Qual deve ser a posição do Governo português em relação à agressão perpetrada pelos filhos do embaixador iraquiano?
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Um Sherman da inteligência emocional
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E ir falar com o Marcelo para ele tratar da cerimónia onde o Sr. Embaixador será agraciado com o Nobel das relações públicas, o ouro olímpico do marketing nacional, o Pulitzer dos conteúdos populares e o Pritzker da diplomacia.
Imprensa de má referência
Se há coisa que se pode dizer sobre Pedro Passos Coelho, sem criar qualquer polémica, é que é um político que não vive para as sondagens.
O ex-primeiro-ministro do PSD nunca se posicionou como líder que quer agradar, que antecipa o mood nacional e diz o que os portugueses querem ouvir.
Quando fala, percebe-se que Passos acredita no que diz e que quer dizer as coisas como pensa que elas são, por desagradáveis e duras que se revelem. No partido, alguns dos seus seguidores, como o jovem Hugo Soares, vice-presidente da bancada social-democrata, vêem-no como o homem que “fala verdade aos portugueses” e assume com orgulho os custos políticos resultantes desse estilo.
Público – Editorial – 15 de Agosto de 2016
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Não me lembro de ter visto qualquer estudo ou mera contagem a olho sobre o assunto, pelo que tenho apenas a minha memória como material de análise. Na minha memória, não encontro um líder partidário em Portugal que tenha mentido tanto como Passos Coelho. Sequer que se encontre na mesma divisão. Mentiras directamente relacionadas com as sondagens, com as eleições, com a manipulação do eleitorado.
A mentira – ou, para ser rigoroso no exemplo seguinte, a falsidade – começa com a sua transformação em liberal em 2010. Um liberal à portuguesa, de pacotilha, chegando ao ponto de atacar os fundamentos da Constituição e de andar a pedir prisão para políticos, que agitou essa bandeira por mera táctica face à conjuntura. Dois anos antes, ainda com o “pin” de social-democrata na lapela, andava a elogiar Sócrates pela sua resposta à crise internacional. Era o tempo em que valia tudo para desgastar Ferreira Leite, até atacá-la pela esquerda.
A mentira – aqui, sim, com todas as letras mais o espaço entre elas – continua com o chumbo do PEC IV e a campanha eleitoral de 2011, ficando como um logro historicamente original. As promessas de não ir despedir funcionários públicos, de não ir baixar salários, de não ir cortar pensões e subsídios, de ir estancar a emigração, e de que os problemas se resolveriam magicamente “cortando gorduras no Estado” e substituindo os bandidos do PS pela “gente séria”, foram feitas por ele e pelos seus tenentes até ao último dia de campanha. Nesse sentido, tendo em conta que o PSD sabia exactamente o que iria acontecer ao País e aos seus habitantes com o chumbo do PEC mais o pedido de resgate, nunca tivemos uma fraude eleitoralista como esta na democracia portuguesa.
A mentira – ainda por conhecer quanto às suas consequências finais para as contas públicas – culmina com a fuga às responsabilidades governativas do ponto de vista do interesse nacional que o levou a empurrar as crises do BES, Banif e CGD para fora do perímetro da “saída limpa”. Resultado: uma entrada suja na campanha eleitoral de 2015, onde a tanga da “recuperação económica” e da “austeridade salvífica” foi explorada até à exaustão.
Não sei quem é que escreveu este editorial, presumindo que tenha sido Bárbara Reis. Mas sei que ele transforma a expressão “imprensa de referência” numa anedota.
Ah!
João Céu e Silva - Acha mesmo que venceu o debate sobre o marxismo e o fascismo?
José Rodrigues dos Santos - Ninguém conseguiu desmentir o que escrevi no livro e num texto de opinião que publiquei, em que mostrava que havia historiadores a dizerem a mesma coisa que eu. Até foi estranho que um historiador tivesse começado o seu artigo por desmentir afirmações que eu não tinha feito. É difícil desmentir que o fascismo tem origens no marxismo porque é verdade. Eu nunca pretendi que isto fosse um facto novo, aliás, em toda a minha obra não digo coisas novas para os especialistas.
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Estamos em meados de Agosto, altura ideal para voltarmos a uma das polémicas mais originais dos últimos anos, aquela que levou um famigerado apresentador de televisão, na posse da verdade a respeito do fascismo e do marxismo, a ser confrontado nos jornais por um grupo muito reduzido de supostos especialistas em História, e merdas dessas, os quais apenas conseguiram exibir a sua ignorância. Verdade.
A verdade, como substantivo e adjectivo, é um termo que aparece 23 vezes na entrevista de JRS ao DN. A entrevista termina, aliás, com o entrevistado a perguntar ao entrevistador se quer a verdade. Não sabemos o que o entrevistador terá respondido, pelo que não sabemos se a verdade foi de facto revelada nessa resposta final. Pode ter acontecido que o entrevistador tenha assinalado com um assentimento da cabeça ou de olhos que, sim, queria a verdade. Mas igualmente é legítimo supor que o entrevistador tenha ficado lívido e imobilizado perante a iminência de se deparar com a verdade, rigidez corporal e facial essa que bastasse ao entrevistado como sinal para deixar a verdade vir à luz. Ou podemos imaginar que o entrevistador fosse vítima de um espasmo ocular involuntário que tenha sugerido ao entrevistado estar o interlocutor em condições de acolher a verdade. A falta de informação contextual na peça dá azo a estas fantasias. Finalmente, é ainda de supor que o entrevistado não tenha recebido as garantias necessárias por parte do entrevistador para que a opção de contar a verdade se concretizasse. Nesta última hipótese, a entrevista termina com uma mentira – o que é sempre chato, embora seja também interessante.
JRS partiu para esta polémica com um avanço que, soubemo-lo entretanto, era impossível de vencer. Como nos conta, “houve historiadores a dizerem a mesma coisa que eu“. Portanto, não estamos perante um caso em que JRS resolveu repetir uma cenas esquisitas assinadas por historiadores. É ao contrário. E isto, como se viu rapidamente, era algo que em Portugal todos menos ele ignoravam. Sintomaticamente, o último texto que publicou sobre a temática – “O fascismo tem mesmo origem no marxismo” – não teve resposta de ninguém. Todos refugiados em tábuas e com a viola metida no saco, para usar duas imagens que acabei de inventar. Nem sequer do valente do Araújo, a quem a lição é dedicada, veio um ditongo crítico. Talvez porque o texto termina com um viril grito, “Ah!“, e este Araújo se sinta mais confortável a bater em mulheres (é uma metáfora, António, calma).
Ora, estamos em meados de Agosto. E isto é verdade. Então, bute responder ao JRS recorrendo a uma outra verdade ausente desta polémica até à data. Cá vai ela: Differenz der demokritischen und epikureischen Naturphilosophie. Acertaste, trata-se da tese de doutoramento de Marx. Com 23 anos, Marx obtinha o seu título académico com uma profunda reflexão sobre as diferenças entre os atomismos de Demócrito e Epicuro. Diferenças fascinantes, onde os átomos de Epicuro são a modos que avariados da corneta, sofrendo de uma tara chamada clinamen, enquanto os atómos de Demócrito não passam de uns totós. Tudo o que veio a seguir na produção intelectual de Marx resulta deste tratado. Sim, voltaste a acertar: o fascismo vem do atomismo clássico grego – ou, para sermos mais exactos, o fascismo vem do marxismo e o marxismo vem do epicurismo. Porquê? Porque é verdade. Não dá para desmentir. De resto, há historiadores a dizerem o mesmo que eu. Olha aqui um de quem o JRS deve gostar bastante:
A capacidade das esquerdas mundiais para justificar em nome de uma utopia humanitária as piores atrocidades do regime comunista — e, exterminado o comunismo na URSS, para continuar a pregar com a maior inocência os ideais socialistas como se não houvesse nenhuma relação intrínseca entre eles e o que aconteceu no inferno soviético —, é uma herança mórbida que, através de Marx, veio do epicurismo.
[...]
Que Marx tivesse, pessoalmente, um tremendo senso do teatro, do fingimento, da prestidigitação, é coisa que os biógrafos já estabeleceram com certeza suficiente. Mas isto não bastaria para dar à sua filosofia tamanho poder de ludibriar as consciências. Quando, no entanto, notamos que o primeiro interesse acadêmico do jovem Marx foi devotado ao estudo do príncipe dos ilusionistas filosóficos, e em seguida constatamos ser idêntica, em Epicuro e nele, a mixórdia proposital e alucinógena da teoria na prática e da prática na teoria, então compreendemos a virulência inesgotável da herança epicurista, capaz de atravessar os milênios e ressurgir a cada novo empenho cíclico de instaurar em alguma parte do mundo o reinado da impostura.
Olavo de Carvalho – EPICURO E MARX
Perante estas verdades, perante o calibre dos historiadores que me repetem, toda a polémica avança na direcção de uma verdade maior ou melhor do que a tese inicial de JRS, talvez mesmo maior e melhor em simultaneidade e concomitância. Agora, sabemos muito mais do que sabíamos em Maio e Junho passados. Restará satisfazer a última curiosidade: e o epicurismo, vem donde? Hum?
Mas não se vê logo, caralho? Esta até quem fez a antiga 4ª classe sabe de cor. De Sócrates!
Passos, o tal que nos ofereceu coisas inesquecíveis do ponto de vista económico, social e político
"Esta solução de governo está esgotada, não tem nada para oferecer do ponto de vista económico a não ser a estagnação e eventualmente o conflito com os credores, as instituições europeias e os investidores", afirma o líder do PSD. Passos Coelho considera também que também a nível social a "troika governativa" está esgotada porque só sabe fazer o que é fácil" e a seguir acabam-se a ideias".
Revolution through evolution
Partisan Media Can Influence Viewers to Reject Facts
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Single people have richer social lives, more psychological growth than married people
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Study shows men follow up conflict with friendly gestures more than women
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New study confirms adage that with age comes wisdom
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Experiment shows exposure to nature reduces aggressive behavior among inmates
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Becoming a volunteer later on in life can result in good mental health and wellbeing
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Eating a Mediterranean diet can slow down cognitive decline
Vamos lá a saber
Os caluniadores protegem o povo das agruras da complexidade
[...]
E a verdade é que em Portugal nunca se avançou por uma legislação que previna, por exemplo, o enriquecimento ilícito, porque esse é um dos problemas do regime que temos, nenhum partido quer essa figura, a verdade é esta. Cada vez que há uma iniciativa legislativa ela morre no Parlamento porque já vai inquinada. Aquilo que seria uma outra iniciativa muito prática e muito boa, que era o obrigar a reverter todo o rendimento e todo o património acumulado em caso de dúvida, também não existe e devia ser legislado. Eu digo isto porque acontece que em relação a estes casos, grandes casos, de decisões económicas que aconteceram em Portugal, nos anos que estão em apreço, que estão em análise, que estão ao mesmo tempo referidos neste processo que envolve o ex-primeiro-ministro, eu soube de casos de advogados, e não estou aqui a influenciar ou a querer dizer que a classe é toda assim, não, mas sei que houve casos pontuais de advogados que fizeram pareceres jurídicos para determinadas obras como parcerias público-privadas e que em pouco tempo no espaço de meses ganharam milhões e milhões de euros. E não foram só advogados, foram economistas, foram professores universitários. A própria academia participou nesta deriva muito grande que houve na tentativa de se fazer obra; isto é, de fazer acontecer para alguém ganhar, porque não há outra maneira de dizer isto. Soube de casos de economistas que fizeram estudos de tráfego das estradas, das novas auto-estradas, provando por A + B nos seus estudos econométricos que iriam dar azo a que passariam por lá centenas de milhares de automóveis todos os dias, e tudo isso se provou, grande parte disso se provou que era mentira. E agora nós perguntamos uns aos outros como cidadãos, "Mas nós pagámos, e estamos a pagar, isso tudo e ninguém investiga?". E eu tenho que remeter para este período da História em que eu concluo o seguinte: houve um primeiro-ministro que se sentiu à-vontade para decidir todos estes grandes dossiers, e foi um período histórico em que houve uma escolha de um Procurador-Geral da República, que mais tarde, pelo menos na altura não foi percebido mas mais tarde percebeu-se, que era amigo pessoal, e houve uma influência numa eleição ou numa escolha de um presidente de um Supremo Tribunal de Justiça, que mais tarde apareceu na situação também em que aparece muito chegado a um ex-primeiro-ministro. E isto foi de tal forma gravoso no nosso regime, não tenhamos medo das palavras, que quando se descobre que há uma tentativa de controle da comunicação social, que como sabemos chegou a atingir a TVI, ou por meios indirectos houve até uma tentativa por interpostos empresários, nomeadamente um deles, um senhor que era dono da ONGOING, que quis também controlar o Grupo Impresa, o que nós vimos foi que havia indícios de tudo isso, e houve um período histórico em que tudo isso não contou para nada e foi arquivado como se nada se tivesse passado. E, portanto, quando alguém sente, em determinado período, que pode actuar em vários campos para decidir dossiers a seu bel-prazer, em conjunto com outros decisores políticos, pensando que é inquestionável, é óbvio que aparecem exageros que levaram a uma deriva económica, que mais do que as questões de corrupção... Porque a mim o que me preocupa neste debate nem é se o senhor A ou B recebeu mais 5 ou mais 10 milhões. A minha maior preocupação está acima disso, é muito mais vasta do que isso. É que houve uma deriva económica do País no sentido de uma América-Latina, no sentido de uma falta de escrutínio e do mau funcionamento das instituições. E agora que o poder judicial está a tentar descobrir o que se passou, aparece alguém a dizer que não, não se passou nada, não há nada... Eu, não acredito que não haja nada. Continuo a dizer: como jornalista, tenho o direito à interpretação, e continuo a achar o que é legítimo supor face aos sinais que nos chegam.
[...]
Em primeiro lugar, uma questão que é pessoal: eu não desejo nenhuma vingança, eu não procuro nenhuma vingança nem acho que devamos estar à procura de ver alguém preso. Acho que isto não deve ser um bom princípio de conversa. No entanto, eu quero ser esclarecido como cidadão. [...] Dito isto, não me move nenhum desejo de que alguém seja preso mas pergunto-me por que é que estranhamente José Sócrates aparece sozinho neste processo. Estranhamente! Porque o dossier da PT tinha um ministro na altura que era o das Obras Públicas Transportes e Comunicações, o engenheiro Mário Lino, o dossier das parcerias público-privadas que está em investigação tinha um secretário de Estado que era Paulo Campos, houve um outro dossier que teve a ver com a venda, com a atribuição de concessões de barragens por mais 15 a 25 anos às grandes empresas, nomeadamente EDP e outras, que foi feita por apenas um terço do valor que os bancos de investimento internacionais diziam que era, 700 milhões de euros, quando os bancos diziam que aquelas concessões valiam pelo menos 2 100 milhões. E eu continuo a perguntar porque é que aparece um homem isolado neste processo e não há uma investigação, de fundo, que junte as pontas de todos estes dossiers e nos faça ver claro sobre este período da nossa História, que foi um período negro. Faço uma pergunta muito concreta: se nós olharmos para o que foi o chumbo da OPA sobre a Portugal Telecom, e era Belmiro de Azevedo e o filho Paulo de Azevedo que estavam a fazer este movimento, se ela não tivesse chumbado, será que a Portugal Telecom teria continuado a pôr o seu dinheiro de caixa, e era muito, no Banco Espírito Santo? É uma pergunta que eu não vejo respondida por ninguém. É que se calhar não tinha continuado, com todas as consequências menos boas que vinham para um grupo bancário, e um grupo económico construído sobre um banco, que também precisava desse financiamento. Portanto, todas estas questões precisam de ser esclarecidas. Eu estranho que haja um homem só num processo destes. Acho que de facto estas investigações deviam ser todas aprofundadas, deviam chamar outros protagonistas. Esta questão, volto a sublinhá-lo, não estou a dizer que isto é para haver um julgamento e uma vingança sobre um período histórico e seus protagonistas, não é nada disso, até porque há casos mais recentes que também merecem ser investigados, mas nós portugueses temos o direito de saber isso. E é isso que me move, é perceber qual foi a lógica destes negócios que tinham muita coisa menos o negócio "per si" e por um valor liberal de criação de riqueza.
[...]
Há outra coisa que eu oiço sempre, sempre, os defensores, os advogados dizerem em relação a processos que envolvem figuras públicas e se tornam muito mediáticos, que é "Ah, este é um processo muito complexo, de uma extrema complexidade, e não se consegue estabelecer relação causa-efeito". Pois eu tenho, enfim, chegado a conclusões na minha vida profissional, em relação a determinados dossiers e a determinados assuntos, de tecnicidade económico-financeira barra jurídica, que são deliberadamente construídos assim, com muita complexidade, para o comum dos cidadãos não perceber. E eu gosto de falar para o comum dos cidadãos.
José Gomes Ferreira – Especial Operação Marquês na SIC-N
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Estas declarações de um dos mais poderosos profissionais da indústria da calúnia provam, se mais provas fossem precisas, que não existe imprensa em Portugal. Isto é, não existe nenhum órgão de comunicação social (do meu conhecimento) que tenha como critérios supremos da sua missão jornalística a independência e a coragem da investigação. Porque se existisse, no dia seguinte, ou no dia seguinte ao dia seguinte, teríamos alguém desse órgão sonhado a entrevistar o sr. Ferreira, ou a relatar que o tentou entrevistar e que ele recusou.
É difícil de perceber o que seja mais grave, se a visão de completa violação do Estado de direito e falência das instituições da República que as insinuações e afirmações acima transcritas consubstanciam, se a indiferença com que são acolhidas pelos pares mediáticos, pelo sistema partidário, pela opinião pública e pelas próprias autoridades judiciais. Eis o que foi difundido oficialmente por uma das figuras com maior projecção no Grupo Impresa:
– Que há um “período histórico”, balizado pela entrada e saída de Sócrates no cargo de primeiro-ministro, onde o Governo e o Estado foram usados criminosamente ao serviço de interesses particulares bem identificados.
– Que nesse mesmo “período histórico”, e para efeitos de cumplicidade com essa prática criminosa, a Justiça foi corrompida nas figuras dos corruptos Procurador-Geral da República e Presidente do Supremo Tribunal de Justiça ao tempo, os quais protegeram Sócrates e outros criminosos impedindo que fossem investigados judicialmente.
– Que são os partidos com representação parlamentar, todos, quem alimenta a corrupção ao não quererem evitar o “enriquecimento ilícito”.
Este Gomes Ferreira não prima pela sofisticação intelectual, usando as suas competências mentais e morais para assumir plenamente o papel de agitador populista ao serviço de uma agenda política transparente. Nesse papel, tem tido sucesso, pois é projectado pelo aparato da máquina SIC. À SIC, obviamente, interessa ter este caluniador profissional a ser visto como mero palhaço, pois tal permite que a sua actividade seja mantida pelo tempo em que for considerado útil. O mesmo se passou com o Crespo, tal qual. Mas por que razão a comunidade aceita ser intoxicada com este sórdido exercício de baixa política? Muitas serão as respostas, incluindo-se nelas o interesse da esquerda em que o PS seja atacado por todos os lados num vale tudo sem fim.
Existindo imprensa em Portugal, JGF seria entrevistado por um jornalista amante do jornalismo – o qual estaria muito interessado em levar muito a sério todo e qualquer contributo de JGF para o combate à corrupção. Eis algumas das perguntas inevitáveis:
– Por que razão considera ser o “enriquecimento ilícito” um dos problemas do regime? Sabe que já existe legislação para punir diferentes formas de enriquecimento ilícito? Se sabe, admite inverter o ónus da prova no combate à corrupção? E se o admite, devemos parar aí ou estender esse critério a outros tipos de criminalidade? Quais são as suas fontes acerca da dimensão do “enriquecimento ilícito” em Portugal? Quais são os restantes principais problemas do regime que tenham a mesma ou mais importância ou nenhum outro se equipara com este em gravidade? Acha que os partidos são cúmplices da corrupção? Se sim, como o descobriu? Se não, admite que possa estar enganado ou com dificuldades cognitivas no trato desta questão?
– Antes de Sócrates ter sido nomeado primeiro-ministro não se pediam pareceres para justificar investimentos públicos? Estudou esses pareceres anteriores avaliando o seu preço e o grau de acerto ou desacerto face ao futuro? Estudou os pareceres encomendados pelos Governos de Sócrates? Se os estudou, quais são as falhas que apresentam que possam ser consideradas “mentiras”? Uma previsão de tráfego é considerada uma mentira a partir de quantos automóveis por dia? Mas se são mentiras, e se foram encomendados para apresentarem mentiras que serviriam como justificação e cobertura para negócios criminosos, quem são esses responsáveis? Por que razão a SIC, ou o Expresso, ou a Visão, ou todos estes órgãos à vez ou à molhada, não expõem essas mentiras, esses responsáveis da advocacia e da academia e esses crimes já do conhecimento de JGF? Acaso a Visão, o Expresso e a SIC estarão a proteger os corruptos que JGF enfrenta e denuncia heroicamente?
– Como é que Sócrates conseguiu manipular sozinho tantos negócios, com tanta gente envolvida, com tantos níveis de decisão, sem que tenham ficado registos das suas manipulações criminosas? Dada a constante vigia, incluindo policial, dos seus actos públicos e privados, como relacionar tanto crime potencial e sistémico, e tão espectacularmente ganancioso, com a falta de provas depois de anos e anos de investigação judicial? Como é que Sócrates conseguiu corromper a Justiça ao mais alto nível sem que a própria Justiça, nem que fosse através dos seus sindicatos, o tenha denunciado? JGF acha que Sócrates também tinha na mão o SMMP, a ASJP e o Conselho da Magistratura? Ou acha que o Conselho da Magistratura, mais a ASJP, mais o SMMP, mais o Presidente da República ao tempo, mais o Parlamento ao tempo e agora foram e são cúmplices dos crimes de Sócrates e por isso é que eles não são investigados como JFG gostaria que fossem?
A basicidade do estilo desta infeliz figura adequa-se na perfeição ao público de broncos e fanáticos a quem se dirige. Aquilo que está a fazer, porém e ironicamente, corresponde a uma intenção complexa: ser um factor de permanente desgaste dos alvos que a oligarquia portuguesa selecciona. Esta complexidade pede, para continuar operativa, que se cultive o simplismo demagógico e populista dos profissionais da indústria da calúnia. O “comum dos cidadãos” para quem fala é um borrego que abdica de pensar e já só deseja poder continuar mais um dia de cabeça baixa a pastar. Serviço prestado à Nação pelo militante número 1 do PSD.
Exactissimamente
Caganda curte
Revolution through evolution
’Media Contagion’ Is Factor in Mass Shootings, Study Says
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Research explodes the myth of a ‘West vs. Rest’ cultural divide
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Study suggests ‘use it or lose it’ to defend against memory loss
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Tinder: Swiping self esteem?
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Why you’re stiff in the morning: Your body suppresses inflammation when you sleep at night
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Curiosity Has the Power to Change Behavior for the Better
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Selfless People Have More Sex, Study Finds
É bem feita, Costa



Não sei se alguém anda a estudar academicamente o fenómeno “Correio da Manhã”, um fenómeno que aumentou exponencialmente de poder ao passar também para a televisão. Muito mais importante do que ser um exemplo de tabloidismo feito com perícia, mais importante do que as enormes e crescentes audiências que conquista, o que o torna merecedor de estudo multi e interdisciplinar é a dimensão política onde esta entidade define um espaço de ostensiva batalha partidária para o qual também recruta, ou alicia, elementos que fazem parte do sistema de Justiça, e os quais comentem crimes (pelo menos) de violação do segredo em certos processos judiciais seleccionados estrategicamente. O sentimento de imunidade e de impunidade é total, nunca até hoje tendo sido descoberto, muito menos acusado, qualquer responsável pela contínua prática criminosa que chega ao jornal e canal Correio da Manhã.
Nestas capas acima, temos o modus operandi do CM em três exemplos paradigmáticos do seu estilo e intenções políticas, e também relevantes pela proximidade no calendário. Na primeira capa, deturpa-se por completo uma medida governativa numa lógica de diabolização do inimigo, Costa. Na segunda capa, explora-se um alegado acontecimento com um familiar próximo de Costa, a filha, e usa-se uma expressão cuja semântica popular – o “andar na noite”, o “ir para a noite”, o “trabalhar na noite” – a faz equivaler a prostituição. Ao mesmo tempo, usa-se a palavra “clã”, a qual é também fértil em ambiguidades semânticas negativas. Na terceira, publicada um dia depois da segunda, volta o “clã”, agora obviamente contextualizado pelo sentido mais negativo que o termo agrega – “clã de mafiosos”, “clã de criminosos”, “clã de poderosos”.
Desafio os malucos a contarem quantas vez o CM usou o termo “clã” para fazer capas a propósito de Passos Coelho, Relvas, Ferreira Leite, Marcelo, é escolher nesta área. Não me surpreenderia se se viesse a descobrir que para o CM só há clãs no PS e no Real Madrid (o “clã Aveiro”). Quanto a Costa, é bem feito o que o esgoto lhe está a fazer. Afinal, ele já para lá trabalhou e deu o seu melhor para o sucesso da coisa.
Quando chegarem as autárquicas, e calhando o Fernando Medina interromper o seu também extremoso esforço para o sucesso do CM, é certo que iremos ter notícias do “clã Medina”. Aposto que é mais um desses clãs a precisarem dumas capas do CM para ver se se arrependem da vida devassa que andam para aí a ter à conta do Zé que lê religiosamente este pasquim. Um pasquim que tantos e tão magníficos serviços presta à nossa decadente direita.
Exactissimamente
Uma escola que tem por cá ilustríssimos seguidores, de alguns dos mais lidos cronistas ao mais lido dos diários. Ai o cronista escreve mentiras? Não interessa, "é a opinião dele" - e "as pessoas gostam". Ai o título não coincide com o que está na notícia? Eh pá, se pusermos a verdade no título ninguém lê. Acusámos a pessoa e nem a ouvimos? Ela que nos ponha em tribunal - se tiver dinheiro para isso e se atrever a ser vista como inimiga da liberdade de expressão. O sucesso desta "escola de pensamento" é tal, de resto, que já estamos no ponto em que quem passa por maluquinho é quem se encarniça em, apresentando factos, denunciar mentiras. Como se a verdade fosse uma espécie - particularmente pouco sexy - de mania.
Raciocínios bem sucessidos

Louçã publicou este gráfico e utilizou-o para sustentar as seguintes afirmações:
– "Os números oficiais e confirmados da Europol dizem-nos algo de estranho: é que há menos atentados do que há uns anos atrás mas há muito mais presos (como se verifica no gráfico com dados até 2015, leia-se o artigo de João Ramos de Almeida). Ou seja, a intervenção policial é cada vez mais ineficaz e a repressão mais abrangente."
– "Dirão que há um “radicalismo islâmico” que agora conduz a mortandade, mas o “radicalismo cristão” de Anders Breivik foi mortífero e parece que tinha um imitador em Munique."
– "O que se tem feito quanto a resposta policial, do que se sabe e verifica, parece particularmente irrelevante, se não perigoso em algumas medidas emblemáticas, veja-se o exemplo do grande acordo entre as autoridades europeias e as norte-americanas para lhes fornecer os dados sobre as viagens dos cidadãos no espaço europeu. Contribuiu isso para a prevenção de algum dos atentados ou para a investigação sobre os seus responsáveis? Ao que se sabe, não."
– "Ou podemos não perguntar, podemos não querer saber, podemos até, nessa feliz ignorância, não querer combatê-lo."
Parafraseando, temos que Louçã acha estranho constatar uma relação entre a diminuição do número de atentados e o aumento do número de detidos. Louçã descobriu que Anders Breivik, afinal, agiu em nome de um qualquer “radicalismo cristão” ainda à espera de publicidade. Louçã não sabe o que os serviços de segurança andam a fazer secretamente para evitar ataques, pelo que considera estarem apenas a perseguir os cidadãos livres em vez de perseguirem os maus da fita. Louçã sabe donde vem o terrorismo: do capitalismo, do imperialismo americano, das potências ocidentais, dos corruptos do mundo inteiro que se misturam numa orgia dantesca no Médio-Oriente, destruindo países e populações só para enriquecerem mais e mais, numa devastação sem fim até que a revolução da esquerda grande chegue e reponha a paz e o amor universais.
Moral da história: a inteligência é presa fácil da ideologia.
Isto é a gozar?
Ajoelha-te, Eusébio
Na final do Europeu, algures a meio da 1ª parte se não me falha a memória, a realização colocou no ar um grande plano de Figo a assistir ao jogo. Durou 3 a 4 segundos. E durante esses 4 a 3 segundos foi possível apanhar Figo a bocejar. Talvez tenha sido um bocejo isolado e enorme a coincidência, claro. O estatístico em nós, porém, adivinha que Figo bocejou à grande e à portuguesa durante a partida, ou parte dela, daí ter sido apanhado nessa singular ocasião. Falta de sono depois de uma homérica noitada parisiense? Aborrecimento por já estar farto de ver a Selecção a jogar finais seja do que for? Achava que a França era demasiado fraca e que a cabazada lusitana era certa contra uns coxos que nem luta davam? Ou seria porque, para quem gosta de futebol, o espectáculo estava a ser uma dolorosa chatice apesar do hino e da bandeira?
Todas as críticas à qualidade do futebol português neste torneio foram justificadas. Desde o subrendimento de Ronaldo, fosse pelo que fosse e que os golos marcados não escondem, à verdura de Renato Sanches, que o levava a não saber o que fazer com a bola depois de a ter levado do meio-campo para o ataque com rapidez e estilo, passando pelo 3º lugar num dos grupos mais fracos do Euro, algo que com as regras anteriores teria mandado a rapaziada de volta à Portela para a maior vaia da história do futebol e dos aeroportos aqui no rectângulo. Calhando termos perdido a final, também muito se teria falado do supino disparate de ter visto sair Ronaldo aos 25 minutos e Fernando Santos ter esperado quase até ao fim do jogo para meter Éder. Não que meter o Éder fosse por si só uma decisão brilhante, pois estamos a falar de um trapalhão, mas porque a alternativa de jogar com Nani na posição de Ronaldo era estupidamente estúpida. Para cúmulo, a entrada do Éder mostrou que ele era o homem certo no lugar incerto, actuando como um médio a ganhar faltas e libertando Nani para jogar na única posição onde pode ser útil, como extremo. Igualmente, a decisão de tirar o Renato, em caso de derrota, teria merecido mais uns pregos no caixão, ou na cruz, do Santos. O puto era o único a conseguir desequilibrar com as suas arrancadas a direito em direcção à grande área contrária, algo que se tornaria cada vez mais importante indo para prolongamento e antecipando-se um superior cansaço dos franceses. Mas deu-se um milagre, ou dois, né?
França fez a Portugal, durante 80 minutos, o que a Alemanha tinha feito à França durante 45. Jogaram melhor, jogaram mais, ganharam quase todas as bolas, correram como cavalos. Esmagaram. Depois da lesão do Ronaldo, a única esperança de Portugal era a lotaria das penalidades, e mesmo isso parecia altamente improvável. De tal forma que toda a nossa gente acharia cosmicamente justa a vitória da equipa da casa através do que ficaria como um belíssimo golo de Gignac aos 92 minutos. Este o primeiro milagre, com a bola a bater na metade interior do poste e depois a saltar para a frente de Griezmann que estava perante uma baliza escancarada. Não a apanhou por uma diferença de 1 metro face à curva que ela fez à sua frente. Nessa realidade alternativa, a Selecção derrotada teria à mesma uma recepção em festa quando aterrasse em Lisboa. Marcelo teria à mesma condecorações para distribuir pela rapaziada. O povo encheria à mesma as ruas, embora menos (menos povo e menos ruas). Fernando Santos seria à mesma levado num andor por ter profetizado que só voltaria a 11 de Julho. Um sentimento de serenidade generalizado e narcótico seria alimentado pela repetição de que sem Ronaldo seria impossível fazer melhor, que mesmo assim muito tinha sido feito pois apenas tínhamos levado um e já depois do tempo regulamentar. E as teorias da conspiração sobre o plano francês para dar cabo do nosso único trunfo explodiriam furiosas, com Payet a ser considerado persona non grata do Minho aos Algarves até que o Inferno gelasse.
O segundo milagre foi o golo do Éderzito António Macedo Lopes. Só existe um outro golo de Portugal na mesma categoria, e temos de recuar 31 anos para o encontrar:
A improbabilidade do que Éder gerou aos 109 minutos da jogatana lembra os programas televisivos relativos ao aparecimento dos humanos na Terra. Segundo os avisados cientistas, para onde quer que se olhe deparamos com factores que a terem sido um bocadinho-inho-zinho ao lado, qualquer um deles logo a partir do centésimo de quintilhonésimo do primeiro segundo do Grande Estouro e incluindo aquele calhauzão chutado muito fora de área e que aterrou na mona dos dinossauros há 65 milhões de anos, e nunca este sistema solar teria visto ou iria ver malta em calções atrás de uma bola. O mesmo, ou parecido, para o que se passou naquela jogada, a qual começa com a saída de Ronaldo. Com ele em campo, o ilustre filho da Guiné-Bissau sequer teria ido aquecer no traseiro de uma baliza. Eis então que o nosso fantástico goleador recebe a bola de Moutinho e nada mais pode fazer com ela do que correr para o lado, em direcção ao centro do campo. Nesse movimento quase que se baralha sozinho e perde o equilíbrio. Nem ao seu lado nem à sua frente havia qualquer português a quem dar a bola. A escolha mais lógica seria ter passado para alguém recuado, posto que estava no meio de 4 franceses e distante da baliza. Foi então, nesse instante de solipsismo e derrelicção perante o abandono dos companheiros, que resolveu chutar na direcção do guarda-redes adversário. Essa decisão não tem nada de especial por si mesma. É do conhecimento geral que nos jogos da bola há quem use e abuse desse movimento. O que tornou o remate do Éder em algo que suspendeu as leis da Natureza foi o facto de a bola lhe ter saído tão perfeita que a suavíssima curvatura do seu trajecto acabou por se transformar no singular factor que impediu Lloris de a desviar com a mão direita. Um pintelho de curvatura a mais e a bola batia no poste, um pintelho de curvatura a menos e era defendida. Nem que Éder fosse posto a repetir o remate em corrida do mesmo sítio um milhão de vezes voltaria a conseguir dar aquele efeito, com aquela direcção e com aquela velocidade. E foi isso que todos celebrámos em transe, esse testemunho de um acontecimento impossível a inscrever-se no quotidiano. Muito mais do que estar a ganhar à França e à beira da conquista do título de campeões europeus, a génese primeira da euforia radicava na consciência de que este Universo, definitivamente, não regula bem da bola.
GGGOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLOOOOO!!! Toda a gente que estava na zona dos suplentes de Portugal salta para dentro do campo louca, maluca e doida varrida. Toda? Não. O seleccionador nacional faz o trajecto inverso, abandonando a linha lateral onde passa a maior parte do tempo de jogo a despejar caralhadas contra os seus jogadores e indo passear junto das cadeiras agora vazias com a cabeça baixa e as mãos nos bolsos. Porquê? Porque não? Talvez seja esse o seu modo usual de reagir quando a sua equipa marca, talvez estivesse a orar agradecendo a excepcional intervenção divina. Mas esse movimento a contrario da explosão emocional acabou por ser a prova definitiva de que esta era, dos pés à cabeça, a Selecção do Ronaldo. Um Ronaldo que trouxe do balneário umas faixas à volta do joelho esquerdo que exibiam a sua real patente. O grego passava à sua natural condição de sargento, agora com um general ao seu lado a dar instruções para os guerreiros no campo de batalha. O mesmo general que numa batalha anterior deixou o País boquiaberto com uma histórica exibição de chefia. Aconteceu nas penalidades contra a Polónia com a frase “se perdermos, que se foda”; a qual c’est tout un programme, como dizem os ingleses (os cultos, adubados nos bons colégios). O decisivo na expressão não é o vernáculo, é a condição. O Cristiano levou o João a perder o medo, maior qualidade de liderança não pode haver, enquanto o Sr. Santos fazia e dizia ninguém sabe o quê. De repente, para muitos milhões de atrofiados, um ídolo reclamava o direito ao falhanço como expressão do próprio talento e da vontade de ganhar. Embora este raciocínio já tenha barbas brancas em muito livro de psicologia motivacional, culturalmente foi um choque libertador. Isto porque continuamos a viver numa comunidade que não enterrou o salazarismo, apenas o deslocou para debaixo do tapete. Continuamos medrosos por causa do medo de falhar. Castigamos quem erra em vez de aproveitar o erro como fulcral e inevitável meio de aprendizagem. Isto bebe-se logo no berço, herança de um catolicismo e de uma oligarquia decadentes. É também por isso que a nossa classe empresarial é tão fraca, tão nepotista e tão parola (ou é na sua maior parte, sei lá eu do que falo). A excepcionalidade simbólica de Ronaldo, feita de condições genéticas e ambientais que lhe permitiram atingir planos de superioridade atlética a uma escala mundial, nunca tinha sido tão manifesta como nesses segundos em que ele salvou Moutinho de ser um desertor e o levou, nas asas da sorte, para a glória.
"Em primeiro lugar e acima de tudo, quero agradecer a Deus Pai por este momento e tudo aquilo da minha vida. Deixar uma palavra especial ao presidente, dr. Fernando Gomes, pela confiança que sempre depositou em mim. Não esqueço que comecei com um castigo de oito jogos pendentes.
A toda a direção e a todos os que viveram comigo estes meses. Aos jogadores, dizer mais uma vez que tenho um enorme orgulho em ter sido o seu treinador. A estes e aqueles que aqui não puderam estar presentes. Também é deles esta vitória. O meu desejo pessoal é ir para casa. Poder dar um beijo do tamanho do mundo à minha mãe, à minha mulher, aos meus filhos, ao meu neto, ao meu genro e à minha nora e ao meu pai, que junto de Deus está certamente a celebrar.
A todos os amigos, muitos deles meus irmãos, um abraço muito apertado pelo apoio mas principalmente pela amizade. Por último, mas em primeiro, ir falar com o meu maior amigo e sua mãe. Dedicar-Lhe esta conquista e agradecer-Lhe por ter sido convocado e por me conceder o dom da sabedoria, perseverança e humildade para guiar esta equipa e Ele a ter iluminado e guiado. Espero e desejo que seja para glória do Seu nome."
Fernando Santos atribuiu a Deus, literalmente, o resultado do jogo entre a França e Portugal na final do Europeu de 2016. Quem escreve e se atreve a ler em público o que acima está citado concebe que Deus tomou a decisão de favorecer uma equipa prejudicando a outra, quiçá por ainda estar aborrecido com a Revolução Francesa e quejandos. E mais: que esse resultado pode ser venerado como uma epifania da transcendência em modo católico, apostólico e romano. Isto significa que para os curiosos a respeito das preferências de Deus em matéria de futebol, leigos ou teólogos, o currículo do “engenheiro do penta” é um texto sagrado. Aparentemente, Deus gosta mais do Porto do que do Benfica e do Sporting, deixo essa nota entre outras de igual quilate à espera de exegese. Obviamente, sendo os gostos e clubite do sobrenatural a sua explicação favorita para os acontecimentos que lhe pagam para condicionar, não há nada para aprender com este treinador fora do âmbito do catecismo. A Selecção do Santos não é de Portugal, é de um deus que ele lá conhece de outros campeonatos e a quem deve favores. A selecção do Ronaldo, essa sim, é de Portugal, porque se revelou ser de um português heróico. Um português que ensina a ser como ele, português e herói. Deus não faz falta nesta Selecção de Portugal porque nem Ele sabe o que vai acontecer nas grandes penalidades, inútil pedinchar ajudas manhosas. A Sua omnisciência tem de ficar a olhar e a roer as unhas como os outros na bancada. Qual verdadeiro iniciado na Ordem de Cristo, reencarnação da Ordem dos Templários, Cristiano Ronaldo cospe na cruz e diz a Deus “fode-te para aí nessa altura onde estás, vou tratar do assunto sozinho”. Sozinho e com o Moutinho, que bate bem.
Nesta entrevista – Simões: “Quem é líder não tem necessidade de fazer o que Ronaldo fez” – o magriço António Simões ataca Ronaldo. Não para defender Fernando Santos, aposto que nem nunca ouviu falar nele, mas para defender um bem infinitamente mais valioso, Eusébio. E faz ele muito bem, rangendo os dentes e ganindo desesperado ao ver a identidade a fugir-lhe debaixo das chuteiras, pois o dia chegou em que Eusébio deixou de ser a figura suprema lá onde o futebol é mitologia. Esse lugar passou a pertencer ao madeirense descoberto e formado no Sporting. Sintomaticamente, no fel que descarrega contra o novo rei, que talvez acabe por ser um imperador, faz questão de lembrar o episódio do lançamento do microfone da CMTV para um lago. O Simões sabe do que está a falar, pois esse acto, censurável sob vários critérios adentro de um Estado de direito e de uma deontologia da representação do Estado, fica igualmente como um gesto artístico que sublima a violência do agressor, a entidade Correio da Manhã, e a exorciza numa metáfora espontânea e dadaísta contra o poder dos canalhas. Eusébio e suas maravilhosas pernas jamais teriam força e pontaria para tanto.
Grande, larga e bela vida
Revolution through evolution
Come on baby, (re)light my fire
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Maintaining healthy relationships: Studies identify a promising way
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Reporting crimes to police reduces likelihood of future victimization
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Trolls Often Waive Their Anonymity Online
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A 30-Minute ‘Me’ Break Can Make You a Better Worker, Study Shows
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Fish can recognise human faces
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Study finds when making joint decisions, men need to prove masculinity, ‘push away’ from compromise
O pior cego é aquele que não quer ouvir
Na quinta-feira, duas semanas após a ocorrência, André Macedo escreveu no DN que se tinha enganado a respeito de uma declaração de Passos Coelho em entrevista à TSF e ao DN – Errar e renovar. Errar é humano, o André é humano (consta), ’tá-se bem. Acontece que essa interpretação primeira foi a de vária e boa gente cujas orelhas tiveram o privilégio de acolher os guinchos do láparo. Gente séria, da melhor qualidade, como o próprio PSD institucional que se apressou a amplificar a Verdade:

(sacado ao Vargas)
Sendo essa a verdade dos factos para o PSD, a de que o actual Governo é ladrão, temos agora que Passos, afinal, tentou foi adulterar os tais factos verdadeiros ao se limitar a dizer que o Governo derrubou a legislatura. Derrubar legislaturas é algo que pode acontecer a qualquer um, geralmente por distracção ou simples azar. Já gamar uma legislatura, surripiar uma legislatura, fanar uma legislatura, subtrair fraudulentamente uma legislatura, pilhar uma legislatura, agadanhar uma legislatura, rapinar uma legislatura, piratear uma legislatura, bifar uma legislatura ou mesmo abarbatar uma legislatura, isso, senhores ouvintes, só se faz por mau carácter, más companhias e más leituras. E implica conseguir reunir no Parlamento uma maioria de pelo menos 116 meliantes para que a roubalheira seja consumada.
Como irá o PSD da Verdade, os únicos que levam Portugal a sério quando o resto da malta já só se consegue rir, lidar com essoutro facto igualmente verdadeiro de terem um líder incapaz de dizer a Verdade? Um líder que testemunhou o roubo de uma legislatura à frente dos seus olhos e vem para as rádios e jornais dizer que tudo não passou de um encosto mais forte, quiçá mesmo sem maldade? É um problema grave, e por isso não tão agudo como aquele que tenho para resolver. É que não encontro a gravação das famigeradas declarações de Passos. O André não a disponibilizou na página onde descreve com detalhe as complexidades e misérias do seu sistema auditivo, certamente porque estava com pressa. Numa outra página do DN cujo endereço continua a expor a Verdade – http://www.dn.pt/portugal/entrevista/interior/o-governo-tem-o-dever-de-cumprir-a-legislatura-que-roubou-5287944.html – encontra-se um vídeo com excertos da entrevista, mas também aqui, misteriosamente, não é possível ouvir a passagem que inclusive deu título ao artigo. E até na TSF, entidade que cedeu o microfone e o estúdio de som para o Pedro poder ajudar os portugueses a entenderem a realidade, igualmente não aparecem os tais segundos de oratória na berlinda. Também eu poderei estar a ouvir mal, pelo que se alguém souber onde se encontram, rogo que partilhem esse segredo – ADENDA: a gravação está aqui e a passagem ocorre ao minuto 52.30 – é notório que diz “derrubou” e fica o enigma de como tal se transformou em “que roubou” – maravilhosamente, imediatamente antes, Passos reclama nunca ter dito aos portugueses que não deviam ser piegas.
É bem possível que esta não seja a primeira vez que Passos é vítima das deficientes condições acústicas de terceiros. É sabido que a esquerdalha, para além de não querer ver a Verdade, ou que fosse só a verdade dos factos, manifesta uma inveterada alergia à escuta de certas ideias morigeradoras. Pelo que temos todas as razões para suspeitar andarmos a ser enganados. Eis alguns exemplos à espera da devida correcção:
Registado pela escumalha esquerdista que domina a imprensa:
“aquilo que se está a passar na véspera de venda do Novo Banco é quase criminoso“
Hipótese mais provável para o que foi realmente vocalizado:
“aquilo que se está a passar na véspera de venda do Novo Banco é quase leguminoso“.
Registado pela escumalha esquerdista que domina a imprensa:
“Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida.”
Hipótese mais provável para o que foi realmente vocalizado:
“Despir-se ou ser despido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida.”
Registado pela escumalha esquerdista que domina a imprensa:
«Vai tirar os subsídios de férias aos nossos pais?»
«Eu nunca ouvi falar disso no PSD. Eu já ouvi o primeiro-ministro dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com muitas coisas e também com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate»
Hipótese mais provável para o que foi realmente vocalizado:
«Vai tirar os subsídios de férias aos nossos pais?»
«Vou. Os de férias, os de Natal e uma série de outras coisas que até já lhe perdi o conto. Vai ser uma razia. Quem sabe disso é uma rapaziada amiga que está aí a aterrar na Portela não tarda. Estrangeiros, hã? Ninguém pia. Mas, enfim, como estou em campanha eleitoral, e hoje, vejam lá a coincidência, até é 1 Abril, vou apenas dizer-vos que se trata de um disparate. É um disparate, ok? Pronto, voltem lá para o recreio... Esperem, venham cá!... shiiuuuuu... Não contem nada aos vossos pais... hehehehe... LOL!»
Perguntas simples
Como é que a “Operação Marquês” poderá algum dia terminar se a sua investigação é neste momento a dois Governos, mais um banco público, mais um grupo bancário e empresarial, mais um grupo de empresas de construção, mais uma autarquia, mais não sei quantos empresários, envolvendo diversos países cujo número muito provavelmente virá a aumentar dentro da lógica de que todos os actos administrativos dos tais dois Governos, e do tal banco público, e do tal grupo bancário e empresarial, e do tal grupo de empresas de construção, e da tal autarquia, e dos tais empresários são tomados como suspeitos e dão azo a contínuas novas suspeições sem que alguém saiba a que crime ou crimes concretos dizem respeito?
