Todos os artigos de Valupi

A nossa verdade

A Fernanda Câncio desenterrou um texto do Fernando Lima, de 2010, onde ele fez afirmações contraditórias com as que tem espalhado em entrevistas no âmbito do lançamento do livro Na sombra da Presidência, ou que correspondem a citações do mesmo. Eis o texto da Fernanda: Do sótão de Belém Eis o texto do Fernando: A minha verdade

Uma das duas versões acerca da “Inventona das Escutas” propalada pelo infame homem de mão de Cavaco é uma completa, desavergonhada, sórdida e escandalosa mentira. Qual? Felizmente, temos ao dispor a granítica seriedade de Cavaco para nos ajudar neste problema tão difícil. Basta recordar a sua actuação no episódio:

– A 18 de Agosto de 2009 – a 5 semanas das eleições legislativas – o Público lançou com potência máxima a suspeita de estarmos perante uma inusitada e espectacular violação do regular funcionamento das instituições democráticas: o Governo de Sócrates andava a espiar o Presidente da República e a sua equipa, declarava uma fonte da Presidência e o Zé Manel.

– Contexto: oligarquia em pânico com o desabamento do BPN, BPP e BCP; cerco judicial, mediático e político a Sócrates nos meses anteriores com o processo “Face Oculta”, mas no qual não se conseguiu levar Pinto Monteiro a chamar Sócrates ao MP à pala das escutas com Vara; e Cavaco de férias, portanto com uma desculpa para não se pronunciar quando a bomba fosse lançada.

– A bomba foi lançada e da Presidência nem um pio. Um jornal de referência revela que algo nunca antes visto em Portugal, e a justificar a abertura de uma crise de regime, está a acontecer e depois nada acontece. Isto é, a parte denunciadora e vítima da suposta espionagem não actua dentro do seu poder e responsabilidades constitucionais – fosse para assumir a transgressão do Governo, fosse para acabar de imediato com essa suspeita gravíssima. Os partidos apoiantes de Cavaco também nada fazem a não ser gozarem o prato e calcularem os ganhos. Única conclusão: o efeito pretendido estava a ser alcançado por quem tinha inventado a história. O Presidente da República, portanto, aprovava as consequências da calúnia, as quais teriam o seu esperado desfecho na perversão da campanha eleitoral e dos resultados das eleições a ocorrerem dentro de poucas semanas.

– Esta hipótese política de origem institucional só veio a ser reforçada pelos desenvolvimentos seguintes, tendo Cavaco reagido à notícia do DN onde se expunha a golpada afirmando que nada diria acerca dela antes das eleições, e acrescentando que igualmente depois das eleições iria procurar obter mais informações sobre as questões da segurança da Presidência. Ou seja, a poucos dias do acto eleitoral, e perante a descoberta do plano elaborado na sua Casa Civil, Cavaco continua a alimentar a lógica da calúnia contra o Governo e contra o PS.

– Finalmente, a 29 de Setembro, dois dias depois das eleições e para expor a sua opinião sobre o caso, Cavaco fez uma declaração ao País que fica para a História como a intervenção mais sonsa e patética de que há memória vermos um Presidente da República fazer. Aliás, não há nada que se lhe compare em cobardia e miséria políticas que possamos ir buscar a Eanes, Soares ou Sampaio. Nada de nada a vários universos de distância. Só numa mensagem o rei dos sonsos foi claro: o que Lima tinha feito nascera da sua pessoa, directa ou indirectamente:

“Pessoalmente, confesso que não consigo ver bem onde está o crime de um cidadão, mesmo que seja membro do staff da casa civil do Presidente, ter sentimentos de desconfiança ou de outra natureza em relação a atitudes de outras pessoas.”

Resumindo e concluindo, e tal como também escreve a Fernanda, só quem não quis ver não viu o óbvio ululante. E ninguém quis ver. O País, da esquerda à direita, de alto a baixo, aprovou a golpada eleitoral e a impunidade de Cavaco. Que o mesmo é dizer que Portugal passou a considerar que os Presidentes da República têm legitimidade constitucional para usarem a imprensa numa campanha de calúnias com o fito de perverter actos eleitorais. Numa próxima ocasião, mantendo-se esta dinâmica, ainda descobriremos que os nossos Chefes de Estado, já que acumulam com serem Comandantes Supremos das Forças Armadas, poderão tranquilamente mandar uns regimentos de infantaria varrer as sedes partidárias de algumas forças políticas que um jornal amiguinho desses Presidentes se lembre de dizer que “andam a espiar” não sei quem. Será o inevitável corolário da doutrina Cavaco elaborada para a “Inventona das Escutas”.

Em 2011, Cavaco foi reeleito. Na noite da sua vitória eleitoral, voltou a inovar ao se apresentar em público num transe de rancor, tendo atacado todos os candidatos derrotados com raiva assassina. É possível que mais nenhum candidato presidencial no Mundo até à data tenha tido comportamento igual. Um mês e meio depois, no acto solene da tomada de posse, usou a Assembleia da República para fazer um comício onde apelou ao derrube do Governo pela rua e onde atacou a classe política – logo, onde achincalhou a democracia. Nas semanas seguintes, tudo fez para que Portugal fosse obrigado a desaproveitar um acordo já alcançado com a Europa para garantir o seu financiamento e a ter de pedir um resgate de emergência que implicaria a queda do Governo, tendo-se negado a servir de mediador e conciliador entre o PS e o PSD. Com o triunfo do casal Passos&Relvas, passou a violar as suas responsabilidades juramentadas, sendo activo cúmplice do ataque à Constituição por que passava parte essencial da estratégia de uma direita que pretendia aproveitar ao máximo o domínio estrangeiro e a reengenharia económica e social que os fanáticos do empobrecimento impuseram como política única.

Cavaco é o mais importante líder da direita desde o 25 de Abril e uma das figuras mais poderosas do regime. Eis a nossa verdade.

Os putos do Bloco Central de Interesses

«Vai haver muito boa gente em Portugal do PS e do PSD interessado em que não se investigue nada e que não se esclareça nada, porque evidentemente que há responsabilidades do chamado bloco central de interesses da gestão da Caixa, sobretudo nos anos entre 2005 e 2010.»

Marques Mendes, 31 de Agosto

«O Presidente da República considerou este domingo que na política portuguesa há actualmente duas visões em confronto, e que "isso é bom porque podia haver um pântano, um bloco central de interesses", mas que o povo está distendido.»

Marcelo Rebelo de Sousa, 4 de Setembro

«O Presidente da República quer uma reforma da Justiça que parta dos profissionais do setor e não dos partidos. Pela primeira vez, uma iniciativa de cariz político entrega aos juízes, procuradores, advogados, polícias, oficiais de justiça a tarefa de se entenderem para mudar o que há a mudar e não a um abstrato legislador político que comporta em si a indústria das vírgulas e alçapões da lei.

A ideia seria boa se não fosse um presente envenenado. Se não se entenderem – o mais provável –, o poder político fica totalmente legitimado para fazer o que quiser. Para cortar a direito. Como gostariam algumas luminárias do Bloco Central dos Interesses que assim fosse.»

Eduardo Dâmaso, 5 de Setembro

«O pior que pode acontecer é a sedimentação de um bloco central de interesses que acabe por inviabilizar o que é preciso fazer na Justiça. É precisamente contra esse risco que os parceiros sociais da Justiça têm uma palavra a dizer, levando mais longe experiências de anos de trabalho e de reponderação conjunta. Sabendo que, a não ser aprofundada essa experiência comum, a afirmação do bloco central de interesses será inevitável, bloco que terá todo o empenho em que nada que lhe não convenha mude.»

Marcelo Rebelo de Sousa, 7 de Setembro

*

«Com o PSD acabou o Bloco Central de interesses.»

Relvas, 18 de Abril de 2010

__

Temos um Presidente da República que partilha com comentadores alcoviteiros e capos da indústria da calúnia a mesma visão de Portugal, o tal país dominado por um “bloco central de interesses” que verga a Justiça de montante a jusante, garante esta rapaziada. A sinistra entidade consegue impedir investigações parlamentares e reformas no Estado apesar de a sua existência e modus operandi serem do conhecimento das autoridades políticas, judiciais e policiais. Se nos deslocarmos um bocadinho para a esquerda, ou se o alvo for atingir o PS pela direita, descobrimos que a coisa é igualmente eficaz a martelar negócios fraudulentos entre o Estado e particulares. Aparentemente, não se pode fazer nada de nada contra o “bloco central de interesses” a não ser cerrar fileiras, como pede Marcelo aos coitados dos magistrados e advogados, e lutar desesperadamente pela salvação.

Uma das chatices de não existir imprensa em Portugal é esta de não haver um jornalista – um que fosse – que obrigue Marcelo a explicar, fundamentado-as, as suas palavras. Quem quer o quê? Quem não quer o quê? E porquê? Talvez os jornalistas portugueses, e quem lhes paga o salário, não achem que o assunto mereça que se perca tempo com ele. Afinal, as matérias da Justiça são chatas como o raio que as parta. Idem para as da corrupção que possam atingir algum amigo dos jornalistas ou de quem lhes paga o salário. Ou talvez esses mesmos jornalistas, e esses mesmos que lhes pagam o salário, perfilhem da mesma impotência do Presidente da República, dos partidos, da sociedade, do Marques Mendes e até do Dâmaso do esgoto. Todos unidos no gozo com que usam uma expressão que, até ver, não quer dizer rigorosamente nada de nada. É puro artifício retórico, manobra de prestidigitador, levando o olhar do público para um lado com uma das mãos enquanto a outra trata de esconder a moeda.

Existe vida económica, social e política sem “interesses”? Devem os “interesses” da sociedade ser planificados e fiscalizados pelo Estado, de forma a evitar que se criem monstros deste calibre? É ilegal ter “interesses” iguais aos de terceiros e tal gerar aproximações e alianças? Ou a simples existência de qualquer coisa que possa ser nomeada como um “interesse” deve acto contínuo produzir legislação para ser criminalizada e entrega em mão da gatunagem ao juiz Carlos Alexandre? A hipocrisia reinante nesta questão leva-nos para este grau de estupidez e absurdo.

Marcelo, com 50 anos de carreira brilhante como rock star da oligarquia no tal país dominado pelo “bloco central de interesses” não se sabe desde quando, que muito provavelmente se fartou de ganhar dinheiro a servir essa gente que agora abjura ou simula abjurar mas que não identifica, anuncia para quem o quiser ouvir que o Estado de direito neste quadrado à beira-mar plantado é uma anedota. E a malta ri-se; ou nem isso, apenas boceja. Face ao poder desta anestesia, desconfio que o “bloco central de interesses” é constituído por miúdos da pré-primária.

E não há consequências desta golpada eleitoral? O Parlamento, pelo menos, não tem nada a dizer?

Cavaco Silva deu luz verde à denúncia para os media de que Belém estava sob “vigilância” dos homens de Sócrates. Fernando Lima escreve-o no seu livro “Na sombra da Presidência”: “Quando dei conta a um jornalista do ‘Público’ da estranheza, na Presidência, sobre a presença de um adjunto do primeiro-ministro na comitiva de Cavaco Silva que se deslocou à Madeira, foi porque recebi uma indicação superior para o fazer”. O autor garante não ter feito “nada” sem cobertura superior.

“Não fiz nada à revelia da minha hierarquia, como nunca o fizera ao longo da minha vida na relação que, por dever das funções, mantinha com a comunicação social. O assunto era demasiado delicado para que eu avançasse sem mais nem menos”, escreve o ex-assessor de Cavaco Silva, no capítulo em que se dedica ao “intruso” da Madeira.


Fernando Lima culpa Cavaco: “Não fiz nada à revelia da minha hierarquia”

Um esgoto transbordante

rsz_11rsz_1scanner-page-001
TOCAR NA IMAGEM PARA LER

rsz_scanner-page-001
TOCAR NA IMAGEM PARA LER

__

Em Portugal, vigora uma tradição – europeia, ocidental – que confere à profissão de jornalista direitos e deveres especiais. Com a revolução de Gutemberg, século XV, a comunicação social ganhou tecnologias industriais e torna-se um espaço de violenta tensão e opressão política. O poder da palavra passou a assustar cada vez mais os que detinham a palavra do poder. À crescente facilidade técnica para reproduzir e publicar em grandes quantidades, correspondeu uma crescente censura que começa por ser de origem religiosa, intensificada pela Inquisição, e que rapidamente virá também das monarquias. Nos séculos seguintes, acompanhando os triunfos do iluminismo e do liberalismo, a que corresponde um inerente enfraquecimento das forças religiosas e monárquicas, não só a imprensa se constitui como fenómeno sociológico, político e cultural ubíquo como passa a ser reconhecida como manifestação da liberdade do “povo” ou do “cidadão”. A Revolução Americana e a Revolução Francesa, entre outras ocorrências, consagram a figura da “liberdade de expressão” como um valor civilizacional incontornável. As peripécias que se seguiram até aos nossos dias, os avanços e recuos nas liberdades jornalísticas ao sabor da História, não alteraram o essencial: temos querido viver num regime onde os jornalistas tenham a capacidade de descobrir autonomamente factos/informações/notícias de interesse público. Ou seja, não concebemos uma vivência republicana e democrata em plenitude política e cívica sem a existência de uma imprensa livre. É daqui que vem a grandeza de um romantismo heróico que continua a despertar vocações – apesar dos cínicos e dos pulhas que, inevitavelmente, usam essa liberdade para perverterem o ideal que a justifica.

Também desde cedo se percebeu que o poder de expressar mediaticamente uma opinião livre podia ser usado em prejuízo de outros bens morais e jurídicos. Publicitar uma mentira, dando-lhe uma força, rapidez e alcance que não seriam imagináveis sem os meios e as técnicas da comunicação social, pode ter efeitos devastadores e graves implicações individuais, sociais e políticas, inclusive para a segurança nacional dos Estados. A problemática da regulação e da auto-regulação acompanha a evolução do estatuto de jornalista e do vasto quadro legal desenvolvido ao longo dos séculos na procura dos compromissos entre a liberdade de uns e de outros com a responsabilidade de todos. O ponto a que se chegou, nos Estados de direito democrático, confere à prática do jornalismo uma categoria de protecção superior tanto no acesso a fontes como na capacidade para fazer respeitar a sua condição autoral. Resumindo: diz-me como trabalham os teus jornalistas, dir-te-ei qual é a liberdade da tua sociedade.

Pés na terra. No final de Agosto, o esgoto a céu aberto publicou em dois dias seguidos os “direitos de resposta” acima exibidos. Ainda antes de irmos ao seu conteúdo, repare-se nestas curiosidades. Não mostram a data em que foram escritos, o da Octapharma aparece no seu canal digital mas a sua leitura apenas está acessível para assinantes, o do Grupo Lena nem sequer foi publicado digitalmente, na edição em papel o texto da Octapharma aparece bem destacado na página com grafismo de apoio e publicidade por baixo, na edição em papel o texto do Grupo Lena aparece ao fundo da página sem grafismo de apoio e tendo por cima uma notícia relativa a suposta corrupção ligada ao combate aos fogos, ambos não trazem associado qualquer declaração editorial a justificar as notícias protestadas ou a anunciar futuras informações que aumentem a sua verosimilhança ou as comprovem. Porquê estas diferenças? Não faço a menor ideia, se alguém conseguir explicar agradecerei a lição.

O conteúdo respectivo é semelhante, consistindo nestas três declarações não contestadas pelo pasquim:

– O CM não contactou o Grupo Lena nem a Octapharma antes de publicar as notícias em causa.
– O que o CM noticia é pura invenção, não existindo factos que a sustentem.
– O CM viola a Lei e a deontologia do estatuto que lhe permite a actividade jornalística com fins comerciais e/ou outros.

Nada de novo, certo? Certíssimo. Mais vexante do que a impunidade com que um jornal actua persecutoriamente contra alvos seleccionados mediática e politicamente é a conivência de toda a sociedade portuguesa com esta prática. Os pares na imprensa não mostram qualquer incómodo com as violências destes seus camaradas, e os partidos dividem-se entre os que aproveitam o trabalho sujo e os restantes que não tugem nem mujem e que igualmente aproveitam a porcaria de acordo com as agendas próprias. Tem interesse reflectir na ausência de semelhante perversão da missão jornalística à esquerda, algo que a existir permitiria constatar como igualmente se faria aqui tal denúncia. Porém, mais interessante é reflectirmos no que revela das nossas elites partidárias e sociais esta cumplicidade entre ex-ministros, juízes, líderes partidários e futuros primeiros-ministros, como no caso de António Costa e provável caso de Fernando Medina, com um órgão de comunicação social cuja agenda é a conspurcação da democracia ao serviço do lucro e o uso da liberdade outorgada pela Constituição para violar direitos de terceiros. Como é que estas pessoas adormecem sabendo onde estão a deixar o nome? Adormecem em paz no que a esse aspecto das suas vidas diz respeito, né? Pois, eis a mais terrível das suspeitas.

Quanto custa a defesa do que é nosso?

A Procuradora-Geral da República (PGR) disse esta quinta-feira que é preciso um “quadro mínimo de recursos humanos” para enfrentar os muitos desafios a que o Ministério Público é chamado, nomeadamente no combate à criminalidade económico-financeira.

Para colmatar a falta de magistrados do MP, Joana Marques Vidal disse ser preciso assegurar a regularidade anual dos cursos de ingresso no Centro de Estudos Judiciários (CEJ), para garantir a “continuada substituição dos magistrados que anualmente cessam as suas funções” e rejuvenescer os quadros.

PGR pede “quadro mínimo de recursos humanos” para o Ministério Público enfrentar desafios

__

Há quantos anos, todos os anos, ouvimos esta lamúria da falta de magistrados no Ministério Público? O que nunca ninguém ouviu, nem vai ouvir a ninguém, é uma declaração de contentamento pelo número presente de magistrados nessa instituição. Decorre deste último silêncio que a situação de carência de magistrados aparece como uma realidade consensual, unânime, na sociedade portuguesa. Porque persiste, então? Qual a razão para não ser resolvida, sequer entrar nas promessas partidárias, seja da esquerda ou da direita? E, afinal, qual seria o número de magistrados necessários para que o Ministério Público se declarasse satisfeito no que a essa dimensão quantitativa diz respeito?

Mesmo os leigos e distraídos aceitam como evidência que dispensa discussão a denúncia de estarmos perante um problema onde a permanente especialização dos magistrados do MP é crucial para o combate à prática criminosa que vai sempre à frente das autoridades em inventividade e complexidade. Toda a gente concorda que a investigação dos crimes que envolvam o Estado e os seus agentes merece prioridade dada a extensão dos danos causados e a importância do que temos de proteger por ser público. No entanto, as limitações e fragilidade da MP a respeito dos seus recursos humanos permanecem de ano para ano. Aliás, e à luz do que acontece no paradigmático “Processo Marquês”, o que se regista é uma crescente degradação em conluio com a indústria da calúnia e a baixa política. Degradação que se aceita passiva e impotentemente, por uns, e que se explora rapace e selvagem, por outros.

O partido que fizesse as contas para que não se voltasse a escutar dos Procuradores-Gerais da República este choradinho anual teria o meu voto.

Revolution through evolution

Single women are more likely to start a new business than men
.
Five-year study reveals patients operated on at night twice as likely to die as patients who have daytime operations
.
EEG recordings prove learning foreign languages can sharpen our minds
.
Systems Biology Research Study Reveals Benefits of Vacation and Meditation
.
‘Materials that compute’ advances as engineers demonstrate pattern recognition
.
Brain perceives taste with all senses, scientific evidence reveals
.
People enhanced the environment, not degraded it, over past 13,000 years

O cavaquismo está vivo e recomenda-se

"Vai haver muito boa gente em Portugal do PS e do PSD interessado em que não se investigue nada e que não se esclareça nada, porque evidentemente que há responsabilidades do chamado bloco central de interesses da gestão da Caixa, sobretudo nos anos entre 2005 e 2010", afirmou o ex-líder social-democrata num jantar-conferência na Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide até domingo.

"Há 10, 12 operações que foram absolutamente ruinosas, porventura financiamentos que não deviam ter sido concedidos, financiamentos que não foram concedidos com garantias minimamente eficazes, porventura financiamentos concedidos a troco de favores políticos", disse, considerando que, se o Estado tem agora de meter dinheiro na Caixa, ao menos que se esclareça o que aconteceu e apure responsabilidades.

Muito boa gente de 2, 3 partidos vai querer que tudo seja varrido para debaixo do tapete e acho que tudo deve ser esclarecido e escrutinado", insistiu.


Marques Mendes diz que há no PS e PSD quem não queira investigação na CGD

__

Marques Mendes, pelo seu longo e prestigiadíssimo currículo político, não só aparenta saber do que está a falar como, por inerência, deixa a certeza de saber de quem está a falar. Porém, ao começo curiosamente, mas segundos depois escandalosamente para quem ainda não tiver desistido de viver num país onde a decência faça parte da identidade comunitária, nega-se a identificar os autores das manigâncias que utiliza como material retórico nas suas exibições públicas.

O discurso sobre o “bloco central de interesses”, até há poucos anos, era um exclusivo das cassetes do PCP, BE e quejandos. Depois, com a radicalização provocada pela crise de 2008 e pela decadência das elites à direita que se agarraram ao populismo e ao golpismo, passou para os jornalistas especializados em malhar no PS e, finalmente, para o próprio PSD e CDS; como neste exemplo. A lógica, mesmo que a princípio contra-intuitiva, é simples de explicar. Trata-se – ainda e sempre – de conseguir diabolizar os socialistas, os quais ficam mais penalizados do que a actual direita em matéria de prevaricações governativas e financeiras. A tal “central” oferece ainda a enorme vantagem de não poder ser negada, pois ninguém de bom senso admite que as pessoas que em Portugal tratam da política e da finança sejam responsáveis, independentes, íntegras. Seria como negar a existência dos átomos, os quais não vêem a sua realidade beliscada por serem invisíveis, intocáveis, inaudíveis, inodoros e insípidos para toda a gente neste planeta à excepção de meia dúzia de cientistas. Logo, como nos garante Marques Mendes, a “central” é um facto à espera de exposição pública pelas autoridades, e tal só não acontecerá se a corrupção organizada pelas cúpulas partidárias o impedir.

Marques Mendes, e infelizmente, não omite só os nomes dos bandidos. Igualmente não revela se está disposto a colaborar com as autoridades dada a profundidade e minúcia das suas informações, talvez por serem conversas que se espalham à boca cheia no seu escritório de advocacia (muito advogado deve gastar a “central”, chiça). Ou talvez tudo se resuma, como com o Paulo Morais, a recortes de jornais dos seus próprios artigos e presenças televisivas ou a algo que ouviu na mesa ao lado enquanto desmanchava um bife com ovo a cavalo e muita molhanga, daquela mesmo boa. Também não explica o que sabe a respeito da história desta famosa “central”, as suas origens, os seus mentores, a sua dinâmica, os seus códigos, os seus crimes ou ganhos, e qual a razão para as autoridades, incluindo-se nelas o Presidente da República de seu nome Cavaco Silva e o Parlamento cheio de esquerdalha, já para não falar no esgoto a céu aberto, nada terem feito para acabar com o regabofe. Finalmente, o grande Mendes é omisso a respeito do contexto de crise extrema desde 2008, a qual levou internacionalmente a milhões de casos iguais ou piores do que aqueles ocorridos na CGD precisamente por causa do desabamento da economia e finança mundiais e europeias no período para que aponta os holofotes. Apenas consegue ser claro a respeito de uma faceta do seu número de circo. Entre 2005 e 2010, há dois nomes por onde podemos começar ou onde teremos de chegar: Sócrates e Vara.

O cavaquismo, numa das suas componentes fundamentais, é esta sonsice desbragada.

Kellymaníacos

Foi desta forma que Kelly Slater venceu na semana passada a sétima etapa do World Championship Tour, o Billabong Pro Tahiti 2016 em Teahupo’o, regressando à ribalta donde estava afastado há quase três anos. Chamo a atenção para a última onda e a queda a pique com que se inicia a corrida. Tão espectacular que um dos comentadores, fã do Medina (segmento ausente deste vídeo, mas o bacano aparece no vídeo abaixo a fazer a entrevista), não se conteve na azia e acusou Slater de exibicionismo. Para além da vitória, a prova deu-lhe mais pano para a glória, para a lenda viva que já ultrapassa o mundo do surf: quatro pontuações máximas (10), sendo duas delas obtidas na mesma eliminatória, e estas atingindo o nível de ondas perfeitas (todos os juízes deram 10), e ainda o troféu “Andy Irons Most Committed Performance”. A história deste prémio, deste surfista e da sua rivalidade com Kelly não dá para contar nesta folha de couve em que escrevo.

Razões para tanto alarido? O homem tem 44 anos, podia ser pai da maior parte daqueles com quem compete, e continua a ser um dos melhores do mundo num desporto de altíssima exigência física. Mas não só. A sua presença como atleta celebra o que de melhor a competitividade pode fazer a um ser humano – a exaltação do talento, o próprio e o dos outros. Por isso aparece como inspirador muito para além do âmbito deste específico desporto. Tudo isto ocorrendo em cenários de beleza deslumbrante ou simplesmente deslumbrantes pela nossa beleza. Eis um exemplo registado no dia em que o rei voltou a encher de alegria milhões de kellymaníacos:

Uma Justiça sem prazos é infernal

Em Março de 2012 foi aberto pelo Ministério Público um inquérito-crime na sequência da denúncia apresentada pela Associação Sindical dos Juízes Portugueses relativa a despesas efectuadas por responsáveis governamentais do anterior Executivo socialista. Nunca esta associação se tinha lembrado de tal iniciativa, apesar de todos os Governos, desde que há Governos neste país, terem registado despesas da responsabilidade individual dos seus membros. Mas prontos, lá acordaram para o perigo que ameaça a República e os socialistas têm a honra de serem os primeiros, quiçá os únicos, a ficarem na berlinda por causa de um café ali e um almoço acolá. Em meados de 2014 tinham sido ouvidas todas as testemunhas. Estamos dentro da segunda metade de 2016, alguém sabe qual é o estado desta investigação? Alguém responsável pode dar uma previsão de quando serão anunciados os resultados?

Em 2012, com grande aparato mediático e aproveitamento político por parte da indústria da calúnia e da ministra da Justiça ao tempo, foram feitas buscas domiciliárias a antigos governantes socialistas – de Mário Lino a Teixeira dos Santos, passando por Paulo Campos e António Mendonça – na operação “Buraco no Asfalto”; nome dado pela entidade policial ou pela judicial envolvidas, ou talvez nascido de ambas a mielas, o qual configura uma perseguição política e uma provocação ao Estado de direito. Estamos dentro da segunda metade de 2016, alguém sabe qual é o estado desta investigação? Alguém responsável pode dar uma previsão de quando serão anunciados os resultados?

Por volta do próximo 15 de Setembro ficaremos a saber que a “Operação Marquês” terá mais 3 meses, pelo menos, para continuar a fornecer material para a indústria da calúnia e para o permanente desgaste do PS. A já publicitada morosidade dos procedimentos que não param de crescer, conjugada com a real inexistência de quaisquer prazos para terminar o inquérito para além dos interesses avulsos dos magistrados responsáveis, permite supor que teremos festa para mais uns anos, os que o Ministério Público quiser. Tudo em nome da verdade e da perseguição aos criminosos, pois claro. Como estamos a falar de um móbil para a corrupção que vai variando à medida da imaginação dos investigadores, fruto podre de se ter detido e prendido arguidos sem se comprovar porquê, alguém sabe qual é realmente o estado desta investigação? Alguém realmente responsável poderá algum dia dar uma previsão de quando serão anunciados os resultados?

E acerca do BPN, alguém faz ideia de… Ah, espera, esse caso já está a ser julgado. Com sorte, dentro de 10 a 20 anos será possível ter uma versão oficial do que aconteceu. Mas, quer-se dizer, não faz grande diferença que ele continue enterrado e esquecido. Afinal, nem sequer para fazer primeiras páginas e especiais TV no esgoto a céu aberto serve, mais valia não terem perdido tempo e dinheiro com isso.

Exactissimamente

No seu editorial de hoje o Público apressa-se a dar como adquirido o óbito do TTIP. E depois de dizer que o "tratado era mau", acrescenta que "o secretismo que envolveu as negociações, as cedências que impunha à Europa em questões sensíveis como a protecção do ambiente ou da alimentação humana ou o poder de decisão em conflitos comerciais concedido às grandes conglomerações empresariais justificam e tornam até desejável esse fracasso".
É difícil imaginar tanta falta de rigor e tão precipitado juízo:
1º - Não existe ainda nenhum tratado: nenhum capítulo está concluído e em 1/3 dos capítulos ainda não se iniciaram as negociações;
2º - O alegado secretismo nas negociações é contrariado pela divulgação oficial de todas as propostas negociais da UE e pelo conhecimento dos pontos pré-acordados por parte de todos os governos nacionais e de todos os deputados do PE e dos parlamentos nacionais;
3º- Nenhum dos pontos já pré-acordados envolve qualquer cedência da UE em nenhum dos referidos pontos;
4º - O sistema de resolução de litígios de investimento ainda não foi negociado e a proposta da UE que está na mesa afasta ao malsinado sistema de arbitragem particular entre investidores e Estados.
Se o editorial de um jornal de referência pode revelar tanta falta de rigor, como exigir dos cidadãos comuns melhor informação sobre o TTIP?!


Júbilo (2)

Revolution through evolution

Why are we so afraid to leave children alone?
.
Hurricanes are worse, but experience, gender and politics determine if you believe it
.
Chimpanzees choose cooperation over competition
.
We are all ‘wired’ for addiction, says researcher
.
Citrus Fruits Could Help Prevent Obesity-Related Heart Disease, Liver Disease, Diabetes
.
Music at work increases cooperation, teamwork
.
Latest Research Reveals Sitting in Traffic Jams Is Officially Bad for You

Porque há quem goste

O caso da recapitalização da CGD é um dos tais onde a complexidade das questões bancárias, financeiras, legais, técnicas e políticas, para mais implicando diferentes decisores dentro e fora de Portugal, ultrapassa a capacidade de entendimento de 99% da população e 99% dos jornalistas. De tal maneira que perante o começo do seu desfecho – Bruxelas aprovou recapitalização da CGD que pode ir até 4,6 mil milhões – a oposição precisa de se preparar para abrir a boca e PCP e BE estão em modo “cautela e caldos de galinha”.

Entretanto, o caso tem servido para ataques eufóricos ao Governo, tanto por parte da actual direita como da actual imprensa. Ataques inevitáveis pois em ambas as entidades vigora uma lógica simplista e maniqueísta. A lógica da afirmação totalitária, onde se ficciona a actividade governativa retirando-lhe as características que a moldam como um exercício invariavelmente destinado ao falhanço – isto é, destinado ao concreto. Ao invés, as oposições, e a imprensa sendo sua extensão e réplica de acordo com as agendas próprias, discursam como se governar correspondesse à abstracta correlação entre uma decisão plenamente informada e livre de condicionalismos e um efeito directo desse acto governativo. O que é falso. O que é uma ficção. Daí, ao se trocarem as cadeiras, toparmos com a mudança das cassetes, passando os mesmos actores a repetirem os argumentos que ouviam aos adversários antes da alteração no poder.

Qual era o racional para a inclusão de administradores não-executivos na CGD? O que levava a direita e a esquerda a estarem contra tal inclusão? Quais os critérios para julgar um erro tal pretensão do Ministério das Finanças? Sejam quais foram as respostas, na realidade temos um Governo minoritário que tem de negociar as suas opções executivas tanto no Parlamento como na Presidência da República, e ainda na Europa nos casos onde tal é necessário. Como a História não se repete, nunca ninguém verá outro conjunto de governantes a resolver o mesmíssimo assunto nas mesmíssimas condições. Como avaliar a qualidade das decisões tomadas, então?

Os tribalistas não precisam de pensar. A bandeira das tropas é o seu farol, sabem sempre onde está a linha de costa. Os que prezem a liberdade, preferindo a incerteza à tanga, poderão recorrer a este exercício: se já foram enganados uma vez por alguém, à segunda só caem se quiserem ou se gostaram de ser tratados como borregos. Porque há quem goste.

PCP, um partido de farsantes no que toca às “violações dos direitos humanos”

O ministério da Justiça (MJ) deu ordens à Polícia Judiciária (PJ) para suspender a participação no projeto europeu destinado a treinar os inspetores em técnicas de interrogatório a suspeitos de criminalidade organizada transnacional. Esta decisão veio na sequência de vários protestos de partidos e organizações de esquerda, principalmente do PCP, porque a coordenação técnica era de Israel, cujas forças de segurança "violam os direitos humanos". O MJ refuta a "motivação política" na decisão.

[...]

Os protestos da esquerda começaram em junho passado com uma tomada de posição conjunta de várias organizações, como o Comité de Solidariedade com a Palestina, a CGTP, a SOS Racismo, a União de Mulheres Alternativa e Resposta, o Coletivo Mumia Abu Jamal e o Conselho Português para a Paz e Cooperação. Depois o PCP e os Verdes questionaram o Governo, tendo a PJ informado a coordenação do projeto da desistência em julho.

Os comunistas invocaram "violações de direitos humanos" por parte das autoridades israelitas para pedirem ao governo que retirasse a PJ do projeto, lembrando que "são sobejamente conhecidas as práticas de interrogatório "intercultural" das forças de segurança do Estado de Israel e o tratamento dado aos detidos palestinianos, com recurso à tortura".


Governo cede a pressão do PCP e afasta PJ de treino com Israel

Revolution through evolution

Austerity Linked to Rise of the ‘Spornosexual’
.
Standing up for beliefs in face of group opposition is worth the effort, study shows
.
Are violent video games associated with more civic behaviors among youth?
.
Cognitive offloading: How the Internet is increasingly taking over human memory
.
‘I miss you so much’: How Twitter is broadening the conversation on death and mourning
.
It’s True: Latinos Age Slower Than Other Ethnicities
.
A Dog’s Dilemma: Do Canine’s Prefer Praise or Food?

.

Continuar a lerRevolution through evolution