Não dá para manter uma magistratura activa quando se ganha apenas 10.042 euros por mês

Cavaco Silva, depois de ter passado três anos a espalhar que o Governo socialista não falava “verdade aos portugueses”, depois de ter encomendado/patrocinado/inspirado (é escolher) o maior escândalo político que se associa à Presidência da República em democracia, depois de ter exibido sem um frémito de vergonha as viscerais ligações políticas e pessoais aos escroques do BPN, depois de ter deixado o País com um Executivo sem maioria parlamentar para que fosse sistematicamente boicotado pela coligação negativa dos direitolas com os esquerdolas e desse modo sendo queimado em fogo lento até à altura certa para a golpada final, ainda fez uma campanha eleitoral onde afiançou ser ele o único garante da tão necessária estabilidade face à gravíssima crise e em que prometeu uma “magistratura activa”.

Cavaco é o político mais poderoso em Portugal, aquele que está há mais tempo em funções e aquele que teve a maior influência negativa no destino do País. Sendo um dos maiores manipuladores do atraso nacional e seus miseráveis, agitou a bandeira branca da “estabilidade” para captar votos do centro e acendeu a fogueira da “magistratura activa” para transmitir à direita que a vingança contra o anticristo seria servida de imediato. Como a imbecilidade de Louçã conseguiu levar o PS a enterrar-se alegremente (o que, simultaneamente, coloca Sócrates como um líder que estava longe de ter o partido na mão), o resultado foi a incrível reeleição de alguém que ofende a inteligência e a ética republicana.

Pois bem, Cavaco foi um dos principais agentes que abriram a crise política que levou ao chumbo do PEC IV, à demissão do Governo e à perda da soberania. E Cavaco, agora que a loucura da dupla Passos-Gaspar só consegue criar devastação económica e crueldade social, está completamente desligado do Povo que jurou defender.

Se a questão da legitimidade dos órgãos de soberania for para levar a sério, que se comece pelo caso mais escabroso de todos. Consta que visita diariamente um palácio ali para os lados de Belém.

9 thoughts on “Não dá para manter uma magistratura activa quando se ganha apenas 10.042 euros por mês”

  1. a tanga é sempre a mesma, o presidente não pode revelar os contactos nem as conversações que mantém ao mais alto nível para não correr o risco de comprometer as soluções e prejudicar o interesse nacional, ou seja está à espera que aconteça qualquer coisa para depois atribuir o mérito a umas cenas dúbias que carregou na página do como-já-tinha-dito.

  2. Cavaco Silva é a pessoa que marcou mais negativamente o país desde 1985; disso não restam dúvidas.

    Para além disso, é realmente curioso como ele consegue ser reeleito (por maioria tangencial, é certo (52%)) sabendo-se na altura que a sua ligação ao BPN o beneficiou materialmente. Sabe-se que lhe foi oferecida uma casa de luxo, na Coelha (por permuta com a “Vivenda Mariani”, que valia muito menos); além disso, nós iremos pagar parte do custo dessa obra, pois o banco faliu e deixou o dinheiro que gastou como dívida. Beneficiou também com a venda de acções do BPN nas vésperas do colapso do banco; neste caso, suspeita-se que alguém do BPN o avisou do que ia acontecer (a confirmar-se, tal seria fraude em países como os Estados Unidos).

    Na Alemanha, no ano passado, o presidente de então — Christian Wulff — foi forçado a demitir-se por bem menos que isto. Wulff recebeu um empréstimo de 500 mil euros da mulher de um empresário importante. O episódio levantou suspeitas de corrupção devido ao facto de o juro cobrado ser anormalmente baixo. Ao contrário de Portugal, na Alemanha o presidente tem apenas um papel protocolar; mesmo assim, retiraram-lhe a imunidade judicial e, em consequência disso, teve que se demitir.

    Na nota de demissão de Wullf, lê-se: “Os acontecimentos dos últimos dias e semanas mostraram que a confiança do povo alemão e consequentemente a minha eficácia como presidente sofreram um sério dano.”

  3. Cansado da mesma conversa. O Valupi não sabe escrever mais nada? É que mudando umas virgulas e pontos é sempre a mesma conversa. Já chega homem, faz-te à vida…

  4. “Cansado da mesma conversa.”
    enquanto não te cansares do cavaco a conversa não muda. digo eu, que não sou pai deles.

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