Que lhes estará ainda a faltar para começarem a meter xuxas no chilindró? Se a Associação Sindical dos Juízes, o Correio da Manhã, o Carlos Barbosa e o Duarte Marques conseguiram sem qualquer dificuldade reunir provas dos crimes socialistas, andará a Judiciária a engonhar? Será que os socráticos têm procuradores comprados com os milhões que sacaram à doida? Ou o plano é mesmo o de esperar pelas eleições legislativas para os processos de repente ganharem uma animação justicialista extraordinária?
Todos os artigos de Valupi
Gaspar by Comenius
Seria fascinante – ou, às tantas, de um aborrecimento invencível – poder observar o que atravessou a cabeça de Vítor Gaspar nesse qualquer tempo que mediou entre ter recebido o convite para ser o procônsul da Troika para a região de Portugal e o momento em que se decidiu a aceitar o fardo, mesmo que isso o obrigasse a ter como secretário um tal de Passos Coelho. Em que terá pensado? E, talvez ainda melhor pergunta, quanto tempo demorou a reflectir? Semanas? Naaaaa… Dias? Se sim, muito poucos. Horas? Não seria nada que espantasse. Minutos? É possível, especialmente quando nos recordamos que uma hora costuma ter sessenta deles. Segundos? Esta seria a minha aposta, pelas razões que se seguem.
Como o vídeo que a Penélope trouxe mostra, Gaspar é capaz de falar com a fluência de uma pessoa normal. Para tanto, basta que lhe indiquem estar perante estrangeiros. Aí, começa logo a descontrair pois sabe que poderá palrar em inglês, a língua do seu coração. Ora, essa normalidade contrasta enigmaticamente com o que lhe acontece ao ter de falar português e para portugueses. Tal como as suas conferências de imprensa lusitanas exibem, e logo desde a primeira, a prosódia gasparina é feita de um ritmo que só conhece dois andamentos: devagar e devagarinho. Como se temesse ainda assim ir rápido de mais para as capacidades de assimilação da audiência, quase todas as palavras lhe saem antecedidas e procedidas de uma pausa. Essa apneia não se deve a eventuais problemas graves do foro cardíaco ou asmático, antes a uma intenção. O que ele intenta filia-se na tradição iniciada por Comenius em 1649, ano em que publicou a Didactica Magna – cujo subtítulo não pode ser mais optimista ou desvairado, é escolher: “ensinar tudo a todos“. Nesta obra se encontram os princípios da pedagogia como ciência e do ensino como arte. Em particular para o assunto, nela se encontra uma imagem que explica o espectáculo que tem deixado intrigados jornalistas e vulgo por igual:
Não há no mundo um penhasco ou uma torre tão alta que não possa ser escalada por quem quer que tenha pés, desde que a ela se encostem as escadas necessárias, ou então, talhando as rochas no lugar e com a ordem apropriada, nela se façam degraus, e, do lado dos precipícios perigosos, se ponham defesas.
Numa torre alta, daquelas que rasgam o céu, é onde Gaspar se sabe a morar. Ele chegou a partilhar o segredo para se subir a patamares tão estratosféricos: foi graças a uma educação “extraordinariamente cara”, a qual durou algumas décadas, e a qual o motiva para estar agora entre nós a vocalizar a conta-gotas – porque, e lá está, o que ele nos diz é para o nosso bem, trata-se de um verdadeiro fármaco. É o remédio contra a nossa ignorância, nós os desgraçados que tivemos educações apenas caras; ou nem isso, talvez só daquelas que se pagam com os impostos dos outros. Maneiras que ele aí está disposto a ensinar-nos tudo o que sabe e de uma forma adaptada às nossas limitantes dificuldades.
Este o quadro no qual se funda a minha crença de ter demorado breves segundos a sua resposta ao convite para vir tomar conta disto. É que uma vocação pedagógica desta grandeza e altruísmo não aparece de repente. Isto é tarefa de uma vida. Uma vida fechado em gabinetes a olhar para números, vida que era interrompida a intervalos regulares para se fechar em salas de reunião com outros colegas que também passavam a vida fechados em gabinetes a olhar para os mesmos números. Como é óbvio, essas são as condições ideais para desenvolver ideias superiores, ideias que jamais poderiam ser desenvolvidas por aqueles que passam as suas inúteis vidas fora dos gabinetes onde se olha para os números. Perante a oportunidade de poder ensinar um povo tão carente de elevação e conhecimento, Gaspar não terá hesitado mais do que o tempo que gasta nas suas pausas misericordiosas.
Mas que cobardes de merda
Mais um antro de perigosos esquerdalhos
Passos a gabar-se de ter afundado um país com a ajuda de toda a oposição
Our Plan to Fix Portugal
The main economic challenge is to ensure that growth goes hand in hand with fiscal discipline.Last Wednesday, all the opposition parties in the Portuguese parliament unanimously rejected the Socialist-led government’s fourth round of austerity measures in just over a year.
My Social Democratic Party, the country’s main opposition party, has been and remains a staunch supporter of reducing Portugal’s public deficit to 4.6% of GDP in 2011 (from perhaps 7% last year) and to keep narrowing the budget gap to 3% of GDP in 2012 and to 2% of GDP in 2013.
[…]
These latest measures—the 2011-2014 Growth and Stability Program—were announced without prior domestic consultation, surprising everyone and effectively sidelining the head of state and Parliament as the minority government took on international obligations without ensuring parliamentary backing.
[…]
We voted against the latest announced austerity measures not because they went too far, but because they did not go far enough. They do not address the heart of Portugal’s main economic challenge, which is to ensure that growth goes hand in hand with fiscal discipline. In our view, the latest austerity package would not have fostered growth, while imposing unacceptable sacrifices on the most vulnerable members of society. It was too much tax and not enough cost reduction.
[…]
A broad coalition for change aligning politicians around the principles of discipline and competitiveness will help market confidence and help the political process itself.
I will not relent until I bring this coalition about.
Mr. Passos Coelho is leader of Portugal’s Social Democratic Party.
Revolution through evolution
Bigger Not Always Better for Penis Size
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Women with Elite Education Opting Out of Full-Time Careers — Study Finds Women with MBA’s Are Most Likely to Work Less
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Mind Over Matter? Core Body Temperature Controlled by the Brain
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The Secret to Success Is Giving, Not Taking
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Adaptable Leaders May Have Best Brains for the Job
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Your Reputation Will Be The Currency Of The Future
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Women With Low-Self Esteem Work Harder to Keep a Keeper
Vale mesmo tudo no laranjal, tudinho
O Conselho Nacional do PSD aprovou hoje um voto de louvor ao militante Miguel Relvas, no dia em que este deixou o Governo, subscrito, em primeiro lugar, por Sabrina Furtado, Luís Montenegro e Luís Menezes.
O documento descreve a atuação de Miguel Relvas como “de inexcedível lealdade à causa pública posto ao serviço de Portugal e dos portugueses” e enaltece “o seu contributo como militante e dirigente do partido, particularmente nos últimos cinco anos”.
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Este PSD considera que Relvas respeitou a causa pública e serviu os portugueses enquanto trabalhou para a ida ao pote e depois de lá ter metido as manápulas e as beiças. Este PSD, portanto, premeia a ofensa soez e demente, o perjúrio na Assembleia da República, a colossal incompetência política e a chantagem a jornais e jornalistas. Confere.
A figurinha pacóvia e soberba não foi odiada, nem será. Foi apenas ridicularizada e de imediato será esquecida dada a sua irrelevância para o nosso presente e futuro. Mas o voto de louvor ao militante Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas merecia não mais ser esquecido enquanto os signatários tivessem o topete de continuarem a ir a votos como representantes dessa cultura decadente que aqui celebram num dos seus exemplos mais flagrantes.
Send in the clowns
Já não é uma coligação, é uma luta de gangues:
Um cruel desafio para os democratas
As declarações de Mário Soares, relacionando a actual situação com o regicídio, são mais uma manifestação da sua crescente debilidade cognitiva. Há nelas algo que é universal, um catastrofismo que as querelas políticas, especialmente em tempos de crise, inevitavelmente promovem. Basta lembrar o que alguns disseram de Sócrates e das circunstâncias nacionais ao tempo, enchendo páginas de papel ou de electrões com lembranças da República de Weimar, ou directamente relacionando Sócrates com Hitler, aparentemente sem terem sido vítimas de encefalite e estando agora com rendimentos mensais muito simpáticos. Aliás, basta o natural processo de envelhecimento, com as suas alterações neurológicas, para provocar um maior descontrolo no raciocínio e sua expressão verbal. Mas em si mesmas, e vindas de quem vêm, são absolutamente inaceitáveis – tanto pelo contexto, como pelo pretexto, como pelo subtexto.
Acontece é o seguinte: os cães que de imediato se lançaram às canelas de Soares não ficarão na História; e por nenhuma razão, boa ou má. Ladrai com raiva e continuai a cheirar o cu uns dos outros.
Provavelmente, a canção mais metafísica de sempre
“I remember when I was a little girl, our house caught on fire.
I’ll never forget the look on my father’s face as he gathered me up in his arms
and raced through the burning building out to the pavement.
I stood there shivering in my pyjamas and watched the whole world go up in flames.
And when it was all over I said to myself,
‘Is that all there is to a fire?'”
Is that all there is?
Is that all there is?
If that’s all there is, my friends,
Then let’s keep dancing.
Let’s break out the booze
And have a ball
If that’s all there is.
“And when I was 12 years old, my daddy took me to the circus, the greatest show on earth.
There were clowns and elephants and dancing bears and a beautiful lady in pink tights flew high above our heads.
And as I sat there watching, I had the feeling that something was missing.
I don’t know what, but when it was over I said to myself,
‘Is that all there is to a circus?'”
Is that all there is?
Is that all there is?
If that’s all there is, my friends,
Then let’s keep dancing.
Let’s break out the booze
And have a ball
If that’s all there is.
“And Then I fell in love with the most wonderful boy in the world.
We would take long walks by the river or just sit for hours gazing into each other’s eyes.
We were so very much in love. Then one day, he went away.
And I thought I’d die, but I didn’t.
And when I didn’t, I said to myself,
‘Is that all there is to love?'”
Is that all there is?
Is that all there is?
If that’s all there is, my friends,
Then let’s keep dancing.
“I know what you must be saying to yourselves.
‘If that’s the way she feels about it why doesn’t she just end it all?’
Oh, no. Not me. I’m not ready for that final disappointment.
For I know just as well as I’m standing here talking to you,
when that final moment comes and I’m breathing my last breath,
I’ll be saying to myself…”
Is that all there is?
Is that all there is?
If that’s all there is, my friends,
Then let’s keep dancing.
Let’s break out the booze
And have a ball
If that’s all there is.
Ajustar contas com Sócrates
Sócrates regressou à cidade sem outro constrangimento do que aquele imposto pelos limites da liberdade de expressão. Isso encerra um ciclo longo, esse onde a sua responsabilidade como estadista o condicionava na defesa contra as imparáveis calúnias pessoais, e este onde incrível e escandalosamente ninguém da actual direcção do PS mexe uma palha para honrar um ex-secretário-geral alvo de imparável difamação política. Agora, se quiser, Sócrates responderá. Ao que quiser. Por exemplo, na primeira edição da sua rubrica de comentário reclamou ter concluído com mérito e licitude o seu percurso académico. Tirando os acéfalos, ninguém ousou contestar a declaração. E percebe-se. O trabalhinho que também aí o ensarilhou há muito que estava feito, e com estupendos resultados para o laranjal.
Eis o tempo, então, para ajustarmos contas com Sócrates. E não me ocorre ninguém melhor para se encarregar da tarefa do que esse trio de centrais que dá aos nossos sábados uma tablete de inteligência repleta de antioxidantes contra as decadências à direita e à esquerda, Paulo Tavares, Pedro Adão e Silva e Pedro Marques Lopes. Como os Pedros já se manifestaram desfavoráveis à infame contratação da RTP, e como não lhes faltam bons argumentos a respeito das falhas da governação de Sócrates, serão eles os opositores ideais à narrativa, essa sim, genuinamente socrática. Pelo que o método é simples: convidar o homem para ir ao Bloco Central, fazer um programa especial de 7 horas seguidas, e esclarecer os assuntos. Estariam a encher de histórias a História.
Sócrates foi um líder forte que escolheu os melhores do seu partido, e da sociedade, para o acompanharem num projecto que teve dimensões radicalmente inovadoras em Portugal – o qual só a maior crise económica internacional dos últimos 80 anos, e sua sequela europeia, tornou impossível prosseguir. Tal poder de decisão agastou quem foi preterido, com Seguro e Alegre à cabeça do ressentimento, ferindo letalmente os seus narcísicos bestuntos. Sócrates foi igualmente um líder fraco, não conseguindo desmontar os ataques conspirativos de uma direita degradada e degradante a lutar desesperadamente com as armais mais baixas que encontrou. Mas sim, claro, e claro que sim – talvez seja inevitável ser-se fraco perante a união nacional dos oligarcas sérios com os proletários verdadeiros, essa secular paixão lusitana.
Portugal reduzido
O vendaval de populismo que tomou conta da direita desde 2008 afundou Portugal num oceano de estupidez e incompetência. No dia em que o Governo começa a engordar também no número dos ministérios, recordemos a intrujice alucinada que andou a ser servida aos broncos sedentos de vingança contra os políticos:
Caso vença as eleições de 5 de Junho, Passos Coelho quer um Governo reduzido, só com 10 ministros e 25 secretários de Estado, e prepara-se para juntar o Ministério da Justiça com o da Administração Interna, com um secretário de Estado para cada uma destas duas pastas.
Esta é uma decisão que já está tomada pelo líder do PSD, tal como a fusão dos Ministérios da Agricultura, Mar e Território (inclui o Ambiente). Em contrapartida, apenas os Ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Defesa e das Finanças continuam como até aqui, sem serem agregados a outros.
Quanto às restantes alterações, o líder social-democrata deverá juntar as áreas sociais num só, criando o Ministério da Saúde, do Trabalho e da Segurança Social, o Ministério da Economia e Turismo com o das Obras Públicas e ainda o Ministério da Educação, com o Ensino Superior, a Ciência e a Cultura. Por fim, o Ministério da Presidência e o dos Assuntos Parlamentares também ficarão sob a alçada de um único ministro.
Governo de zombies
António Vitorino demitiu-se do Governo de Guterres por uma alegada fuga aos impostos de que viria mais tarde a ser ilibado pelas autoridades.
Jorge Coelho demitiu-se do Governo de Guterres por causa de uma ponte que caiu e como forma de simbolizar a responsabilidade do Estado.
Correia de Campos demitiu-se do Governo de Sócrates por excesso de coragem política e de eficácia executiva na Saúde.
Manuel Pinho demitiu-se do Governo de Sócrates por causa de uma infantilidade irrelevante.
…
Relvas anunciou a demissão do Governo de Passos por falta de condições anímicas quando o processo da sua licenciatura estava na iminência de ser enviado para o Ministério Público e após ter mentido no Parlamento, e de se saber que andou envolvido com um espião para tráfego de informações, e de nem sequer se ter defendido da acusação de ter chantageado e ameaçado um jornal e seus jornalistas, e de ter ido parar à Justiça uma suspeita de corrupção no caso Tecnoforma onde Relvas e Passos aparecem e parecem ligados. Porém, contudo, todavia, Relvas continua em funções.
Depois de ter ido além da Troika e de ter declarado obsoleta a Constituição, este Governo assume finalmente sem perturbação de maior que alguns dos seus ministros são autênticos mortos-vivos.
César das Neves saiu do armário
O regresso de Sócrates tem sido particularmente interessante para o restrito grupo de bacanos (onde se incluem alguns veterinários anónimos e vários moinas famosos) que estuda a direita portuguesa. De uma forma geral, os direitolas andam atarantados. Isto porque contra o demónio apenas contam com as calúnias porcalhonas que têm sido invariavelmente rebatidas depois de terem percorrido todo o ciclo da sujidade que se pretendia lançar contra o alvo. E isto também, e ainda com maior impacto, porque sempre que Sócrates abre a boca eles sentem-se derrotados e impotentes – pior, muito pior, oh quão pior, sentem-se arrastados por uma força negra que os faz concordar com o que estão a ouvir. Como sair da penosa e dilacerante condição? César das Neves, esse espécimen irrecuperável para o convívio com os filhos do Concílio Vaticano II, deu a mais original das respostas até agora: desatar a elogiar Sócrates com fervor mal contido.
Num artigo que intitula O inocente, acto falhado de ironia que trai o seu adâmico sentimento de culpa, este generoso contribuinte para o anedotário nacional assina por cima estas santíssimas verdades:
– o regresso de José Sócrates é um espantoso feito de técnica política, do mais alto nível mundial
– A personagem é notável.
– Verve, atitude, táctica são excelentes
– [tem] qualidades como tribuno e estratega
– Há muitas décadas que não tínhamos um político assim, e já nos esquecemos do estilo.
– Além disso é terrivelmente eficaz e convence mesmo. Digno de antologia!
– Por isso é tão convincente.
– A nossa actual democracia nunca teve, em posições cimeiras, pessoas deste calibre.
– Assim Sócrates destaca-se flagrantemente.
– Admirando o engenho e a arte
– Isso seria uma obra de arte incomparável.
O entusiasmo de César das Neves é contagiante. É preciso ter em conta que este panegírico ditirâmbico vem de um professor catedrático e do presidente do Conselho Científico da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa, alguém com mais de trinta livros e múltiplos artigos científicos escritos para a salvação das massas. Quer-se dizer, não é um merdas qualquer. Bá lá ber, não estamos propriamente perante um fundamentalista ou um fanático, antes de uma figura conhecida consensualmente por ser um modelo de virtudes cardinais e teologais, de bom senso e de honestidade intelectual exemplares. Repare-se na superioridade moral deste parágrafo:
Apresenta-se como totalmente inocente dos males que afligem o País. Foi primeiro-ministro durante mais de seis anos mas é inimputável pelo desastre que deflagrou nos últimos meses do seu mandato. A culpa vem de uma “crise das dívidas soberanas”, que lhe é naturalmente alheia. E claro também de um terrível bando de malfeitores, onde se inclui o actual Governo, bancos, União Europeia e FMI, que pretendem, por razões não esclarecidas, destruir Portugal. Ele, pelo contrário, sempre esteve do lado do progresso e alegria, que infelizmente não se concretizaram.
Chiça penico, é exactamente isto que há para dizer! Fica só a faltar um último esforço, grande César: ajudares Sócrates a concretizar esse progresso e alegria que tu apontas e nós merecemos. É que o principal está feito, já saíste do armário. Aproveita o balanço e sai também do quarto. Vai para a sala de jantar sorver uma canja e ver as notícias. Nem imaginas tudo o que tem acontecido em Portugal e no Mundo enquanto estiveste fechado na escuridão.
Exactissimamente
Perguntas simples
In memoriam
Marcelo, o Professor
Quem são as figuras mais representativas, que não só notáveis, da direita portuguesa? Cavaco Silva, Paulo Portas e Marcelo Rebelo de Sousa. A soma da longevidade, e da influência, deste trio tem moldado decisivamente o destino político do País e o espaço público. O elemento mais excêntrico do grupo é Marcelo, o qual exerce o seu poder apenas na comunicação social, tendo sido efémera e irrelevante a sua passagem pelos palcos partidários.
Na televisão, Marcelo é um agente incansável e eficaz de combate partidário através de uma forma sofisticada de baixa política, explorando todas as formas possíveis de difamação ao alcance da persona que passa por ter autoridade moral supra-ideológica. Na edição deste domingo, Marcelo conseguiu o duplo feito de ter colado Sócrates ao processo Casa Pia e de ter reavivado e reforçado as calúnias relativas à licenciatura de Sócrates.
Eis o que, a respeito desse último caso, despejou na pantalha:
Miguel Relvas devia ter aprendido com a experiência de José Sócrates. José Sócrates teve um episódio menos clamoroso do que Miguel Relvas mas muito parecido. Quer dizer, numa certa geração, determinado conjunto de políticos achou que precisava de canudo para a sua afirmação. Ora, a licenciatura é muito importante, mas a licenciatura é importante se for um factor de formação adicional. Uma licenciatura tirada a trouxe-mouxe, ou não tirada, que ainda é pior, não tem valor rigorosamente nenhum. As pessoas valem por si, há tanto político internacional que não precisa de licenciatura e que é um grande político sem licenciatura. Com José Sócrates, eu já acho que uma das razões pelas quais ele perdeu a maioria absoluta em 2009 foi a história da licenciatura. Ainda agora estive a reler o despacho do Ministério Público que arquivou, por não haver nenhuma prova realmente criminal contra ele, mas as trapalhices foram imensas – porque quem lhe deu equivalência não tinha competência para dar, porque as lições de Inglês Técnico eram em 15 minutos no gabinete do reitor, porque as notas foram lavradas num domingo.
Vamos esquecer que Marcelo tem explicado a perda da maioria socialista em 2009 conforme lhe dá jeito na ocasião e façamos um exercício de objectividade:
– Marcelo consultou recentemente o despacho do Ministério Público a respeito do caso e declara, do alto da sua sapiência jurídica, não ter encontrado nele qualquer prova criminal.
– Marcelo afirma ter encontrado “imensas” “trapalhices”.
– Marcelo apenas referiu três (3) supostas trapalhices: suposta incompetência de um docente para dar uma equivalência, suposta falha nas aulas de uma disciplina, e suposta irregularidade de calendário na formalização em pauta de algumas notas.
Em momento algum este nosso juiz da ética e discência alheia explica o contexto desses episódios, em especial o anterior percurso académico de Sócrates e a razão para ter optado por atingir o grau de licenciado nos modos processuais em questão. Não interessa a Marcelo dar ao público qualquer elemento que possa legitimar a inocência de Sócrates. Pelo contrário, tudo é dito e sugerido para o condenar sem possibilidade de defesa. A lógica da sua manipulação dos factos é uma e só uma: achincalhar um adversário que se teme por ser tão poderoso e tão ameaçador para o seu clã. Repare-se como a sua descrição tenta colar o caso Relvas com o caso Sócrates de modo a poder continuar o ataque contra o socialista.
Ironicamente, neste mesmo sermão (minuto 16) ouvimos o mesmíssimo Marcelo a falar da sua experiência docente. O que nos diz ganha um brilho ofuscante por comparação com a sua desonestidade intelectual e cinismo bélico:
Tenho um critério como professor, tenho uma bitola como professor, e depois aplico essa bitola de forma diversa
Ao longo do tempo vou mudando de rigor
Marcelo está meramente a ser honesto e a relatar a experiência de qualquer professor. Ensinar e avaliar é praticar diferentes formas de injustiça, eis a puta da verdade. Mas a docência também implica, se o professor for bom, a prática de diferentes formas de justiça; pois é suposto – e ainda mais no ensino superior – que o professor seja autónomo ao ponto de escolher diferentes estratégias pedagógicas consoante os diferentes alunos, as diferentes matérias e as diferentes circunstâncias na escola e na sala de aula. A esta variabilidade intrínseca à relação professor-aluno ainda devemos acrescentar a complexidade da instituição de ensino em causa, com o seu corpo de professores e administrativos a interagirem como profissionais, cidadãos e pessoas. Logo, não lembraria a ninguém fora do ensino perder tempo a discutir se um dado professor foi ou não a escolha legítima para dar uma equivalência, ou se um dado professor pode ou não optar por dar aulas de 15 minutos no seu gabinete, ou se as notas publicadas a um domingo valem menos do que as notas publicadas à segunda ou à sexta. Existem milhares de histórias escabrosas a envolver professores e escolas ao longo das décadas e a sociedade nunca se incomodou com a reinante incompetência, quando não puro desvario, de tanta gente em tanto lado. Acontece que Sócrates precisava de ser abatido e a direita, com o gaúdio da esquerda, revirou a vida do homem do avesso e avacalhou-a sem pudor nem freio.
Para Marcelo, em política vale tudo menos perder a máscara. Aposto que nessa matéria ele é um dos melhores professores que Portugal já teve ou terá.
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