Grandes socráticos da actualidade

O núcleo duro dos Governos de Sócrates foi constituído por Teixeira dos Santos, Pedro Silva Pereira, Augusto Santos Silva, Vieira da Silva e Luís Amado. Num segundo círculo, João Tiago Silveira e Francisco Assis ocuparam cargos de grande notoriedade nos tempos mais difíceis. E, finalmente, temos os restantes ministros e secretários de Estado que se mantiveram leais à governação até ao fim. Que têm feito estas figuras na presente legislatura? Todas, sem excepção, têm dado provas do mais alto sentido de Estado e do mais explícito apoio ao partido. Uns, porque nem sequer intervêm por opção ou desinteresse da imprensa. Outros, porque utilizam a comunicação social para fazer oposição implacável e construtiva. Outros ainda, porque têm sido decisivos para pacificar e unificar um partido sujeito à disfuncional liderança de Seguro. Se estas personalidades representam a essência do socratismo, então o socratismo é um dos pilares mais sólidos e fulcrais do regime.

Mas a decadente direita insiste em rotular de socrático tudo o que dê sinal de vida no PS. Quer isso dizer que o socratismo corresponde à exibição de José Lello a ser José Lello, alguém que se limita a dizer o que quer, como quer e quando quer como sempre fez? Será o socratismo a independência da independente Isabel Moreira, incansável na produção de trabalho parlamentar para o partido e para os cidadãos? Será o socratismo o que preenche a cabeça de Pedro Nuno Santos, alguém que apoiou de alma e coração Seguro?

Terão melhor sorte aqueles que procurarem socráticos no laranjal, porque estão lá os socráticos quase todos, senhores ouvintes. Como o João Marcelino, chefe da guarda pretoriana do passismo. Para além da linha editorial fanática – onde se utiliza uma versão polida do estilo Correio da Manhã no tratamento dos títulos, textos e imagens, mas cuja finalidade é denegrir socialistas que se julguem ligados positivamente a Sócrates – temos também as palavras do director. Nestes exemplos abaixo, apenas recorri à sua crónica semanal. De fora ficam os editoriais diários, no todo ou na sua maioria igualmente escritos por si, presumo, seguramente por si validados, no que vai dar ao mesmo. O ponto em análise é este: Marcelino, chegados a Abril de 2012, ainda não se cansou de falar de Sócrates, aproveitando qualquer pretexto para ir maldizendo o ex-primeiro ministro recorrendo ao cinismo, ao sarcasmo e à calhandrice. Marcelino, inquestionavelmente, é um dos socráticos mais activos e merece um justo aplauso pelo seu esforço para manter viva a lembrança do homem.

Durante quase dois anos, o PS de Sócrates tentou retirar das mãos de Francisco Louçã os temas fraturantes. O espaço mediático encheu-se de discussões sobre a interrupção voluntária da gravidez, os casamentos homossexuais e outras que esvaziaram o espaço de intervenção do Bloco de Esquerda.

25 de Fevereiro

Nem todos são capazes da grandeza pessoal de Teixeira dos Santos, atrás de quem o PR também se esconde, e que até hoje calou a ingratidão e a desconsideração final do seu primeiro-ministro.

10 de Março

percebe-se que José Sócrates, desde o exílio filosófico em Paris, não acredita estar fora desta corrida [presidencial]

24 de Março

Sobra estar no partido com a máxima que José Sócrates lembrava repetidamente enquanto inquilino de São Bento: “Só se passa por aqui uma vez.” Ao menos nessa convicção estava inteiramente certo…

31 de Março

Há um ano (completado ontem), Teixeira dos Santos dizia, finalmente, “basta”. Passadas algumas horas, José Sócrates, já de relações cortadas com o ex-ministro das Finanças, anunciava que o seu Governo de gestão (pedira a demissão a 23 de março na sequência do chumbo ao PEC IV) iria recorrer à ajuda externa.

7 de Abril

6 thoughts on “Grandes socráticos da actualidade”

  1. Lucidez, que os factos confirmam.
    Só o rotundo fracasso, prefeitamente adivinhado na imprepatração desta direita que abocanhou o poder todo e sua comprovada incompetência à vista de toda a gente, gera todo este ódio verbal e torrente de mentiras, escarradas, umas, insinuadas, outras.
    Penso que se tudo estivesse a correr bem a esta governação e, em contraste evidente, a anterior governaçâo PS tivesse sido mediana ou medíocre, há muito Sócrates estava esquecido a um canto das preocupações dos que o derrubaram. O que pesa aos impotentes esquerdistas e direitistas é a consciência de terem derrubado um governo que colocara Portugal num rumo com visão de futuro, sobressaltado, é verdade, pelo enorme temporal que deu à costa a partir de 2008, mas que tudo estava a fazer para evitar o naufrágio semelhante ao da Grécia. Os politiqueiros invejosos aproveitaram a maré adversa para descarregar o veneno da sua inveja. Estão perfeitamente conscientes do mal que fizeram ao país e tudo intentam para esconder aos olhos do povo e da história a enormidade da sua mesquinhez. O preço que estamos a pagar é de tal ordem que eles não suportam a ideia de serem responsabilizados, apesar de terem sido avisados que uma crise poltica em cima de uma crise económica era o desastre anunciado. “Pois que venha o desastre!”, gritou em uníssono, no Parlamento, a 23 Março 2011, a união espúria da direita com a esquerda radical.
    Agora não querem assumir as consequencias. E por isso tanto os atormenta a imagem do homem que enfrentou, com um punhado de amigos do PS e dos seus governos, os tempos severos de um mundo em mudança acelerada.
    Como ratazanas que são, vê-los-emos a abandonar o barco antes de todos os outros.
    Este permanente espumar de ódio e calúnias sobre a pessoa de Sócrates e seus companheiros de governo e de partido é a melhor indicação de que as ratazanas já se arrastam pelo convés vergonhoso, da fuga às responsabilidades pelo que está a acontecer.
    E nem faltou um judas de última hora, a quem foram oferecidos, em devido tempo, os “trinta dinheiros” de uma mordomia na PT. Pelos vistos, ainda não teve tempo de se arrepender e enforcar…

  2. Um conselho de amigo, logo pela manhã de segunda feira quem tiver uns tostões e os

    quiser preservar deve ir ao banco…se ainda for a tempo…

  3. socratismo vai aparecer brevemente na wikipedia como sinónimo de políticos e seus reles apoiantes que se opõem à conformidade das políticas ranhosas, troikistas, totalitaristas e marionetistas acéfalas. Também pode aparecer como definição da meia dúzia de malucos que dizem que o rei vai nu e que a questão da licenciatura não vai resolver a situação nacional. Ou…

  4. Basta olhar para os óptimos exemplos do Luis Amado já REPIMPADO no BANIF, ou o Teixeira dos Santos depois do rasgado elogio ao que fez Gasparinho, este retribuiu-lhe com um TACHO na CGD, coitado do Santos afinal não conseguiu essa mordomia.

    Se este são óptimos exemplos do governo de Socrates estamos conversados.

  5. augusto, esses foram o que dissidiram ainda enquanto governantes;não esqueças o teu homónimo socrático.(repito são meia dúzia, mas quantidade não é sinónimo de qualidade)

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