Uma Justiça sem prazos é infernal

Em Março de 2012 foi aberto pelo Ministério Público um inquérito-crime na sequência da denúncia apresentada pela Associação Sindical dos Juízes Portugueses relativa a despesas efectuadas por responsáveis governamentais do anterior Executivo socialista. Nunca esta associação se tinha lembrado de tal iniciativa, apesar de todos os Governos, desde que há Governos neste país, terem registado despesas da responsabilidade individual dos seus membros. Mas prontos, lá acordaram para o perigo que ameaça a República e os socialistas têm a honra de serem os primeiros, quiçá os únicos, a ficarem na berlinda por causa de um café ali e um almoço acolá. Em meados de 2014 tinham sido ouvidas todas as testemunhas. Estamos dentro da segunda metade de 2016, alguém sabe qual é o estado desta investigação? Alguém responsável pode dar uma previsão de quando serão anunciados os resultados?

Em 2012, com grande aparato mediático e aproveitamento político por parte da indústria da calúnia e da ministra da Justiça ao tempo, foram feitas buscas domiciliárias a antigos governantes socialistas – de Mário Lino a Teixeira dos Santos, passando por Paulo Campos e António Mendonça – na operação “Buraco no Asfalto”; nome dado pela entidade policial ou pela judicial envolvidas, ou talvez nascido de ambas a mielas, o qual configura uma perseguição política e uma provocação ao Estado de direito. Estamos dentro da segunda metade de 2016, alguém sabe qual é o estado desta investigação? Alguém responsável pode dar uma previsão de quando serão anunciados os resultados?

Por volta do próximo 15 de Setembro ficaremos a saber que a “Operação Marquês” terá mais 3 meses, pelo menos, para continuar a fornecer material para a indústria da calúnia e para o permanente desgaste do PS. A já publicitada morosidade dos procedimentos que não param de crescer, conjugada com a real inexistência de quaisquer prazos para terminar o inquérito para além dos interesses avulsos dos magistrados responsáveis, permite supor que teremos festa para mais uns anos, os que o Ministério Público quiser. Tudo em nome da verdade e da perseguição aos criminosos, pois claro. Como estamos a falar de um móbil para a corrupção que vai variando à medida da imaginação dos investigadores, fruto podre de se ter detido e prendido arguidos sem se comprovar porquê, alguém sabe qual é realmente o estado desta investigação? Alguém realmente responsável poderá algum dia dar uma previsão de quando serão anunciados os resultados?

E acerca do BPN, alguém faz ideia de… Ah, espera, esse caso já está a ser julgado. Com sorte, dentro de 10 a 20 anos será possível ter uma versão oficial do que aconteceu. Mas, quer-se dizer, não faz grande diferença que ele continue enterrado e esquecido. Afinal, nem sequer para fazer primeiras páginas e especiais TV no esgoto a céu aberto serve, mais valia não terem perdido tempo e dinheiro com isso.

21 thoughts on “Uma Justiça sem prazos é infernal”

  1. Uma vergonha.
    Uma vergonha a que eu também ajudei foi a campanha de calunia a jornalista M. Moura Guedes e Felicia Cabrita.

  2. Certamente, quem poderá dar uma explicação, sobre a situação desses casos a que refere, é a senhora ministra da justiça. Ou estou enganado?

  3. Mas não é só a Justiça () embora seja paga por nós….) !
    Podemos acrescentar uns tais “PAPEIS do PANAMÁ” , em que foi anunciado árduo trabalho de investigação, com software especial e dois ( x2) super jornalistas especiais de investigação e anunciados alvos ( jornalistas e políticos, empresários, sei lá que mais …) envolvidos ….
    PORRA ! Afinal onde está essa investigação ????? Ou os autores foram comprados e silenciados ?????
    Alguém sabe responder ?

  4. A Justiça só é célere e favorável quando estão em causa jornais.

    http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-08-30-Estado-obrigado-a-indemnizar-o-Expresso-por-recusa-de-entrevista-a-Socrates

    É como no IMI, a Igreja pode continuar a não pagar desde que os partidos também não o façam.

    http://expresso.sapo.pt/politica/2016-08-30-PCP-pagou-29-mil-de-IMI-e-defende-isencoes-para-partidos-e-Igreja

    http://expresso.sapo.pt/dossies/diario/2016-08-30-CDS-avanca-com-fim-de-isencao-aos-partidos-se-a-Igreja-pagar-mais-IMI

    O individuo que se lixe, o jogo assenta primordialmente na troca de favores e concertação de posições entre poderes. Para que isto não seja verdade à esquerda deveria haver alguem que defendesse que todos devem pagar IMI.

  5. Espera-se que na abertura do novo ano judicial o Presidente Marcelo marque a
    diferença em relação aos seus antecessores, como constitucionalista deverá dar
    a sua orientação para que, a Justiça em Portugal deixe de andar em roda livre,
    nem que para tal se promova uma revisão constitucional de modo, a responsa-
    bilizar os agentes (juízes e procuradores) pela ineficácia mostrada que, tem con-
    tado com a falta de empenho da A.R. onde os partidos assobiam para o lado di-
    zendo; – à justiça o que é da justiça ! Só que, não se faz Justiça com “justiceiros”!!!

  6. ” É como no IMI, a Igreja pode continuar a não pagar ”

    Já tou a ver o clero a manifestar-se na rua, ” Não pagamos ! Aliás, nunca pagámos ! ”

    Só no caso dos privilégios do clero, se vê com tanta clareza, em que consiste a figurinha dos ” direitos adquiridos ” .

    Manojas disse que quem poderá dar uma explicação sobre estes casos é a ministra da justiça.
    A Ministra da Justiça não manda nos juízes nem nos delegados do ministério público . Em bom rigor, não deveria haver Ministério da Justiça . Aquilo que tutela ( edificios tais como tribunais, prisões, – a PJ deveria ser de tutela partilhada por varios ministérios para dificultar instrumentalizações ) poderia ser assegurado por simples secretarias de Estado .
    Existindo um Min. da Justiça, que em boa verdade, nada tem a ver com a Justiça, tal como o Povo a entende, aquela que se materializa e se concretiza na punição do faltoso, não abona em favor do étimo.

    Simplificações coisa do género, Grande Lisboa e Grande Porto : os arrabaldes ou dormitórios, seriam denominados agregações populacionais ou áreas anexas e os lugares de dirigentes locais assegurados por coadjuvantes ou auxiliares de um único dirigente para cada uma das grandes áreas metropolitanas. Com um ordenado inferior ao actualmente auferido pelos presidentes das cidades vilas, género cidade de vila nova de gaia . Um absurdo !
    Ai, que estou a sonhar alto . Poupava-se dinheiro mas perdiam-se tachos aka jobs for the boys . Era manifestatamente nefasto para o partidarismo político, ergo, mau para a ” democracia ” :^)

  7. cristovão querido continua a mijar para o ar, pode ser que um dia te caia em cima da cabeça. Podes ficar descansado que eu não te direi “eu bem te avisei”.

  8. A noção de clero precisa ser alargada. O caso do IMI demonstra que o verdadeiro ecumenismo, a aliança evangélica Igreja/PC, começa na defesa dos privilégios comuns. Curiosamente os municipios governados pelo PC costumam ter os valores mais altos de IMI.

  9. este post fez.me lembrar un outro em que o signatario dizia no inicio do processo que ia ficar refastelado na poltrona da plateia a asssistir, como um balofo cínico e cobardolas, ao desenrolar do processo.
    na altura qualquer pessoa com meio dedo de testa ja sabia ou pelo menos deveria suspeitar que este processo nao passava de um auto de fé inspirado na licao asquerosa de torquemada.
    ainda assim havia tíbios filhos da puta que davam o benefício da dúvida à investigação.

  10. Alguém é capaz de me dizer por que é que a actual maioria de esquerda não promove as reformas necessárias para que a o sistema judicial se adapte ao Estado de Direito? Até finais do ano passado a culpa era da direita que tinha maioria no parlamento. E a partir daí de quem é? Será que todos os partidos estão interessados em que a Justiça seja como é?
    Responda quem souber…!

  11. “Alguém é capaz de me dizer por que é que a actual maioria de esquerda não promove as reformas necessárias para que a o sistema judicial se adapte ao Estado de Direito? ”

    quem atentar contra o sistema tem a justiça à perna. o sócras foi preso por tentar pô-los a trabalhar, o resto do ex-governo socialista ainda anda a ser investigado por utilização de cartões de crédito. as corporações tomaram conta do país e vivem em autogestão, só loucos ou gajos sem amor à vida é que se metem a justiça, saúde, polícia e forças armadas, imprensa e restante escória. será necessário a falência total do estado de direito para reformar o sistema e mesmo assim dúvido, a banca faliu, perdeu poder, mas continua a fazer o que quer e lhe apetece.

  12. Filotemis, É bonito o que dizes, mas somas somas e concluis coisas pouco úteis. Desde 1974 já estiveram várias maiorias de turno. Esta que lá está agora existe apenas na Assembleia, e ainda assim o grosso do peso dela corresponde a uns que têm por lá estado algumas vezes. Se tivessem convergido nessas coisas, isso estaria nos acordos de 2015.

  13. “De tanto ver triunfar as nulidadesd, de tanto ver prosperar a desonra. de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agitarem-se os poderes na s mãos dos maus, o homem chega a desanimar, a rir-se da honra e ater vergonha de ser honesta”

    Ruy Barbosa

    Jurista, político e diplomata

  14. Valupi, lembro-te que este são os meses das férias grandes que para os militantes gauchistes acabam no fim-de-semana da festa do Avante!. Essa “data oficial”, como diria o JMT. Idem, este ainda é o tempo das férias judiciais. Saberás tu por acaso que és bem informado onde o São José (o teu post é sobre a tal Operação Marquês, não é?) passa a época de vilegiatura este ano?

    [Eu conheço uns reformados que adoram o time-sharing, também no Allgarve.]

  15. Valupi, fora de tempo. A dica do time-sharing no Allgarve surgiu porque aparentemente tu estás na zona (e não tem nada de jurídico), que foi o que disseram no Aspirina B aqui há uns dias.

    [Eu conheço uns reformados que adoram o time-sharing, também no Allgarve.]

  16. Claro que a ministra da justiça não manda na justiça, mas a justiça pertence ao seu ministério. Ela não é um verbo de encher, é uma pessoa responsável, veio da procuradoria, será certamente a pessoa que melhor poderá esclarecer o que se está a passar e, inclusivé, tomar uma posição sobre o assunto.

  17. O problema é que a escolha da ministra foi um corta fogos para o processo Sócrates, ie, uma demissão e uma cobardia. Costa demonstrou fraqueza que agora é aproveitada pela corporação, basta uma acusação ao gordo gentrificador para o mesmo ser demitido, perdendo o PM toda a condução do processo político. Falta de liderança e de cojones.

  18. Cantaril, Só quis dizer que o país muda, tudo muda, mas a Justiça não. Ela continua sempre a mesma – totalitária – seja qual for o governo, seja qual for a maioria parlamentar. Porquê? Ajuda-me a encontrar a resposta verdadeira.
    A Justiça decide tudo na sociedade: a vida e o património dos cidadãos, das famílias, das empresas, das instituições públicas ou privadas e até as decisões políticas dos titulares de outros órgãos de soberania são homologadas pelos tribunais ou escrutinadas. Os procuradores representam quem? A República ou eles mesmos e a sua própria corporação. Por que é que a esquerda política portuguesa institucionalizada nos seus partidos parlamentares quer este estado de coisas ou, pelo menos, se conforma com ele? Ainda não compreendeu o que pretendem os magistrados? Precisa de mais perseguições, mais enxovalhos públicos e mais humilhações? Repito: responda quem souber, mas souber mesmo.

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