Imprensa de má referência

Se há coisa que se pode dizer sobre Pedro Passos Coelho, sem criar qualquer polémica, é que é um político que não vive para as sondagens.

O ex-primeiro-ministro do PSD nunca se posicionou como líder que quer agradar, que antecipa o mood nacional e diz o que os portugueses querem ouvir.

Quando fala, percebe-se que Passos acredita no que diz e que quer dizer as coisas como pensa que elas são, por desagradáveis e duras que se revelem. No partido, alguns dos seus seguidores, como o jovem Hugo Soares, vice-presidente da bancada social-democrata, vêem-no como o homem que “fala verdade aos portugueses” e assume com orgulho os custos políticos resultantes desse estilo.

Público – Editorial – 15 de Agosto de 2016

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Não me lembro de ter visto qualquer estudo ou mera contagem a olho sobre o assunto, pelo que tenho apenas a minha memória como material de análise. Na minha memória, não encontro um líder partidário em Portugal que tenha mentido tanto como Passos Coelho. Sequer que se encontre na mesma divisão. Mentiras directamente relacionadas com as sondagens, com as eleições, com a manipulação do eleitorado.

A mentira – ou, para ser rigoroso no exemplo seguinte, a falsidade – começa com a sua transformação em liberal em 2010. Um liberal à portuguesa, de pacotilha, chegando ao ponto de atacar os fundamentos da Constituição e de andar a pedir prisão para políticos, que agitou essa bandeira por mera táctica face à conjuntura. Dois anos antes, ainda com o “pin” de social-democrata na lapela, andava a elogiar Sócrates pela sua resposta à crise internacional. Era o tempo em que valia tudo para desgastar Ferreira Leite, até atacá-la pela esquerda.

A mentira – aqui, sim, com todas as letras mais o espaço entre elas – continua com o chumbo do PEC IV e a campanha eleitoral de 2011, ficando como um logro historicamente original. As promessas de não ir despedir funcionários públicos, de não ir baixar salários, de não ir cortar pensões e subsídios, de ir estancar a emigração, e de que os problemas se resolveriam magicamente “cortando gorduras no Estado” e substituindo os bandidos do PS pela “gente séria”, foram feitas por ele e pelos seus tenentes até ao último dia de campanha. Nesse sentido, tendo em conta que o PSD sabia exactamente o que iria acontecer ao País e aos seus habitantes com o chumbo do PEC mais o pedido de resgate, nunca tivemos uma fraude eleitoralista como esta na democracia portuguesa.

A mentira – ainda por conhecer quanto às suas consequências finais para as contas públicas – culmina com a fuga às responsabilidades governativas do ponto de vista do interesse nacional que o levou a empurrar as crises do BES, Banif e CGD para fora do perímetro da “saída limpa”. Resultado: uma entrada suja na campanha eleitoral de 2015, onde a tanga da “recuperação económica” e da “austeridade salvífica” foi explorada até à exaustão.

Não sei quem é que escreveu este editorial, presumindo que tenha sido Bárbara Reis. Mas sei que ele transforma a expressão “imprensa de referência” numa anedota.

17 thoughts on “Imprensa de má referência”

  1. «Pois é, afinal o David Dinis não se instalou no seu gabinete, mas então vive-se ali na terra de ninguém. Que a linha editorial do P. endireitou (se Observadou, na verdade) é evidente nalguns artigos sobre o Pedro Passos Coelho principalmente (tanto que até parecem escritos pela Ângela Silva). Estou a lembrar-me de uma mocinha de Castro Verde (não me lembro do nome), que ao que me lembro entrou directamente no jornal da Sonae vinda do Observador. A prosa era a mesma, MARKETING!»

    Valupi, aqui. Acabei de escrever isto sobre esse digamos que editorial que no P. (a Bárbara Reis e os outros seniores devem andar a comer caracóis e a despejar imperiais na costa alentejana, sejamos justos porque aquele não é o seu estilo).

  2. Eric, a tese não colhe, pelo menos nessa versão caricatural. Basta apontar para o destaque que foi dado ao recente artigo do António Guerreiro que visava directamente o David Dinis.

  3. Não te posso responder, mas um claro vazio de poder e o lambe-botismo emergente perante quem está a chegar parece-me possível. Que o jornal se Observadou é para mim evidente, eu já disse que os tipos do David Dinis tomaram o jornal da Sonae como quem vai a uma casa de penhores.

    António Guerreiro, good.

  4. É exactamente o contrário do que se diz nesse editorial! O Passoilo decora alguns
    dos discursos que lhe escrevem e, ao “debitar” a sua expressão facial não ajuda pois,
    para quem ouve a sensação é que ele não faz a menor ideia do que está a falar!
    Piora o quadro quando pretende agradar aos eleitores, acaba por mentir descarada-
    mente sobre tudo, com está amplamente demonstrado … até na última discursata
    no Calçadão declarou que o Governo estava esgotado, para mais à frente admitir a
    sua duração até ao fim da legislatura!?!

  5. Vá, o que faltou há pouco (é comparar, please).

    … artigo assinado pela jornalista alentejana Liliana Valente que tem no seu curriculum O Independente, o jornal I e co-fundadora do… Observador. Alto lá, mas o David Dinis que aí vem não é o tal que parece quase que tenho quase a certeza que era o director do Observador direitolas? O P. foi sendo lentamente tomado de trespasse, está visto.

    Passos Coelho ganhou novo fôlego político com a Caixa Geral de Depósitos – PÚBLICO
    Passos Coelho ganhou novo fôlego político com a Caixa Geral de Depósitos

    LILIANA VALENTE 30/06/2016 – 23:02

    A investigação à CGD e as eventuais sanções de Bruxelas fizeram com que o líder do PSD reagisse, por sentir posto em causa o seu legado.

  6. Quem edita um escrito mentiroso deste calibre contra a verdade dos factos sobejamente conhecidos será o responsável obreiro mas não será, certamente, o responsável maior o qual se esconde atrás destes tarefeiros pagos ao frete.
    O que tal editorial revela é que já há uma evidente sintonia em todos os meios de comunicação privados contra o actual governo. E isto não pode ser obra de tarefeiros mas sim de estratégias de “trabalho” mancomunadas pelos donos-detentores desses meios poderosos para destruir a imagem deste governo até ao seu derrube ou novas eleições. Perante a, cada vez mais provável, possibilidade do governo durar esta legislatura e até reforçar a maioria na próxima, os “merceeiros unidos”, sim merceeiros porque todos vendem produtos e não notícias, informação ou jornalismo, lançaram-se ao ataque para derrotar este governo sem olhar a meios nem verdades.
    Em desespero de causa face à perda de mordomias e negociatas à conta do erário público uns contratam e outros vão às fileiras próprias recrutar o piorio que há de mais baixo de fraqueza humana; os que vendem a consciência para mentir e enganar o outro voluntariamente.
    Eles, os merceeiros da informação, só ainda não se concertaram, parece, no cavalo certo em que querem apostar. Uns ainda apostam no cavalo velho que o povo já conhece e dificilmente embala, novamente, no conto do vigário e, por isso, outros querem eleger um cavalo novo que possam vender outra vez, revestido de novo conto do vigário modernaço, após bem fabricado e exposto iluminado nos seus balcões de luzes tira nódoas e lavar mais branco.

    Nota: este comentário é acerca deste post mas foi, por erro, colocado no post anterior. Aqui fica a rectificação.

  7. “Em que medida é relevante saber que a jornalista é Alentejana de Castro Verde?”

    revela o espírito pidesco da érica, cuja obsessão e missão aqui no aspirina é identificar quem desmonta as trafulhices direitolas e quem as apoia, justiceiros, merceeiros e paneleiros.

  8. O Passos está lixado e nós todos também
    Costa mesmo redondo passa sempre por entre os pingos.
    Até os incêndios vieram em seu socorro.
    Mesmo que a rapaziada fosse toda para os jogos do Rio como foram para a bola em França, Cota saía sempre incólome, sequinho e não se constipava.

  9. Júlio Nóvoa, porque é uma forma de me lembrar de que existe uma rapariga assim (senão seria eventualmente como tu: andava por aí armado em atrevido, aparentemente não perceberia o curso das conversas dos outros porque entre as 17:18 e as 18:44 este tipo estava ali e ali e pouco mais). Posso, …?

    Nota. No entanto sou justo, porque há pior: há quem não passe de burro, de cobardolas e de ordinário, como é o caso clínico (onanismo?) do Ignatz.

  10. Quem pode ir abrir portas é o trambiqueiro de massamá, a quem a crica gorda já passou a certidão de óbito ao admitir que a geringonça afinal está para durar. O montedeesterconegro já anda a afiar a faca e convenhamos que poderá ser o homem certo para liderar tal cáfila de camelos.

  11. Olinda, porque te referes ao burro, cobardolas e ordinário de nome Ignatz (e porque eu apenas me recordo vagamente de mencionares uma estocada que mereceria ser dada por entre o lindo par de cornos que enfeitam o bicho), poderás certamente imaginar como esse teu comentário é para mim (e para nós)… libertador!

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