“Levo comigo a convicção de que o populismo é o pai da mediocridade e a mediocridade é a mãe da pobreza”
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Perdeste por completo a vergonha, Chico
3 de Abril a feriado nacional
Está na altura de acabar com a hipocrisia dos feriados. Não se trata de reduzir o seu número, credo, mas de actualizá-los, fazer aquilo que ingleses e franceses (desde que cultos, mas nem é preciso muito) chamam de aggiornamento. Ora, quantos portugueses estão em condições de sequer começar a explicar o que está em causa num feriado como o do Corpo de Deus, ou o da Assunção de Nossa Senhora ou o da Imaculada Conceição? Sejamos um bocadinho mais precisos: quantos dos que se dizem católicos conseguiriam justificar histórica e/ou doutrinariamente a lógica de existirem como datas a merecer o estatuto de celebrações nacionais capazes de interromperem a batalha da produção?
Pois. Então, façamos um referendo, ou um sorteio entregue à Serenella Andrade, para trocarmos dois desse trio de antanho pelo feriado proposto pelo Éderzito, a 11 de Julho, e pelo recente fenómeno de vermos um golo acrobático a ser transformado em orgulho pátrio, como se constata pelo êxtase que tomou conta da comunicação social com falta de assunto. Continua tudo a pertencer à esfera da religião, só mudam as potestades e seus milagres.
Contra os pulhas marchar, marchar
Para além de se rirem à gargalhada do Código Deontológico dos Jornalistas e do Estatuto do Jornalista, para além de terem uma actividade criminosa regular ao serviço de uma agenda política, para além de se conceberem como uma organização paralela ao Estado de direito, a comercialização da pornografia e a redução das mulheres a objectos e animais sexuais é parte principal do sucesso do Correio da Manhã, tanto na versão em papel como no cabo. Eis um exemplo da passada quarta-feira:

Temos uma jovem fêmea em fato de banho a propósito de ser actriz algures. Temos uma senhora em roupa interior a propósito do Trump. Temos três rabos de três fêmeas adolescentes a propósito da Páscoa e do Algarve. Temos uma manchete sobre os “viagras” a propósito não se sabe do quê. E ainda temos, no canto superior direito, a promessa de se mostrar a namorada nua de um ou uma (não sei porque não consumi o artigo) jovem de Aveiro. Uma capa que é foda.
Este é o líder da imprensa escrita em Portugal, e da informação no cabo, uma fonte que irradia para o espaço público uma cultura machista e abusiva tão ao gosto “popular”. Os números validam os seus critérios, é o mercado a funcionar. A única moral que respeitam é a das audiências mais desqualificadas e pulsionais, como vimos no caso do vídeo publicado no ano passado sobre um episódio de bebedeira num autocarro com estudantes no Porto. Enfim, qual é o mal de deixar as senhoras exibirem as suas mamas e cus, se elas não se queixam e até agradecem a atenção? Qual é o mal de ilustrar a paisagem de uma praia com juvenis e graciosos traseiros de umas incautas raparigas? E qual é o mal, ó deuses, de chamar para a 1ª página o belo gesto do tal jovem de Aveiro que resolveu partilhar com o mundo a sua admiração pela anatomia da namorada? Estamos a falar de Aveiro, raios, não de uma terreola qualquer perdida no Baixo Alentejo.
Estranhamente, a Cofina, a entidade responsável por este tremendo sucesso comercial que fica como ex-líbris da sociedade que somos, não é alvo de qualquer agressividade pelas entidades e personalidades dedicadas e empenhadas na luta pela dignificação da condição feminina e pela igualdade de direitos entre os sexos. Os políticos, mesmo os valentões dos esquerdolas que não perdem uma oportunidade para sovarem os imperialistas e reaccionários que os cercam, calam-se quando se trata da Cofina. A criminosa e degradante Cofina. E se esse silêncio se regista na esquerda pura e verdadeira, na direita e na indústria da calúnia há viscerais louvores ao que se passa no esgoto a céu aberto. Se o tema da conversa for poderes fácticos, a Cofina será um dos mais poderosos em Portugal tal a rede de influências e dependências que montou. Até o actual primeiro-ministro e o actual presidente da câmara de Lisboa, dois dos melhores políticos no activo, já por lá andaram a contribuir para aquela miséria.
O texto do Octávio Ribeiro onde trata o Gélson como um escravo fugido da plantação de açúcar é o espelho cristalino da axiologia que está em causa no que só aparentemente é díspar, a violação dos códigos deontológicos e a violação da condição humana. Que este esgoto a céu aberto tenha a protecção das forças onde depositamos a nossa confiança cívica e política, social e cultural, é uma prova do subdesenvolvimento estrutural que nos diminui a liberdade. Que fique calado quem quiser ser cúmplice destes pulhas.
Boa reflexão, mas
Nuno Garoupa continua a produzir inteligência política na análise que faz da conjuntura partidária na direita – Estado da direita (II): a guerra civil no PSD – mas parece-me falho de imaginação quanto ao destino político de Rui Rio. Por um lado, alinha na sobrevalorização eleitoral da cultura do ódio que preenche o império mediático da direita, talvez por afinidade afectiva. As capas do CM, a legião de caluniadores profissionais e as caixas de comentários do Observador podem até ser urnas da racionalidade e da decência mas não do voto soberano como se comprova por outros indicadores bem mais fiáveis. Por outro lado, a continuação de Rio na chefia do PSD não implica uma completamente improvável vitória nas próximas legislativas, até se admitindo que mesmo com uma maioria absoluta do PS em 2019 possa haver condições para Rio chegar às legislativas de 2023.
O que introduz absoluta incerteza nas previsões acerca das conjunturas futuras é a absoluta novidade da conjuntura presente. Caso Passos Coelho tivesse continuado a liderar o PSD, ou algum seu avatar, saberíamos com o que contar até às eleições: as cassetes de serem os sucessos do actual Governo da exclusiva responsabilidade do Governo anterior, de terem impedido o genial Passos de produzir dez ou cem vezes melhores resultados económicos do que os malandros dos socialistas, e de ser necessário boicotar o Executivo de Costa por todos os meios possíveis, legais ou nem por isso. Parece uma estratégia estúpida, mas tem uma lógica militar que a sustenta: esta direita decadente possui, de facto, um arsenal de ódio à sua disposição – o qual até envolve poderosos agentes na Justiça capazes de inauditas e ousadas golpadas (como foi o “Face Oculta”). Logo, só conseguem pensar dentro da logística que tanto sucesso provou ter de 2008 a 2015.
Rio é, no essencial, uma incógnita. Todavia, já deu suficientes sinais de poder romper com os decadentes. Se for por aí, irá ao encontro da maior transformação na sociologia partidária desde o 25 de Abril: o apoio da esquerda sectária ao PS. Este acontecimento ainda não nos permite ver quais são as suas consequências, dada a proximidade no tempo e a ocultação dos seus processos, mas os jornaleiros fazem-nos diariamente doridos relatórios acerca dos seus efeitos imediatos. Os editoriais da imprensa e demais veículos opinativos, na sua inutilidade política, servem como focus group do que está em causa, a dificuldade de prever o futuro num sistema partidário onde o sectarismo da esquerda desaparece. Não é só o actual apoio parlamentar que se inscreve como novidade histórica, será com maior potencialidade de criação de uma nova cultura política em Portugal o que estará a acontecer nos grupos de trabalho entre o PS e seus parceiros orçamentais e legislativos. Os frutos da invenção da paz na esquerda são evidentes e espectaculares, e têm vários e bem repartidos autores. Daí a perplexidade, cinismo e azia com que uma comunicação social dominada pela preguiça intelectual e pela miséria cívica lida com o fenómeno. Esta energia que perpassa ainda sem reconhecimento mediático pela sociedade não é inimiga de Rio; pelo contrário, pode ser o tigre que ele nasceu para cavalgar.
Há boas razões para imaginar que não faria nada mal ao País um novo ciclo de governação construtiva e ainda mais democrática do que estes dois anos e meio têm sido. Será Rio capaz de levar o PSD para o bem comum? Se for, uma coisa é certa: será difícil perder o partido para os decadentes.
Perguntas simples
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Scientists penalized by motherhood
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How to deal with embarrassing situations
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Meditate regularly for an improved attention span in old age
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Neuroscientists say daily ibuprofen can prevent Alzheimer’s disease
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Can a Mediterranean diet pattern slow aging?
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Study: Are They Lying? What Non-Verbal Clues Can and Cannot Tell You
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The Universal Language of Emotion
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A nossa notícia do dia
Este blogue produz diariamente excedentes orçamentais em matérias de saúde. Tudo graças ao nosso Plano de Estabilidade.
Calúnia de referência
«Ora, é aqui que é fundamental a memória. É essencial que o país e as pessoas que nele habitam não esqueçam o que são as imparidades, por que razão existiram e quem são os seus responsáveis. Fruto da promiscuidade que assolou durante anos a fio as relações entre os responsáveis políticos e empresariais, nomeadamente do sector bancário, a CGD – assim como bancos portugueses privados – foi o cofre de onde foi desviado dinheiro para crédito malparado, ou seja, que nunca foi possível nem será resgatar. Dinheiro emprestado a “amigos”, numa política de gestão facilitista que é claramente uma gestão de favoritismo e de falta de rigor a que estavam obrigados os seus administradores. E convém não esquecer que, no caso da CGD, há responsáveis com nome próprio, por exemplo Santos Ferreira e Armando Vara.»
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Esta jornalista sabe que Santos Ferreira e Armando Vara são responsáveis pelas “imparidades” da CGD porque eram agentes da “promiscuidade” entre os “responsáveis políticos e empresariais”. E até sabe que a CGD emprestava dinheiro a «”amigos”», fazendo uma gestão “facilitista”, de “favoritismo” e de “falta rigor”. Ficamos assim com a ideia de que a senhora está muito bem informada sobre a CGD. Se não estivesse, não teria a lata de inventar estas causalidades e este descritivo. E, estando tão bem informada, a conclusão é a de que São José Almeida está pronta para ajudar as autoridades a apanhar pelo menos dois bandidos que identifica sem margem para grandes dúvidas. É que elas, as autoridades, ainda não o conseguiram fazer apesar do apoio dedicado, mesmo apaixonado, da “imprensa de referência”.
Eis o que nunca veremos esta caluniadora profissional a fazer:
– Identificar em que ano começaram na CGD a promiscuidade, o facilitismo e o favoritismo.
– Explicar exactamente como é que Santos Ferreira e Armando Vara fizeram o que ela garante que fizeram.
– Parar um minuto para pensar no volume das suas difamações e calúnias num exercício sistemático (o conjunto dos seus textos de opinião) onde nunca vai além do tiro ao alvo, nada demonstrando, nada concretizando.
Vamos lá a saber
Linda
Exactissimamente
Eixo da Chinela
No último Eixo do Mal, ouve-se Clara Ferreira Alves a estabelecer um nexo entre a vida privada de Sócrates, com avultados fluxos de dinheiro pelo próprio descritos como empréstimos, e a “bancarrota” a que ele nos levou na sua douta opinião. Mais à frente, depois de ter sido tratada como crassa ignorante em Economia por Daniel Oliveira e Pedro Marques Lopes, disse que Sócrates passou “muito tempo a tentar fingir, ou a tentar deter, aquilo que era inevitável, e que conduz depois à guerra com Teixeira dos Santos“, e outras enormidades do mesmo calibre desmiolado à mistura com contradições em catadupa, a outrance, sobre o conceito de bancarrota. A suprema ironia que esta triste figura conseguiu provocar resulta de ter estado nos minutos iniciais do programa a fustigar os velhadas políticos, como Marques Mendes e Santana Lopes entre outros, que continuam por aí a comentar cheios de “vícios” em vez de se ir buscar sangue novo. Na petulância displicente com que varria os colegas do comentariado, o chinelo foi-lhe parar ao folclore queirosiano, polvilhado com Camilo, para satisfação do seu vício de épater les bourgessos. Se existisse uma ASAE especializada no âmbito da segurança intelectual e da fiscalização cognitiva, a senhora e o estabelecimento seriam inevitável e pesadamente multados dada a putrefacção dos ingredientes servidos aos clientes.
O Daniel esteve bem ao ensaiar uma crítica dos factores moralistas que explicam as deturpações que enchem o espaço público quando o tema é Sócrates e os idos de Março de 2011. Tudo o que disse a esse respeito é mera banalidade, mas a comunicação social está de tal modo intoxicada pela narrativa dos direitolas que até dá para fazer este tipo de brilharetes. Infelizmente, também a ele o chinelo escorregou para a deturpação, acabando a culpar a vítima. Desmontar a falácia do seu argumento é canja: antes de a Operação Marquês ter sido lançada publicamente passaram-se vários anos em que não se podia ir buscar matérias judiciais e éticas, agora estabelecidas como factos, para a confusão entre as dimensões políticas e económicas da sua governação e a dimensão da sua vida privada. E a que assistimos? Por um lado, desde 2004, a continuadas campanhas de assassinato de carácter. Por outro lado, em 2011, ao triunfo implacável dos traidores que viram na crise económica internacional a oportunidade suprema para alcançarem o poder governativo, triunfo só possível por contarem com a cegueira sectária da esquerda também então traidora do que, e de quem, alegava representar. De ambos os lados da traição, o discurso moralista foi usado caudalosa e obsessivamente. Sócrates, apesar de ter conseguido um acordo de financiamento que evitava o resgate e sua destruição, tinha de cair porque gastava de mais, porque gastava de menos, porque gastava ali em vez de acolá. Se o Daniel se recordar desse Daniel Oliveira de 2011, então a sua memória não o enganará: não era outra coisa senão um moralista.
Pedro Marques Lopes esteve igualmente bem ao apontar aos trafulhas da “bancarrota”. E igualmente nele vimos a chinela do preconceito a encher o ecrã. Ao estabelecer a conexão entre as questões políticas e as pessoas dos políticos, de imediato saltamos para a sua própria e admirável pessoa. Como é que conseguiu ser um público apoiante de Cavaco em 2011 depois do que viu tal pessoa ter feito na “Inventona das Escutas”? Como é que ele foi um público e entusiasmado apoiante de Passos em 2011 ao mesmo tempo que o viu a mentir desenfreadamente, já para não falar no afundanço do País com o chumbo do PEC, cujo exclusivo propósito se esgotava na agenda da oligarquia, do PSD e do próprio Passos? Apesar disso, o Pedro tem o mérito de muito rapidamente ter assumido os seus erros eleitorais, passando a ser uma voz de referência para quem prefere a decência ao ódio.
Luís Pedro Nunes foi a grande surpresa desta edição. Conseguiu falar de Sócrates sem espumar e guardou as chinelas na mochila. O que disse recomenda-se, não havendo lembrança de tal na matéria em causa.
E o Aurélio? É também um chineleiro. Que passa entre as gotas da chuva.
Rio, intuição ou estratégia?
Depois da novidade histórica que consistiu no apoio parlamentar dado pelo PCP e BE a um Governo socialista minoritário, anulando nesse passe de mágica a cultura de sectarismo que tinha feito a lei e a prática desde 1974 na esquerda “pura e verdadeira”, Rui Rio está também a protagonizar uma novidade que poderá igualmente inscrever-se na História. Por agora, ela inscreve-se apenas no tumulto com que a direita decadente reage à sua liderança do PSD.
A direita decadente, aquela direita que apenas procura o poder pelo poder ou que se fanatizou (duas tribos que vivem em natural simbiose), é também decadente por causa do império de que desfruta na comunicação social. De tão mimados estão completamente estragados, sendo um coio de medíocres. E que fazem os medíocres? Procuram as soluções medianas, aquelas que de tão batidas, tão banais, são fáceis e não parecem arriscadas. A competência dos decadentes mede-se pela capacidade de escolherem as melhores soluções para os seus interesses dentro do grupo das piores soluções. Rio apareceu com aquilo que se poderá vir a comprovar como uma das piores estratégias à sua disposição, mas entretanto já podemos reconhecer que ele rompeu com os decadentes ao procurar propostas políticas dentro do grupo das melhores soluções.
Quando, em plena campanha eleitoral para o partido, se lembrou de criticar Joana Marques Vidal e o Ministério Público por causa do deboche do segredo de justiça e da ineficácia de algumas investigações, uma onda de espanto atravessou essa mole que envolve deputados, vedetas do partido, jornalistas e publicistas decadentes. E quando, em coerência com a coragem demonstrada em campanha, foi buscar Elina Fraga para a sua equipa dirigente, isso equivaleu a ter ido meter a cabeça no vespeiro e lá ter ficado de olhos e boca aberta. Não sabemos, ou talvez eu seja o único a não saber, se a escolha de JMV como alvo nasceu de uma intuição, tão-só faro e manha para o escândalo como meio de notoriedade, ou se é plano nascido de crenças ou objectivos, o que faria dessa flamejante bandeira uma estratégia. Sabemos é que os decadentes estão em campanha para fazerem de JMV um trunfo político, aconteça o que acontecer no final do seu mandato. Se for renovado, irão celebrar uma vitória, fazendo dessa anomalia (à luz dos critérios para os últimos PGR) a prova de que a salvação do regime depende de uma certa orientação política no MP, a deles. Se não for renovado, irão igualmente celebrar, ainda mais esfuziantes, pois poderão voltar ao berreiro de estarem cercados pelos socialistas corruptos e o regime ter sido outra vez tomado pelos diabólicos socráticos. Rio não se limitou à demarcação desta sistemática degradação da contenda política e do espaço público, ele assumiu o combate contra ela, o que choca com o posicionamento do partido nos últimos 10 anos. E isto abre espaço para uma fascinante questão: saberá o homem no que se meteu?
Se não souber, terá sido apenas um caso de intuição e soberba, e iremos assistir a correcções de rumo ao longo do tempo, para tudo se desvanecer em nada num futuro próximo. Tem interesse psicológico mas não estimula qualquer reflexão no campo da ciência política. Se souber, se tiver antecipado as consequências e tiver traçado um rumo que implique tal confronto com a subterrânea e criminosa máquina mediática/judicial dos decadentes, então será um inaudito caso de estratégia. Este termo tem vários significados, sendo usualmente tomado como sinónimo de “plano”. No domínio da comunicação comercial, a estratégia passa inevitavelmente por ser um “posicionamento” de uma dada marca. No caso, Rio defronta-se com um posicionamento da direita portuguesa desde 2008 onde a judicialização da política e a politização da Justiça foram a principal arma de arremesso contra o PS. A mancha dos títulos e dos operacionais da opinião na imprensa assim o demonstra. Esta solução foi escolhida por ser a calúnia um modelo de ataque político que acompanha o próprio nascimento da democracia na Grécia. Corresponde a um impulso universal e incontrolável para destruir o adversário destruindo a sua credibilidade e poder de atracção, o seu nome e imagem. Só que a calúnia, podendo aparecer como a melhor solução num dado contexto para certos agentes, tem como limite pertencer ao grupo das piores soluções políticas à disposição das comunidades. Quando tem sucesso, apenas consegue derrubar um opositor, não cria qualquer relação com o acrescento de melhorias para as populações atingidas pela manobra. É uma escolha decadente, portanto. O grupo das melhores soluções políticas não admite calúnias, nem golpadas de qualquer espécie. A disputa política corresponde aqui ao esforço de utilizar a inteligência e a coragem para se vencer os adversários graças à qualidade das propostas e suas promessas de melhoria da vida das populações. O sentimento de comunidade fica integralmente protegido, nunca se tratando os adversários como inimigos. Neste terreno, a retórica bélica, o moralismo hipócrita e a difamação maníaca não se valorizam como características tribunícias; pelo contrário, ficam como a expressão de uma incapacidade, uma menoridade política e cívica. Isto liga-se com o que Rio parece estar a fazer.
A disposição para negociar com o Governo e com o PS, as declarações de apoio a posições institucionais de Portugal e a indiferença com que sofre diários ataques da direita e da classe jornalística por não estar a “fazer oposição” serão uma brilhante estratégia se continuarem e forem levados até ao limite do seu potencial. Ao contrário de Trump que aproveitou a voragem mediática para criar um nevoeiro de guerra favorável à sua imagem e ainda encobridor da imagem de Clinton, aqui neste jardim peninsular a lógica deve ser outra. O berreiro do império mediático dos decadentes poderá ser o vento que enfuna a sua vela. Rio, para ficar na História, não tem de vencer Costa, pois para tal inúmeros factores que não controla contam. Entrará seguramente na História, todavia, se resgatar o PSD, e a direita portuguesa de arrasto, da decadência onde chafurda boçal e violenta. O silêncio que tanto frustra os jornaleiros, os quais vivem de doses diárias e horárias de palha misturada com bosta, e que os decadentes adoram para mostrar as favolas, pode levar a sua marca para uma posição onde cada intervenção sua irá ganhando crescente importância. Importância essa potenciada pela atitude de sentido de Estado e serviço à comunidade que for exibindo. É precisamente o banzé dos decadentes que lhe oferece as condições para deslocar as percepções da sociedade e do eleitorado em direcção ao ponto em que, chegado o processo de escolher um partido que represente a segurança e a prosperidade para sempre ambicionadas, o PSD de Rio possa estar completamente credibilizado. Um partido que honre o seu passado naquilo em que ele foi um fruto de Abril e um instrumento da construção do Portugal onde queremos ser.
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Gendered Stereotypes Can Penalize Women for Having Good Grades
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Female CEOs Frequently Face Subtler Bias
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We start caring about our reputations as early as kindergarten
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Why it’s hard for democracies to erase wealth disparities
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How reciprocity can magnify inequality
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Volcanic eruption influenced Iceland’s conversion to Christianity
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Children of centenarians feel stronger purpose in life
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Grande sorte ter descoberto este bacano
Eis algumas das razões que te vão deixar com um desejo indomável de ver o vídeo abaixo:
– O orador, Robert Frank, é alguém que já esteve morto antes de fazer esta palestra.
– Podemos ver um trecho, envolto num efeito sonoro marado que o torna quase insuportável, de uma conversa sua com um talibã da Fox News que vale cada segundo.
– Recorrendo a materiais gráficos primários, o nosso Bob conseguiu criar o argumento mais espectacularmente frisante acerca do que é uma política fiscal ao serviço do bem comum.
– É, ou foi, um praticante amalucado de windsurf.
– É um fã da melhor série televisiva de sempre (desculpa lá esta verdade, “Sopranos”).
– Tem a coragem de colocar a Mona Lisa no seu devido lugar.
– O que ele demonstra acerca da influência da sorte no destino individual é não só iluminativo como epifânico.
– O tempo acelera à medida que fala, fazendo com que termine o paleio parecendo que ainda estávamos só na introdução.
– Podes ligar as legendas automáticas, o que muito ajuda no entendimento e ainda tem o bónus de gerar disparates hilariantes na transcrição.
– A parte das perguntas da assistência é quase tão boa como o resto, e isto quase nunca acontece. Que sorte.
O que é um jornal?
A escolha de Ferreira Fernandes para director do Diário de Notícias é uma surpresa na história recente do título (pelo menos) e, quiçá, para a própria imprensa escrita portuguesa. Tal deve-se ao seu perfil de cronista, cuja marca distintiva se encontra na exaltação humanista dos temas tratados, invariavelmente servidos por um estilo de escrita cuja elegância delicada e eficácia literária não conhece rival na actualidade. Qual será a influência dessa sensibilidade, e dessa ética, nas decisões de carácter editorial que ficarão à sua responsabilidade?
Tenho a vantagem de não saber nada de nadinha de nada acerca da saída de Paulo Baldaia e da escolha do FF pela administração do jornal. Assim, ignoro se a sua posição será apenas decorativa ou se se espera que ele desenhe decisivamente o futuro imediato e de médio prazo de um órgão em graves apuros financeiros e de popularidade. O que sei remete para a minha experiência de leitor distraído e avulso. Consigo definir o tempo de João Marcelino como intriguista e sectário, tendo sido um aliado da subida de Passos ao poder no PSD e nas eleições de 2011. É ver quem eram os jornalistas e comentadores que faziam parte da “brigada laranja” do Marcelino e o que lhes aconteceu depois, isto se não se quiser perder tempo a analisar a forma ostensiva como assumiam editorialmente a sua agenda política. Consigo descrever o tempo de André Macedo como convencional e inconsequente, um falhanço estratégico nascido da errada formulação do problema: a concorrência não era o “Público”; era, e é, o esgoto a céu aberto. E consigo dizer que o tempo do Baldaia começou bem, com o chuto dado ao odiento Alberto Gonçalves, mas que depois patinou na indecisão estratégica de fundo (como agora se soube) e numa decadência opinativa onde a paixão política e sensacionalista, embrulhada na funesta soberba dos árbitros de bancada, tomou conta dos editoriais e quejandos a propósito dos incêndios, de Tancos e de Marcelo. Não faço a menor ideia do que se vai seguir com a dupla FF e Catarina Carvalho, podendo a encomenda ser mesmo a de fazerem a transição de diário para semanário em papel, a tal que o Baldaia não conseguiu (ou quis) realizar por razões que ignoro.
Os jornais em papel foram, até ao aparecimento da Internet, a melhor forma de consumir informação e reflexão quotidianas. A promessa, então cumprida, era a de acrescentar inteligência geral e especializada à inteligência empírica e individual de cada leitor. Até agora, que tenha notado, a crise resultante da ubiquidade e gratuitidade das fontes de informação digitais ainda não foi resolvida por ninguém na imprensa tradicional e profissional. Como em qualquer outra mudança de paradigma, vem o terramoto e suas inúmeras derrocadas e causalidades. Mas depois vem a fase da reconstrução. No campo dos conteúdos televisivos de entretenimento, a fórmula Netxflix aí está a mostrar como novas tecnologias geram novas formas de consumo adentro da mesma necessidade de fruição. Continuamos a querer ver televisão, a mergulhar na ficção, a definir a nossa identidade de acordo com os mundos paralelos da criatividade mediatizada. Para os jornais, a configuração do problema é análoga: continuamos a querer ser mais inteligentes, continuamos à procura de exemplos de liberdade e coragem para escolher e moldarmos o nosso destino.
Que belo, exaltante, desafio.
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Do Your Share: Perception of Fair Division of Housework Linked to Better Sex Among Married Individuals in Midlife
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Why Did Donald Trump Win? New Study Suggests Voter Values Are Key
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While A Candidate’s Voice Pitch Sways Voters, It Doesn’t Result in Better Leaders
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Brain genes related to innovation revealed in birds
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Studies Support the Idea that Female Birds Prefer to Mate and Raise Chicks with Smart Males
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Mice change their appearance as a result of frequent exposure to humans
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Teenagers more likely to plead guilty to crimes they didn’t commit
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