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Exactissimamente
Afinal, aquilo da asfixia democrática… não é que os cabrões tinham razão?!

in Os políticos invadiram os media portugueses
Estamos perante o mais interessante artigo publicado num jornal desde o começo do milénio. Aleluia, alguém se deu ao trabalho de esboçar um retrato do sectarismo que estrutura a comunicação social portuguesa há décadas, o qual continua a aumentar. Como tem a chancela do Expresso, à surpresa junta-se a certeza de ser um exemplo daquilo que está a retratar.
Rosa Pedroso Lima fez as contas e compôs o quadro que se pode ver acima. Trata-se do mínimo garantido no que respeita ao começo da contabilidade partidária, a qual, contendo erros e não disponibilizando os critérios, oferece o seguinte resultado: Esquerda – 47,4%; Direita – 52,6%. Retrato do País? De um certo país, o dos accionistas e directores dos órgãos onde vamos buscar as notícias e o entretenimento. É o país onde o PSD lidera com mais de 35%, onde o CDS aparece à frente da perigosa esquerdalha com 12%, onde até o Aliança e o Chega, sem terem ainda recebido um singelo voto, já dominam 3% do espaço mediático ocupado por políticos profissionais. Apesar disso, se perguntarmos ao Henrique Raposo, à Helena Matos e ao João Miguel Tavares se serve assim ou ainda estão asfixiados, sabemos bem qual é a resposta. Um fanático não se rende por menos de 99%. Pois já lá chegaremos.
O artigo oferece um esboço de análise qualitativa sobre os números, dando a ver uma segunda perspectiva onde as assimetrias face à realidade eleitoral e sociológica se radicalizam de forma absoluta. Como admite a autora, só dois políticos conseguem ocupar os palcos dos canais televisivos generalistas: Marques Mendes e Paulo Portas. Consequências? O que eles dizem, e tanto que eles dizem, chega a muito mais gente. Justiça seja feita à sua honestidade intelectual, ainda conseguiu referir o ubíquo protagonismo de Paulo Rangel, Pacheco Pereira e Francisco Louçã (grandes inteligências que, fui investigar no Google, têm em comum uma incurável alergia ao PS). Ou seja, se compuséssemos um novo gráfico da ocupação partidária do espaço mediático tendo também em conta o alcance respectivo, a vantagem da direita passaria para algo como 70-30% (sei lá nem se pode saber ao certo, mas aposto os 10 euros no bolso como é à volta disso). Altura de avançarmos, ou descermos, para a parte submersa na peça de RPL.
Portugal é o tal território europeu que tem em comum com os EUA ter um Presidente que foi eleito depois (e por causa) de passar anos em campanha na TV como celebridade do espectáculo. Esse legado também faz parte integrante destes cálculos, da nossa História. Mas o cálculo, e a História feita quotidianamente sob a influência dos órgãos de comunicação profissionais, só se deixa ver na sua completude quando somamos a influência de todos aqueles que não se podem etiquetar como políticos – embora seja política o que fazem adentro dos seus papéis mediáticos. Nesta mole de gente entram os comentadores, os jornalistas, os editores, os directores e os convidados avulsos, todos a opinarem frenética e caudalosamente no espaço mediático. Talvez baste dar o exemplo da RTP para se contemplar o essencial do que está em causa. Judite de Sousa, José Rodrigues dos Santos, Adelino Faria e Vítor Gonçalves são quatro nomes associados a uma prática ideológica e partidariamente marcada naquilo que deveria ser um exercício de pura isenção e idoneidade jornalística. O facto de trabalharem na RTP, estação pública, nunca os inibiu de tomarem posição – mais ou menos sonsa, mais ou menos indecente – nas conjunturas e disputas políticas do tempo. Como quantificar a influência de que dispunham, uns, e ainda dispõem, outros? Ora, se isto é assim na RTP, escusado será listar exemplos do Grupo Impresa, da TVI, até da Global Media et tutti quanti. Contudo, há que referir o exemplo incontornável do Governo Sombra, cujos méritos comunicacionais dos participantes seguramente que justificam a popularidade atingida mas onde o sectarismo dos perfis e da praxis produz um espaço de notável influência antiPS. Não errarei por muito se actualizar o nosso gráfico imaginário para uma relação 90-10 a favor da direita.
Finalmente, o factor Cofina. Trata-se de um grupo de comunicação cujo sucesso é incomparável e cuja agenda política implica o recurso a crimes e a perseguições fulanizadas. Na Cofina utilizam-se as mais apuradas técnicas de sensacionalismo para gerar um clima de constante ataque ao PS e à esquerda em geral, e ainda de degradação das instituições da República. Também aqui é desconhecida a real influência da manipulação constante, bastando referir o caso da promoção mediática de André Ventura para se poder observar o processo onde a meta é o crescimento de um eleitorado disponível para as propostas da extrema-direita. Como não existe nada de nada em Portugal comparável à Cofina que tenha o mais ténue vestígio de ligação a uma agenda de esquerda, qualquer tipo de esquerda, é já cheio de confiança que faço a última alteração no gráfico da influência política na comunicação social portuguesa: Direita – 99%; Esquerda – 1%.
Ventinhas e a sorte de não existir imprensa em Portugal
Existe imprensa em Portugal? Existem jornalistas, alguns que honram exemplarmente a profissão no seu código deontológico e ideal, mas não existe imprensa. E essa ausência tem vastas consequências, tanto no espaço público como nos órgãos de soberania. Se existisse, não seria possível assistir a isto: “Decisão sobre estrutura do Ministério Público condiciona combate à corrupção”
De um lado, um magistrado do Ministério Público que acumula em estatuto e responsabilidade ao aparecer como presidente do sindicato. Do outro, dois jornalistas, um deles premiado e considerado um príncipe da elite mediática, social e cultural do País. Dir-se-ia estarem reunidas as condições para que o primeiro conseguisse passar a sua mensagem e que os segundos a conseguissem esclarecer e criticar com objectividade, idoneidade e coragem cidadã. Eis o que aconteceu:
– O magistrado sindicalista nunca referiu – nem sobre tal foi questionado – os objectivos principais, primeiros e últimos, que o SMMP pretende atingir no seu combate contra o actual Governo, contra a Assembleia da República e contra o sistema partidário. Nomeadamente, o aumento da remuneração, a falsa avaliação das carreiras e a protecção disciplinar absoluta, já para não falar na possibilidade de recusarem ordens e transferências de tribunal.
– O magistrado sindicalista repetiu a cassete onde agita a bandeira da “corrupção” como técnica falaciosa para manipular, difamar, caluniar e alarmar.
– O príncipe dos jornalistas não conseguiu desmontar a retórica do magistrado sindicalista, tendo chegado ao ponto de o interromper quando ele se estava a afundar a pique nas suas distorções só para lhe dar uma bóia de salvação na forma de uma questão mal colocada.
Quem usa as palavras “Justiça” e “corrupção” como tropos para ganhar dinheiro, seja o caso deste Ventinhas ou dos caluniadores profissionais na indústria da mesma, exibe uma característica comum: nunca apresentam dados mensuráveis e fidedignos que permitam validar as suas declarações, conclusões e profecias. Como não se ancora em qualquer realidade passível de ser identificada e partilhada com isenção, o discurso destas personagens é desvairadamente hiperbólico e catastrofista. Estamos perante um clássico registo panfletário com séculos de uso, se não forem milénios. Funciona porque antropológica e cognitivamente fomos seleccionados para dar atenção a quem nos avisa de perigos, mas é essa nossa resposta instintiva e automática perante um qualquer alarme lançado no meio social que igualmente nos faz sermos presas destes predadores que nos enganam vezes sem conta, tantas quanto deixarmos. Como curiosidade, convido à visita ao canal digital do SMMP, e peço a algum bravo que tente lá descobrir dados objectivos e comparativos sobre a corrupção em Portugal (se existirem, por favor mostrem onde).
António Ventinhas é um cidadão que nos pretende enganar. Representa e chefia um sindicato que nos pretende enganar. A estratégia que seguem é a de usarem o tema da “corrupção” como forma de chantagem sobre a classe política que nos representa, que elegemos com o nosso voto. Nessa lógica, assumem a posição oficial de considerarem que os políticos por atacado são corruptos – e dizem-no oficialmente porque se sentem, e se sabem, blindados contra qualquer poder da República. Cá fora, órgãos de comunicação que lucram com os crimes cometidos no Ministério Público fazem coro na calúnia de estarmos infestados por políticos corruptos, os quais só recentemente, graças a Joana Marques Vidal e Carlos Alexandre, começaram a ser investigados e punidos, repetem diariamente. Este clima populista, justiceiro e linchador é usado pelo SMMP como trunfo negocial no que não passa da tentativa de manter o controlo corporativo mais completo e feroz que for possível, impedindo uma abertura democrática do Ministério Público em nome da transparência e da liberdade. Em nome da justiça para todos. Por vontade do Soberano.
Se existisse imprensa em Portugal, se o Miguel Sousa Tavares tivesse sido um bocadinho esperto, Ventinhas teria continuado a explanar a sua analogia entre o combate à corrupção no MP e o futebol para nossa educação. Recordemos a maravilha:
PP - Permita-me citar uma frase do sindicato quanto a uma eventual mudança na composição do conselho superior, não querem "entregar o País àqueles que beneficiaram com a corrupção ao longo de décadas". Isso foi dito pelo próprio sindicato. Alterar a composição do conselho é defender a impunidade da corrupção?
AV - [...] Muitas vezes gosto de dar o exemplo do futebol pa que as pessoas lá em casa percebam, que às vezes interpretam mas não percebem. Era como se disséssemos assim: a administração de um clube, se escolher o treinador e os jogadores, determina o resultado final da equipa ou não determina? Eu diria afirmativamente que sim. Se escolher um bom treinador, experiente, que conhece os meandros do futebol, se escolher os jogadores certos para as posições certas, poderá condicionar, e...
MST - Desculpe que o interrompa, [...]
E interrompeu mesmo. O exercício teria tido continuação, talvez chegando ao ponto de nos ter explicado o papel dos árbitros, das claques profissionais e dos vendedores de couratos no combate à corrupção. A ideia, todavia, ficou bem explícita. Implica ter reconhecido que o Ministério Público é composto por dois grupos de procuradores: o grupo dos competentes e o grupo dos incompetentes. Toda a gente sabe quem é quem. Assim, o Ventinhas sabe quem são os magistrados ganhadores, com experiência e conhecimentos nos meandros da corrupção, e quem são os nabos, os verdinhos. Se ele sabe, os corruptos dos políticos também, pelo que nos tenta assustar com um futuro onde esses políticos corruptos, a partir do Conselho Superior do Ministério Público, coloquem os incompetentes à frente das investigações e se safem com os milhões no bolso. É esta a imagem que o sindicalista está a passar, a qual não é só alucinada, é para todos os efeitos ofensiva da honra de um número indeterminado de representantes políticos democraticamente eleitos ou meros cidadãos escolhidos democraticamente, e com mandatos democraticamente limitados, igualmente ofendendo a honra e o prestígio de um número indeterminado de magistrados do Ministério Público. Calhando ter estado um elemento da imprensa à sua frente ao largar estas atoardas inaceitáveis, pérfidas e escandalosas, de imediato seria atingido por perguntas implacáveis a exigir que provasse as colossalmente gravíssimas denúncias ou que admitisse não passar de um agitador indecente e indigno do poder que o Estado lhe confiava.
A verdade é a de António Ventinhas ser, com obra feita, um caluniador triunfante e impunível. Em 2015, disse publicamente que “o principal responsável pela existência do processo Operação Marquês se chama José Sócrates, porque, se não tivesse praticado os factos ilícitos, este processo não teria acontecido”. Embalado, acrescentou que os portugueses tinham de decidir se querem “perseguir políticos corruptos, se querem acreditar nos polícias ou nos ladrões”. Em 2015, a investigação ainda decorria, saltando de hipótese para hipótese sem provas de corrupção encontradas. Não havia sequer acusação, quanto mais condenações com trânsito em julgado, pois. Isso não impediu um magistrado de violar alguns dos direitos mais valiosos de um cidadão e, portanto, do próprio Estado de direito democrático. Seguiu-se um festival de cumplicidades institucionais com esta violência criminosa. O Conselho Superior do Ministério Público arquivou a queixa de Sócrates, o Tribunal da Relação de Lisboa recusou julgar o crime de Ventinhas, e o Supremo Tribunal de Justiça idem e aspas. Quem se quiser rir a bom rir, mas também chorar, ide ler a argumentação fabulosamente contorcionista e ofuscantemente pífia que protegeu Ventinhas de ser julgado e inevitavelmente condenado por um crime evidente.
Não admira que este senhor veja corruptos em todo o lado. É que ele sabe muito bem, por experiência pessoal, do que fala.
O Sr. Araújo e as suas merdas
Ricardo Araújo Pereira, com a estupenda equipa que faz o Gente Que Não Sabe Estar, teve de recorrer ao arsenal do humor mais básico para tentar insultar Neto de Moura. O uso de humor anal é não só infantilóide e chungoso, implicando uma idade mental inferior a 12 anos ou um estado de intoxicação alcoólica pré-coma para provocar hilaridade. No caso tem a vexante ironia de perpetuar o preconceito que aparenta combater: na representação da violação anal do seu alvo, o genial RAP está a celebrar o falocentrismo que, muito provavelmente, molda a mentalidade e racionalizações morais desse magistrado. Chegou ao ponto de ilustrar que o resultado da violação poderia provocar prazer, assim fechando o ciclo do seu subtexto onde em simultâneo sugere haver algo de inerentemente violento e grotesco no sexo anal – que o sexo anal gera prazer humilhante no parceiro passivo como consequência da brutalidade do parceiro activo. Last but not least, obrigou uma criança a ser parte da chachada dos cus e dos cagalhões. A plateia riu com risos de um amarelo alvar.
Surpresa? Nenhuma. Antes, no Governo Sombra, tinha alvitrado gostar de espancar o tal juiz, ele que pratica uma arte marcial qualquer e é muito mais alto do que a média dos seus concidadãos. Este é o mesmo espaço onde há anos apregoa a sua homérica capacidade sexual, não perdendo uma oportunidade, quando os seus colegas estão felizes e nervosos a mandar bocas primárias sobre pilas e o que dá para fazer com elas, para informar a audiência do seu gosto por mamas femininas. Nada contra, ao contrário, mas significativo e já não abonatório ao passar a ideia de que pretende cultivar a imagem de ter um desejo lúbrico insaciável; embora só na reinação, claro, porque ele está sempre a brincar, né? A questão não é a de se descobrir o mínimo que for acerca da sua real vida sexual, pagaria para não saber. A questão é outra, é a de ter chegado a um ponto de alienação onde precisa de se agarrar a esse modelo de masculinidade pacóvia para (também) construir a sua popularidade. Quer dizer que o seu ganha-pão já não tem graça, desconsolo agravado ao dar por si cercado pelo politicamente correcto que o impede de saborear a vida. Só anda nisto pelo dinheiro e para se vingar de quem lhe ficou com a massa no BES. E daí ter-se tornado na coqueluche dos direitolas ressabiados e rancorosos, ficaram loucos de paixão por finalmente terem cómicos a trabalhar para meter mais xuxas nos calaboiços alentejanos. Eis uma explicação para a queda abrupta na qualidade da sua criatividade.
Há algo que se salva no espectáculo de merda servido na TVI. Algo escatológico, de facto. Isto: agora que a sociedade acordou para a possibilidade de um juiz ser incompetente na sua função de juiz e, mesmo assim, constatarmos não haver autoridade na República que lhe tire o seu poder, queremos mesmo restringir o problema à temática da violência doméstica e fazer de Neto de Moura o bode expiatório que permite esconder o que outros juízes fazem noutras áreas onde confiamos o nosso destino individual e comunitário à Justiça?
Marques Mentes
2014: Os contribuintes podem estar descansados porque não vão meter um tusto no BES.
2019: Quem enganou os portugueses foi o Mário Centeno. pic.twitter.com/HvPIDwhIbO
— Geringonça (@_geringonca) March 3, 2019
Revolution through evolution
Happy in marriage? Genetics may play a role
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Some personal beliefs and morals may stem from genetics
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Face it. Our faces don’t always reveal our true emotions
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Savoring … It’s not just for dinner
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‘Star Wars’ characters’ costumes reflect shift from power to romance
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Rise of European populism and vaccine hesitancy
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Belief in conspiracy theories makes people more likely to engage in low-level crime
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É para aumentar o número destes broncos que há milhões investidos no Observador

Entretanto, isto de aparecerem testemunhas em tribunal que provam, recorrendo a factos e ao bom senso, que o Ministério Público inventou uma acusação contra Vara e Sócrates – Ex-dirigente da CGD sai em defesa de Sócrates em tribunal – não será motivo para reunir o Conselho de Estado? É que Marques Mendes, o mano Costa, a Manuela Moura Guedes e a Cofina já nos disseram tudo o que devíamos saber sobre o assunto; como, aliás, as inteligências do Observador não se cansam de repetir. E que cagada é essa do Ivo Rosa estar a querer ver uma auditoria do não sei quê, auditoria já apresentada oficialmente pela digníssima Joana Amaral Dias, antes de despachar os corruptos para juízes que saibam lidar com a escumalha socialista?
Por favor, não deixem que a integridade e coragem de um juiz atrapalhe a vingança em curso. O regime já transitou a condenação em julgado, o resto são as aborrecidas formalidades para TEDH ver.
E o povo, pá?
«Para a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, o partido enfrentou o momento mais difícil da sua história quando votou contra o PEC IV, durante o Governo de José Sócrates.
"O Bloco de Esquerda pagou por isso, até eleitoralmente", mas se fosse hoje voltaria a fazer o mesmo. "Teria de ser", diz.»
Caixas de cidadãos
«É que ao publicar nos seus sites e FB, sem qualquer filtro ou mecanismo de controlo, comentários como os descritos - e piores -, os chamados "media tradicionais", os jornais, rádios e TV, estão a colaborar na normalização acelerada da falsificação, da calúnia e do ódio. De cada vez que alguém é caluniado, ou ameaçado, ou alguém destila ódio nos comentários a notícias de um jornal ou no respetivo Facebook é esse jornal que está a veicular essa calúnia, essa ameaça, esse discurso de ódio, a validá-los com o seu carimbo, a acolhê-los sob a sua marca.
Não sou jurista; admito que em tribunal se possa ter dúvidas sobre a responsabilidade criminal e civil que esse comportamento acarreta. Mas do ponto de vista ético e deontológico não vejo como ter alguma. Até porque a existência de comentários nos sites e no Facebook de meios de comunicação visa "gerar tráfego", ou seja, proveito.
Combater as fake news deveria começar por aí: porque todos os media que permitem que os seus sites e FB sejam um festim de ódio, acusações falsas, devassas, ameaças, racismo e quejandos estão a contribuir para o ambiente em que elas, as fake news, medram e se tornam indistinguíveis, para parte do público, do jornalismo. Se está tudo no mesmo sítio, distinguir como?»
Fernanda Câncio – “Quando danças com o diabo”
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O argumento é facilmente aceite. Fechar as caixas de comentários pode ser a única solução para o ambiente degradante, se não for criminoso, que as caixas de comentários na imprensa (leia-se: os espaços de livre comunicação escrita por e para livres utilizadores de um dado canal digital) geram numa relação inversa entre a literacia e a violência verbal (mas há excepções para ambos os extremos do primeiro factor, podendo a alta literacia gerar extrema violência e vice-versa). Dando um exemplo recente, o Expresso tinha uma antiga e pujante comunidade de comentadores encaixotados, os quais geravam milhares de comentários mensais. Apesar disso, resolveu acabar com esse território mediático adjacente – ou, como defende a Fernanda, inerente – à entidade legal e respectiva marca. Terá sido por razões morais, deontológicas, legais ou meramente financeiras (custar dinheirinho manter esses dados)? Não faço ideia. Noutros casos, vemos o Observador a cultivar um estilo de pseudo-jornalismo que está em simbiose com o aproveitamento das suas caixas de comentários como elementos de uma dinâmica de propaganda e militância, ou assistimos a um autor (JMT, no Público) que participa nas suas caixas de comentários por razões estritamente narcísicas e megalómanas (ele fala de si nos artigos e continua a falar de si com os comentadores, está satisfeitíssimo com a sua pessoa, et pour cause). Se listarmos exemplos estrangeiros, a diversidade é a regra.
A literatura sobre o fenómeno é tão antiga quanto a WWW, pois desde o início da massificação do acesso à Internet foi sempre assim (aliás, já o era antes, no tempo dos BBS, mas de forma quantitativa e qualitativamente distinta). O facto de se usar a linguagem escrita para comunicar gera inevitavelmente disfunções emocionais na interpretação, por um lado, e permite excessos de agressividade que não se teriam face a face, ou mesmo ao telefone, por outro. Por cima disto, temos depois as diferentes idades (alguém de 84 anos e alguém de 13 anos podem estar a insultar-se mutuamente sem terem noção da diferença etária), a diferente escolaridade, as diferentes literacias, a diferente informação e formação, a diferente motivação e maturidade, a diferente intencionalidade, a diferente capacidade cognitiva, as diferentes personalidades e os diferentes estados de saúde (corporal e, especialmente, mental, mais os eventuais quadros farmacológicos). Finalmente, temos os elementos idiossincrático e existencial, isso de cada um ser único e estar numa situação única a cada momento. Se nem numa junta de freguesia, numa reunião de condomínio e numa família é fácil, sequer provável, chegar a acordo em tudo com todos, ainda menos a consensos, por que raio se vai para uma caixa de comentários de um meio de comunicação generalista esperar tal coisa no que não passa de um baile de máscaras desopilante e/ou alucinado? Só se estivermos completamente avariados da corneta sem arranjo possível.
Dá-se é o caso, substantivo, de ser civicamente importante o que cada um dos participantes nas caixas de comentários dos meios ditos de “referência” está a fazer mesmo quando o que faz é só merda atrás de merda. A importância começa por vir da decisão em participar numa interacção social. Este é o fundamento mesmo de qualquer experiência e instituição políticas. Ora, o que se faz ao participar numa caixa de comentários é lutar para ser o centro das atenções, lutar pelo estatuto, pela posição na hierarquia, pois é isso que antropologicamente se aprende assistindo ao que fazem as celebridades da opinião, essas a quem os mesmos órgãos dão o palco cimeiro. As vedetas, aliás, tendem a queixar-se das “redes sociais” precisamente por causa dessa imitação e concorrência. As vedetas também sonham com audiências caladinhas e em êxtase, só interrompendo a adoração para os aplausos e aclamações do seu brilhantismo, não com o pesadelo de lidarem com uma infinidade de opiniões tão aparente e democraticamente válidas ou vocais como as suas.
No palco onde se passeiam os profissionais comentaristas, como nas catacumbas onde se reúnem os amadores e rebeldes comentadeiros, a lógica e pulsão do antagonismo, e seu cortejo de recursos retoricamente bélicos e assassinos, moldam os conteúdos transmitidos de acordo com as capacidades de cada um. O nivelamento por baixo, essa ecologia da estupidez e da brutalidade, será tão mais fatal quão mais larga for a participação (mas atenção à inversão desta lógica na indústria da calúnia, onde prosperam selectos caluniadores profissionais). Porém, a participação em si mesma da ralé, essa multidão de “anónimos”, é não só bondosa como traz a semente de um crescimento psicológico e cívico – portanto, um crescimento cultural e político. Quem se expõe através da escrita, enviando uma qualquer expressão do seu entendimento (ou falta dele) de uma qualquer realidade, fica excitado com o poder à sua disposição. Trata-se do poder da própria linguagem verbalizada, poder multiplicado pela potência social do meio de comunicação em causa. Poder que se torna meio para uma ontológica necessidade de inclusão. Somos o “zoon politikon”; cuja melhor tradução não é “animal político”, antes “animal da cidade”. E o que é uma cidade? É aquele espaço rodeado de muralhas, feitas de pedra ou de leis, onde a Natureza dá à luz a Civilização.
Os jornais vindos do papel assistem desorientados e em pânico à falência do antigo modelo de negócio sem saberem se existirá um outro substituto. A trágica ironia é a de não terem falta de leitores, talvez até nunca tenham tido tantos. Só que este novo tipo de leitor não pretende pagar por um bem que se tornou ubíquo e com o custo residual igual ao do acesso à Internet, a informação. Daí o triunfo do tabloidismo, o qual vende circo, sexo e sangue, impotência, ópio e ódio. Simetricamente, a irónica tragédia é a de os jornais ignorarem olimpicamente aqueles que os procuram e se expõem na sua ânsia de pertença e crescimento. As tais caixas de comentários infectas, que não passam de becos escuros onde bêbados urinam e miseráveis defecam, resultam da ausência de autoridade. Os jornais abdicam de governar esses espaços, ou quando o fazem são apenas censores, deixando os frequentadores comportarem-se como feras e Quixotes numa guerra civil cuja maior vítima é a inteligência comunitária. Mas seria logística e financeiramente viável fazê-lo, quando nem para os jornalistas há dinheiro? E como? E para quê?
Estudantes, reformados e carolas poderiam, a troco de recompensas simbólicas umas e sem custos monetários outras, passar a exercer a autoridade legal, deontológica e cívica do órgão respectivo em todas as suas caixas de comentários. Em vez de apagarem os comentários que justificassem a sua intervenção, entrariam em diálogo com esse utilizador seguindo protocolos a desenvolver por cada entidade. Um modelo que se baseasse nas regras do pensamento crítico bastaria para o essencial do que está em causa. Aproveitariam os conteúdos enviados para as caixas para o criticarem, mesmo que fossem barbaridades insanas, justificando por que razão, ou razões, tais declarações eram motivo de reparo e dando informações para que o utilizador em causa – e todo o grupo de utilizadores ali de passagem a participar ou só a assistir – pudesse usar a sua própria cabeça, pudesse aferir, pudesse investigar. Pudesse, enfim, tomar consciência das consequências do que tinha escrito, pensado, sentido a partir de um ponto de vista oficial da entidade para onde tinha ido gastar o seu tempo e cujo espaço estava a utilizar de forma tão pessoal. Nesse ambiente, os boatos e as calúnias teriam vida muito curta, por exemplo. Na enormíssima maioria dos casos, esses utilizadores modificariam a sua atitude, abandonando o infantilismo ou desvario iniciais e passando a participar de acordo com as regras explícitas e implícitas assim instituídas pedagogicamente. Nos casos patológicos, em que a proposta dialógica não fosse eficaz, então a censura seria uma solução de higiene inevitável. Finalmente, os jornais teriam oportunidade de entender que cada um se poderia distinguir da concorrência pela qualidade e extensão das comunidades de participação livre que estavam a criar no seu espaço. E ainda que esses quantos representavam muitos mais que precisam que os jornais continuem a ser fontes de inteligência, pois a democracia é de todos os sistemas políticos aquele que mais carece de inteligência – dado tanto a exigir a quem governa como a quem se deixa governar.
Lirismo? Sim, claro. Lirismo, ingenuidade e optimismo. É por aí, ou para aí, que vão os construtores de cidades.
José Gomes Ferreira também sabe mostrar compaixão
José Gomes Ferreira é um dos melhores jornalistas portugueses de sempre e para sempre. Ninguém melhor do que ele é capaz de explicar o mal que o PS tem feito ao País, sendo capaz de o demonstrar com o mesmo desembaraço tanto no plano da economia, como na dimensão policial e judicial, como na esfera metafísica. Para além de ter um excelente programa governativo de Portugal já devidamente impresso e encadernado desde 2013 para educação do povo e morigeração das elites, a sua coragem no combate sem quartel contra os socráticos corruptos (passe o pleonasmo) ficará lendária nas gerações seguintes.
O nosso herói esteve há dias a entrevistar Carlos Costa. Há quem diga que este Sr. Costa partilhou com Armando Vara não sei o quê na Caixa Geral de Depósitos. Ora, Gomes Ferreira é pago pelo mesmo patrão que paga a um conselheiro de Estado para dizer que Vara era o “todo-poderoso” na CGD, o mesmo patrão que paga à magnífica Manuela Moura Guedes para dizer que Vara é o culpado pela recapitalização da CGD em “quatro mil milhões”, entre outras desgraças a pedir o regresso da pena de morte. Seria de esperar que o aquilino e implacável jornalista não perdesse a oportunidade para finalmente revelar à Nação como é que as coisas é, ó Zé. Inevitavelmente, Carlos Costa sabe como foi possível roubar tantos milhões à frente de toda a gente, gente do PSD e do CDS na sua maioria, com responsabilidades na administração desse banco público. Será que Vara chegava mais cedo às reuniões e metia droga nos bules de café e jarros de água, provocando um estado de submissão e amnésia aos restantes administradores? Será que na noite anterior enviava fotos comprometedoras a cada um dos participantes nas comissões alargadas de crédito, ameaçando publicar os vídeos se eles não aprovassem a roubalheira? Ou será que ia para os conselhos de crédito com um colete de explosivos e ficava de pé junto à porta a ouvir instruções de Sócrates até o pessoal aprovar o que ele queria? Carlos Costa sabe e José Gomes Ferreira sabe que ele sabe, porque José Gomes Ferreira sabe tudo o que se deve saber.
Pois. Só que a entrevista chegou ao fim e ficámos na mesma. Na mesma não, sejamos justos. A fazer fé em Carlos Costa, nada de ilícito se passou na CGD, sendo que até teve tempo para lembrar que o banco era auditado por entidades externas que nunca viram aquilo que a gente séria que frequenta a Cofina, o Grupo Impresa e o Conselho de Estado jura ter visto, provado e comprovado. E o valente José Gomes Ferreira lá deixou o fulano ir embora sem o ter obrigado a responder a uma única pergunta sobre a colossal corrupção que Vara espalhava diariamente na CGD. Como explicar o fenómeno? Talvez recorrendo a uma declaração do estupendo e isento Carlos Costa, algo com que ele tem comprado a protecção da gente séria:
«Nós só temos a retoma que temos hoje porque tivemos um programa aplicado de forma rigorosa e com convicção»*
Carlos Costa, cúmplice principal de Passos e Cavaco no afundanço de Portugal em 2011
* Tradução:
Foi graças à entrada do FMI castigador dos estróinas e dos madraços lusitanos, e ao fanatismo de Passos Coelho na sua fúria para ir além da Troika custasse o que custasse, que hoje andam para aí uns socialistas armados ao pingarelho a gozar-se do tratamento que demos aos piegas instalados na sua zona de conforto nesses gloriosos anos da austeridade salvífica, 2011 a 2015.
Revolution through evolution
Women with more social support are less likely to die prematurely
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Natural resources valued differently by men and woman
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Consuming garlic and onions may lower colorectal cancer risk
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Live better with attainable goals
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Like humans, dogs’ personalities likely change over time
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People who cunningly use cooperation and egoism are ‘unbeatable’
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Talking Ourselves Into It: How We Rationalize Bad Choices
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Exactissimamente
O líder que arruina a liderança


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Quem não sabe colocar vírgulas tem competência suficiente para governar o País? Infelizmente, esse não é o maior problema que a conta de Twitter de Rui Rio levanta. Ao ser um veículo de posicionamento e mediatização directa como líder partidário à mistura com ser um canal de expressão pessoal e espontânea para as mesmas temáticas, o resultado é uma imagem ingénua, amadora e ineficaz para a sua valorização como candidato a primeiro-ministro. Acima temos um exemplo – paradigmático – do nó cego que lhe está a tolher a dinâmica de afirmação e crescimento eleitoral.
A dimensão da Justiça é das mais importantes para a qualidade da democracia, para a segurança dos cidadãos e para o desenvolvimento económico. Por cima desta consensualidade à direita e à esquerda, temos desde 2009 a evidência de se estar a usar a Justiça como arma política. Os abusos e crimes cometidos no Ministério Público na perseguição a políticos do PS e ao próprio PS, em conluio com a escolha de Joana Marques Vidal para PGR e a campanha política que protagonizou e alimentou, ocorrem com a cumplicidade do regime; portanto e por tanto, do próprio PS que paradoxalmente consegue recolher benefícios internos do cerco externo. Este o quadro onde as proclamações de Rio a pedir menos corporativismo e mais democracia e soberania na conduta dos magistrados do Ministério Público são uma prova da sua coragem como líder dado o contexto onde a direita decadente e a indústria da calúnia triunfaram e perderam qualquer prurido na exibição do seu poder ilícito. Mas mais, e mais importante para a comunidade: é uma proposta que só se justifica existir por causa do interesse nacional, do bem comum, da defesa da liberdade.
Ora, como destruir a promessa de radical inovação na direita portuguesa, que recupera o melhor da tradição liberal e, de caminho, perder uma posição cimeira donde Rio poderia chamar a atenção para outras propostas políticas do seu PSD? Pois da maneira que acima pode ser desfrutada. Ao vir com a cassete de que o PS “arruinou” a economia e foi o responsável pela vinda da Troika e suas consequências fanática e violentamente penalizadoras dos pobres e da classe média, Rio não está apenas a mentir, nem está apenas a deturpar, nem está apenas a esconder o que o seu partido de braço dado com Cavaco escolheu fazer em 2011 e nos anos seguintes até ser corrido por um novo Parlamento. Acima e antes de tudo, o que ele está a fazer ao tuitar boçalidades típicas da chicana é a exibir a sua mediocridade política. Que não espante, então, encontrar a sua assinatura nesta inanidade:
A mensagem que estou a enviar, por infomail, aos portugueses: pic.twitter.com/2p92GntbOc
— Rui Rio (@RuiRioPSD) February 22, 2019
Vai ser a greve mais irónica, e mais longa, da História
Só se esqueceu de chamar o Ku Klux Klan*
«1. Lentamente, mas de forma segura, o PS António Costa vai aumentando a sua influência sobre o aparelho do Estado e sobre a sociedade civil. Com o Presidente Marcelo concentradíssimo nas suas taxas de popularidade, os socialistas vão atacando tudo o que mexe que não seja do seu agrado. Ora atacando a independência das entidades reguladoras, ora controlando órgãos incómodos como o Conselho de Finanças Públicas, ou preparando a nomeação de um fiel compagnon de route ou até mesmo de uma camarada do PS para o Banco de Portugal.
Uma boa prova dessa atração por um regresso ao passado do tenebroso consulado José Sócrates é o veto que o Governo fez à presença de Álvaro Santos Pereira em Portugal para apresentar, enquanto diretor da OCDE responsável por essa área, o relatório sobre a economia nacional.
Esse veto é, aliás, uma típica manobra socrática:
Pela intolerância. Vetar alguém, e logo um português que é titular de um alto cargo internacional, só porque não é da cor política do Governo e porque fala de temas incómodos como a corrupção, revela intolerância.
Pelo autoritarismo. É uma espécie de quero, posso e mando de António Costa. Já que o tema da corrupção foi escolhido pela OCDE ao arrepio da vontade do Governo, há esta manifestação de força para que sirva de exemplo para o futuro.
Pela censura. Se Sócrates tinha um especial gosto em controlar a comunicação social, escolhendo direções editoriais, financiando administrações de jornais e interferindo ativamente nas respetivas linhas editoriais, António Costa começa pelos relatórios das instituições internacionais. É um caminho que, no futuro, poderá ter intersecções com aquele que foi feito por José Sócrates.
É caso para perguntar: se fazem isto em minoria e em aliança com a extrema-esquerda, o que fariam com maioria absoluta — ou em aliança com Rui Rio?»
O fim da impunidade não pode ser desperdiçado com mulheres
«A mulher de 53 anos morta este domingo à noite a tiro na Golegã já tinha feito queixa do seu agressor à GNR pelo menos uma vez, no ano passado. Mas a Justiça não actuou a tempo de salvar esta vítima.
Confirmando a existência de uma queixa, a Procuradoria-Geral da República explica que o agora homicida chegou a ser constituído arguido. Mas a investigação “ainda não estava concluída, tendo o Ministério Público ordenado a realização de diligências complementares às já realizadas pela GNR”. O PÚBLICO está a tentar saber se foi decretada alguma medida de coacção ao suspeito, um empregado fabril de 62 anos.»
Qualquer dia noticiam que se faz pornografia infantil na sede do PS
Revolution through evolution
Why Mr. Nice could be Mr. Right
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Shameful secrets bother us more than guilty secrets
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New Book from Sociologist Daniel Laurison Explores the ‘Class Ceiling’
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Normalização da normalidade
Usar os direitos constitucionais e as instituições políticas para melhorar a sociedade é algo que pode partir da iniciativa de qualquer indivíduo. Pode, e deve, mas é raro que tal aconteça porque há um discurso alimentado pela indústria da calúnia e pelo tabloidismo de direita que desmotiva e assusta a enorme, a quase totalidade, dos cidadãos. Então eles vão para a tasca, o cabeleireiro, a Internet e o táxi maldizer a desgraça que os aflige: estão cercados por corruptos, não vale a pena mexer uma palha na defesa dos seus direitos e sonhos democráticos, os poderosos são intocáveis (e daí, como assinalou o actual Presidente da República, ser tão importante termos conseguido enjaular o Vara, que é para os poderosos se borrarem de medo e podermos deixar de nos preocupar com eles nos próximos 40 anos).
A cidadã abaixo dá uma das melhores lições de política a que já assisti. Ela reconhece que ser livre comporta alguns riscos, mas que o risco maior é passar pela vida sem descobrir aqueles outros, tantos, que se juntaram a ela por causa da sua coragem. O risco maior é deixar que os pulhas nos roubem a liberdade.



