Quando o Aspirina B foi criado, em 2005, já havia muito boa gente farta da blogosfera política e a declará-la acabada. O mundo não iria mudar pelo prolixo teclar; e entretanto há coisas que mudam, apetece fazer outras. Também por essa altura era patente o sentimento de se ter esgotado o ideal primevo do convívio entre bloggers e entre autores e comentadores. Apareciam cada vez mais blogues privados ou sem caixas de comentários.
O modo como a direita chafurdou na sua decadência durante os Governos PS fez da blogosfera um lugar infecto, um esgoto para a indústria da calúnia e para a cultura do ódio. Os bravos da esquerda pura e verdadeira alinharam entusiasmados nas campanhas negras, felizes da vida numa união nacional com a escória da direita portuguesa para esse supremo combate histórico contra o imperialista Sócrates. O racismo ideológico nunca descansa e faz os mais estranhos companheiros de alcova.
O sucesso do Twitter e do Facebook retirou aos blogues o papel de espaço de habitação onde se celebrava a novidade do poder de comunicação digital e se estabelecia uma socialização entre autores e comentadores pelas mais variadas afinidades. A consequência foi o abandono da enorme maioria dos participantes e sua migração para as novas plataformas onde recriaram as suas afinidades com total autonomia e desvairadas potencialidades expressivas.
Dito isto, há que dizer isto: os espaços comunitários livres são aquilo que as comunidades quiserem que sejam – se um estúpido conseguir aborrecer e afastar muita gente com as suas palavras, isso apenas significa que esse estúpido está a ocupar um lugar abandonado. Esta constatação tanto vale para caixas de comentários como para templos e cidades.
