Supremo Mentiroso da Nação

2013

Num tempo dominado pelo culto do efémero e do protagonismo mediático seria
porventura tentador utilizar a chefia do Estado como palco de atuação de grande efeito,
buscando o engrandecimento pessoal através de intervenções mais ou menos populistas,
que conquistassem simpatias do momento mas das quais nada resultaria, a não ser um
grave prejuízo para o superior interesse nacional.

Em conjunturas de crise, como a que vivemos, seria fácil tirar partido de uma
magistratura que não possui responsabilidades executivas diretas para, através de
declarações inflamadas na praça pública, satisfazer os instintos de certa comunicação
social, de alguns analistas políticos e de muitos daqueles que pretendem contestar as
instituições. Seria fácil, por exemplo, alimentar sentimentos adversos à classe política
ou até à ação do Governo.

Esse não é, no entanto, o meu entendimento sobre o que deve ser a ação responsável de um Presidente da República, muito menos em tempos de grave crise. Os Portugueses sabem como sou, conhecem a minha aversão a excessos de protagonismo pessoal e o meu apego ao superior interesse do País. A minha missão consiste em contribuir, de forma ativa mas ponderada, para que Portugal vença os desafios do presente sem perder de vista os rumos do futuro. Foi esse o mandato para que fui eleito – e dele não me afastarei nem um milímetro.

Prefácio aos Roteiros VII

2011

Ao Governo e ao Senhor Primeiro-Ministro reitero o compromisso de cooperação que há cinco anos assumi perante os Portugueses. Pela minha parte, pode contar o Governo com uma magistratura activa e firmemente empenhada na salvaguarda dos superiores interesses nacionais.

Enquanto Presidente da República cumprirei escrupulosamente os compromissos que assumi perante os Portugueses no meu manifesto eleitoral. No quadro de todos os poderes que me são conferidos pela Constituição, serei rigorosamente imparcial no tratamento das diversas forças políticas, mantendo neutralidade e equidistância relativamente ao Governo e à oposição.

Irei cooperar com os demais órgãos de soberania para que Portugal ultrapasse as dificuldades do presente e actuarei como elemento moderador das tensões da vida política e como factor de equilíbrio do nosso sistema democrático.

*

Como sempre tenho afirmado, só um diagnóstico correcto e um discurso de verdade sobre a natureza e a dimensão dos problemas económicos e sociais que Portugal enfrenta permitirão uma resposta adequada, quer pelos poderes públicos quer pelos agentes económicos e sociais e pelos cidadãos em geral.

Não podemos correr o risco de prosseguir políticas públicas baseadas no instinto ou em mero voluntarismo.

Sem crescimento económico, os custos sociais da consolidação orçamental serão insuportáveis.

A expectativa legítima dos Portugueses é a de que todas as políticas públicas e decisões de investimento tenham em conta o seu impacto no mercado laboral, privilegiando iniciativas que criem emprego ou que permitam a defesa dos postos de trabalho.

A nossa sociedade não pode continuar adormecida perante os desafios que o futuro lhe coloca. É necessário que um sobressalto cívico faça despertar os Portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes públicos.

Em vários sectores da vida nacional, com destaque para o mundo das empresas, emergiram nos últimos anos sinais de uma cultura altamente nociva, assente na criação de laços pouco transparentes de dependência com os poderes públicos, fruto, em parte, das formas de influência e de domínio que o crescimento desmesurado do peso do Estado propicia.

É uma cultura que tem de acabar. Deve ser clara a separação entre a esfera pública das decisões colectivas e a esfera privada dos interesses particulares.

É altura dos Portugueses despertarem da letargia em que têm vivido e perceberem claramente que só uma grande mobilização da sociedade civil permitirá garantir um rumo de futuro para a legítima ambição de nos aproximarmos do nível de desenvolvimento dos países mais avançados da União Europeia.

Necessitamos de recentrar a nossa agenda de prioridades, colocando de novo as pessoas no fulcro das preocupações colectivas. Muitos dos nossos agentes políticos não conhecem o país real, só conhecem um país virtual e mediático. Precisamos de uma política humana, orientada para as pessoas concretas, para famílias inteiras que enfrentam privações absolutamente inadmissíveis num país europeu do século XXI. Precisamos de um combate firme às desigualdades e à pobreza que corroem a nossa unidade como povo. Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos.

A pessoa humana tem de estar no centro da acção política. Os Portugueses não são uma estatística abstracta. Os Portugueses são pessoas que querem trabalhar, que aspiram a uma vida melhor para si e para os seus filhos. Numa República social e inclusiva, há que dar voz aos que não têm voz.

O exercício de funções públicas deve ser prestigiado pelos melhores, o que exige que as nomeações para os cargos dirigentes da Administração sejam pautadas exclusivamente por critérios de mérito e não pela filiação partidária dos nomeados ou pelas suas simpatias políticas.

Os jovens não podem ver o seu futuro adiado devido a opções erradas tomadas no presente. É nosso dever impedir que aos jovens seja deixada uma pesada herança, feita de dívidas, de encargos futuros, de desemprego ou de investimento improdutivo.

É fundamental que a sociedade portuguesa seja despertada para a necessidade de um novo modo de acção política que consiga atrair os jovens e os cidadãos mais qualificados. O afastamento dos jovens em relação à actividade política não significa desinteresse pelos destinos do País; o que acontece, isso sim, é que muitos jovens não se revêem na actual forma de fazer política nem confiam que, a manter-se o actual estado de coisas, Portugal seja um espaço capaz de realizar as suas legítimas ambições. Precisamos de gestos fortes que permitam recuperar a confiança dos jovens nos governantes e nas instituições.

Foi especialmente a pensar nos jovens que decidi recandidatar-me à Presidência da República. A eles dediquei a vitória que os Portugueses me deram. Agora, no momento em que tomo posse como Presidente da República, faço um vibrante apelo aos jovens de Portugal: ajudem o vosso País!

Façam ouvir a vossa voz. Este é o vosso tempo. Mostrem a todos que é possível viver num País mais justo e mais desenvolvido, com uma cultura cívica e política mais sadia, mais limpa, mais digna. Mostrem às outras gerações que não se acomodam nem se resignam.

Discurso de Tomada de Posse do Presidente da República

26 thoughts on “Supremo Mentiroso da Nação”

  1. NOJO! NOJO! MUITÍSSIMO NOJO!

    Diz o Povo e tem razão: Uma desgraça nunca vem só! Cavacos, Gaspares, Relvas, Coelhos e Portas do nosso descontentamento. Sem falar dos Borges, Ulriches, Catrogas e outras desgraças.

    E o sonso do Rato a vê-los passar…

  2. Diz o Povo e tem razão,”Olha para o que eu digo e não olhes para o que eu faço”.Será que ele pensa que nos esquecemos do que foi “a sua magistratura”no Governo anterior,que a par de uma campanha eleitoral vergonhosa até entrou uma tentativa de golpe de Estado?E quanto às negociatas com a SLN e outras muito mal explicadas?É de facto penoso,um vómito,este prefácio do “SUPREMO MENTIROSO DA NAÇÃO”,

  3. O cavaleiro da triste figura:
    Cavaco Silva não tem jeito para contar anedotas, para discursos e muito menos para entrevistas. Muitas pessoas devem estar pensativas como um cavaleiro da (de) triste figura chegou a Primeiro-ministro e Presidente da República! Faz pior figura que Dom Quixote de la Mancha. Este ao menos lutava contra moinhos de vento e não se refugiava à sombra da sua amada Dulcineia.
    Cavaco Silva tem um problema de consciência. Como várias vezes afirmou que se tinha de nascer duas vezes para se poderem comparar a ele. Mas sabe-se de fonte limpa – aqui refiro fonte e não consciência, porque isso ele nunca teve, veja-se o caso BPN – que luta desesperadamente contra o “fantasma” Sócrates porque há pessoas que têm de viver com esta triste sina.
    Ainda se viu agora o que aconteceu com Paulo Portas na Venezuela. Partiu para ali para representar Portugal nas cerimónias fúnebres a Hugo Chávez e afinal quem foi mais falado durante as cerimónias foi José Sócrates. A presença deste ofuscou a presença de Paulo Portas.
    Dizem os cronistas cá do burgo que Sócrates se deslocou ali em viagem de negócios. Que não dá ponto sem nó. Mas isso requer intuição. Que é o que falta a Cavaco Silva.
    Se tem pegado nos seus livros (roteiros) e se deslocasse à Venezuela talvez estes fizessem jeito aos milhões de venezuelanos que foram prestar a última homenagem a Hugo Chávez, para limpar o traseiro, devido à escassez de papel higiénico que se fez notar nos WCs públicos. É para isso que servem.

  4. Cavaco tem o cuidado de defender o governo e os seus amigos da (des)governação. De resto ele nunca gostou de ser crítico em relação aos seus grandes amigos. Nunca ninguém ouviu uma palavra dele sobre os amigos de peito Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira Costa, Arlindo Carvalho, Fernando Fantasia e muitos outros que continuam a privar com ele como se fossem as pessoas mais sérias do mundo.

  5. Nao entendo tanta surpresa por parte dos companheiros de jornada

    “O PS e o seu governo preferiram chamar PSD e CDS, os seus companheiros de caminho e de alternância de 36 anos de política de direita e da crise e, concertados, impor ao país com eleições à vista, um inaceitável pacto com a ‘troika’ estrangeira contra o povo e o país. A eles [PS/PSD/CDS] se associou o Presidente da República”, declarou Jerónimo de Sousa.

  6. o jeropinga de sousa diz o que lhe dá jeito para disfarçar a merda que fez ao aliar-se à direita para eleger este governo, depois de almoço o jero ressona e o pinga discurso.

  7. Vês ? é por causa destas coisas que eu gostaria de me poder pronunciar directamente , à la Suisse , sobre assuntos muito importantes , sem mentirosos a intermediar. por exemplo : a seguir a este inferno deve o estado continuar a pedir aos mercados ? eu respondia logo non , non , non , nem mais um tostão a crédito !!! tá tudo maluco , andamos num yo yo há que tempos . ainda não consegui perceber o que subjaz à vinda cíclica dos troikistas . sádico o people representante ? adora ver-nos levar com o chicote ? não há pachorra para tanta falta de lógica. esse pensamento abstracto masculino definitivamente não presta quando o que está em causa não são invenções , tipo lâmpada ou telefone , mas a vida do dia a dia.

  8. E depois de 36 anos ainda se vão aliar aos mesmos.
    Estes mesmos que os desprezam que os tomam como os parentes pobres, os pelintras.

    Este Ps está , de facto, entregue

  9. “E depois de 36 anos ainda se vão aliar aos mesmos.”

    é a liberdade e a democracia a funcionarem, com o partido comunista no poder tinhamos tido mais 36 de ditadura, eleições feitas pelo polibturo, liberdade de estar calados e os teus amigos arménios, nogueiras e avoilas manifestavam-se no banho a cantar tololó.

    http://www.youtube.com/watch?v=QybnuE17r2I

  10. Ignatz , eh pá , ainda não reparaste que chegámos ao estado de Cuba pela mão da tua democracia representativa ? pior o PCP não fazia , de certezinha absoluta. e tínhamos uma ditadura , daquelas tipificadas nos manuais , contra a qual lutar :))))))) que pena o PCP não ter assumido o poder : em termos de eficácia de governação a diferença era nenhuma , em termos de legitimidade ? já não havia discussões bla bla bla académicas sobre a legitimidade do governo e talvez …quem sabe ?
    eu vou explicar : o people vê-vos como um conjunto e ainda não percebe pq o conjunto , com 36 anos para o fazer , ainda não definiu consequências para o não cumprimento dos programas e campanhas com os quais ganham os votos. não estariam à espera que a gente fosse do ps ou do psd como somos do Benfica ou do Sporting , pois não ?

  11. e tudo sobre políticos fica dito assim : o Vitorino não diz o que tem a dizer pq isso lhe pode retirar dividendos das memórias que anda a pensar escrever . ouvi , agora , na tv . pela boca do próprio, e o cromo não percebe como o vamos interpretar ? e ao sistema a que pertence? que asco de machos beta , pequeninos e gordos e feios. e a seguir , tranquilo , contente , fala no Beppe e de consciência e responsabilidade e bla bla . .estes gajos nem meio neurónio têm.

  12. Vocês ainda perdem tempo a comentar Cavaco?

    O povo diz: “diz-me com quem tu andas e eu digo-te quem tu és”. Com isto não quero dizer que Cavaco seja desonesto e pouco íntegro, porque até acho que ele é uma pessoa muito séria. O problema é que Cavaco chegou ao poder dentro do PSD sem ter o seu próprio exército. Ele agregou apoios que a única coisa que tinham em comum, era estarem contra o Boco Central e áqueles que, dentro do PSD, defendiam a sua permanência (Joao Salgueiro).
    Portanto, Cavaco quando chegou ao Governo, teve de contar com esta malta que não conhecia de lado algum, mas que tinham sido fundamentais, na sua ascensao ao Poder.

    Vocês falam do BPN, acho que Cavaco nao tem culpa nenhuma, nem tem razãoes para se sentir comprometido com nada. O que acho muito grave e deixei de confiar em Cavaco, foi com a história das escutas. O que Cavaco fez, foi criar a desconfiança no cidadão em relação ao próprio Estado e ás instituições que o suportam. Só o facto de não ter corrido com o Fernando Lima de Belém, prova que se sentia comprometido com a situação. E depois a comunicação ao país sobre este tema, é qualquer coisa de surrealista. Cavaco, com esta história, para mim, provou que não estava à altura de ser Presidente da República. Num país decente, Cavaco tinha-se demitido.
    Por isso, hoje, quando Cavaco fala, já não ligo. Melhor ainda, já nem o ouço.

    Só espero que Cavaco termine as suas funções com a dignidade que o cargo que ele ocupa merece.

    Um bom Domingo para todos, até para o Cavaco

  13. “Com isto não quero dizer que Cavaco seja desonesto e pouco íntegro, porque até acho que ele é uma pessoa muito séria.”

    7 linhas abaixo

    “O que acho muito grave e deixei de confiar em Cavaco, foi com a história das escutas.”

  14. Ignatz

    Esqueci-me de uma palavra:

    O que acho muito grave e deixei de “confiar politicamente” em Cavaco, foi com a história das escutas.

    Em termos de honorabilidade pessoal e de não ser corrupto, não vejo melhor exemplo num político em Portugal que o Cavaco. Nesse aspecto, acho um homem muito sério.

  15. Atão o Fancisco acha que inventar uma historia em se contava que o PM escutava o PR é coisa para dar equivalência a santo, ou contenta-se com a de homem de honra?
    É que eu sempre ouvi dizer que homem sério não mente. Já está desactualizado?
    O Rodrigues é capaz de imaginar o escarcéu mediático se ao dono da Casa da Coelha ou do exemplar caso das acções BPN se chamasse…Sócrates?

  16. bento ,naõ te esqueças que para a alternãncia o pcp tem dado um excelente contributo,talvez por cansaço da não alternancia a leste do paraiso,ou para atingir o desiderato do quanto pior melhor,tem vegonha.o teu argumento sobre o pacto na troika com eleiçoes à vista é de imbecil.

  17. e dizia esta alimária que lhe queriam retirar poderes fazendo fitas ás risonhas vaquinhas açorianas afinal sabemos agora que o men que desde 1980 foi o maior e mais tempo responsável politico deste pais deve sentir-se orgulhoso pela merda que fez e nos deixou se é que a merda não vai ainda cheirar mais mal nestes anos que lhe restamde governação

  18. francisco rodrigues ;

    era o que eu pensava dele; mas depois do episódio das escutas, gravissimo ( ainda hoje Pacheco Pereira deve estar à espera de um explicação, porque recordo que na altura defendeu o PR com o pretexto de que naquele momento -eleitoral- aquele não poderia dizer tudo o que sabia), mas mais tarde explicaria as suas razões, o que não sucedeu.
    depois a treta de pensionista miserável; depois a avidez pelo lucro desmedido, que teria que saber ser inusual, de que o beneficiou assim como a família; num regresso ao passado, já com 27 anos, o labéu lançado, escusadamente numa ficha da PIDE, contra uma senhora casada em 2ª núpcias; com essa idade já Mário Soares, Cunhal e outros se batiam por causas e valores em prol dos mais fracos e desprotegidos; o ódio a Sócrates, concretizado com os discursos mais violentos de um PR contra outro Órgão de Soberania;
    não, não é homem de caracter; antes um espécimen raro que restou do regulamento do Conde de Lippe, quando decrtetou que os corneteiros deveriam ser alentejanos, algarvios e outras gentes de má porte…restou este algarvio, e a maneira cobarde como lida com a impopularidade-fica ressentido e tem sentimentos vingativos, como o demonstra em raras intervenções públicas com um pseudo sentido de humor sarcástico…é reles digo eu..do mais reles que já tivemos…

  19. jrrc, é preciso seres muito ingénuo para teres acreditado num gajo que foi eleito presidente do psd por fazer a rodagem um bx, acho que foi assim que foi apresentado aos eleitores.

  20. zzz…enquanto espero, aproveito para fazer correcção da prova de português. “hoje é um” daqueles dias…”metabolismo” lento

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