Um livro por semana 282

«Os sítios sem resposta» de Joel Neto

Para Joel Neto (n. 1974) também a Geografia é mais importante do que a História. Miguel Barcelos, o herói deste romance, resolve mudar de clube («num dia de Novembro») e passa do Sporting para o Benfica durante um processo de zelo e sobressalto como «um cristão-novo na aprendizagem do pai-nosso». O enredo é absurdo, insólito e estranho mas repete, afinal, a troca que em 1961 foi feita por Eusébio quando virou costa ao Sporting de Lourenço Marques e veio para o SLB. Rejeitado pelo Desportivo e acarinhado pelos «leões» de Moçambique, Eusébio (n.1942) chegou ao Benfica por duas razões: era menor ao tempo e a mãe recebeu «dinheiro grande». Ele não seguiu o destino de «Juca», Mário Wilson e Hilário, notáveis jogadores moçambicanos que reforçaram os «leões» de Lisboa.

Voltando à mudança de clube, o autor usa-a como pretexto para mostrar o esplendor da solidão de Miguel Barcelos. Solidão depois da chuva sobre Lisboa: «a cidade desatina, soçobrando em poucos minutos perante um turbilhão de engarrafamentos, inundações e neurose colectiva.» Solidão na freguesia açoriana onde nasceu: «a lavoura nos Açores é milhares de pessoas a receberem dinheiro para não fazerem nada, a não ser embebedarem-se pelos botequins bem caladinhas.» Solidão mesmo quando uma mulher misteriosa o visita e lhe deixa 200 euros depois de um fim de tarde de sexo: «Aquela mulher estava a comprar-me. Mais do que comprar-me: estava a prostituir-me. Duzentos euros era quanto eu valia.»

No regresso a Lisboa o herói traz a memória da infância («Não sei se cheguei a amar o Lusitânia como vim a amar o Sporting») ao lado do tempo atmosférico: «As nuvens, muito baixas, formavam por cima de nós uma barriga redonda e urgente, como que preparadas para lançar sobre a ilha o seu habitual caldo de dilúvio, neurastenia e literatura».

(Edição: Porto Editora, Capa: Alex Gozblau, Foto: Pedro Loureiro)

2 thoughts on “Um livro por semana 282”

  1. fónix! publicidade a mais um broche d’um minete ao sportém, deixa-te disso que o sá pinto não precisa de ajudas paneleiras. podias ter escolhido “o citroen que escrevia novelas mexicanas”, sempre encaixava melhor nas fobias emel que partilhas com o pintas dos 200 euros. mas tá bem, deves-lhe uns favores naquele gancho radiofolclorico dos açores, portantes tudo na coluna da direita para subtrair na da esquerda. oh! remeloso quando é que cumpres o “aviso nesta minha última crónica de inventário e despedida”, já passaram 3 dias e continuas a insistir com postes merdosos para amarrar vacas não certificadas.

  2. Hoje vai em prosa.
    Bibó Sportén, biba a lagartagem. O Benfica perdeu com esses fracos do Chelchia pá que tinha perdido com o Manchester City aqueles que nós pusemos fora da carroça.
    Entretanto o grande Dá-lhe Pinto (Bofetadas e pontapés) ganhou ao metálico ferrugento um ganda clubio que não se compara nada com o Chelchia.
    Lá vens tu outra vez com o Ózebio. Este gajo não te deixa dormir descansado. É ele e a emel que te fodem o juízo.
    Porra, pá! Já chega! Deixa o homem que é casado está doente e não é homosexual.

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