23 thoughts on “Vamos lá a saber”

  1. será cuidar delas como se das árvores caíssem notas. anda tanta gente a monte e a ganhar vícios! será uma questão de aproveitar os recursos humanos existentes dando-lhes formação para que cuidem do verde. isto quanto aos pirómanos. já no às alterações climáticas diz respeito é exactamente a mesma coisa: quando as zonas estão protegidas, e devidamente vigiadas, a probabilidade de ocorrência de sinistros – mesmo os naturais – se não desaparecem diminuem imenso por conta da organização da emergência.

  2. Pagar a empresas privadas para apagar os incêndios não será concerteza uma boa estratégia.
    Toda a gente tenderá a suspeitar que eles andarão a mandar incendiar para depois ir apagar para poderem facturar … certo ?

  3. Dos incendiários: agravamento penal, e em especial através da introdução no direito criminal português da pena de morte para os crimes de extrema gravidade [*].

    Das alterações climáticas: a nível nacional, muito pouco; e a nível global, tarde demais, e propaganda/ignorância demais, para se conseguir implementar significativamente o nuclear e diminuir o térmico (carvão/fuelóleo). Restam as mezinhas que se vão tomando.
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    [*] Na versão «morte opcional» que defendo, i.e. existência de uma pena máxima podendo revestir, à escolha do condenado, as formas de: 1) eutanásia em condições humanas (que mais não seria, perante a imposibilidade no mundo actual de uma pena de ostracismo compulsivo, do que a forma possível de manter algum reconhecimento do direito do condenado a determinar o seu destino e rejeitar a sociedade e suas normas; 2) prisão perpétua, produtiva e com obrigações de reparação do crime sempre que possível.

  4. Pergunta inspirada pela do Valupi: qual é a melhor estratégia de médio e longo prazo para melhorar o estado de saúde da nação portuguesa e combater as taras que acompanham a deterioração da sua sanidade mental colectiva?

    Minha sugestão de resposta: combater por todos os meios a deriva totalitária do futebol.

    Não estou a brincar: as versões soft e paulatinas da corrupção e apodrecimento totalitário das sociedades não são sequer anti-democráticas ou impopulares.

  5. A propósito da morte como pena máxima e opcional à ideia de reparação perpétua, claro que não seria possível na UE, nem em Portugal, nem em qualquer outro ponto deste mundo dos cucos das nuvens em que todos os sonhadores imaginam que a tortura do encarceramento é muito mais «humanitária» do que o reconhecimento do direito ao suicídio assistido dos condenados (v. caso Ian Brady). Mas trata-se apenas de um exercício de racionalidade e de resposta à pergunta colocada, e não de um programa político realista, plausível para um futuro próximo…

  6. A pena mais adequada para quem incendeia a floresta é a prisão em todos os dias do ano em que não chove.

    O problema dos incêndios florestais resolve-se quando a limpeza e recolha do mato for uma actividade rentável. Isso pode acontecer por algum salto tecnógico que identifique usos que alterem o seu valor ou por políticas administrativas de mercado, e subsídios, inevitavelmente, como as que impediram o abandono dos campos no Norte da Europa e foram, e ainda são, uma das principais razões de ser da CEE e depois da UE.

  7. “Qual é a melhor estratégia de médio e longo prazo para proteger a floresta dos incendiários e das alterações climáticas”, não sei. Mas de uma coisa estou certo: ela não passa por discussões lançadas sobre falsas permissas por por parte de quem não é objectivamente destituido de sentido critico e tem condições para se informar melhor, pois desta forma não faz melhor do que aquilo que bem critica a José Gomes Ferreira.

    Em primeiro lugar, o que arde maioritáriamente em Portugal não é floresta: é em primeiro lugar “maquis” e em segundo povoamentos florestais de pinheiro e eucalipto. Floresta em Portugal é coisa residual.

    Em segundo lugar, as condições climáticas que potenciam os fogos, conhecidas pelos bombeiros como a “”regra dos tres trintas” ( temperatura superiores a 30º, ventos superiores a 30 k/h, e humidade inferior a 30 % ) sempre foram frequentes nos verões portugueses independentemente de qualquer cenário de alterações climáticas.

    Em terceiro lugar, e dando de barato que o número de ignições é um problema que pode ser minorado, é preciso perceber que não são elas o principal problema, pois ignições, intencionais ou acidentais, irão sempre existir. O problema é a escala absurda dos incêndios. E essa bebe directamente no fim das formas tradicionais de uso do território ( Mundo Rural ) e na inexistência, no presente contexto, de alternativas económicas para o seu reordenamento.

  8. JRodrigues, usei o termo “floresta” no seu sentido genérico, tal como aparece aqui, entre milhares de exemplos:

    http://ambiente.maiadigital.pt/ambiente/floresta-1/mais-informacao-1/sobre-as-florestas-em-portugal

    As alterações climáticas são relevantes porque as previsões indicam que Portugal terá períodos mais frequentes e mais extensos de alto risco de incêndio (este ano é um exemplo, mas na previsibilidade do clima o que conta são as séries longas). Logo, é uma mera necessidade de gestão com base nesta simples estatística.

    Quanto ao ordenamento do território, pois aí está algo para o qual foi inventada a política.

  9. Apenas algunsu na tópicos:
    De uma grande parte da floresta nao se conhece o proprietário ou este não conhece a a propriedade.
    A extinção dos fogos não pode ser actividade com fins lucrativos.
    O fogo apaga-se no inverno.
    O valor do m2 de terreno de mato e floresta e da ordem do 1€ a 2€.
    A legislação dos incêndios deve ser prática e esclarecedora.
    Os municípios devem dar o exemplo, investir e prevenção é melhor que investir em festas de verão.

  10. Valupi,

    Como sabes há domínios em que o uso de genéricos pode levar a pensar que as realidades que abrangem são todas susceptíveis de ter tratamento idêntico. Ora, no que ao fogo respeita, se há “florestas” para as quais o fogo é o fim da linha, outras há, como as mediterrânicas ( e o maquis mediterrânico também…) para as quais o fogo é um elemento essencial de sua dinâmica ecológica. Ou seja, e em sintese, não deixar arder nem sempre é a melhor solução. Exemplo: quanto menos fogos controlados se fizerem na Serra da Arrábida, mais descontrolado será o próximo.

    Quanto às tuas queridas “alterações climáticas”, não percebo o teu problema com as tendências, sejam elas quais forem, comprovado que está que basta uma semana de vento leste ( ocorrência banal em qualquer verão …) para pôr meio país a arder, visto que
    no essencial, não é o clima o responsável pela acumulação das cargas térmicas que explicam a dimensão dos fogos que vamos tendo.

  11. JRodrigues, tens razão, obviamente, pois são várias as dimensões que estão em causa: botânicas, climáticas, geográficas, económicas, sociológicas e políticas, pelo menos, cada um podendo escolher o ponto de vista que preferir. Porém, nesta questão do debate público – logo, abrangente e ecléctico – o que interessa é vislumbrar critérios que tenham aplicação política para o curto e médio prazo.

    Para mim, conseguir montar um sistema de vigilância aérea permanente na época de fogos (com potencial para detectar os responsáveis pelo fogo posto) e períodos de seca, que cubra a totalidade das zonas mais valiosas de floresta, seria uma das medidas mais urgentes. Tal não impediria a gestão do fogo para efeitos de renovação biológica nem estaria dependente da redução da carga térmica para ser eficaz.

  12. Valupi,

    Naturalmente que a detecção precoce pode ser essencial para evitar a propagação descontrolada de um fogo. Mas não te iludas: já há mts fogos que são detectados em tempo real sem que isso implique que são controláveis na sua fase inicial, pois a carga térmica está lá e não emigra por decreto. Não caias tb tu na tentação de ceder às “agruras da complexidade”.

  13. JRodrigues, limpar os terrenos, reduzindo a carga térmica, também não é a panaceia. Existem variadas tipologias de risco nas manchas verdes, sendo que ninguém com responsabilidades defende apenas e só uma abordagem na prevenção, pois passaria por maluquinho ou demagogo. Mesmo assim, num cenário onde a rapidez na intervenção seria a mais rápida possível (algo tecnologicamente básico nos tempos actuais, só pede dinheiro) e onde o papel dos incendiários fosse o mais reduzido possível, posto que tenderiam a ser mais facilmente detidos e teriam menos tempo de actuação, os ganhos em protecção seriam evidentes e economicamente justificáveis.

  14. A questão dos fogos florestais está, no fundamental,na zona de clima atlântico mais acentuado,onde o pinheiro é predominante,os incêndios no Alto e Baixo Alentejo são mais raros! Um pinheiro demora 20 a 30 anos a atingir um porte mediano. A ser limpo o pinhal anualmente, significa que é necessário roçar e destruir a vegetação que rodeie o pinheiro 30 vezes! Admitamos que mão de obra,combustível,material, desgaste de material e destruição das infestantes implique um gasto anual de 2 Euros por pinheiro (área a limpar por pinheiro rondando os 15 m2). Admitamos que após 30 anos o pinheiro atinge o peso de 1,5 toneladas. Ao preço actual da tonelada de madeira, 14 Euros, vejam quanto o proprietário perde!!! Vêem a razão porque ninguém limpa os pinhais? Preços baixíssimos da madeira ajudam à exportação de papel! Quando alguém perde,outrem ganha!

  15. Com a mentalidade vigente numa certa franja da sociedade,acabar com a floresta. A Cristas é que soube,sabe ou saberá.ELA TEM OS LIVROS.

  16. De “estratégia” sei pouco, mas parece-me que algumas coisas podiam ser feitas no curto prazo que ajudavam em caso de fogos e não eram nem complicadas nem caras.

    Deixo algumas sugestões:

    1. Uma campanha que informe o que fazer em caso de fogo. Ir ajudar a combater um fogo de havaianas e tronco nu é quase tão criminoso como provocá-los.
    2. Organizar a nível local uma espécie de milícia , para que as pessoas estejam organizadas em caso de fogo e possam ser parte da solução e não do problema.
    3. Associado ao anterior: combater a mentalidade que se criou de que há “donos do fogo” , pois não faz sentido num combate a incêndio haver carros de fogo parados por exaustão das equipas que os operam quando ao lado há gente disponível para ajudar .

    Já agora: se todos os consumidores fizessem questão de consumir produtos da agricultura local e nacional, faziam mais pela prevenção de incêndios do que contribuindo para outros peditórios.

  17. Só conheço quatro tipo de fogos, o fogo politico, o fogo mediático, o fogo natural e o fogo em vez do foda-se.No entanto, este fogo é uma mistura proveniente de um modelo de desenvolvimento errado ( na Madeira é mais que evidente) e que está em colapso mais o inegável aquecimento do planeta com temperaturas médias altissimas em completa aceleração relativamente ao previsto na ultima cimeira do Clima.
    O problema não são os Canadairs, ou a Força Aérea, etc… isso é só a proverbial resposta politica ao fogo mediático.
    A questão é que modelo de desenvolvimento queremos ter. Alguem sabe? alguem discute isso?

    O Costa não tem capacidade de liderança nem visão para lançar ou levantar este tipo de questão. O que se vai vendo timidamente deste governo é a aposta na nova economia tipo Uber (nos transportes) agora replicada na questão do IMI, a visão AirBnb. O gordo, que já devia ter sido demitido, foi um verdadeiro gentreman (senhor gentrificador), quem quer quiser sol que o pague, o belo é só para quem pode.
    A descontextualização do país numa abstração de critérios consumistas globais com ar modernista. Um governo de bimbos. Torne-se sócio da Deco em vez de eleger um deputado, defenda-se como consumidor que a cidadania já foi com o caralho.

  18. relativamente aos incendiários é aplicar pena de fogueira , a cutissimo prazo dissuade logo umas centenas . quanto às alterações climática , tenho ideia que é a floresta que nos protegia delas …. nunca ouviste falar em deflorestação como causa de alterações climáticas ?

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