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Os 4 valentões contra o sabujinho

JMTIsso é uma outra questão muito interessante, a diferença entre ler e ouvir... é radicalmente diferente...

[…]

RAPA certa altura, Carlos Santos Silva, que é uma pessoa, portanto digamos, que fala, portanto digamos, desta forma, portanto digamos, que é muito, portanto digamos, irritante, portanto digamos, estar a ouvi-lo, portanto digamos...

JMTEle não é assim... Tu não consegues ser suficientemente sabujinho na tua voz, porque é muito impressionante ouvir o Carlos Silva a falar, porque aquilo é claramente uma posição de subserviência.

Governo Sombra, 20 de Março de 2016

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Será que o João Miguel Tavares, mais de um mês depois desta valentia, já teve ocasião de se cruzar com o Carlos Santos Silva e dizer-lhe na cara que acha que ele é um sabujo? Ou um sabujinho, diminutivo usado que só pretende aumentar o desprezo no insulto televisionado? Calhando ainda não se terem encontrado, será que o João Miguel Tavares pretende, na primeira oportunidade, repetir presencialmente o que dele disse à distância? Saber disso tem interesse mediático, jornalístico, político e cívico. Tem até interesse cultural, sociológico, psicológico, antropológico e histórico. Arrisca fazer o pleno epistémico no campo das Ciências Humanas e Sociais, tal é a dimensão do que está em causa.

Neste programa do Governo Sombra, como noutros mas neste de forma obscena e maníaca, fez-se a defesa e promoção de crimes vários. Os protagonistas celebraram e exploraram a divulgação ilegal de escutas obtidas por autoridades policiais e judiciais, cuja publicação é criminosa. Todos racionalizaram essa opção, unindo-se à volta do seguinte argumento: como estamos perante arguidos e terceiros criminosos, independentemente do que a Justiça venha a decidir nos processos em curso, é lícito vexar, difamar e caluniar essas pessoas a partir de captações da sua privacidade e de situações onde surgem fragilizadas no confronto com magistrados. E tão legítima aparece essa desbunda que inclusive se pode fazer dela um espectáculo e cobrar pela actuação. A TVI e a TSF pagaram ao Ricardo Araújo Pereira, ao Pedro Mexia e ao João Miguel Tavares, e ainda ao Carlos Vaz Marques, para eles criarem ou reforçarem na opinião pública a percepção de que alguns cidadãos, actualmente inocentes, são culpados de crimes diversos e gravíssimos. Com base em quê? Com base na cumplicidade com os criminosos que divulgaram excertos de materiais na posse e responsabilidade da Justiça portuguesa.

Esta podia ser a história toda, mas infelizmente não é. Quando confrontamos as certezas vocalizadas a respeito da culpabilidade deste e daquele com o conteúdo objectivo do que foi lançado no espaço público não surgem quaisquer nexos evidentes de actividade criminosa. Estão tão ausentes que o achincalho foi feito em cima da percepção da culpa que os maneirismos e idiossincrasias dos diálogos manifestavam. Por exemplo, estas vedetas da TV garantiram que seria impossível alguém ter uma relação com outro alguém onde o primeiro emprestasse dinheiro e um apartamento ao segundo. E mais garantiram que seria impossível alguém ter emprestado um apartamento a outrem e estar a ouvir desse pessoa pedidos para que a ocupação ocorresse de acordo com preferências e necessidades da parte que ia habitar o espaço. Qual será o critério que torna um diálogo nesses moldes em prova de qualquer crime? Seja lá ele qual for, viver num país onde a Justiça se reja por ele já não corresponde a ser cidadão de um Estado de direito democrático – porque estamos no reino dos justiceiros, dos pulhas e da cegueira da turbamulta. Mesmo que tal apareça aos investigadores como um indício incontornável, vai sem discussão, para nossa segurança nenhum juiz deveria tomá-lo como prova de posse apenas por ter existido esse diálogo. E se nenhum juiz justo o faria, com que direito uma televisão e uma rádio, consideradas referência em Portugal, o fazem? Com que direito e a partir de que concepção do Direito?

Ricardo Araújo Pereira e João Miguel Tavares, apoiados pelos dois restantes comparsas, filaram o dente em Carlos Santos Silva. Usaram um trecho onde este aparece a expressar-se num estado de evidente pressão emocional e falaram dessa pessoa como se a conhecessem de ginjeira. Como se soubessem como é que ela se expressa na normalidade. Como se tivessem tido acesso à sua ficha clínica, à sua biografia em vídeo e fossem especialistas a respeito da sua credibilidade vocal. Falaram dele para o humilhar, não o tendo avisado que iam fazê-lo nem lhe dando nenhuma possibilidade de defesa. Foram milícia e tribunal popular. Uns bravos, pagos para se sentarem em frente ao público e exibirem o que de pior conhecemos no cardápio da natureza humana – no caso, a mercantilização do ódio. Faço votos para que nunca sejam vítimas da violência que espalham soberbos e nada sabujos.

Fique ainda registado o prazer erótico do João Miguel Tavares por ter tido acesso ao registo áudio das declarações dos arguidos e terceiros apanhados em escutas. Quem assim se manifesta publicamente também gostaria de ter acesso ao registo das imagens, pois a lógica é igual. Se ele pudesse ver as expressões faciais de Sócrates e Carlos Santos Silva ao serem interrogados pelos procuradores ou juízes, mais e melhor informação seria recolhida por esta sinistra figura da nossa comunicação social para despachar em programas de televisão e textos em jornais. Só que a lógica deste valente não se detém na observação de documentos audiovisuais, ela pede – e pelas mesmíssimas razões invocadas para festejar o crime da publicação de escutas e interrogatórios – que se esteja presente na mesma sala onde se faça o questionário, pois só assim se poderá literalmente cheirar a presa e observar como ela se contorce, sua e guincha, encharcada em culpa e medo. Finalmente, pede a lógica, nem o estar presente na sala chegará. Só se o João Miguel Tavares pudesse escolher as perguntas a fazer é que descansaria – tal como há dias anunciou num artigo, mutatis mutandis. Descansaria um bocadinho, pois calhando não gostar das respostas partiria com as suas manápulas e alguma ferramenta para o apuro supremo da sua lógica imparável na procura da verdade. Não era, pá?

Cineterapia

LISA imac desenho
Steve Jobs_Danny Boyle

Teatro filmado. O texto reina supremo. Diálogos densos, intensos, imensos. Por aqui, Sorkin.

O olhar preso no palco, do princípio ao fim. O que não acontece no palco não existe. O palco como protagonista. Por aqui, Boyle.

Steve Jobs, o filho rejeitado duas vezes que rejeita duas mil vezes a filha. Lisa Brennan, a filha que começou por ser uma Local Integrated Software Architecture antes de ser um iMac. O pai anuncia-lhe que virá a ser um iPod. E depois leva-a para o palco.

Três actos, duas tragédias e uma comédia. No final, vence o amor. Antes, venceu o narcisismo. O narcisismo, ensina este filme, só é bera quando não chega a ser grande o suficiente. O suficiente para conseguir aprender consigo próprio.

É bela a lição. Qualquer semelhança com a realidade, porém, será uma feliz coincidência.

Público, acorda, o Relvas já não é ministro!

O Público não respondeu a Passos. Deixou, sem largar um ai, que o presidente do PSD, ex-primeiro-ministro e chefe da oposição carimbasse o jornal como antidemocrático. Isto em cima do 25 de Abril. E fez mais: fez censura. As declarações de Passos onde atacava o jornal não foram noticiadas – se o foram, peço que alguém me corrija – o jornal privou os seus leitores de uma muito relevante intervenção de um importantíssimo político português a respeito de um importantíssimo jornal português. Se ainda estivermos no território da “imprensa de referência”, ou tão-só no da mera imprensa, o mundo surge como um local cada vez mais estranho. Que se passará com aquela gente, dos directores aos accionistas, passando pelos jornalistas? Há aqui uma coerência, contudo. É que a decisão de publicar um editorial onde se manda calar Sócrates é igualmente estrambólica, pelo que tudo acaba por fazer sentido. O sentido da decadência.

Quando nesse editorial se alude aos “fiéis seguidores” de Sócrates, ainda por cima para os reduzir a uma projecção deturpada e raivosa da pessoa que escreveu o texto, de quem se está a falar? Quem é que defende Sócrates no espaço público? Serão os amigos que o visitaram na cadeia e durante a prisão domiciliária? Será o movimento cívico “José Sócrates, sempre”, algo que qualquer caloiro de um curso de Relações Públicas sabe não passar de mais lenha para o auto-de-fé em curso? É que não se vê mais ninguém de ninguém. Por esta lógica, para o Público, Soares será um fiel seguidor de Sócrates. E ainda Guterres, o qual foi duas vezes a Évora e uma vez à residência-prisão, pelo menos. Corremos o risco, calhando ser ele o próximo secretário-geral da ONU, de aterrarem capacetes azuis na Portela para virem proteger o seu ídolo.

E quem serão os “arqui-inimigos” de Sócrates, a que o jornal igualmente alude? Esta passagem é a mais grave dentro do disparate geral da peça. É grave porque, e mais uma vez, não se nomeiam responsáveis. Porém, ao se qualificarem como inimigos, está-se concomitantemente a descrever uma situação em que há abusos. Os inimigos não são adversários. Os adversários obedecem a um conjunto mínimo de regras. Os inimigos apenas obedecem à pulsão para destruir o seu alvo. Logo, de quem se está a falar? De partidos? De órgãos de comunicação social? De agentes de Justiça, incluindo magistrados? De tudo um pouco, fora o resto? De acordo com o Público, os inimigos de Sócrates aproveitam as suas declarações para o atacarem. Esta é uma pista, mas a qual não chega para obter uma conclusão clara, inquestionável. Este hábito de se fazer jornalismo político através de expressões vagas ou cifradas é, de facto, um sintoma de fragilidade democrática. O resultado é uma gosma escarrada num editorial, pela qual ficamos a saber que para essa entidade mediática onde supostamente vigora um qualquer código deontológico da profissão de jornalista é indiferente que Sócrates tenha inimigos. É lá uma coisa dele e ele bem merece todo o mal que lhe fazem, o cabrão. Estado de direito degradado e violado, poderes fácticos impunes e uma questão de regime que se adensa, nada disso interessa ao jornal. O Público não tem uma ideia formada acerca das indecências e crimes que os inimigos de Sócrates têm cometido, e vão continuar a cometer, ao longo dos anos. O Público apenas está interessado em que Sócrates fique caladinho e apareça no tribunal de cabeça baixa para ouvir a sentença.

Miguel Relvas foi o par sem o qual Passos não teria chegado ao topo da cadeia alimentar no PSD. O seu trajecto em comum é um mimo de técnica e de forma. Em 2012, Relvas, então ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, fez chantagem sobre a então jornalista do Público Maria José Oliveira por causa das perguntas que esta lhe tinha enviado a respeito das declarações do ministro no Parlamento relativas à sua relação com o espião Jorge Silva Carvalho. Nessa audição na Comissão de Assuntos Constitucionais, Relvas mentiu. Já não me lembro se na ocasião o PSD pediu ao Ministério Público para investigar, posto que mentir numa comissão parlamentar é crime, ou se o laranjal apenas incomoda as autoridades a propósito de socialistas. Seja como for, recordo este episódio para tentar encontrar uma explicação para a atitude obnóxia do Público para com Passos. Vai na volta, andam tão focados no que sai da boca de Sócrates que talvez pensem que o Relvas ainda é ministro.

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O vice-rei dos sonsos é o sultão dos pândegos

Soltam-se hilariantes gargalhadas na leitura desta notícia:

Passos “espantado” com jornal que mandou calar Sócrates

A latósia do fulano não conhece limites. Fulano que em 2010 promovia o seguinte sintoma de “democracia“:

«Quem impõe tantos sacrifícios às pessoas e não cumpre, merece ou não merece ser responsabilizado civil e criminalmente pelos seus actos?

Se nós temos um Orçamento e não o cumprimos, se dissemos que a despesa devia ser de 100 e ela foi de 300, aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa também têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus atos e pelas suas acções

Ou seja, caso tivesse meio bosão de coerência, já tinha ido entregar-se à bófia há seis meses. Em vez disso, cavalgou a onda populista contra os políticos e explorou as consequências económicas e sociais das crises internacionais de forma cínica e traidora, cujo epílogo foi o chumbo do PEC IV e a torrente de mentiras com que embrulhou esse golpe fatal no País.

E fulano que na campanha para as legislativas de 2011 estava rodeado dos seguintes cultores do “aprofundamento da nossa democracia e de respeito pela liberdade“: Ferreira Leite, que pediu que expulsassem Sócrates da política mesmo que perdesse as eleições de modo a poder ficar descansada, Catroga, que comparou o então primeiro-ministro e secretário-geral do PS a Hitler, Morais Sarmento, que o comparou a Saddam, Luís Arnaut, que o comparou ao Drácula, e Relvas, que avisou os filhos de Sócrates, e parentes em geral, para a vantagem em passarem a negar qualquer tipo de relação sanguínea com aquele monstro. Passos ouviu, calou e gozou o prato. Era o tempo em que o insulto se devia sobrepor à racionalidade. Ou melhor, era o tempo em que a racionalidade impelia ao insulto. O tempo do regabofe e das malabarices, como mais tarde viria a carimbar com a sua classe invulgar.

Porém, em matéria de gargalhadas à conta do laranjal a melhor piada está noutra notícia:

Qual é a estratégia do PSD? É fingir que não tem estratégia

A indigência política, quando as suas consequências apenas afectam quem nos trata como gado para abate, é a mais alta forma de comédia.

Castelhano, a língua de Camões

O Fernando Venâncio honrou-nos com a sua presença durante dois anos, de 2006 a 2008. E em boa parte a sobrevivência deste blogue a ele se deve, pois ficou por cá aquando da grande debandada da maior parte dos fundadores e autores ocorrida em meados de 2006, ainda não se tinha sequer completado um ano de existência. Também por ele vieram aqui escrever Daniel de Sá, Jorge Carvalheira, José do Carmo Francisco e Soledade Martinho Costa, cada um marcando fases e aspectos desta coisa bizarra e periclitante chamada blogue colectivo.

As diferentes metamorfoses ocorridas sob a égide Aspirina B ao longo de 10 anos dão a ver, para quem delas tiver memória, conteúdos e estilos estupendamente diversos. Seres de raças diferentes calhando serem postos lado a lado. O resultado de este ser um barco à deriva, feliz da vida por não ter um mapa a impedir as surpresas da cósmica sorte. O destino distante ou próximo, todavia, será ir ao fundo, como convém num conto de aventuras.

Pois o nosso Fernando reapareceu na ribalta mediática graças a uma investigação que ficará para a História: O português como língua de Camões é um mito

Abençoada iconoclastia do desassombro.

Nunca te cales, Público

Em 2007, Juan Carlos perguntou a Hugo Chávez: “Porque não te calas?”. Hoje, perguntamos o mesmo a Sócrates, com um asterisco: porque não limita a intervenção na esfera pública ao seu caso judicial? Ganhávamos todos. Os seus fiéis seguidores (que não o viam neste papel artificial e desacreditado), os seus arqui-inimigos (que não ganhavam munições para o atacar) e sobretudo todos os portugueses que, simplesmente, gostavam que Sócrates aceitasse que este não é o momento para fazer de conta que o Sócrates de hoje é o Sócrates de ontem. Isto não é condenar antes de tempo. Nem é exigir uma auto-reclusão, como se um arguido tivesse de se auto-congelar no tempo. Isto é pedir bom senso. Nestas entrevistas aparentemente banais, não há nada de banal. E todos notamos.

EDITORIAL – Cala-te, Sócrates

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Este editorial é uma peça deliciosa da imprensa portuguesa. Começa por não se saber do que é que se está a falar. A autoria agarra-se aos termos “cerimónia”, “pudor” e “bom senso” como se eles fossem critérios objectivos, unívocos, consensuais, assumindo a lógica moralista como legitimação para o ataque. O único resultado de tal recurso é a evidência de estarmos perante um clássico exercício ad hominem. Não se discutem as ideias verbalizadas por Sócrates, apela-se é ao seu silenciamento político com o supino topete de se convocarem “todos os portugueses” para fazerem coro na pateada.

Depois, temos a tipologia do editorial, que neste jornal não aparece assinado pelo escriba. Esta é a opção que prefiro, e será imbecil ver nisso qualquer anonimato. Na verdade, quem assina os editoriais não assinados é o próprio Público. Compare-se com os exemplos do DN e do Expresso, por exemplo. No primeiro caso, o editorial confunde-se com o estatuto dos restantes artigos de opinião, não passando de um formato ao serviço do destaque individual e abdicando de ser uma tomada de posição colectiva do corpo redactorial, da direcção ou da instituição. No segundo caso, os editoriais deram lugar ao editorialista. As opiniões do Ricardo Costa, antes, e do Pedro Santos Guerreiro, antes e agora, são omnipresentes, diárias, cultivando-se um vedetismo que se acredita ser um produto. Recorrem ao carimbo “editorial” geralmente para trato de questões institucionais ou para eventos extraordinários (refiro-me às edições digitais). No Público reina a velha e salubre escola de conferir ao jornal um papel que transcende a soma das suas partes e que reclama um papel político como órgão de imprensa. Para o que aqui nos interessa, tal leva a um divertido jogo ou uma amistosa caçada a respeito da descoberta de quem possa ter teclado o disparatado texto em causa calhando não ter sido Bárbara Reis. Aceitam-se palpites.

Por fim, é delicioso verificar que há quem consiga, no topo do que se considera “jornalismo de qualidade”, vir botar faladura sobre Sócrates como se ele não fosse, desde 2004, o mais importante político no activo, seja como governante, ex-governante e alvo sistemático da maior campanha de assassinato de carácter que alguma vez aconteceu em Portugal. Quando PSD, CDS, um primeiro-ministro, seus ministros, seus secretários de Estado e a turbamulta que os acompanha na vozearia passaram anos a trazerem diariamente o nome de Sócrates, ou a sua memória, para o combate político, o Público também os mandou calar? E quando ainda o fazem e farão, agora na oposição, o Público manda-os calar? Quando vários órgãos de comunicação social fazem de Sócrates o seu tema principal e o perseguem obsessivamente, a si e a qualquer um da sua esfera de relações políticas ou privadas assim tenham oportunidade para isso, o Público já os mandou ou tenciona mandar calar? Como é que o Público chegou à conclusão de que os portugueses todos, todinhos, preferem não conhecer as opiniões de Sócrates a respeito de assuntos da actualidade política e social? Acaso lá pelo Público ainda não se deram conta do que está em causa quando a Justiça portuguesa comete crimes sucessivos para alimentar a perseguição mediática e política a Sócrates e, por extensão, ao PS? Não estaria na altura de o Público pedir o contrário, que finalmente alguém com autoridade erga a voz contra o que tem acontecido na “Operação Marquês” em matéria de conluio criminoso entre agentes de Justiça e jornalistas, e que vai ficar impune? Será o Estado de direito, para o Público, menos importante do que os humores matinais ou nocturnos de quem resolveu escrevinhar aquela cagada?

Aos amigos de Costa

A embrulhada de amizade com assuntos do Estado que Costa se lembrou de inventar recorrendo a Diogo Lacerda Machado é apenas mais uma peça de um retrato de surpreendente sobranceria e disfuncionalidade. A questão tem a beleza do que é simples: calhando ter ocorrido algo similar sendo Passos o primeiro-ministro e Costa secretário-geral do PS, o próprio Costa estaria a criticar, ou a mandar criticar, ou a não impedir que os seus tenentes criticassem, tão grosseira violação de regras básicas da responsabilização governamental. O episódio só se agravou com o estilo meio estouvado, ou então infantilóide, como se justificou publicamente quando foi obrigado a estabelecer um vínculo contratual entre o Estado e o seu amigo.

Esta surpreendente sobranceria e disfuncionalidade começou a tornar-se incontornável aquando da campanha contra Seguro, mas aí ainda não estava claro estarmos perante um padrão. Padrão que já tinha tido a primeira exposição pública no episódio do avanço e recuo contra Seguro. Foi no período eleitoral para as legislativas, e na campanha de merda que desenvolveu, que ficou plenamente iluminada a raiz da sua incompetência como líder a esse nível máximo – e a raiz estava na soberba de quem tinha sempre vencido sem esforço até então. De facto, Costa foi ao longo de décadas visto como inevitável futuro líder do PS e, por consequência, de um Governo. O seu trajecto está pejado de relevantes cargos políticos, incluindo o muito importante posto de presidente da Câmara de Lisboa. O seu carisma aparece marcado por uma propalada superior capacidade para estabelecer acordos com adversários e partes conflituantes, algo que a existência deste Governo e os primeiros meses do Executivo comprovam unanimemente. Só que tais predicados não esgotam as exigências do que seja uma liderança admirável.

Logo, não é por falta de experiência política que Costa comete erros de principiante. Terá de ser por outra razão, algo que pede a influência de bons amigos para o ajudar a resolver essa pecha que arrisca causar prejuízos a muita gente.

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Canal do Panamá

O Expresso tem nas bancas uma parangona muito bem esgalhada onde junta Sócrates e Ricardo Salgado debaixo da suspeita escarlate de estar por semanas, ou dias, ou até horas, a apresentação das tais provas da corrupção socrática que há tantos anos se procuram e tardam a encontrar mesmo depois de já terem espiado e devassado esse demónio ao longo de 12 anos seguidos. Será desta? Poderá um consórcio internacional de jornalistas de investigação deixar escapar por entre os dedos super-criminosos do calibre dos mancomunados Sócrates e Salgado? Para nosso bem, para que a nossa fé na civilização não impluda, esperemos que não.

Imaginando que é desta, haverá sempre um estupendo ganho ao se apanharem os bandidos. No caso, o ganho também seria político e cultural, pois o choque de tal revelação teria consequências imprevisíveis no sistema político e na relação dos cidadãos com o regime. Ter o Pedro Santos Guerreiro a optar pela via sensacionalista poderá significar que a probabilidade de tal desfecho esteja agora muito mais elevada.

Porém, contudo, no entanto, sem provas não há sequer uma nova informação. O dinheiro que terceiros enviam uns para os outros nada nos diz sobre a relação de Sócrates com esse dinheiro, seja na origem ou no seu destino último, para fins da elaboração de uma acusação judicial. Portanto, no quadro da manutenção do status quo, teremos que até um dos últimos bastiões da chamada “imprensa de referência” já não ambiciona mais do que ser um afluente do esgoto a céu aberto.

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Cristalino

Para Sócrates, o MP, com esta operação, está a colocar-se "sob suspeita de ter feito uma detenção e uma prisão politicamente motivadas".

"Neste caso, não há propriamente um processo para descobrir um crime. O que há é um alvo e a investigação não é a um crime mas a um alvo. É uma perseguição a alguém", afirmou.

Admitiu que houve "abusos" por parte do MP noutros processos, mas sublinhou que "nunca houve tantos abusos ao mesmo tempo" como no Processo Marquês.

"Houve abusos em todo o lado (...). Verdadeiramente, quem está hoje sob suspeita é o MP", disse ainda.


Sócrates acusa Ministério Público de não cumprir os prazos legais na Operação Marquês