“Devemos persistir, ser exigentes, não sermos piegas e ter pena dos alunos, coitadinhos, que sofrem tanto para aprender”, ilustrou, considerando que só com “persistência”, “exigência” e “intransigência” o país terá “credibilidade”.
O primeiro-ministro considerou ainda que esta atitude de exigência deve começar na escola mas estender-se a todos os níveis da sociedade e deu como exemplo as empresas.
O primeiro-ministro pegou ainda no exemplo da escola e do ensino para defender que “se criou a falácia” de que as grandes reformas levam anos a produzir efeitos.
“Não é verdade. Em cada aula que se dá, tudo pode mudar. As pessoas ajustam-se rapidamente à mudança. Mas tem de haver uma mudança. Agora se se arranjam sempre desculpas e explicações para os maus resultados…”, afirmou.
“Os agentes ajustam-se muito rapidamente e antecipam os resultados quando há credibilidade”, acrescentou.
Passos pede aos portugueses para serem “menos piegas”
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Bastaria organizar um florilégio ao calhas das afirmações de Passos Coelho ao longo da sua carreira política para constatarmos que estamos perante uma cabeça invulgar, tal como a sua biógrafa Felícia Cabrita cinzelou em título. Mas a invulgaridade em causa consiste no facto de, comparada com a sua, a cabeça de Santana Lopes nos parecer brilhante e mesmo, com mais 10 ou 15 segundos a manter a comparação, verdadeiramente genial.
Alguém diz coisas a Passos e Passos tenta repetir o que ouviu. Têm de ser coisas simples, e quão mais simples mais alta a probabilidade de ele as conseguir repetir com alguma fidelidade. Neste famigerado episódio, ocorrido num tempo em que o sonho começava já a dar crescentes sinais de vir a ser um pesadelo no curto prazo, Passos lança-se num discurso acusatório contra o próprio povo que o elegeu e a quem ele tinha prometido um analgésico para as dores da austeridade. Íamos cortar gorduras, ficar mais bonitos. Íamos acabar com o regabofe socialista, cheio de opulência, desvario e corrupção. Íamos, mas só até ao dia 5 de Junho de 2011. Semanas depois, a “política de verdade” chegava finalmente aos nativos para lhes ensinar maneiras e respeitinho. Para começar, iam ficar sem dinheiro, a fonte de todos os vícios.
Acredito que Passos acreditou que “as pessoas ajustam-se rapidamente à mudança”. É uma ideia que pode ser defendida com argumentos racionais, verosímeis, eloquentes. Veja-se, por exemplo, o que acontece numa catástrofe, numa guerra. E acredito que Passos acreditou que lhe bastaria impor uma qualquer mudança para obter os ajustamentos que melhor favorecessem os seus interesses. Afinal, se o casal Passos-Relvas tinha derrotado cavaquistas e baronato laranja, que dificuldade especial oferecia tratar de um país que se tinha ido entregar voluntariamente nas suas mãos?
Passos Coelho é um dos políticos mais violentos que já exerceram o poder em Portugal em democracia. Violência acrescida pelo seu estilo dúplice que oscila entre a fanfarronice de telenovela e a postura obnóxia. Só que a culpa não é dele, coitado. A culpa é de quem lhe faz a cabeça.