E andou o sábio do “medo de existir” a defender esta doença

Numa entrevista ao PÚBLICO, em Maio passado, o analista da OCDE Paulo Santiago, que coordenou o relatório sobre a avaliação no sistema de ensino português, frisou que Portugal é mesmo “um caso extremo” na organização, uma vez que “não existe ainda nas escolas uma cultura de porta aberta, permitindo que professores observem aulas de outros colegas”. Portugal é também “quase um caso único” na OCDE no que toca à “relutância de professores e dos próprios directores em fazer um juízo profissional sobre outros colegas”, acrescentou.

Avaliação docente em Portugal não corresponde às boas práticas propostas pela OCDE

15 thoughts on “E andou o sábio do “medo de existir” a defender esta doença”

  1. ainda vinga a ética disfuncional e a cultura da sebenta de papel de marmelada borrada com nódoas de manteiga. mas isto é grave porque o papel dos professores é especialmente importante no desenvolvimento pessoal e social.

  2. este governo alem de incompetentes,tambem tem caloteiros, o ministro da economia devia 450 euros a uma junta de freguesia que cuidava dos seus filhos, fez-se de esquecido e só pagou depois da denuncia nas tvs. justificou a falta de pagamento com as aldrabices do costume. relvas está a fazer escola no governo

  3. Infelizmente, o ensino, tal qual está, tem problemas graves a carecer de urgente resposta/ação. Um professor de qualidade acaba por ter mérito idêntico ao de um incapaz, se os interesses do grupo o entenderem conveniente, para mal dos nossos pecados.
    Só quem conhece a escola por dentro, sabe o que por lá se passa, e só os encarregados de educação mais atentos e conhecedores, conseguem identificar os males de que a(s) sua(s) escola(s) padece(m).
    O Crato, que no outro tempo se fartava de mandar bitaites, agora parece uma barata tonta, pois nada faz e por vezes ainda complica.
    Se não se meter travão a sério, o futuro da nossa juventude está cada vez mais negro, pois a escola pública tende a desaparecer ou a ser incapaz de um ensino de qualidade, dando de bandeja aos que detêm o poder económico as hipóteses de sucesso e qualidade mínima aceitável.
    Restará a escola elitista para uma meia-dúzia de “abençoados”, fazendo com que o conhecimento seja um luxo apenas ao alance de uns poucos, que paguem bem e vistam caro.

  4. who cares?
    pelo menos já não têm o sistema de avaliação da Maria de Lurdes, uma das principais causas de luta a favor da queda do governo de Sócrates. O fim e objectivo do sistema não são os alunos, são os professores. Este governo apanhou bem a deixa e nunca mais se viu manifestações paralisantes dos professores….Nós, pobres contribuintes, até lhes pagamos 100 euros por cada avaliação que fazem (avaliação, nos termos actuais, é pôr a cruzinha de Muito Bom no formulário do colega). É um euromilhões assegurado à partida. Com a inconveniência de só se fazer a avaliação ao fim de uma porrada de anos, e não em relação ao desempenho do ano lectivo. Mas em troca de uns milhares de profs no desemprego, vale bem. Quem tem filhos? Não ficam assutados de verem os vossos pequenos, futuros cidadãos, entregues a estas degradação?

    Pronto, eu calo-me já…e deixo outros falarem.
    http://www.youtube.com/watch?v=fvPpAPIIZyo

  5. tá tudo off line, mas fica já aqui o relato para amanhã. relato verdadeiro e chocante.
    Turminha do 5º ano, putos de 10 anos, a professora não se entende com os alunos, os alunos não respeitam a professora (escola de cascais, classe média, se é que isso ainda existe). A professora decide aplicar um castigo que não lembraria às SS: duas horas fechados com ela na sala de aula, fechados à chave, em pé, sem se poderem encostar às mesas nem às paredes, em silêncio. Parece tortura? Porque é.

    Um dos alunos, filho de uma amiga minha queixa-se aos pais do que aconteceu, diz que ao contrário do que os pais ensinaram, as crianças não merecem respeito na escola. Pais falam com outros pais. Os filhos dos outros pais não disseram nada em casa, porque pensavam que a falta tinha sido tão grave, que o melhor era não passarem pela vergonha de falar no caso. Mas quando falaram, a pedido dos pais, choraram, chorararm de humilhação e de vergonha (alheia). Castigo infligido pelo colega professor director da escola: a professora psicótica deixa de ser directora de turma. Uau! Mas continua a dar “aulas”. E com Muito Bom. Double Uau!!!

  6. Contraponho o sábio da “força de existir”.

    Ninguém fugirá da escola e a olhará como um horror no dia em que a deixemos de conceber como o lugar a que se vai para receber uma lição, para a considerarmos como o ponto de condições óptimas para que uma criança efectivamente dê a sua ajuda a todos os que estão procurando libertar a condição humana do que nela há de primitivo; não se veja no aluno o ser inferior e não preparado a que se põe tutor e forte adubo; isso é o diálogo entre o jardineiro e o feijão; outra ideia havemos de fazer das possibilidades do homem e do arranjo da vida; que a criança se não deixe nunca de ver como elemento activo na máquina do mundo e de reconhecer que a comunidade está aproveitando o seu trabalho; de número na classe e de fixador de noções temos de a passar a cidadão.

    Agostinho da Silva
    (em desuso total, muitos professores nem sabem quem foi; o Crato é mais numeros e vendeu a alma ao diabo, se é que chegou a tê-la; para mim era só prosápia barata)

  7. pois, por eu não ter alinhado na farsa e não ter colocado uma cruzinha no Muito Bom na ficha de um janota convencido, agora tive de contratar um advogado. ora bistes, ignatzia, quem te mandou levar a coisa a sério… De facto, só quem está lá dentro é que conhece xalência dos dótores.

  8. e despeço-me com esta, pegas se quiseres. Pior que sofrer de estupidez é alimentá-la. Como se alimenta um(a) estúpido(a) com carência de protagonismo? Dando-lho.

    Agora ao que interessa: advogado e tudo? É crime, portanto, não considerar automaticamente um prof como excelente…Está provado que quem luta (pelo reconhecimento em euros da mediocridade), sempre alcança. Aqui, no cantinho, é verdade. Por isso é importante não dar importância à educação.Quem a tenha demais que emigre, que o país é dos funcionários (e) incompetentes. Os que ficam são para pagar a conta.
    (estás a ver as pEças do Eça sobre o assunto, que circulam na net? Gastas…exactly).

  9. a famosa marcha dos 100 000 que uniu direita e esquerda, sob a batuta de Mário Nogueira, foi a vitória mais cara da história da luta de classes; uma classe tão qualificada (como se arrogava) foi manipulada e marchou pelo acesso automático ao 10 escalão, ou ao topo da carreira, para todos, bons ou maus ( bem sei que também argumentam como o passos coelho, mas a malta não acredita em tretas)…acabou tudo em tragédia..infelizmente para eles e para nós…

  10. é interessante, como vêm agora certas pessoas da OCDE dizer isso como se não tivessem culpa nenhuma. Antes de 2005 os Conselhos Pedagógicos faziam todo esse trabalho; havia estágios e profissionalização a sério (com aulas assistidas) e as escolas tomavam conta de si próprias; mais importante: os professores que faziam a diferença tinham espaço para isso. Agora está tudo destruído? Pois está… Que tal regressarem aos valores do iluminismo?! À escola de Humboldt?

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_von_Humboldt

  11. Da página da wikipedia de Wilhelm von Humboldt:

    «In his essay on the ‘Theory of Human Education’, he answered the question as to the ‘demands which must be made of a nation, of an age and of the human race’. ‘Education, truth and virtue’ must be disseminated to such an extent that the ‘concept of mankind’ takes on a great and dignified form in each individual. However, this shall be achieved personally by each individual, who must ‘absorb the great mass of material offered to him by the world around him and by his inner existence, using all the possibilities of his receptiveness; he must then reshape that material with all the energies of his own activity and appropriate it to himself so as to create an interaction between his own personality and nature in a most general, active and harmonious form’»

  12. Wilhelm von Humboldt, “Os Limites da Acção do Estado»

    «the evil results of a too extended solicitude on the part of the State, are still more strikingly manifested in the suppression of all active energy, and the necessary deterioration of the moral character. We scarcely need to substantiate this position by rigorous deductions. The man who frequently submits the conduct of his actions to foreign guidance and control, becomes gradually disposed to a willing sacrifice of the little spontaneity that remains to him. He fancies himself released from an anxiety which he sees transferred to other hands, and seems to himself to do enough when he looks for their leading, and follows the course to which it directs him. Thus, his notions of right and wrong, of praise and blame, become confounded. The idea of the first inspires him no longer; and the painful consciousness of the last assails him less frequently and violently, since he can more easily ascribe his shortcomings to his peculiar position, and leave them to the responsibility of those who have shaped it for him. If we add to this, that he may not, possibly, regard the designs of the State as perfectly pure in their objects or execution—should he find grounds to suspect that not his own advantage only, but along with it some other bye-scheme is intended, then, not only the force and energy, but the purity and excellence of his moral nature is brought to suffer. He now conceives himself not only irresponsible for the performance of any duty which the State has not expressly imposed upon him, but exonerated at the same time from every personal effort to ameliorate his own condition; nay, even shrinks from such an effort, as if it were likely to open out new opportunities, of which the State might not be slow to avail itself. And as for the laws actually enjoined, he labours, as much as possible, to escape their operation, considering every such evasion as a positive gain. If now we reflect that, as regards a large portion of the nation, its laws and political institutions have the effect of circumscribing the grounds of morality, it cannot but appear a melancholy spectacle to see at once the most sacred duties, and mere trivial and arbitrary enactments, proclaimed from the same authoritative source, and to witness the infraction of both visited with the same measure of punishment. Further, the injurious influence of such a positive policy is no less evident in its effects on the mutual bearing of the citizens, than in those manifestations of its pernicious working to which we have just referred. In proportion as each individual relies upon the helpful vigilance of the State, he learns to abandon to its responsibility the fate and wellbeing of his fellow-citizens. But the inevitable tendency of such abandonment is to deaden the living force of sympathy, and to render the natural impulse to mutual assistance inactive: or, at least, the reciprocal interchange of services and benefits will be most likely to flourish in its greatest activity and beauty, where the feeling is liveliest that such assistance is the only thing to rely upon; and experience teaches us that those classes of the community which suffer under oppression, and are, as it were, overlooked by the Government, are always cemented together by the closest ties. But wherever the citizen becomes insensible to the interests of his fellow-citizen, the husband will contract feelings of cold indifference to the wife, and the father of a family towards the members of his household.»

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