de relações cortadas com o ex-ministro das Finanças, anunciava que o seu Governo de gestão (pedira a demissão a 23 de março na sequência do chumbo ao PEC IV) iria recorrer à ajuda externa.

7 de Abril

A Internet vista da Parvónia

Ora, ao contrário do que muitas vezes se pensa e diz, a natureza “expressiva”, os procedimentos “tribais” e os objetivos “virais” da atividade bloguista, pouco ou nenhuma importância dão – ou permitem dar – às ideias, à sua diversidade, à sua consistência e à sua discussão.

Muito pelo contrário: tudo se desenvolve num registo de tagarelice torrencial, que a todos garante um igual direito de expressão, independentemente de informação ou do conhecimento de cada um. A grande novidade é mesmo esta: nada saber sobre nada, não é um impedimento ou um obstáculo à expressão de pontos de vista, mas o maior dos estímulos!…

Carrilho

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Ter mais de 60 anos e escrever em jornais é uma contingência ambiental que aumenta drasticamente o risco de se passar por parolo quando se fala da “blogosfera”. Carrilho entra com alguns anos de atraso na carroça daqueles cagões que se pretendem comparar com os autores de blogues e comentários só para acabarem a dizer inanidades risíveis acerca da ignorância do povo e dos perigosos e desprezíveis anónimos. Nesse campo, ó Carrilho, o Pacheco é o xerife. Já chegaste tarde, a festa acabou.

Mesmo assim, vale a pena dar atenção a este texto patético ou só ao excerto que seleccionei. Nele Carrilho insurge-se contra a possibilidade de todos, na Internet, poderem ter igual direito à liberdade de expressão. Para ele, trata-se de algo que merece repreensão e sarcasmo, deixando claro que a liberdade de expressão deveria estar condicionada a um qualquer tipo de aferição de conhecimentos. Para publicar uma opinião no seu pardieiro digital, o indivíduo deveria primeiro recolher a aprovação de uma autoridade na matéria em causa ou, não sendo tal possível, pensar de si para si, com muita força, se o que tem vontade de escrever vai irritar o senhor doutor Manuel Maria Carrilho. Se for o caso, conter a nefanda pulsão e ler 10 vezes seguidas um texto à escolha do senhor doutor Manuel Maria Carrilho.

O preclaro especialista em epistemologia e teodiceia blogosféricas declara que se está perante uma grande novidade, a de existirem pessoas que comunicam umas com as outras sem lhe pedirem autorização ou conselho. É o que faz viver na Parvónia, onde ainda não chegou a Internet e os nativos andam açaimados durante o dia e grande parte da noite. Acaba-se por conseguir ter um espírito simples, purificado, uma genuína e imaculada tabula rasa.

Dissonância cognitiva – modos de usar

Sócrates, entre outras originalidades sociológicas, deu azo um colectivo fenómeno de dissonância cognitiva que afectou, e continua a afectar, o País de modo transversal; e onde nem mesmo os militantes e simpatizantes socialistas escaparam numa qualquer parte significativa. Resultou da estratégia clássica, milenar, de assassinato de carácter que foi escolhida pelos seus inimigos, do Belmiro ao Cavaco e passando pelos pavões da imprensa, onde se foi até à inaudita violência de se ter mesmo iniciado o processo da sua criminalização sem qualquer matéria de facto. Como essa golpada não obteve a cumplicidade do Procurador-Geral, saiu uma outra novidade canalho-política pela mão do Zé Manel e da Casa Civil, com o alto patrocínio das pastelarias da Avenida de Roma. Seguiram-se as comissões de inquérito parlamentar e a própria consulta de escutas ilegítimas de conversas privadas na Assembleia da República. Pelo meio, os processos relativos ao Freeport e ao seu passado escolar e profissional foram permanentes fontes de difamação e calúnia. O que há de notável neste longuíssimo carnaval é a adesão pública da elite partidária da direita, multiplicada pelos magotes de comentadores transportados para os meios de comunicação social, a uma campanha destituída de qualquer conteúdo político passível de ser analisado e discutido. Esta direita partidária não tinha ideias, programa ou mera decência. O único e obsceno objectivo era este: marcar Sócrates, a ferro e fogo, com o sinal do crime.

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Lafayette à Lagardère

Alexandre Lafayette, em conluio com Rui Verde – o antigo vice-reitor da Universidade Independente e recente autor de um livro que o Carrilho já elogiou e que recomenda a todos os participantes do Laboratório de Ideias do PS – pediu a reabertura do inquérito à licenciatura de Sócrates. Para além de ter entregue documentos relativos ao processo ditos originais, o pedido tinha também inclusas as escutas a Sócrates publicadas pelo Correio da Manhã; as quais foram já devidamente utilizadas pelo Marques Mendes em mais um momento altíssimo da sua carreira. Mas não só: pretendia-se ainda a apreciação dos processos de Sócrates na Câmara da Covilhã e na escola francesa onde está a estudar. Portanto, era o 3 em 1, só faltando requerer-se um levantamento das suas despesas de refeição fora de Portugal para efeitos de descoberta de indícios de algum ilícito; um qualquer, tanto faz.

Pois bem, a Procuradoria considerou que este Lafayette andou a gozar com a tropa da Justiça, nada trazendo de novo e sujeitando-se a sair chamuscado da brincadeira. Oportunidade de ouro, então, para o Cerejo, um dos maiores especialistas mundiais em demonologia socrática. O que ele tem a fazer é a coisa mais simples deste mundo: pegar nos documentos do Rui Verde e expor a corrupção dos corruptores e dos corrompidos. De caminho, para além de provar o que toda a gente já sabe – que Sócrates se licenciou num domingo e por fax – ainda apanha Cândida Almeida e Carla Dias, duas magistradas habituais frequentadoras dos bacanais satânicos do mafarrico, entretanto desviados para um apartamento luxuoso em Paris para, lá está, não darem muito nas vistas.

Câncio TV

Isto de não existir imprensa em Portugal leva à cena gaga que é ver a Fernanda Câncio remetida para um canal cabo a botar discurso uma vez por semana, depois da meia-noite e deixando sempre aflito o jornalista que está ao seu lado porque, entre outros factores, a moçoila insiste em vocalizar para lá dos 5 minutos que lhe disponibilizam com grande favor e já entrados na madrugada. E de que fala ela? De algumas situações de que não se fala, de que mais ninguém fala. Como foi o caso da violência na Madeira contra os familiares de Gil Canha, personalidade com a qual não terá qualquer afinidade partidária, ideológica ou pessoal, mas que foi vítima de ataques escandalosos e escandalosamente desprezados pelos líderes de opinião nacionais. Ou agora com a Parque Escolar, entidade alvo das maiores e mais grotescas calúnias por parte de ranhosos e imbecis, e que nem no actual PS encontra quem a defenda, sequer desmonte as falácias dos acusadores.

A Fernanda fundamenta sempre as suas análises em fontes, e nas melhores fontes que estiverem à disposição. Daí partirá para a sua interpretação, moldada inevitavelmente pelos seus valores, experiências e objectivos – tal qual como qualquer outro ser humano sem excepção, dá ideia assim de repente e ao longe. Mas a integridade do seu método de intervenção pública, cujo modelo é o da zelosa deontologia jornalística, faz dela uma companheira ideal para discutir política ou qualquer outra questão de complexo e apaixonado melindre, porque dela sabemos que se irá submeter à realidade comunhável e à autoridade legítima – ou que levará o seu interlocutor a essa anuência. Talvez por isso, precisamente, ande a falar sozinha. E durante tão pouco tempo.

Loucos do meu país

Desde que comecei a escrever neste blogue, em 2005, que imagino estar a ser lido por não mais do que vinte pessoas. Sei bem que há outros números, mas para mim são simbolicamente vinte aqueles que escolhem gastar por aqui o seu tempo, tal como o poderiam fazer num café ou tasca. E, tal como numa tasca ou café, bar ou adega, os vinte espalham-se pela sala; uns nas mesas, outros ao balcão, uns jogando às cartas, outros na conversa, uns a sonharem acordados, outros sem conseguirem acordar dos pesadelos que trazem. Pois bem, vou pedir um momento de atenção geral para me ajudarem. Preciso de saber se ainda conservo a sanidade mental ou se enlouqueci. Ora, leia-se esta transcrição do interrogatório que o inspector Marcelino fez ao suspeito Noronha do Nascimento:

As escutas foram destruídas, de facto?

Isso agora escapa-me. O juiz de instrução criminal de Aveiro, daquilo que vi no processo, é um juiz tecnicamente muito bom. Mandou destruir três lotes que lhe chegaram. O último [lote] já não foi com ele. Não sei se foram destruídas, não faço ideia. As de Aveiro foram destruídas, tanto quanto sei. Já ouvi dizer entretanto que, depois disso, haverá outras cópias perdidas. O que é uma história mal contada, como é óbvio.

Mal contada porque não será verdade ou mal contada porque será mesmo verdade? Porque admito que seja verdade…

Mas não acredito que tenham sido encontradas meio perdidas. Porque é que há, constantemente, violações de segredo de justiça? Porque há coisas que ficam escondidas ou que ficam retidas.

E porque a justiça não cuida bem dos segredos que tem também a seu cargo…?

Provavelmente. Agora, porque é que nunca veio para a opinião pública o conteúdo das escutas, que, afinal, se descobriu agora que têm duplicados? Porque, provavelmente, não interessa. Aliás, é talvez a demonstração, digamos, da irrelevância delas, e esse foi um dos fundamentos para ter mandado destruir imediatamente as escutas.

Sente-se completamente confortável e à-vontade com as decisões que produziu?

Nunca tive problema de consciência em relação a isso.

*

Perante estas declarações, das duas uma. Se estiver louco, não há nada nelas de incrível ou, para sermos exactos, de impossível. Nem sequer serão graves, podendo ser ignoradas por todas as autoridades nacionais, todos os deputados, todos os magistrados, todos os partidos, todos os jornalistas, todos os cidadãos. E se não estiver louco? Nessa eventualidade, o que aqui temos é isto, senhoras e senhores: o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o Juiz-Conselheiro Dr. Luís António Noronha do Nascimento, do alto dos seus 50 anos dedicados à Justiça, afirma ser prática corrente o desvio de documentação processual por parte de magistrados e/ou funcionários judiciais para efeitos de violação do segredo de Justiça ou perfídias obscuras – e, acto contínuo, invoca essa realidade como prova suprema da bondade da destruição das escutas por si ordenada. Repare-se como a menção à estrita legalidade do seu acto não foi suficiente, teve de se apoiar na violação da Lei para demonstrar a licitude da sua decisão.

Se não estiver louco, então, o que Noronha nos está a dizer é que isto onde pagamos impostos pode ter muitos nomes, mas Estado de direito não é um deles.

E há mais. E pior.

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Impressionar sem amêndoas, brilhar sem ovinhos, seduzir sem folares

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Bees ‘Self-Medicate’ When Infected with Some Pathogens
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Conservatives’ trust in science has declined sharply

O seguro da direita

Carlos AndradeE o mandato do secretário-geral?

António CostaNão é o mandato do secretário-geral. É uma coisa mais curiosa, que é indexar a estabilidade dos mandatos partidários à estabilidade dos mandatos externos. O que faz, por exemplo, esta coisa extraordinária que é, cada vez que o Presidente da República dissolva a Assembleia da República, dissolve simultaneamente a Direcção do Partido Socialista. Imagine-se, com a anterior Direcção do PS, como o Presidente da República teria precipitado rapidamente, ainda mais, a dissolução do que aquilo que fez…

Quadratura do Círculo

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A aprovação dos novos estatutos do PS revela exuberantemente o modus operandi de Seguro. O campeão da exigência de transparência na política nacional foi para o Congresso dizer que o combate à corrupção era uma das suas prioridades, avisando que os primeiros corruptos que gostaria de varrer estavam no seu partido, daí a necessidade de filtrar a porcaria com um peregrino Código de Ética ainda a ser marinado. Acerca da sua pretensão de alterar os estatutos, não disse nada de nadinha de nada. Meses depois, consumou algo nunca antes visto no PS. Este gajo, portanto, é perigosíssimo.

Seguro está a seguir como líder a fórmula que seguiu como candidato a líder. Ele blinda a sua posição através do silêncio e diminui a força dos adversários negando-se ao confronto. O seu aliado principal é o tempo, que usa para ir agregando apoios discretos. A sonsice é o seu estilo e a hipocrisia o seu desporto. A famosa capacidade de resistência é apenas a couraça de um homem cuja ambição é tão grande que já se cristalizou em armadura que o deixa imune às emoções, afectos e razões de terceiros. Este gajo, portanto, é perigosíssimo.

Se dúvidas existissem, basta ouvir os pedidos que Seguro recebe dos gaseados agentes laranjas. No tempo de Sócrates, Seguro deixava-se usar à fartazana por Relvas para fazer chicana, permitindo verdadeiras ofensas ao PS. Agora, recebe conselhos para lidar com os socráticos, para se aguentar, para acabar com essa raça. O seguro da direita, de resto, já tinha posto a nu a sua essência política quando foi o único deputado socialista a aplaudir o que Cavaco fez no comício da tomada de posse. Que os militantes o tenham eleito secretário-geral, é lá com eles e que se fodam todos juntos. Mas, para o cidadão apaixonado pela cidade, este gajo é perigosíssimo.

Perguntas simples

Do actual não queremos saber, por o adivinharmos e por a figura não se dar ao respeito, mas o que pensam os três anteriores Presidentes da República, os quais estão vivos e lúcidos somando 30 anos como supremos magistrados da Nação, da perseguição política do sindicato dos juízes contra cidadãos escolhidos apenas e só por estarem associados a um certo Governo?