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Ez TOVÁRES /elvtárs/ ismerjük őket a komcsi időből!

Rui Tavares em húngaro

Rui Tavares é o relator de uma investigação do Parlamento Europeu sobre a situação dos direitos fundamentais na Hungria. Não surpreende, pois, que a imprensa húngara dele dê notícias. Sequer que o Magyar Hírlap, órgão que apoia o Governo de Viktor Orban, fale no seu nome. Do que não estava à espera, e poderia esperar sentado até que o Inferno gelasse ou o caso BPN fosse julgado (o que acontecesse primeiro) sem conseguir antecipar, era de ver um grupo de húngaros a recorrer a um artigo meu – escrito em 2008! – para denunciarem o Rui Tavares como um antigo comunista. A realidade é sempre mais rica, e muito mais absurda, do que a imaginação.

Está aqui – A alegria do Rui Tavares – e quatro anos e meio depois não lhe mudava uma vírgula.

Como (não) discutir com um comuna

Existe uma parte do PS que acredita numa qualquer aliança da esquerda que permita viabilizar um Governo que inclua o BE e o PCP de modo a poder excluir qualquer aliança com a direita. Se tal acontecesse, e para além dos foguetes que ribombariam durante horas ou dias seguidos, a História teria de reservar um capítulo inteiro só para conseguir explicar como tal havia sido possível. Porque não foi ainda em quase 40 anos de democracia e não parece que algum dia o venha a ser. Vejamos um exemplo translúcido:

Pedro Nuno Santos apresenta-se, à superfície, convicto e generoso no estender de mão ao PCP. O seu argumento comporta três elementos: (i) suposta vontade maioritária ou relevante do eleitorado para que se alcance a união da esquerda; (ii) as coligações do PS com a direita são invariavelmente efémeras, como o passado demonstra; (iii) qualquer coligação implica a necessidade de fazer cedências, pelo que o PS tem mais a ganhar se as fizer à esquerda do que à direita. Qual o problema desta posição? É apenas para consumo caseiro, por um lado, e é simplista, não tocando na questão essencial. À sua frente, Jorge Pires, um representante da mais pura ortodoxia partidária comunista, apenas teve de meter a cassete para reduzir o socialista à sua condição de serventuário do imperialismo capitalista.

O Pedro, para lidar com a recusa do Jorge em promover a mínima convergência, enveredou por um apelo ao pragmatismo, a evidência de que o sofrimento do povo é tão grande e tão grave que deveria ser suficiente para que a esquerda aceitasse unir-se na defesa do comunidade, finalmente superando as diferenças e desconfianças entre si – nem que fosse só para responder à presente emergência. Embalado, chegou a ameaçar com uma punição eleitoral quem recusasse esta união. O estratagema, contudo, era fatalmente pífio, pois o PCP em Março de 2011 tinha abundantemente exibido qual a importância que dava ao interesse nacional visto a partir da contabilidade do que protege ou ataca os cidadãos. Sem surpresa, o Jorge repetiu, agora mais devagarinho, que “a unidade da esquerda não é um exercício de aritmética; 1+1+1=3“. A aritmética é pueril, actividade para meninos. Lá na Soeiro Pereira Gomes é tudo muito mais avançado, até conseguem “interpretar a vontade da maioria do povo” sem precisarem que esse mesmo povo lhes dê razão através do voto. E o que quer o povo, então, de acordo com os seus verdadeiros proprietários? Quer sair do Euro e da União Europeia e passar a viver não se sabe como, mas, indiscutivelmente, com patriotismo para dar e vender.

O momento mais interessante do debate, para quem tiver nos seus planos discutir com um comuna, foi aquele em que o Jorge explicou o fracasso eleitoral do PCP ao longo de décadas: a mensagem não chega a toda a gente em condições de igualdade com as mensagens da concorrência. Através desta falácia intencional, ou crença inamovível, um militante do PCP consegue lidar com a dissonância cognitiva de se imaginar na posse da ciência da História e, em simultâneo, se ver ignorado por essa mesma História que continua a adiar o nascer dos amanhãs que cantam. O processo mental é exactamente igual ao de qualquer seita apocalíptica, cujo exemplo mais conhecido por cá é o das Testemunhas de Jeová, onde as organizações têm de ir continuamente garantindo aos fiéis que a salvação está iminente apesar da chatice de não haver nenhum sinal inequívoco nesse sentido. Os comunas repetem que a culpa é da comunicação social, a qual terá o poder mágico de conseguir anular não só o frenesim e prolixidade incansável do Partido como até o de abafar as circunstâncias económicas e sociais que a doutrina marxista decreta serem as suficientes para que o proletariado saia à rua em ordem a consumar a revolução. Esta alucinação não mereceu nem do interlocutor nem do jornalista qualquer atenção, espantosamente. E essa alucinação é a que mais fácil e rapidamente conseguirá levar um comuna a confrontar-se com o sistema mitológico que lhe confere a identidade.

O comunismo é uma ideologia utópica tão legítima como qualquer outra. A muitos comunistas, ou enquanto o foram, devemos muito. A história da democracia, dos direitos humanos e da liberdade regista os seus nomes. Em Portugal, ainda devemos mais, pois a resistência contra uma ditadura novecentista e rural teve no PCP a principal força motriz. Mas um comuna é outra espécie de animal. O comuna tem aversão à democracia e, portanto, foge do pensamento crítico como se visse o Diabo. Discutir com um comuna, pois, deve ser um exercício de implacável curiosidade – esse tão perigoso desvio burguês aos dogmas do Comité Central.

Parabéns, Pedro – mas quando é que pensas ir entregar-te à esquadra?

O líder do PSD defendeu esta sexta-feira a responsabilização civil e criminal dos responsáveis pelos maus resultados da economia do país, para que não continuem «a andar de espinha direita, como se não fosse nada com eles».

«Quem impõe tantos sacrifícios às pessoas e não cumpre, merece ou não merece ser responsabilizado civil e criminalmente pelos seus actos?», questionou.

«Se nós temos um Orçamento e não o cumprimos, se dissemos que a despesa devia ser de 100 e ela foi de 300, aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa também têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus atos e pelas suas acções», referiu Pedro Passos Coelho, citado pela agência Lusa.

«Não podemos permitir que todos aqueles que estão nas empresas privadas ou que estão no Estado fixem objectivos e não os cumpram. Sempre que se falham os objectivos, sempre que a execução do Orçamento derrapa, sempre que arranjamos buracos financeiros onde devíamos estar a criar excedentes de poupança, aquilo que se passa é que há mais pessoas que vão para o desemprego e a economia afunda-se», referiu.

5 de Novembro de 2010

pot of gold

Eu não estou agarrado ao meu lugar, não quero ser Primeiro-Ministro a qualquer preço. Mas ninguém no PSD quer ganhar mais estas eleições do que eu porque numa altura em que o País enfrenta, provavelmente, a última grande oportunidade nos próximos anos de inverter esta tendência de empobrecimento em que tem caído, Portugal tem crescido, nos últimos dez anos, em média 0,5%, o que significa que se não inverter esta situação os 700 mil desempregados que hoje tem crescerão para perto de 900 mil muito rapidamente – o que significa uma situação absolutamente desastrosa e caótica. Nós hoje só não temos 15% de desemprego em Portugal porque temos a maior taxa de emigração dos últimos 90 anos em Portugal. Portanto, ou vamos inverter esta situação rapidamente e as pessoas acham que é importante fazê-lo, e escolher um Governo que, de uma vez por todas, entregue este resultado e lute por ele, ou não temos isso e então o País terá escolhido o seu destino e eu assumirei a minha responsabilidade; é porque eu não fui suficientemente convincente. Mas estou muito determinado em entregar este resultado e não será por falta nem de preparação, nem por não escolher as pessoas com melhor perfil, nem de levar a maior isenção e abertura para o Governo que a estratégia não será bem sucedida.

4 de Maio de 2011

Sócrates, dois meses depois

Dois meses depois do regresso de Sócrates à política nacional como agente activo, o balanço que é possível fazer aponta para a confirmação de três ideias fulcrais na compreensão da sua importância passada, presente e futura:

1 – Sem uma estratégia de assassinato de carácter, a direita não consegue sequer criticar-lhe o gosto em gravatas. Muitos direitolas, aterrorizados com o sentimento de impotência que já tinham experimentado durante anos, trataram logo de anunciar que se recusavam sequer a tomar conhecimento do que o homem vocalizava. Ficava resolvido o problema; e não se diga que a cobardia não tem as suas vantagens e consolos. Outros continuaram a ensaiar a diabolização, mas rapidamente desistiram perante a ausência de suporte da antiga operação caluniadora e a inanidade do esforço. O silenciamento, que atinge o ridículo no Expresso dada a incurável e alucinada inveja do Ricardo Costa, é o único remédio para a dor que Sócrates causa a uma direita decadente e traidora.

2 – Não existem socráticos. Ou, por outra, os únicos socráticos que existem são os taralhoucos à maneira do Mário Crespo, Pacheco Pereira, José Manuel Fernandes, João Marcelino, Alberto Gonçalves, Henrique Monteiro e Helena Matos, entre tanta arraia-miúda, casos veramente notáveis de ódio pessoal. O uso do termo “socrático” pela direita serve apenas para a chicana política ou para a imediata identificação dos mais estúpidos entre os mais estúpidos. Por isso não vemos Sócrates a ser defendido por ninguém, a começar logo pelo exemplo do seu partido – onde, num certo e indisfarçável modo, é tratado como persona non grata por Seguro e restante equipa dirigente. Quanto a Pedro Silva Pereira, Augusto Santos Silva, Viera da Silva, Maria de Lurdes Rodrigues ou Paulo Campos, entre outros ex-governantes, as suas intervenções a respeito do passado têm-se invariavelmente pautado pelo sentido de Estado e defesa da honra, não perdendo uma caloria a promover qualquer ideia que pudesse ser erigida como bandeira de um socratismo messiânico. E quanto à nova geração do PS, do Fernando Medina à Isabel Moreira, passando pelo Pedro Marques, Pedro Delgado Alves, Pedro Nuno Santos e João Galamba, entre outros, o que testemunhamos neles é a caminhada autónoma para um projecto que será original e terá a sua assinatura.

3 – Sócrates parece imune ao ressentimento. Atente-se no que aconteceu neste domingo: a propósito de um longo e entusiasmado elogio a Soares, fez uma referência absolutamente neutra – portanto, no contexto, abonatória – a Pacheco Pereira. Ora, o Pacheco é o tal fulano que não só quis chafurdar nas escutas a conversas privadas de Sócrates, não só as usou como arma caluniosa, como ainda se prestou a estas pulhices adentro da Assembleia da República servindo-se para tal do seu estatuto de deputado. Qual foi a resposta de Sócrates ao longo de anos seguidos de insano ódio? Bonomia face ao patético espectáculo de quem se exibe como um farrapo moral na praça pública. Mas o caso do Pacheco é apenas o mais pícaro, Sócrates não ataca ninguém de ninguém com as mesmas armas com que foi atacado. Inclusive perante Cavaco, que até poupou a propósito do Conselho de Estado, o que ouvimos Sócrates dizer é o mínimo que qualquer cidadão que pretenda viver num país que se respeite a si próprio diria tamanha a vergonha que sentimos com a degradação ética da Presidência da República e as violações constitucionais que vêm do Presidente da República.

Dito isto, apenas acenos de uma matéria fascinante para politólogos, sociólogos, historiadores e antropólogos, colhe igualmente registar que o discurso de Sócrates não parece ter poder de influência no espaço público. Para tal contribui a configuração de uma sociedade intelectualmente debilitada onde a cidadania é actividade de franjas e onde a iliteracia, pobreza e envelhecimento alimentam sectarismos e convidam ao populismo. Não por acaso, o PSD e o CDS aproveitaram a situação de emergência nacional causada pelas crises internacionais para mentirem com quantas promessas tinham. Nesse processo, não se inibiram de usar as armas da conspiração e da calúnia até ao seu limite legal de aplicação. Esse à-vontade, contudo, não teria sido possível sem a activa, nuns casos, e passiva, em muitos outros, cumplicidade da extrema-esquerda, para quem o inimigo era comum – quiçá pelas mesmas razões: havia que impedir que o PS continuasse a ser um caso de sucesso no desenvolvimento do País, daí as coligações negativas que conseguiram por fim entregar o poder ao casal Passos-Relvas e aos senhores que eles servem.

Vista por esta óptica, a história de Sócrates como líder político é a de um enorme fracasso, juntando-se a derrota passada à derrota presente em que clama num deserto feito de apatia e anomia. Os poderes fácticos são mais fortes do que ele, porque são sempre mais fortes seja quem for o herói – e isto para desilusão do Pacheco Pereira, que até lhe inventou um gabinete cheio de especialistas em técnicas dos serviços secretos e que terá mesmo acreditado que Sócrates conseguiria cuspir fogo pela boca ou pelo cu, enigma que continua a investigar nas catacumbas da Marmeleira.

Poiares Maduro e a conversa de merda

A Lusa resume assim uma intervenção de Poiares Maduro. Trata-se de um relato que adulterará parte da intervenção, posto que corresponde à selecção do jornalista; logo, nascendo das suas preferências. Porém, presumindo que capta o essencial do discurso, o que temos é um microcosmo do que é o actual Governo e a direita que exerce o poder.

“Hoje vivemos um tempo que para muitos é de pessimismo e descrença no futuro. Que contrasta com o entusiasmo dos anos que precederam a crise financeira”, começou por dizer o ministro, na ‘Grande Conferência JN’, no Porto, nesta segunda-feira, acrescentando que “a euforia em que vivemos era errada”, tal “como estão errados hoje os que se entregam ao pessimismo e à descrença”.

De que anos fala? Três anos antes? Trinta? E de que entusiasmo? E o entusiasmo é sinónimo de euforia? Mas de que euforia fala? E tudo isto, que não sabemos o que seja, estava errado segundo que critérios? Já agora, como explica Poiares Maduro a crise financeira? É obra dos gregos, irlandeses e portugueses que, com os seus endémicos baixos salários e loucura consumista, derrubaram as grandes economias mundiais?

“O pessimismo e a descrença actuais participam do mesmo problema da euforia passada: um desencontro com a realidade, que só pode distorcer a forma como olhamos para o futuro, talvez prejudicando-o”, sustentou Miguel Poiares Maduro.

De que pessimismo fala? Descrença em quê, de quem? Se alguém é despedido, ou vê o seu negócio ir à falência, se alguém deixa de conseguir pagar as suas despesas de saúde, já para não falar de roupa, transportes e bens de lazer, ou mesmo a comida suficiente para uma alimentação minimamente saudável, esse alguém passa então para o grupo dos pessimistas e descrentes que deixaram de se encontrar com a realidade? Mas qual realidade? É Poiares Maduro quem define o que é a realidade para os cidadãos portugueses? Se sim, que Poiares Maduro se dirija aos desempregados, pobres e miseráveis e lhes diga o que devem fazer para evitarem a tal distorção do seu olhar sobre o futuro, esse tal olhar que ameaça prejudicar o futuro que Poiares Maduro contempla tranquilo, confortável, seguro.

Para o ministro, “se o optimismo descuidado dos anos que precederam a crise não tinha razão de ser e foi mesmo pernicioso (…), o mesmo se pode dizer do pessimismo de hoje”.

Presumimos que Poiares Maduro terá ao tempo alertado os agentes políticos para o problema do “optimismo descuidado”. Simetricamente, talvez o problema actual se defina nos seus neurónios como sendo uma questão de “pessimismo descuidado”. Indubitavelmente, este homem exibe-se como um grande psicólogo do cuidado. Cuidado com ele, muito cuidadinho.

Poiares Maduro apelou ao debate “com base nos factos, antes de os substituir por supostos argumentos”, defendendo haver “razão para acreditar no futuro”, uma vez que “muito já foi feito”.

Os factos, bem lembrado. Mas pessimamente recordado. Onde estão eles? Basta um, ou até metade de um. Já quanto a “supostos argumentos” é uma festa, um maná. Olha-se para uma qualquer citação do que disse e lá estão eles, encavalitados uns nos outros. Por exemplo, admitindo que “muito já foi feito” pode ser considerado como um facto, e que nisso que foi feito temos a sucessão de falhas orçamentais, violações da Constituição e agravamento de todas as metas acordadas no Memorando levando Portugal para a maior crise social e económica depois do 25 de Abril, então é deveras um facto que a única razão para acreditar no futuro consiste na esperança de que este Governo seja substituído o mais cedo possível.

“Negá-lo (…) é desencontrarmo-nos outra vez com o presente e perder uma vez mais de vista o futuro, é miopia de sinal contrário à euforia injustificada do passado”, criticou.

A miopia impedirá a visão do futuro, posto que o futuro está distante, ao longe. Isto faz sentido. Pode afectar tanto os actuais pessimistas como os antigos optimistas, ambos a falharem o encontro com esse presente imóvel de que nos fala Poiares Maduro sem um frémito de dúvida. Essa confiança, porém, também se explica opticamente: trata-se de um agudo caso de presbiopia. Como Poiares Maduro não faz ideia do que esteja a acontecer mesmo à frente dos seus olhos, compensa recorrendo à imaginação. Na sua imaginação, o presente é lindo e está prenhe de futuro. Um futuro que vai nascer gordinho, risonho e com a sua cara chapada.

Para o governante, é necessário também melhorar a “cultura política” e a qualidade do espaço público, sublinhando que há que “discutir mais políticas públicas e menos táctica política” e que o Governo deve “contribuir para um debate público mais informado e com maior substância”.

Ora cá está, finalmente um governante com a coragem para morigerar a classe política. E a sua generosidade é tão grande que ele se entrega voluntariamente em sacrifício. Sendo um rematado especialista em táctica política como as suas próprias palavras comprovam, e sendo incapaz de introduzir substância no debate público, Poiares Maduro exorta a sociedade a não seguir o seu exemplo. Será quanto baste para melhorar a cultura política. E isso em questão de minutos.

Poiares Maduro defendeu também que “nenhum actor político responsável pode excluir a procura de consenso, sob pena de eliminar uma dimensão fundamental da política”.

O consenso é uma dimensão fundamental da política. Lapidar evidência para regimes democráticos e Estados de direito. Haja, pois, quem pergunte ao Poiares Maduro se aprova o boicote sistemático ao consenso que, desde Setembro de 2009 até Março de 2011, arrastou Portugal para a desgraça actual.

Já está tudo claro, Semedo, e há que tempos

Para o Bloco, “uma política de esquerda não pode ter nenhum ponto de contacto, nenhuma continuidade, com a austeridade, com o memorando, com as políticas da troika”.

Líder do BE pede “clareza” ao PS e a Seguro

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BE e PCP dizem que é a Troika o que os impede de começarem a falar com o PS para que Portugal tenha uma alternativa de governação à esquerda. PCP e BE nada dizem a respeito do programa que gostariam de aplicar, apenas sabemos que será algo do foro do milagre, pois recusar a austeridade implica recusar a União Europeia e o Euro. Aparentemente, estes amigos acreditam que o PS poderia trair 40 anos da sua história de um dia para o outro, só para satisfazer os delírios sectários da esquerda pura e verdadeira. Eventualmente, estes amigos esperam que o PS se transforme da noite para o dia numa organização de irresponsáveis e dementes, arrastando o País para uma situação de absoluto caos político, caos económico e caos social.

Mas que diziam BE e PCP antes da chegada da Troika? Por que razão não forçaram um Sócrates minoritário, em 2009, a aceitar partilhar a governação? Quais eram as insanáveis diferenças então? A explicação pode ser encontrada no facto de PCP e BE nunca terem reconhecido que a redução da pobreza em Portugal, durante os anos pré-crise do 1º Governo Sócrates, merecia não só o louvor de qualquer um que se considerasse de esquerda como oferecia a prova de que o PS era o único partido capaz de conciliar a frequência dos corredores alcatifados da alta finança e dos grandes empresários com as causas de Abril. Pelo lado negativo, Sócrates teria sempre de se acomodar aos poderes superiores na UE. Mas, pelo lado positivo, Sócrates seria aquele que tentaria sempre defender os mais fracos e ajudar os mais capazes. Os factos falam por ele.

A saída para o bloqueio à esquerda não consiste na cedência aos lunáticos que estão barricados num parasitismo da democracia e que não passam de racistas ideológicos. A saída do bloqueio passa é pela redução do peso eleitoral desses partidos, e tal consegue-se entrando em diálogo com a abstenção. Há milhões de votos suspensos à espera de inteligência e coragem.

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Pedro Adão e Silva sintetiza o que está em causa

Revolution through evolution

Women Donate Less to Charity Than Men in Some Contexts
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Stereotyping Leads Men And Women To Lie About Sex
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‘Boy or Girl?’ Gender a New Challenge for Schools
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Unconscious Choices Can Sabotage Health Goals
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Where Does Identity Come From?
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Justice is in Our Nature
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Labor Union Decline, Not Computerization, Main Cause of Rising Corporate Profits at the Expense of Workers’ Compensation

Continuar a lerRevolution through evolution

Tu que votaste neste palhaço, não acordas todos os dias corado de vergonha?

Quase dois anos depois das eleições, o Governo de coligação PSD/CDS já nomeou 4463 pessoas: 1027 para os gabinetes ministeriais, 1617 para cargos dirigentes da administração pública e 1819 para grupos de trabalho e outras nomeações. Em média, ministros e secretários de Estado nomearam já mais pessoas por gabinete do que Sócrates nos seus dois primeiros anos de mandato.

Fonte

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«Está na altura de racionalizar a dimensão do Estado», disse o líder social-democrata numa conferência na Universidade Lusófona, em Lisboa, salientando que o «exemplo» de austeridade «tem de ser dado pelo próprio Governo».

«Um Governo seco, enxuto, disciplinador e frugal. Desde logo na sua composição». É assim que Pedro Passos Coelho defende a composição do Executivo. «Não podemos ter um Governo que tenha 16 ministros, mais o primeiro-ministro, e dezenas de secretários de Estado», salientou.

«Temos de ter um Governo que se possa sentar-se à volta de uma mesa e que, com o primeiro-ministro, possa responder pelas decisões que são tomadas. E isto pode-se fazer com um Governo muito mais pequeno e com um número de ministros não superior a dez», disse.

2.159.742 portugueses, incluindo o próprio, quiseram que esta alimária destruísse o País com estes e outros monumentos ao populismo e à estupidez

Sábias palavras

Na apresentação do livro, Cândida Almeida afirmou que é com o “grito de revolta” e “a indignação” que se vai alterar as coisas em Portugal e considerou que “é muito perigoso para a democracia” alinhar com os que apregoam que “os políticos não prestam”.

“A democracia exige que se lute, mas não fiquemos com a desconfiança pelos políticos. Vamos mudá-los, isso é que importa”, propôs.

“É com a nossa força, o nosso grito de revolta e o nosso direito à indignação que vamos alterar as coisas”, acrescentou, salientando que “este divórcio entre eleitor e eleito pode fazer perigar a nobreza da democracia”.

Para Cândida Almeida, “há que combater pela indignação, pela luta de ideias, pela contestação pacífica, pelo inconformismo à estagnação democrática que alastra não só aqui, no país, mas em toda a Europa”.

“Não deixem que o desencanto, a inércia e o conformismo acabe e destrua os ideais de 25 de Abril. Temos o direito à indignação, a manifestá-la publicamente, até que a voz nos doa”, afirmou.

A ex-responsável pelo DCIAP disse ainda que “a classe política não pode, não tem mandato para exceder a vontade do povo, que não se resume a manifestar-se no dia do sufrágio”.

“Não vale desistir e desacreditar e perder os elos que nos ligam aos nossos representantes políticos. Importa é recolocá-los no caminho”, sustentou.

Cândida Almeida diz que o seu processo será arquivado